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Thursday, August 19, 2010

Repórteres...


O vídeo que aparece aqui é da reportagem do SBT Repórter de segunda feira passada. Eu apareço ali entre o 7:10 e o 7:14 minutos deste bloco.
São 4 segundos de fama na TV mais feliz do Brasil.
Para aparecer 4 segundos, saí de são Paulo em uma van e passei o dia gravando em uma fazenda em Paulínia. Falei horas sobre o impacto ambiental da pecuária, de como a ciência e a tecnologia podem mitigar esses impactos, falei de recuperação de pastagens, da importância que isso terá no combate ao desmatamento, falei de mitos sobre as emissões de metano, falei de nutrição animal.
Tudo isso para que a edição do programa usasse apenas uma frase "engraçadinha" para ir ao ar.
Eu queria fama? Não, principalmente não junto com Silvio, Hebe & cia. Eu apenas cometi o erro de acreditar que a TV realmente se interessa em esclarecer a população sobre determinados assuntos. Mas não foi a primeira vez, e nessas experiências aprendi um pouco sobre jornalismo. Algumas lições (que valem uma faculdade de jornalismo):

1. Reportagem que vende é a que apela às massas. Segundo o Gilberto Smaniotto, nessa categoria estão reportagens sobre comida, sexo e histórias policiais. Fora disso o assunto é "cult".
2. Repórteres são seres absolutamente ignorantes em todos os assuntos. Na verdade, eles aprendem que não precisam saber nada, já que a função deles é a de reportar, ou seja, a de dizer "Fulano que é especialista falou isso". O problema é que nesse processo ele vai acumulando o que ouviu a torto e a direito, e o resultado é o repórter que continua sem saber nada mas que agora acha que sabe tudo.
3. Não interessa qualquer tipo de informação relevante que você queira passar ao público. É o repórter quem decide o que ele acha que é relevante (e isso sem saber nada). E nessa tarefa, ele não vai obviamente reportar o que você acha importante, ele vai ficar de olho na sua frase mais "engraçadinha" ou "polêmica" para por no ar (tipo: carne de porco é afrodisíaca, frase dita pela infame Cristina Kirchner e ridicularizada na Argentina inteira). Essa é a que chama a atenção e traz ouvintes, telespectadores e leitores. Informação é efeito colateral.
4. Jornalismo tem obsessão pelo "outroladismo". Se há uma notícia ruim sobre o PT, ele busca outra pior sobre o PSBD para por na mesma página do jornal. Se a reportagem é sobre carne, vamos ouvir os vegetarianos. Não interessa se o "outro lado" está dizendo os maiores absurdos.
5. O "outroladismo" não significa em absoluto imparcialidade. Porque tudo o que o repórter juntou, ele passa a seu editor. E aí você depende das boas graças desta figura para saber se sua mensagem passou ou não. No caso do SBT Repórter, o editor achou por bem destacar o casalzinho-campineiro-moderno-descolado-consciente-eu sou jóia-vegetariano (que domina o resto do programa) cozinhando estrogonofe de cogumelo e relacionar o consumo de carne aos peões do Pantanal e churrasqueiros pançudos.
6. A praga do politicamente correto que assola a inteligência do país está obviamente presente no jornalismo. E segundo os editores do SBT, politicamente correto é não comer carne. Nessa reportagem, como notado por alguns amigos com um mínimo de QI, o recado foi: Se possível evite carne. Ou como diz a top do Esquadrão da Moda: "Geeeente, meu sonho é ser vegetariana"...Comer carne virou sinônimo de peso na consciência. Felicitações ao jornalismo engajado.

Bem, longe de mim interferir na liberdade de imprensa. Mas a lição está aprendida. E como foi dito no Congresso da ABAG, se o agronegócio quiser aprender a se comunicar melhor, é bom ele mesmo tomar para si esta tarefa.

Wednesday, August 11, 2010

Mussum Forevis

E falando nisso, uma homenagem a um ícone pop brasileiro...





Wednesday, June 16, 2010

Monday, May 31, 2010

Thursday, April 22, 2010

Homo vegetarianus


No início da semana, o programa Login da TV Cultura inseriu em sua programação um debate sobre vegetarianismo com a participação da nutricionista Licínia de Campos do SIC (Serviço de Informação da Carne) e George Guimarães, da Sociedade Vegana.
Descontando-se a inépcia dos mediadores que não conseguiram organizar um debate civilizado, e o péssimo hábito do Sr. Guimarães de não deixar outras pessoas falarem, foi possível pinçar alguns seus argumentos que comprovariam a suposta superioridade de sua dieta.
Em primeiro lugar é preciso distinguir as várias nuances de vegetarianismo. Há os que comem peixe e frutos do mar, há os que comem ovos e leite, há os que não admitem o uso de nenhum tipo de alimento de origem animal e há ainda aqueles que só aceitam o que a natureza oferece de bom grado, não o que é tomado dela pelo homem. Lisa Simpson encontrou uma vez um ativista que dizia ser um Vegan Nível 5, que não comia nada que fizesse sombra (I don’t eat anything that casts a shadow). Há aí também uma escalada ideológica implícita até para os próprios vegetarianos que vai dos menos aos mais perfeitos.
O primeiro argumento do vegetarianismo é que comer carne não é natural para o homem. Eu permito-me discordar. Durante o programa, notei que nas inúmeras ocasiões em que não conseguiu manter a boca fechada, mesmo George mostrou em sua arcada dois pares de dentes conhecidos como caninos, especialmente desenhados para estraçalhar carne. O fato de que nós como espécie, George inclusive, tenhamos saído de cima das árvores para evoluir, aumentar nosso cérebro e conquistar o mundo, deriva diretamente, como prova o antropólogo Richard Wrangham de Harvard, do consumo de carne e posteriormente do domínio do fogo e de técnicas de cozimento.
George também nos chama de carniceiros, comparando-nos a hienas e urubus, já que não comemos a carne quente logo depois do abate. Talvez George tenha experimentado carniça, e aí esteja a razão do seu trauma, mas eu sinceramente prefiro carne que tenha passado pelo abate, resfriamento e processamento em frigoríficos habilitados, já que é esta a garantia de que não haverá contaminação microbiológica na carne que estou comendo.
George também sugere que agora que já estamos evoluídos, não precisaríamos mais da carne, como se de repente pudesse surgir uma nova espécie, o homo vegetarianus. Acho que ele precisa de um pouco de perspectiva. Mais de 2 milhões de anos (comendo carne) se passaram para a espécie humana evoluir até aqui. Querer transformar nossa fisiologia no espaço de uma ou duas gerações me parece um pouco precipitado.
O outro grande argumento de George, e o mais apelativo, é o da crueldade. Comer carne é cruel. Meat is murder. O Homo vegetarianus tem essa pretensão de ser um indivíduo moralmente superior ao resto dos mortais. Eu gosto de assistir a National Geographic. Uma vez assisti uma caçada de leões. Um bando de leoas derrubou uma inocente zebra e enquanto uma segurava sua garganta as outras começaram a devorar suas tripas e membros enquanto a pobre zebra ainda berrava. Isso foi cruel. Acho engraçado esse pensamento de que animais na natureza têm uma vida idílica quando não estão sujeitos a crueldade humana.
Conheço várias fazendas e frigoríficos. Posso afirmar sem sombra de dúvida que é do maior interesse de pecuaristas e frigoríficos que os animais tenham no campo a melhor vida possível e sejam abatidos da forma menos estressante possível. Talvez George não acredite que essa gente seja tão boazinha, então é preciso que ele saiba que além dos motivos humanitários há também razões econômicas, já que o animal rende mais e a maturação da carne é melhor.
Eu vou dizer o que acho cruel. Acho cruel por exemplo que crianças, especialmente as mais carentes não possam comer carne e tenham anemia. Uma pesquisa da Dr. Ana Maria Bridi da Universidade Estadual de Londrina mostrou que o consumo de carne está ligado ao desenvolvimento cognitivo de crianças. Carne é fonte de proteínas de alto valor biológico, ômegas 3 e 6, vitaminas A, E e B12, ferro e zinco.
O Homo vegetarianus diz que tudo isso pode ser conseguido por outras fontes. Ah sim, isso é natural, tomar vitaminas e suplementos sintéticos todos os dias. Dizem que há tri-atletas vegetarianos e etc e tal.. Sou capaz de rasgar meu diploma se for na casa de um deles e não encontrar por lá nenhum suplemento ou nenhum desses potes coloridos tipo MegaMass2000 que se encontram em lojas de esporte, e talvez uma injeção ou outra de otras cositas más.
Nos países em desenvolvimento, a cada aumento de renda percebido há um aumento proporcional no consumo de carne. As famílias percebem a importância colocar carne no prato dos filhos.
De fato eu não conheço nenhum vegetariano pobre. Há talvez alguns por fanatismo religioso em certos cantos da Índia, mas pela aparência eles não são exatamente do tipo que “vende saúde”. Pode ser fácil para um Paul McCartney advogar o vegetarianismo do alto de uma fortuna de alguns milhões de dólares, ou para quem pode comer granola e iogurte natural no café da manhã e sushi no almoço. Mas para quem tem fome, carne é ao mesmo tempo necessária e desejada.
Aí vem a carta do meio-ambiente. Claro, a pecuária é devastadora. Vacas poluem mais que carros. Os argumentos vêm de um relatório da FAO de 2007, intitulado The Livestock Long Shadow, ou a Grande Sombra da Pecuária, sobre as emissões de GEE. No início de 2010, depois do prof. Frank Milthoener da UC Davis contestar os dados em um congresso científico, a própria FAO admitiu que a metodologia usada foi falha, e que iria rever o relatório. George também não sabe que os pastos onde as vacas estão absorvem mais carbono do que o que elas emitem.
Além disso fala-se de boi como se ele produzisse só carne, e não uma vasta gama de produtos que vão do couro até biodiesel, medicamentos e produtos de limpeza.
O outro argumento é que a pecuária usa muito mais espaço comparada à agricultura. Bem, eu sou agrônomo e sei que há terras boas para café, outras boas para banana, e outras boas para ... pasto. E nenhuma planta no mundo produz mais massa verde por unidade de área do que gramíneas tropicais. Infelizmente não podemos aproveitar esse potencial, ruminantes podem. E estamos evoluindo no modo de produção. Só no Brasil, entre 1975 e 2007, a produção de carne cresceu 227% para um aumento de área de pastagens de apenas 4%.
Vamos então imaginar que a humanidade passasse a se alimentar de frutas e legumes que a natureza nos oferece. Em 2050 seremos mais de 9 bilhões de pessoas no planeta. Para alimentar essa gente toda com frutas e legumes seria preciso derrubar todas as florestas existentes no planeta. É uma bizarra maneira de defender a natureza.
Não tenho nada contra quem queira ser vegetariano. Pelo contrário, acho que vai sobrar mais carne para mim.
Mas contesto veementemente essa suposta superioridade moral que os vegetarianistas de bandeira na mão alegam ter sobre mim, especialmente porque são baseados em argumentos falsos e equivocados.
Vi outro dia Lidia Guevara, a filha do Che, nua, boina na cabeça, pose de guerrilheira e armada de cenouras em campanha pelo vegetarianismo. Seu pápi, quando mandava na prisão cubana de La Cabaña fuzilava algumas dezenas de cubanos por dia. Sua suposta superioridade moral lhe dava essa liberdade, afinal o que fazia era pelo bem da humanidade.
A contradição moral é a mesma, o PETA por exemplo acha normal sacrificar 97% dos animais que recolhem pelas ruas (www.petakillsanimals.com). Os fins justificam os meios.
O Homo vegetarianus também se considera um ser moralmente superior, e acha que o que faz é pelo bem da humanidade. No extremo deste pensamento estão os ativistas que explodem carrinhos de hambúrgueres. No centro estão pessoas como George Guimarães que acham que devem impor ao resto da humanidade sua visão de mundo.

Wednesday, March 31, 2010

Coisas que eu via na TV

Thundarr, o Bárbaro

Os Impossíveis

Jonny Quest

O Homem-pássaro

Os Herculóides

Galaxy Trio

Falcão Azul e Dinamite, o Bionicão


Nostalgias à parte, era um lixo só, mas era legal!

Thursday, February 18, 2010

Espaço Aberto


Outro dia Aldo Rabelo, deputado pelo PC do B chamou o Ministério do Meio Ambiente de meio-governo e organização para-estatal.
Carlos Minc chamou Aldo de para-ruralista e disse que provavelmente ele tinha sido submetido a alguma mutação genética.
De fato, para eu estar aqui defendendo o Comunista do Brasil ele provavelmente mudou, mas ao contrário do que pensa o Minca, foi para melhor.
A Globo News teve a idéia de chamar os dois para um debate no programa Espaço Aberto, com o Carlos Monforte.
O programa está aí.
Minc acha que o ambientalismo não sufoca o agronegócio como se diz. Nota-se que ele não é produtor rural.
Também joga o federalismo às favas ao impedir que estados decidam o que deve ou não ser definido como área de proteção permanente segundo as peculiaridades de cada bacia hidrográfica e condições edafo-climáticas do terreno. É tudo decidido na canetada do Fürer.
Aldo Rabelo lembra dos desempregados e da falta de alternativas em regiões onde o meio ambiente travou o desenvolvimento.
Minc diz que seu ministério leva alternativas de renda sustentáveis para pequenos produtores em regiões onde o desmatamento está sendo coibido. Eu gostaria de saber quais, já que os maiores desmatadores hoje são pequenos proprietários e assentados da reforma agrária.
Carlos Minc também acha que essa idéia divulgada por aí de que a pressão ambientalista vem de ONG´s estrangeiras é delírio ruralista.
Eu é que sei... Outro dia um procurador do Ministério Público convidado por uma ONG dessas saiu da Amazônia e veio dar palestra em São Paulo explicando como os fazendeiros estavam destruindo a Amazônia a um grupo de clientes internacionais das nossas commodities. E ainda aparece como co-autor de um relatório afirmando a mesma coisa elaborado por uma ONG financiada pelo governo britânico.
Delírio é de quem não enxerga...

Thursday, December 17, 2009

Bobagens em Copenhague


Copenhague virou um circo de horrores. O que tem de bobagem sendo dita inclusive por brasileiros, e contra brasileiros por lá é impressionante.
O link abaixo é para o programa Canal Livre da Band. No domingo passado, gente que realmente sabe o que diz estava lá comentando o tamanho da inépcia brasileira em se defender especialmente dos ataques dirigidos ao nosso agronegócio. Só cego não vê que o que está em jogo não é nada ambiental, e sim político e econômico. Vamos sair dali com nosso desenvolvimento comprometido.
Temos tecnologia de sobra na agricultura e na pecuária para mitigar qualquer possível dano ambiental. Como diz o Joelmir Beting botamos o ovo mas não sabemos cacarejar... O problema não está e nunca esteve no agronegócio. Dizer o contrário só interessa à nossa concorrência.
Assistam, vejam principalmente o que diz o Luiz Carlos Molion, o Evaristo Miranda da Embrapa e o Prof. Cerri, e então reflitam.

Saturday, June 27, 2009

Jill


A Pantera! Essa sim era estilosa...

O verdadeiro legado de Michael Jackson


Michael Jackson inventou o conceito moderno do videoclip. Por causa dele, hoje existem videoclips com orçamentos maiores do que o de um filme brasileiro. E não é raro que diretores de videoclipe façam carreira em séries de TV ou em Hollywood depois.
E o videoclip moderno criou, ou deu o impulso definitivo, à MTV e seus veejays. Com isso, Michael Jackson abriu as portas da MTV a outros artistas negros, no tempo em que ele também era negro. Mas se essa foi a parte positiva da carreira de Jackson, a negativa é bem maior.
A Music Television, criada para revolucionar o establishment acabou se tornando o próprio establishment. Inicialmente eram clipes de música, depois vieram os programas de entretenimento e os reality shows. A MTV acabou virando o grande canal de promoção pessoal de artistas e celebridades em geral, e pela MTV, esse mundo das celebridades foi escancarado aos adolescentes de todo o planeta.
Em seu ensaio l'Orgie et la Peste, Giuliano da Empoli fala da influência negativa que isso gerou na sociedade ocidental. Em um negócio onde ganha mais quem chama mais a atenção (sim, a qualidade da música deixou de ser o mais importante graças à MTV), os padrões de comportamento são levados aos seus extremos pelos que querem alcançar a über-class das celebridades.
Hoje, adolescentes acham bonito postar fotos no orkut vomitando de bêbadas ou em lingerie, tatuagens pelo corpo, cabelo roxo, piercings everywhere. E o objetivo na vida é virar objeto de adoração, ter casas enormes, coleções de carros, diamantes e ouro em todo o corpo (especialmente se você tiver nascido no gueto).
E se há cinquenta anos atrás os ídolos da criançada eram figuras históricas ou políticas, hoje são todos celebridades. No lugar de Florence Nightingale ou Abigail Adams temos Madonna, Paris Hilton, Lindsay Lohan ou Amy Winehouse.
O que importa é aparecer. Não é à toa que o holandês dono da Endemol virou um dos homens mais ricos da Europa quando percebeu a oportunidade e criou o primeiro Big Brother, que depois replicou-se em n outros reality shows em todas as televisões do mundo.
Michael Jackson era o exemplo cássico do comportamento bizarro, com seu macaco, sua máscara, suas plásticas, seu embranquecimento, seu Neverland, suas criancinhas... Obviamente era um perturbado, e a coisa só piorou com o tempo. Tornou-se uma caricatura dos horrores a que nos submetemos em nome da fama.

Monday, June 01, 2009

John Adams


E para quem quer sentir um pouco mais de perto como foi a Revolução Americana e o nascimento dos Estados Unidos da América, assista a minissérie John Adams, produzida por Tom Hanks e pela HBO. Baseada no best seller ganhador do Pullitzer de David McCullough, a série ganhou 13 Emmy's e reconstitui com primor a época, as discussões políticas e a vida daquele que efetivamente uniu as 13 colônias pelo sonho da independência.
Paul Giamatti e Laura Linney estão provavelmente nos melhores papéis de suas carreiras, e os diálogos entre John e sua esposa Abigail estão entre os mais interessantes da série.
Mais sobre a série e seus capítulos aqui:

Comprei a série e o livro de Mark Levin na Amazon.com por US$ 53. Eu tenho a mesma compulsão pela Amazon.com que minha mulher por lojas de sapatos. E sou grato às maravilhas da internet e do livre mercado que tornaram possível essa minha aquisição.

Saturday, May 09, 2009

Mídia do futuro


Uma das consequências da crise financeira planetária é que em um esforço para cortar gastos do meu orçamento familiar tive que me desfazer do pacote super mega plus da tv a cabo.
Nada de Telecine, nada de HBO. A NET levou semanas para instalar o raio do cabo. No minuto em que minha esposa ligou para cancelar o pacote, meus canais foram cancelados. Eu estava assistindo X Man no Telecine action. Tive que terminar assistindo a novela dos mutantes na Record. Doloroso.
Por um lado é bom. Os filmes que eu queria assistir passavam sempre em um dia em que eu estava viajando. Quando eu estava em casa ou os filmes eram ruins ou eu os pegava pela metade, ou já era minha quinta vez assistindo. Agora quando quero um filme vou na locadora.
Sobraram me toda aquela penca de canais inúteis e indesejados, da TV Senado ao Polishop, passando por aquele canal que tem corrida de cavalos, uns outros de pastor evangélico berrando, Rede TV e todas aquelas outras com filmes, eca, dublados e enlatados dos anos 80.
Agora sigo um dos ensinamentos mais valiosos de Marx (o Groucho, não o outro). Se alguém liga a tv, saia correndo e pegue um livro. Só assim a TV é educativa.
Mas olhando aqueles programas lixo, fico imaginando se no futuro, com a internet, poderemos comprar nossos programas separadamente e montar nossa própria programação.
Funcionaria assim. Um produtor inventa um show televisivo, produz episódios e põe à venda na rede. Você compra o show para assistir em casa no horário que quiser.
Não teríamos mais canais de televisão, mas milhares de produtores independentes criando e vendendo seus programas na net/tv do futuro. O Youtube é o embrião disso. No more polishop pra mim please.
Da mesma forma, jornais impressos estão hoje em crise, queixando-se da concorrência da internet no mercado de publicidade.
Imagine que você é um jornalista, produz seu próprio site, analisa as notícias e escreve suas opiniões. Os veículos são eliminados, sobra quem efetivamente produz informação. Se você for um jornalista muito bom, que escreve bem e diz coisas sensatas vai atrair público e anúncios.
Ah, e quem vai atrás das notícias, onde elas ocorrem? Agências de notícias que por sua vez venderão a informação aos jornalistas...
Mas há também quem acredite no contrário. Que a internet vai virar a fonte de notícias e que os jornais servirão para filtrar o que presta e o que não presta, mais analisando do que efetivamente reportando as notícias.
De todo modo uma transformação na maneira como a mídia funciona já está acontecendo e vai acontecer cada vez mais rapidamente.

Friday, April 24, 2009

Música no ar


Para quem gosta de música há dois excelentes programas no ar, combinando música boa e entrevistas inteligentes e divertidas.
Um é o Zoombido de Paulinho Moska, que já entrevistou Ana Carolina, Adriana Calcanhoto, Céu, Fernanda Takai e nomes de respeito da MPB que andavam meio esquecidos como Sá e Guarabyra, Ritchie, Roberto Menescal, Kleiton e Kledyr e alguns outros.
O Zoombido passa na famigerada TV Brasil, e tomara que a audiência passe do traço para pelo menos justificar o dinheiro dos contribuintes.
O outro é Spectacle do figuraça Elvis Costello, que entrevistou Bill Clinton, Lou Reed, The Police, Tony Bennet e outros. Produzida por Elton John para o Sundance Channel e a TV canadense, Spectacle passa por aqui na HBO.
Dá para ssistir a alguns vídeos dos dois no youtube.

Wednesday, April 22, 2009

Mulheres


Fui ao teatro assistir “Os Homens são de Marte...e é para lá que eu vou!”, um hilário monólogo de Mônica Martelli sobre as agruras da balzaquiana moderna à procura da tampa para sua panela. Sua personagem, Fernanda, é uma daquelas mulheres com mais de 30 anos, bela e bem sucedida que se decepciona irremediavelmente a cada vez que pensa ter encontrado o homem de sua vida.
Passam do “ele é tuuuuuudo de bom” ao “não era pra seeeeer!” em um piscar de olhos.
É engraçado notar como as mulheres ainda não sabem o que fazer com uma liberdade duramente conquistada durante séculos.
Hilary Mantel fala na New York Review of Books da obra History of Women - from Eve to Dawn, de Marilyn French, um calhamaço de quatro volumes e mais de 1800 páginas sobre a história da mulher no mundo. Pela crítica, a obra que levou quinze anos para ser concluída por French, é um rosário raivoso de desgraças onde mulheres são descritas como objetos, escravas, mercadorias, mão de obra barata e por muitas vezes como a encarnação do demônio ou algo parecido. Segundo French, o poder sobre uma mulher é frequentemente o único poder que um homem exerce, já que ele mesmo é dominado por outros homens. O pior é que isso ainda acontece no mundo atual, mesmo naqueles países ditos civilizados. Matrioshki é uma excelente série belga (no ar na HBO) sobre o horror do tráfico de mulheres arrancadas dos confins mais miseráveis da Tailândia, Indonésia, da antiga União Soviética e até do Brasil e levadas à prostituição nas capitais européias (Agora um revolucionário projeto de lei sueco pretende multar os homens que vão à procura das prostitutas nas ruas em vez de prender as desgraçadas que estão lá).
Mesmo assim, pelo menos no Ocidente, nunca uma mulher teve tanta liberdade nas decisões sobre a própria vida e o próprio corpo. E no entanto parecem perdidas com a liberdade sexual e indecisas em relação ao dilema carreira/maternidade.
O feminismo, ao invés de criar um melhor entendimento entre os sexos conseguiu por a mulher no lugar que homens ocupavam. E só. A Fernanda, Bridget Jones, as Sex and the City são esse retrato da mulher moderna e perdida. No fundo no fundo, apesar de toda a modernidade, o que elas querem mesmo é encontrar THE ONE, o homem utopia, aquele ser mitológico que só existe na cabeça delas e em marte.
Mulheres são muito mais poderosas do que pensam ser. Os gregos jogaram 300.000 navios no mar ao começar a guerra de Tróia por causa da bela Helena. O paciente inglês traiu a Inglaterra inteira por causa de uma mulher. Bao Si derrubou a dinastia Zhou na China com um sorriso. Cleópatra mudou a história de Roma. Joana d’Arc a da França.
E eu pelo menos acredito que o futuro é das mulheres. Women Power.
Não sei porque quando sonho com o futuro vejo um mundo habitado por zumbis, e a Milla Jovovich sempre aparece para me salvar, de bota e vestidinho vermelho. E tem alguma coisa mais sexy do que uma mulher de metralhadora na mão?

Saturday, April 04, 2009

Ditadura da celebridade


Ainda sobre a ditadura da celebridade e sua influência sobre a sociedade, um dia desses, já faz um tempo, vi a Bruna Surfistinha no programa do Serginho Groissman, o Altas Horas.
A molecada na platéia via a moça como alguém que havia chegado lá. Uma adolescente a citou como exemplo de coragem.
O fato dela ser uma prostituta, ladra e drogada assumida não era levado muito em conta. O importante é que ela "estava" famosa.
Algum tempo depois uma revista para o público adolescente dava dicas às meninas que queriam seguir a carreira de Bruna.
Se mesmo uma celebridade efêmera e suspeita como a Surfistinha tem esse tipo de influência junto à juventude, imaginem o que o futuro nos reserva.
Imaginem por exemplo o fato de celebridades, cientes de seu poder, estarem cobiçando cargos públicos. Bem, Arnold Schwarzenegger e Jesse Ventura viraram governadores nos EUA. Clodovil virou senador no Brasil. Até a Gretchen quis ser vereadora. Quando teremos um ex-BBB deputado? Susana Vieira presidente? Decretando que garotões de 25 anos passem a andar só de sunga em lugares públicos?
Em o Aviador, Howard Hughes passa um descompostura em Katharine Hepburn e dispara: "Mas quem você pensa que é? Você não passa de uma atriz!"
Bons tempos aqueles em que famosos não eram a encarnação da Verdade.
Querem ver alguém enfrentando a fama com dignidade?
Em 2006, José Wilker declarou em entrevista ao Jornal da Tarde: "Por favor, não me peça opiniões políticas porque não me sinto qualificado para isso. No Brasil, as pessoas acham que os atores precisam ter opinião formada sobre tudo, até buraco de rua."
Falou e disse.

Friday, April 03, 2009

BBB


Após intermináveis semanas o BBB edição sei lá qual está chegando ao fim.
E temos que decidir se vamos dar um milhão de reais à morena-fogosa, à loura-desequilibrada-e-mimada, à burrinha-engraçadinha ou ao artista-plástico-desencanado-não-estou-nem-aí-para-isso.
O quê? Estou julgando demais? Mas não foram os próprios participantes que se dispuseram a ser julgados por milhões de outras pessoas? Só estou fazendo minha parte...
Cada um deles encarnou um arquétipo literário daqueles mais manjados. O engraçado é que todos eles falam ao Pedro Miau: ah, eu sou assim mesmo. Nada mais falso.
É absurdo achar que alguém aja naturalmente sabendo que está sendo filmado 24 horas por dia ao vivo para todo o país.
Não condeno de modo algum a Rede Globo ao por o programa no ar, afinal estão fazendo o que lhes compete, dar um milhão para ganhar centenas de outros.
Como constatou JP Coutinho ao analisar o caso da inglesa que mostrou seu câncer ao mundo pela TV, temos a tendência de culpar os tubarões capitalistas da mídia pelo lixo que despejam em nossa sala. Já dizia Adam Smith no entanto que se não houvesse demanda, não haveria oferta. Isto vale para a indústria de entretenimento e para qualquer outra: quanto mais lixo consumirmos, mais lixo nos será oferecido.
O que me perturba no fenômeno Big Brother não é sua assustadora audiência. É constatar o tipo de pessoa que nossa sociedade contemporânea decide recompensar.
De fato, em vez de caráter, talento, coragem, capacidade ou realização, o único atributo que importa hoje para ser recompensado chama-se atenção. A medida de sucesso de uma pessoa é dada pela quantidade de anteção que ela consegue obter (Pense em Paris Hilton por exemplo, um role model imitado por milhões de adolescentes no mundo).
Ter atenção em quantidade suficiente é o que basta para você passar ao que Giuliano da Empoli em l'Orgie et la Peste chama de über-class dos tempos modernos, a superclasse das celebridades. E vale tudo para chegar lá. Nem que se chegue lá como aquela subcategoria conhecida como ex-BBB.
E como atenção é coisa difícil de se conseguir neste planeta globalizado e frenético, a idéia é adotar comportamentos cada vez mais exóticos para tentar monopolizar mesmo que por pouco tempo os holofotes. Pense em Lindsay Lohan, Britney, Michael Jackson, Madonna, Amy Wiinehouse...Seguindo o exemplo, virou moda entre meninas americanas por exemplo divulgarem suas fotos bêbadas em seus sites de relacionamento, ou relatarem sua vida sexual e sentimental em fotologs. Moda que está se espalhando por aqui.
Não é por exemplo motivo de espanto nenhum que a ex-modelo de ensaios sensuais e agora ex-BBB Maíra, cujo filme pornô amador anda circulando aí pela internet, queira comandar um programa infantil. Se ela é uma candidata a celebridade, ninguém irá lembrá-la de que pornografia e educação infantil são incompatíveis.
Um estudo psicológico desenvolvido durante os anos de ferro do nazismo na Alemanha recolhia relatos dos sonhos de pessoas comuns. O sonho mais recorrente entre elas era o de estar em uma casa de vidro, com paredes transparentes onde ela soubesse ser observada o tempo inteiro. Reflexo da paranóia que o controle totalitário exercia sobre a vida do cidadão.
A diferença hoje é que todos querem voluntariamente pular para dentro da casa de vidro.
O BBB é só mais um sintoma, de como o totalitarismo das celebridades está entrando em nossas vidas.

Friday, March 27, 2009

Oh my God, they killed Kenny!


You bastards...

Dá pra assistir todos os episódios de graça aqui: http://www.southparkstudios.com/

Tuesday, January 13, 2009

Monday, October 13, 2008

Alice


A televisão brasileira para mim é um grande lixão, com algumas raras coisas muito boas cá e lá.
Alice, a série dirigida por Karim Aïnouz e Sérgio Machado para a rede fechada HBO é uma novidade boa.
Conta a história de uma garota que vive em Palmas no Tocantins com a avó e o namorado, e que vem acabar em São Paulo quando o pai que morava aí morre. Acaba conhecendo a madrasta e uma meia irmã, faz novos amigos e aos poucos vai descobrindo os segredos da metrópole.
Alice vai migrando para o universo cult de São Paulo, onde transita a vanguarda hype brasileira. São nos bares, restaurantes, exposições de arte e nas próprias ruas que a vida na cidade acontece 24 horas por dia, 7 dias na semana.
Ali estão sexo, drogas, moda e cultura pop como não existem em lugar nenhum do país. Até o Rio de Janeiro parece provinciano visto da Avenida Paulista.
A série toda tem um ar de Sex and the City brasileiro mas é mais que isso.
O novo universo de Alice pode ser restrito a uma parcela mínima da população, e nem sequer me interessa tanto assim. Mas a novidade é ver na tv uma produção que, ao contrário da imensa maioria dos programas e novelas da tv aberta, respeita a inteligência do espectador.
Temos excelentes atores, inclusive a bela protagonista Andréia Horta, saídos dos palcos dos teatros, e sem aquele ar irritante dos atores de novelas disputados entre Globo e Record.
Temos um roteiro com texto inteligente.
Temos a cidade de São Paulo como cenário, e na maioria das vezes não percebemos o quão cinematográfica São Paulo é. Mas sob a feia fumaça está uma arquitetura bela e única. A cidade em si é um personagem.
Of course, qualidade não sai de graça. Cada episódio custou à HBO R$ 1 milhão. Mas esperemos que o sucesso da série possa influenciar de alguma forma o lixão da tv aberta.