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Thursday, August 19, 2010
Tuesday, March 09, 2010
Friday, December 18, 2009
A Revolução Verde

Antoine Lavoisier foi guilhotinado pelos revolucionários franceses. Mais de duzentos anos depois sua lei mais famosa: “Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”, está sendo guilhotinada pelos modernos revolucionários da ecologia.
Digo isso baseado na quantidade de bobagens que andam sendo ditas por aí, especialmente sobre o agronegócio brasileiro e suas emissões de gases de efeito estufa.
Bois e vacas por exemplo são considerados por ecologistas como verdadeiras fábricas de emissão de metano, como se aquelas moléculas de carbono não estivessem já presentes na atmosfera, não fossem absorvidas pelos pastos, seqüestradas em forma de matéria orgânica no solo, transformadas em carne, couro, gelatina, sabão e biodiesel.
Recomenda-se reduzir o consumo de carne para salvar o planeta. Pode ser confortável para Paul McCartney advogar o vegetarianismo do alto da sua fortuna de 440 milhões de libras esterlinas, mas segundo a FAO existe 1 bilhão de pessoas em algum estado de subnutrição no planeta que gostariam muito de ter um mínimo de proteína em suas dietas.
O programa Canal Livre da Band que foi ao ar 13/12 (vídeos disponíveis no site da Band) mostra, pela perspectiva de especialistas como o meteorologista Luiz Carlos Molion, Evaristo Miranda da Embrapa e o Prof. Cerri do CENA, quão equivocada está a visão que o ambientalismo tem do agronegócio.
O etanol queimado nos carros por exemplo é contado como emissão de CO2, embora este CO2 seja absorvido pela cana quando cresce neutralizando as emissões e até seqüestrando carbono quando o corte é mecanizado e a palha das folhas é incorporada ao solo.
Nosso ex-ministro Alysson Paulinelli em recente artigo no Estadão chama de mentira “gobbeliana” a questão de emissões por queimadas, já que o CO2 liberado ali tinha sido absorvido pelas árvores crescendo, mesmo que isso tenha acontecido há séculos atrás. (A propósito, fala-se de CO2 como se fosse um poluente, embora eu, você e toda natureza viva sejamos todos feitos de CO2).
A grande verdade é que o único estoque de carbono sendo efetivamente liberado para a atmosfera vem da queima de combustíveis fósseis: petróleo, gás, carvão e turfa que são imensos estoques de carbono seqüestrados há milhões de anos atrás.
É na busca de energias alternativas que cientistas deveriam focar seus esforços, e nesse sentido o Brasil é realmente um país abençoado por contar com uma matriz energética baseada em hidrelétricas e com a possibilidade de expandir o uso de biocombustíveis, com a cultura da cana para produção de etanol e de eletricidade com a queima do bagaço, e outras alternativas como o sebo do boi por exemplo.
Enquanto energias alternativas não resolvem o problema, toda a discussão em Copenhague gira em torno de países que querem queimar mais para se desenvolver e de países que se recusam a parar de queimar para não mudarem seu estilo de vida. Países em desenvolvimento culpam os desenvolvidos por terem poluído o mundo, mas não contam que aquela poluição gerou benefícios e tecnologias que mudaram a vida de grande parte da humanidade.
O ninguém percebe é que tanto um grupo como o outro são pautados pelo peso na consciência que o ambientalismo lhes impõe. Um ambientalismo que baseia-se em fraudes e modelos equivocados para impor ao mundo um ponto de vista.
Olavo de Carvalho diz que o que define um movimento revolucionário totalitarista é o senso de história invertido sob o qual ele interpreta a realidade. O III Reich nazista ou o paraíso proletário comunista são fins definidos em nome dos quais tudo é permitido.
Por definição, nada do que o revolucionário faça no presente é imoral já que o fim futuro supostamente é o ideal que se imagina para a humanidade.
Pascal Bernardin, autor de O Império Ecológico, talvez seja quem mais tenha captado o espírito revolucionário do ambientalismo. Na verdade ele liga o comunismo e seu fim ao surgimento do novo ambientalismo.
O movimento já tem seu horizonte utópico definido, quer colocar a Natureza de volta ao centro da espiritualidade humana. O indivíduo mais uma vez cederá lugar ao bem coletivo. Para atingir esse horizonte empenha-se em destruir a percepção cristã que temos do homem no Ocidente, transformando-o apenas em uma parte inconsciente do todo, como se fôssemos uma colônia de cupins. Há setores do ambientalismo por exemplo que dizem que a melhor solução para a humanidade é parar de se reproduzir. Estão entre os ambientalistas, e não por acaso, os mesmos que defendem procedimentos como aborto e eutanásia.
A ideologia do ambientalismo infiltrou-se de maneira gramsciana em todos os setores da sociedade, partindo sempre de onde a infiltração é mais eficiente: o show business e o sistema de ensino. No caso de não aderirmos ao movimento, somos ameaçados com todo tipo de catástrofes. As mudanças climáticas provocadas pelo homem (ergo o homem em si) são culpadas de inundações (exceto em São Paulo onde a culpa é do Kassab), secas, nevascas, furacões, desertificações, frio, calor, ventos e praticamente toda e qualquer alteração climática mais midiática.
Entre outros efeitos dizem por exemplo que o aquecimento provocará epidemias de malária em lugares onde a doença não existe. Seria bom lembrarmos que a maior epidemia de malária já registrada aconteceu na Sibéria. Cidades como Boston e Londres erradicaram a malária graças ao uso massivo de DDT, molécula que o ambientalismo baniu sem que nunca uma única morte humana fosse relacionada com seu uso. Por outro lado, o fim do DDT provocou um genocídio silencioso (em contraponto à Primavera Silenciosa de Rachel Carlson) de vítimas de malária no Terceiro Mundo.
É engraçado ver como Hollywood dá vazão ao pensamento revolucionário ambientalista em suas produções catastróficas. O lado mau é sempre o do desenvolvimento. Em O Dia Depois de Amanhã, milhares de norte-americanos cruzam a fronteira rumo ao México fugindo de uma nova era do gelo. Em 2012, depois que a crosta terrestre se esfacela em pedaços, só sobra África para se tornar o novo mundo dos sobreviventes. Em Avatar, a recente mega produção de James Cameron, humanos maus querem explorar um planeta selvagem onde seus habitantes vivem em harmonia com a natureza.
Nas escolas, nossos filhos voltam para casa sem saber resolver uma equação ou apontar o Everest no mapa, mas sabem perfeitamente lhe dar uma homérica bronca por fumar um cigarro ou demorar demais no banho.
A invasão dos computadores de East Anglia mostrou ao mundo que mesmo as instituições científicas que deveriam ser nossas balizas estão contaminadas pelo espírito revolucionário. Afinal o que é uma fraude em alguns dados aqui se o futuro que pretendemos é o melhor para a humanidade?
Onde estará o fim disso tudo?
Estaríamos mesmo a caminho de um eco-fascismo, que pretende colocar sob uma autoridade global o nosso acesso a recursos naturais, incluindo terra, água e combustíveis?
Será nosso futuro habitar em eco-goulags, onde nosso consumo de energia, água e nossas emissões são controladas como Chávez controla as idas ao banheiro dos venezuelanos?
Há uns meses atrás, quando os ambientalistas invadiram as ruas das grandes cidades à noite pedindo que luzes fosse apagadas e eletrodomésticos desligados pelo bem do planeta, recebi um email de um funcionário de uma dessas ONGs nos EUA. O email trazia uma foto de satélite da península da Coréia à noite. A Coréia do Sul estava inteira iluminada, a do Norte imersa em escuridão. A mensagem perguntava e afirmava: "Adivinhe qual das duas Coréias é uma ditadura stalinista e qual é uma democracia? Eletricidade é bom!". Aposto que provavelmente ele perdeu o emprego depois dessa.
Uma outra campanha que a ONG SOS Mata Atlântica começou a divulgar pedia que as pessoas começassem a urinar durante o banho para economizar água de descarga. Minha mãe passou anos recomendado exatamente o contrário para que o banheiro de casa não exalasse como um mictório de rodoviária. Em outra campanha o Greenpeace já andou pedindo o fim do papel higiênico.
Vamos mesmo abandonar as conquistas da civilização? Ou pior, vamos mesmo tirar o homem do centro de nossas atenções e preocupações? Como disse Luiz Felipe Pondé, damos direitos aos ratos enquanto fazemos de bebês lixo reciclável pelo direito de gozar mais. Ou como perguntou Reinaldo Azevedo, não podemos conceder aos fetos os mesmos direitos dos ovos de tartaruga?
Eu tinha uma visão diferente de futuro. Onde a vida de indivíduos não fosse sacrificável pelo bem coletivo da espécie. Onde Brasil seria o celeiro do mundo, capaz de alimentar as 9 bilhões de pessoas que teremos no planeta daqui a quarenta anos. E onde a agricultura fosse a futura fonte da nossa prosperidade. Qual será a nossa escolha? De volta às selvas, comendo nos uns aos outros?
Thursday, December 17, 2009
Bobagens em Copenhague

Copenhague virou um circo de horrores. O que tem de bobagem sendo dita inclusive por brasileiros, e contra brasileiros por lá é impressionante.
O link abaixo é para o programa Canal Livre da Band. No domingo passado, gente que realmente sabe o que diz estava lá comentando o tamanho da inépcia brasileira em se defender especialmente dos ataques dirigidos ao nosso agronegócio. Só cego não vê que o que está em jogo não é nada ambiental, e sim político e econômico. Vamos sair dali com nosso desenvolvimento comprometido.
Temos tecnologia de sobra na agricultura e na pecuária para mitigar qualquer possível dano ambiental. Como diz o Joelmir Beting botamos o ovo mas não sabemos cacarejar... O problema não está e nunca esteve no agronegócio. Dizer o contrário só interessa à nossa concorrência.
Assistam, vejam principalmente o que diz o Luiz Carlos Molion, o Evaristo Miranda da Embrapa e o Prof. Cerri, e então reflitam.
Thursday, November 05, 2009
Claude Lévi Strauss

A antropologia é uma daquelas ciências que me fascinam mas sobre as quais tenho conhecimentos parcos demais.
Só posso imaginar a emoção e a curiosidade científica que um francês como Claude Lévi-Strauss tinha ao entrar em contato com grupos de homens de cultura até então desconhecida nos sertões mais remotos do Brasil dos anos 30.
Dito isso, confesso que um debate entre o existencialismo de Sartre e o estruturalismo de Lévi-Strauss me é tão enigmático quanto a pedra da Roseta.
A questão fundamental da antropologia para mim é se homens devem ou não propositadamente interferir na cultura alheia. Lévi-Strauss por exemplo condenava firmemente a pretensão ocidental de julgar sua cultura e seu modo de vida superior ao de outros grupos humanos, mas mesmo os índios brasileiros julgavam-se uns aos outros. Os Bororo por exemplo consideravam os Nhambiquaras (a sociedade do mínimo necessário segundo Lévi-Strauss) bárbaros, já que dormiam no chão ao invés de redes.
Para mim, o contato e a mútua influência entre diferentes grupos humanos ao longo da história além de ter sido fundamental para a evolução da humanidade foi certamente também inevitável.
Por aqui não seria diferente. Nossos índios estavam na Idade da Pedra quando os europeus chegaram por aqui. Matavam, escravizavam e comiam-se uns aos outros. A colonização trouxe a palavra escrita, o cristianismo e inovações tecnológicas que talvez eles nunca conseguissem.
Nossos índios de hoje querem ter um freezer, facas de metal e televisão.
Já os nossos antropólogos querem mandá-los de volta à Idade da Pedra, e acham perfeitamente normal que eles enterrem vivas suas crianças deficientes por exemplo.
Não tenho a pretensão de me julgar superior ou inferior, mas reconheço que minha cultura teve acesso às criações de muitas outras culturas diferentes da minha, e que acabaram beneficiando também a mim, e portanto acredito que possa beneficiar também a outros.
Eu acredito que a antropologia hoje deveria servir para criar um choque menor entre culturas do que aqueles ocorridos há 500 anos atrás. Mas não acredito que isolar grupos humanos em reservas imensas seja a solução. Quando a humanidade estiver colonizando marte e passando férias na lua, lá estarão essas reservas indígenas da Funai, transformadas em zoológicos de homens renegados pelos seus irmãos.
Wednesday, September 02, 2009
Maunder Minimum

Há um estudo interessante recentemente divulgado pelo jornal Eos, da American Geophysical Union dizendo que o nosso bom e velho Sol pode entrar em um novo Maunder Minimum.
Maunder Minimum é como foi chamado um período de inatividade solar entre 1645 e 1715, e por inatividade solar entenda-se a ausência de manchas solares causadas por intensas atividades magnéticas no astro rei.
Observações astronômicas verificaram um decréscimo dessa atividade nos últimos anos, com longos períodos sem manchas.
O interessante é que os anos de Maunder Minimum foram coincidentemente também anos de intenso frio na Terra, quando nova-iorquinos podiam caminhar de Manhattan a Staten Islend através de um Hudson congelado, e os ingleses patinavam no Tâmisa.
Esse período de tempo ficou conhecido por aqui como Little Ice Age. Um outro artigo na Science, da Universidade do Oregon mostra que o que acabou com essa pequena Era do Gelo foi um aumento na atividade solar.
É claro que em tempos de religiosa pregação do profeta Al Gore, artigos como esse são considerados suspeitos logo de cara, embora todos os climatologistas concordem que o Sol realmente influencia o clima na Terra, embora não entendam completamente esse mecanismo.
Os próprios autores receiam enfrentar as teorias do aquecimento global e dizem que só estão contribuindo para entender melhor como o clima funciona. São realmente bastante humildes comparados àqueles que divulgam estudos ligando a atividade humana ao aquecimento global, que gostam de gritar aos quatro ventos suas descobertas e conseguir assim um financiamento mais fácil com a turma politicamente correta.
Jonah Goldberg, na National Review comenta: "Vivemos em um momento onde nos é dito, doutrinado e martelado que se usamos o papel higiênico errado ou comemos o cereal matinal errado estamos fritando o planeta. Mas o Sol? Ah, é só um detalhe. Não ouse esquecer suas sacolas de supermercado reaproveitáveis, mas não preste atenção naquela bola de gás gigante queimando no céu. É só a única coisa que previne o planeta de ser uma bola de gelo sem vida no escuro. Nem ligue se a atividade solar dobrou durante o século XX, quando aconteceu o aquecimento global."
Coincidência ou não, as temperaturas no planeta não subiram desde 1997, e não houveram aumentos estatisticamente relevantes de temperatura desde 1995.
Vista o casaco, Maunder Minimum à frente.
Friday, August 07, 2009
Pecuária sustentável
Os três posts abaixo foram escritos depois que participei do Workshop sobre Pecuária Sustentável, organizado pelo Beefpoint no mês passado.Vamos aos fatos. O agronegócio é a força motriz da economia brasileira. A pecuária, parte fundamental do setor do agronegócio, avançou na Amazônia Legal, não por diversão mas porque as condições edafo-climáticas são extrememente adequadas à prática desta atividade. A ocupação da Amazônia, antes incentivada pelo governo hoje é criminalizada pelo mesmo. O relatório do Greenpeace que colocou os pecuaristas como os culpados da devastação da Amazônia foi de uma estupidez lamentável ao ignorar a história da ocupação da região.
Ora, não se pode defender a sustentabilidade da produção na Amazônia sem antes resolvermos os dois principais problemas da região, a legalização da posse de terras e a reforma do código florestal. Os dois temas foram alvo das críticas da turma melancia, aquela verde por fora e vermelha por dentro.
Acusaram a legalização de terras de oficialização da grilagem e agora opõem-se à reforma de um código criado em 1965 com mais de 60 modificações.
O Código atualmente prevê reservas florestais em cada propriedade e áreas de preservação (APP's) permanente em beiras de rios, encostas e topos de morro por exemplo. Na Amazônia, a reserva legal era de 50% da propriedade até 1989, depois passou a 80%. Hoje os ambientalistas exijem que os fazendeiros que desmataram antes de 89 passem a recompor os 30% que faltam para se enquadrarem na lei, como se alguma lei pudesse ter efeito retroativo.
No Sul e Sudeste, onde a ocupação é bem mais antiga a coisa é bem pior. Poucos tem a reserva exigida de 20%. Praticamente todos os agricultores de São Paulo são ilegais. Os cafezais dos morros de Minas e o Vale dos Vinhedos no Rio Grande do Sul por exemplo teriam que desaparecer para dar lugar a APP's. O pior é que a legislação não distingue área urbana de área rural. A marginal do Tietê, o Cristo Redentor e o Palácio da Alvorada às margens do Paranoá estão todos em situação ilegal por serem APP's. Pela lei, se você tem uma piscina em casa, você tem que plantar 20 metros de bosque ao redor dela. O Dr. Assuero Veronez da CNA define a situação citando o jurista francês Georges Ripert: "Quando o Direito ignora a realidade, a realidade se vinga ignorando o Direito".
Se fosse cumprido o Código ao pé da letra e se fossem ouvidas as reivindicações dos ambientalistas, 70% da superfície do país estariam imobilizados em reservas, parques, terras indígenas e quilombolas e outras. Apesar disso o Brasil ainda possui mais de 69% de sua cobertura florestal nativa intacta.
Pecuaristas estão tomando iniciativas em relação à sustentabilidade da própria atividade. Projetos como o da Aliança da Terra, da Pecuária Orgânica do Pantanal, do Novilho Precoce do MS e do Estado de Rondônia todos incluem as questões ambientais e sociais em suas atividades, não por obrigação mas por terem consciência de que o próprio mercado vai exigir que isso aconteça.
Com o uso de tecnologia, a pecuária pode dobrar ou triplicar a produção sem derrubar uma árvore nem na Amazônia nem em outro lugar. E ao se intensificar, a pecuária gera áreas excedentes para a agricultura, diminuindo a pressão sobre a floresta. É desta forma que a pecuária que vai salvar a Amazônia.
Thursday, August 06, 2009
Fair enough

Existe uma mudança de comportamento fundamental do consumidor europeu, estudada pelo Prof. Jean Yves Carfantan da AgroBrasConsult. Essa mudança começa a se refletir na forma como as grandes redes varejistas adquirem seus produtos e na forma como a União Européia audita seus fornecedores externos.
Se antes o consumidor queria um produto que lhe proporcionasse saúde/beleza e segurança alimentar, hoje esses parâmetros não são por si só suficientes. Além disso, o consumidor quer ter a consciência tranqüila. Quer saber que o que compra não foi produzido às custas de devastações ambientais, sofrimento de animais ou trabalho escravo ou infantil. A empresa que consegue garantir isso ao consumidor está a uma imensa distância da concorrência.
A política dos varejistas europeus, e dos americanos logo no encalço, certamente ultrapassará fronteiras, já que as grandes redes são hoje multinacionais presentes em todo o planeta. O que hoje é incentivado em termos de sustentabilidade e bem estar animal, amanhã será exigido.
Provavelmente, nos rótulos do futuro terão que aparecer menções de quanto carbono foi emitido na produção daquele determinado produto, ou quanta água foi gasta, quantos km ele percorreu até a prateleira, acompanhadas de certificações relativas à idoneidade do processo produtivo.
Ok, como parte da cadeia produtora de alimentos acho que podemos aceitar isso. É como dizem "fair enough". Eu também não me sentiria bem sabendo que alguma roupa minha foi costurada por uma criança chinesa que trabalha 15 horas por dia.
Mas há o outro lado da moeda, raramente discutido quando se fala em sustentabilidade. Todo mundo se preocupa com a forma como algo é produzido, mas pouca gente quer saber o que acontece depois que ele é consumido.
Para onde está indo o lixo produzido nos países desenvolvidos? Onde estão indo os pneus, os plásticos, os resíduos químicos, o lixo radioativo de suas usinas nucleares? Há dias atrás recebemos 1,4 mil toneladas de lixo inglês, mandados em containers para cá como se fosse mercadoria normal. Em seu livro Gomorra, Roberto Saviano conta como as regiões mais pobres da Itália estão sendo inundadas de lixo industrial tóxico produzidos no norte da Europa. A Máfia intermédia as negociações, burla a legislação e enterra o lixo em cada gruta, vale e buraco da Campânia e da Calábria. A Alemanha manda os dejetos de seus milhões de porcos para serem espalhados nos campos poloneses. Que sustentabilidade é essa? Da mesma forma, as redes varejistas que exigem sustentabilidade na produção de carne pretendem fazer algo a respeito das milhões de sacolinhas plásticas distribuídas todos os dias a seus clientes?
Obviamente tanto países industrializados como os em desenvolvimento têm que se preocupar tanto com a forma como matéria prima é produzida quanto com a forma como resíduos industriais e lixo são tratados. Também é obvio que países desenvolvidos tenham menos problemas com o primeiro (até porque eles já devastaram tudo o que tinham a devastar) e mais problemas com o segundo.
O novo paradigma criou uma enorme pressão comercial que é jogada em cima dos exportadores de alimentos e matéria prima para que produzam de forma sustentável.
Para quem compra é fácil exigir controle e transparência do fornecedor. Que tal quem vende exigir controle e transparência do cliente? It's only fair enough.
O Perigo Verde

Em 1987, ao presidir uma comissão sobre meio-ambiente e desenvolvimento, o primeiro-ministro norueguês Gro Brundtland definiu desenvolvimento sustentável como aquele que "satisfaz as necessidades da geração presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras em satisfazer as próprias necessidades".
Este conceito foi lembrado pelo professor de Stanford David G. Victor em um debate promovido pela Economist sobre a "insustentabilidade do desenvolvimento sustentável".
Segundo Victor, muitas vezes na história humana estivemos à beira de crises semelhantes à de hoje (mudança climática), mas na maioria das vezes os problemas foram resolvidos com o uso de novos recursos e novas tecnologias.
O ambientalismo radical no entanto apropriou-se do conceito de sustentabilidade, direcionando-o rumo à paralisia e ao protecionismo. Não é nenhuma surpresa que a militância ambientalista radical ande de braços dados com movimentos anti-globalização e partidos esquerdistas.
É bom lembrar que o ambientalismo moderno nasceu com o livro Primavera Silenciosa, de Rachel Carson que denunciava a presença de moléculas de DDT até em gordura de focas do Ártico. O resultado de sua campanha foi a proibição do uso de DDT e um genocídio, este sim silencioso, de milhões de crianças vítimas de malária e fome no Terceiro Mundo, sem que qualquer efeito nocivo do DDT à saúde fosse provado.
Hoje, o novo DDT chama-se CO2, uma molécula que longe de ser venenosa é a base de toda a vida existente no planeta. Há uns dias, os líderes do G8 reunidos resolveram limitar o aquecimento global a 2°C até 2050. Como dizia Mané Garrincha, falta combinar com os suecos... Parece inacreditável uma promessa dessas quando não sabemos nem se irá chover na semana que vem.
Pelo conceito moderno de sustentabilidade, os países do terceiro mundo seriam obrigados a frear seu desenvolvimento para preservar seus recursos e evitar a emissão de CO2. As benesses da sociedade industrializada seriam substituídas por outras tecnologias mais "sustentáveis". Eu me lembro de ver em um documentário inglês um posto de saúde montado em algum lugar da África com o dinheiro de uma ONG. A condição para ser construído é que usasse energia solar. O resultado é que a geladeira que guardava medicamentos e as luzes da sala de cirurgia não podiam funcionar ao mesmo tempo para evitar blecautes.
Já os países desenvolvidos seriam obrigados a mudar o comportamento de seus cidadãos, reduzindo o consumo de bens e o carbon foot-print seja lá como isso for calculado.
É preciso tomar cuidado com o que o ambientalismo radical chama de sustentável. Pode ser uma nova forma de totalitarismo, que de um lado controla a vida e as escolhas dos cidadãos de países ricos e por outro cria formas de controlar o uso de recursos por países pobres, recursos que dizem eles, seriam melhor administrados por algum organismo global como a ONU.
A história mostra que inovação e tecnologia trouxeram muito mais benesses do que malefícios ao homem e ao planeta, e as maiores beneficiadas nesse processo foram justamente as sociedades mais livres e abertas.
Desenvolvimento sustentável não significa não-desenvolvimento, mas criar um intercâmbio de riquezas e tecnologias capazes de garantir às gerações futuras, de todas as nações, o usufruto do progresso humano.
Tuesday, July 21, 2009
We choose the moon

É coisa de menino talvez, mas sou fascinado por histórias de explorações e expedições, das navegações de Cook, Colombo, Vasco da Gama e Fernão de Magalhães às viagens de Livingstone, Amundsen e Shackleton.
Obviamente a viagem à Lua, algo imaginado já por Júlio Verne, foi a mais fantástica viagem já feita pelo homem.
A conquista do Espaço, a próxima fronteira, é apenas a continuação daquelas histórias de exploração que m fascinavam quando criança. A Lua é só o começo, e espero até o fim da vida ver alguém pisando em Marte.
Mas já me contento com as expedições espaciais fictícias, como as de Arthur C. Clarke. São as vantagens da imaginação.
Aqui um outro link bem bacana:
Monday, July 20, 2009
Monday, June 01, 2009
Os homens atrás da cortina

O Forum Humanitário Global, uma ONG sediada em Genebra e presidida pelo ex-secretário geral da ONU Kofi Annan divulgou essa semana um relatório aonde aponta que as mudanças climáticas já causam 315 mil mortes por ano e afeta dramaticamente outras 325 milhões.
E pelo relatório a coisa vai ficar ainda mais preta, daqui a 20 anos 10% da população mundial será afetada pelo clima.
O tal relatório andou sendo divulgado na mídia mundial e é panfletado como a última verdade suprema pela Igreja do Aquecimento Global do profeta Al Gore.
Agora parece ser bem fácil listar todas as vítimas de secas, tempestades, enchentes, raios, alagamentos, deslizamento de barrancos e dizer que tudo isso é culpa das mudanças climáticas, e não só isso, que as mudanças climáticas são provocadas pelo homem. Nenhum outro fator, econômico ou político influenciou essas mortes, só o clima...
Quando essa história começou, eu quase acreditei. Achava que esse pessoal era sério e preocupado com o planeta. Assisiti ao documentário de Al Gore e ouvi suas explicações. Depois fui felizmente percebendo que o que está aí, longe de ser um consenso científico, transformou-se no oposto de investigação científica.
Ninguém conseguiu provar o aquecimento, tanto que hoje o termo "global warming" foi substituído por "climate change" no jargão ecologicamente e politicamente correto. É mentira também que o nível do mar está subindo. Mas é verdade que qualquer pesquisa que corrobore a hipótese do aquecimento recebe mais atenção e subvenção do que as que dizem o contrário.
O tal do Forum diz que a maioria das vítimas das mudanças climáticas estará nos países subdesenvolvidos. É irônico que eles digam querer proteger estes países quando estão criando dificuldades para sua industrialização e desenvolvimento.
Como no mágico de Oz, é preciso olhar o homem atrás da cortina. Os líderes desses movimentos apocalípticos do aquecimento global, com seus recursos ilimitados e o seu terrorismo midiático não estão interessados em ecologia. Estão querendo é botar sob uma autoridade globalista o controle do uso de recursos naturais pelo terceiro mundo.
Aqueles que eles dizem querer proteger serão vítimas não do clima, mas da mais nova e disfarçada forma de autoritarismo do século XXI.
Tuesday, April 14, 2009
Friday, December 12, 2008
E outros mistérios

"Você alguma vez já olhou para as estrelas numa noite clara e pensou: Porquê isso tudo? O que está acontecendo nessa imensidão do espaço? E oque estamos fazendo aqui na Terra? Seria a vida uma ocorrência muito rara, para não dizer única? Ou seriam os seres humanos no fim insignificantes?"
Peter Russell, no início de The White Hole in Time.
Shakespeare, em Hamlet, escreveu que há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia.
A ciência, durante nossa história, nos forneceu inúmeras respostas sobre nosso mundo. No entanto, nossa esfera de conhecimento ainda é extremamente limitada em comparação com o Universo em que vivemos.
Em outras palavras, o que não sabemos, comparado com o que sabemos, é infinito.
Mesmo que a ciência possa progredir a um ritmo inimaginável com as atuais técnicas e instrumentos, o conjunto de conhecimentos da humanidade nunca deixará de ser finito. A cada resposta encontrada, centenas de outras dúvidas surgirão.
Um cientista, um verdadeiro cientista sempre terá sua mente aberta para além de seu mundo conhecido, afinal, foram curiosidade e imaginação que fizeram a própria ciência evoluir.
Quando ao contrário, alguém prega que o Universo se resume ao que conhecemos e podemos ver e experimentar, está negando a própria natureza da ciência.
O século XX foi pródigo em exemplos de como nos comportamos ao tirar Deus da nossa equação de civillização em nome do cientificismo. Os resultados foram pavorosos.
Os ateístas de hoje, seguidores de Richard Dawkins e afins, clamam pela razão, mas de fato são mais limitados em sua visão de mundo do que aqueles que buscam o divino à procura de explicações para nossa existência, nossas alegrias e nossos sofrimentos.
Seja através do Deus de amor infinito dos cristãos, do Allah misericordioso dos muçulmanos ou do Brahman hindu e seu eterno banco de créditos e débitos, o kharma, pela liberação final, os homens constroem pontes para tentar alcançar além da pequena bolha em que vivemos.
É da natureza de sua inteligência. Negar isso é negar nossa humanidade.
Peter Russell, no início de The White Hole in Time.
Shakespeare, em Hamlet, escreveu que há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia.
A ciência, durante nossa história, nos forneceu inúmeras respostas sobre nosso mundo. No entanto, nossa esfera de conhecimento ainda é extremamente limitada em comparação com o Universo em que vivemos.
Em outras palavras, o que não sabemos, comparado com o que sabemos, é infinito.
Mesmo que a ciência possa progredir a um ritmo inimaginável com as atuais técnicas e instrumentos, o conjunto de conhecimentos da humanidade nunca deixará de ser finito. A cada resposta encontrada, centenas de outras dúvidas surgirão.
Um cientista, um verdadeiro cientista sempre terá sua mente aberta para além de seu mundo conhecido, afinal, foram curiosidade e imaginação que fizeram a própria ciência evoluir.
Quando ao contrário, alguém prega que o Universo se resume ao que conhecemos e podemos ver e experimentar, está negando a própria natureza da ciência.
O século XX foi pródigo em exemplos de como nos comportamos ao tirar Deus da nossa equação de civillização em nome do cientificismo. Os resultados foram pavorosos.
Os ateístas de hoje, seguidores de Richard Dawkins e afins, clamam pela razão, mas de fato são mais limitados em sua visão de mundo do que aqueles que buscam o divino à procura de explicações para nossa existência, nossas alegrias e nossos sofrimentos.
Seja através do Deus de amor infinito dos cristãos, do Allah misericordioso dos muçulmanos ou do Brahman hindu e seu eterno banco de créditos e débitos, o kharma, pela liberação final, os homens constroem pontes para tentar alcançar além da pequena bolha em que vivemos.
É da natureza de sua inteligência. Negar isso é negar nossa humanidade.
"A coisa mais bonita que podemos experimentar é o mistério. É a fonte de toda arte e toda ciência. Aquele para quem esta emoção é estranha, que não pára mais para admirar em temor e êxtase é como um morto: seus olhos estão fechados".
Albert Einstein
Tuesday, December 09, 2008
O Mistério das Nuvens

A premissa básica da Ciência, o que a difere de religiões, é que nenhuma tese é definitiva e eterna. A Ciência se ocupa em elaborar hipóteses que são aceitas como verdadeiras até que alguém prove o contrário ou valide uma hipótese diferente.
O problema hoje é que há gente que assume a Ciência como religião, rejeitando novas hipóteses e idéias com o fervor dogmático de inquisidores.
O exemplo mais óbvio é o do aquecimento global, religião onde o IPCC é Deus e Al Gore o seu profeta. Na segunda passada, militantes ecoterroristas de um grupo britânico chamado Plane Stupid invadiu a pista do aeroporto londrino de Stansted impedindo o embarque de milhares de pessoas saindo de férias. Eles protestavam contra a emissão de CO2 por aviões (3% das emissões planetárias desse gás).
O meu desprezo por esse tipo de gente não vem só da sua ignorância tosca, mas o fato de serem marionetes nas mãos de interesses escusos por trás dessa história toda.
Pela primeira vez na história, países antes extrativistas começam a se industrializar. Pessoas comuns em todo o planeta têm acesso a passagens aéreas e viagens de férias, veículos para se locomoverem, geladeiras, luz elétrica e outros benefícios da civilização. E bem agora aparece essa turma dizendo "parem tudo, o planeta tá esquentando e o mundo vai acabar debaixo d'água". Tem algo de podre no reino de Al Gore. A única coisa que Kyoto (e o futuro encontro em Poznan) vai causar é um aprofundamento da recessão econômica mundial.
No entanto, qualquer dúvida sobre as causas humanas do aquecimento global é encarada como fruto de cinismo ou estupidez. Mesmo quando os dados do próprio IPCC mostram que não houve aquecimento nenhum entre 1997 e 2007.
Alguém sabe qual é o mais poderoso gás de efeito estufa na atmosfera? Quem falou CO2 errou feio. É o vapor de água.
Um cientista dinamarquês, Henrik Svensmark ousou investigar uma hipótese diferente para as alterações de clima do planeta. Ele investiga o efeito da ação de radiação cósmica e manchas solares na formação de nuvens e consequentemente na temperatura dos oceanos e da atmosfera. O resultado de suas experiências está no documentário The Cloud Mystery.
Svesmark fundou o que se chama hoje de cosmoclimatologia. Para ele, o aquecimento global não tem nada a ver com o CO2, e sim com a atividade solar. O mais interessante é ouvi-lo falar das dificuldades en encontrar financiadores para as pesquisas e revistas que aceitassem publicar seus resultados. Sua hipótese bateu de frente com a Inquisição.
Saturday, February 23, 2008
Os segredos do abismo














Em 1930, no arquipélago das Bermudas, William Beebe da New York Zoological Society e seu companheiro Otis Barton desceram um quarto de milha no oceano em um veículo recém inventado, a batisfera. Lá de baixo, Beebe descreveu um mundo de escuridão e fosforescência cheio de criaturas fantásticas que segundo ele “it was like the black pit-mouth of hell itself”. Esta história e outras mais aparecem em um artigo da New York Review of Books sobre dois livros recém lançados sobre as profundezas do oceano. The Deep de Claire Nouvians e The Silent Deep de Tony Koslow.
Em 1960, Jacques Piccard a bordo do Trieste bateu um recorde de profundidade na Fossa das Marianas. Lá, a 10.910m ele ainda encontrou vida, mas mesmo assim, desde a descida de Beebe, muito pouco se aprendeu sobre a vida nos abismos oceânicos.
Em 1960, Jacques Piccard a bordo do Trieste bateu um recorde de profundidade na Fossa das Marianas. Lá, a 10.910m ele ainda encontrou vida, mas mesmo assim, desde a descida de Beebe, muito pouco se aprendeu sobre a vida nos abismos oceânicos.
Nós sabemos mais sobre a Lua do que sobre a vida desses animais extraordinários, inteiramente moldados para achar o que comer e quem amar, nas românticas palavras do cientista Marsh Youngbluth.
Estas fotos são do livro de Claire Nouvian, que voltam a nos revelar as maravilhas escondidas no abismo. Poderiam ser de um astronauta distante, visitando alienígenas desconhecidos mas não. São daqui mesmo desse planeta, de um mundo desconhecido porém já ameaçado de poluição, como conta Koslow.
Esses bichos esquisitos e fascinantes nos fazem pensar na imensa diversidade da vida.
Estas fotos são do livro de Claire Nouvian, que voltam a nos revelar as maravilhas escondidas no abismo. Poderiam ser de um astronauta distante, visitando alienígenas desconhecidos mas não. São daqui mesmo desse planeta, de um mundo desconhecido porém já ameaçado de poluição, como conta Koslow.
Esses bichos esquisitos e fascinantes nos fazem pensar na imensa diversidade da vida.
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