Saturday, March 24, 2007

Angelina Jolie no Darfour


'If I can draw you in a little because I'm familiar, then that's great. As long as you end up looking at them, that's the point.'

Sunday, March 18, 2007

The Great Global Warming Swindle


O Channel 4 inglês produziu um excelente documentário demonstrando a grande mentira propagandística que se tornou a campanha sobre o aquecimento global.
O documentário bate de frente contra os argumentos do filme de Al Gore ganhador de um Oscar. A questão aqui não é discutir se a temperatura está aumentando ou não, mas se esse aumento de temperatura indiscutivelmente constatado nas últimas décadas é causado por atividade humana ou não.
Segundo Al Gore, o CO2 emitido pelas indústrias é o grande responsável pelo aumento do efeito estufa. Em seu filme, Gore mostra como as curvas do teor de CO2 na atmosfera e da temperatura estão correlacionadas.
Acontece que o CO2 é um componente irrisório da atmosfera, e a parte de CO2 criada por atividade humana ainda mais irrisória.
No documentário do Channel 4, cientistas comprovam que o aumento de CO2 na atmosfera, longe de ser a causa do aquecimento global, é mais uma consequência deste aquecimento. O aquecimento em si estaria muito mais ligado à atividade solar do que à poluição humana.
A coisa funciona assim, em períodos de maior atividade solar, a temperatura da Terra normalmente aumenta, como tem acontecido há bilhões de anos. As águas dos oceanos esquentam e diminuem a solubilidade de CO2 que passa em maior quantidade à atmosfera. Ao mesmo tempo o vapor de água na atmosfera aumenta, e vapor é de longe o mais importante dos gases de efeito estufa.
O documentário mostra como nasceram as pesquisas que relacionam a queima de combustíveis fósseis com o aquecimento global, quando Margareth Tatcher em queda de braço com os sindicatos de mineiros na Inglaterra decidiu investir na energia nuclear. O nascente movimento ecologista descobriu e abraçou a causa contra a indústria. Assim nasceu a máquina de propaganda de bilhões de dólares, estimulada pela mídia e por políticos espertos que faria do aquecimento global a maior ameaça já sofrida pela humanidade.
O aquecimento global na verdade pode ser a mais cruel mentira já propagandeada em tão larga escala na história da humanidade.
Cientistas com opiniões contrárias à da patrulha ideológica ecologista têm sofrido censura e discriminação. O aquecimento global, mais do que uma causa se tornou uma religião moderna. A crueldade dessa nova religião reside no fato de que as nações em desenvolvimento estarão sujeitas a abandonarem sua industrialização em nome de uma grande mentira.
O “humanismo” dos ecologistas de primeiro mundo que têm todo o conforto da civilização provavelmente será a causa do subdesenvolvimento de milhões que não têm acesso à eletricidade, refrigeradores, fogões, luz e outras tecnologias que trazem conforto e segurança todos os dias ao Primeiro Mundo.
O documentário está integralmente disponível no You Tube:

http://www.youtube.com/watch?v=XttV2C6B8pU

Saturday, March 17, 2007

Darfour


Uma região semi-desértica, ocre, árida, grande como a França, esquecida por Deus e pelos homens. É o mais novo cemitério a céu aberto do mundo. Um novo capítulo na imensa coleção de tragédias africanas.
Milhares de pessoas que aí vivem estão sendo massacradas todos os dias sem serem notadas pelo resto do planeta. Pais e mães sendo assassinados, crianças sendo estupradas em massa em suas escolas, bebês empalados vivos em baionetas, casas queimadas, seus bens roubados, seus animais mortos, suas culturas arrasadas.
Janjaweed, os cavaleiros da morte, a encarnação do Mal. O nome que soa como maldição é o apelido das milícias árabes patrocinadas pelo governo de Khartoum para livrar o Darfour dos negros, embora igualmente muçulmanos. Os Janjaweed agora avançam sobre o Chad e sobre a República Centro Africana, onde se concentram os campos de refugiados. O Chad por sua vez patrocina os rebeldes sudaneses que recrutam crianças entre os refugiados destes campos.
Em 4 anos, mais de dez resoluções foram votadas pelo Conselho de Segurança da ONU sem nenhum resultado concreto sobre o governo sudanês, que é obviamente contra uma intervenção em seu território. Assim como os chineses que compram seu petróleo. Enquanto as nações ocidentais discutem se há ou não um genocídio, mais de 200.000 pessoas já morreram. E os países árabes sempre prontos a denunciar a opressão dos palestinos se calam sobre o fato de que muçulmanos estão massacrando muçulmanos.
Khartoum hoje é governada por um bando de assassinos que já matou mais de um milhão de pessoas na última década no sul do país.
Jacques Julliar pergunta em sua crônica desta semana na Nouvel Observateur que homens de cera são esses emq ue nos transformamos? Em que sombra se transformaram nossos rostos, e que sepulcros frios são nossos lares hoje? Só uma força de intervenção internacional acabará com o calvário desse povo exangue. É preciso gritar e gritar ainda mais. Quebrar a lei do silêncio. Se nos calarmos as pedras acabarão por gritar por nós. Três vezes por dia, onde você estiver, grite pelo Darfour. Vamos acabar sendo ouvidos. Porque se há uma coisa que assassinos temem mais do que o castigo é o barulho, c’est la lumière...

http://www.urgencedarfour.com/
www.msf.fr/aider
www.unhcr.org/donate
http://www.pam-onu.org/

Matisse


La fille aux yeux verts

O grande Satã


Não existe nada mais boçal e simplista no pensamento esquerdista do que o anti-americanismo. Essa corrente pra frente que culpa George W. Bush e os americanos por todos os males do mundo, e que tem seus maiores expoentes nas figuras de gente fina como Hugo Chávez, Fidel Castro, Muamar Gadhafi e Kim Jong Il por exemplo. A visita de George W. Bush abriu ao Brasil uma oportunidade de ouro na questão do etanol. Hugo Chávez e Fidel Castro, o Chapolin Colorado, lastimaram a vontade brasileira de plantar cana. Dizem que a terra foi feita para as florestas e alimentos. Nada a ver como o fato de a Venezuela boiar em petróleo e os EUA serem seu maior cliente, ou com o fato de Cuba ter recentemente descoberto enormes reservas de gás na parte norte da ilha...Os dois subestimam a excelência da agronomia brasileira. Não sabem que somos capazes de multiplicar nossa produção sem precisarmos derrubar uma árvore sequer.
Lula deu ouvidos a Chávez e Kichner, outro candidato a ditador bananeiro que governa por decretos, e virou as costas à Alca. Deveria pensar melhor. Os países latino americanos mais espertos estão fechando acordos bilaterais com os EUA e ignorando a ideologia cretina dos três patetas. O México antes de entrar para o Nafta tinha um déficit com os EUA de 2.5 bilhões de dólares. Hoje exporta 64 bilhões. O Chile dobrou suas exportações aos EUA depois do acordo bilateral. Nicarágua, Colômbia, Peru e Uruguai estão negociando seus próprios acordos.
Por mais incompetente que seja seu governo, Bush foi eleito pela democracia mais sólida do planeta, ou seja, mais cedo ou mais tarde a justiça será feita nas urnas. É mais do que se pode dizer dos governos proto-ditatoriais da América Latina.
(Pintura: Flamboyant devil - Paul Klee)

Voltaire


Le diable est dans les détails...

O diabo está nos detalhes...
(lembrando Voltaire, confesso que copiado de um blog francês, mas mesmo assim muito bom)

O Nosso Guia Genial


A cada dia que passa a tentação autoritária do PT fica mais evidente. Só não vê quem não quer. Lula como se sabe foi eleito pelo povo. Mas o “povo” em inúmeras vezes na história da humanidade foi ludibriado por vigaristas, lobos em peles de cordeiro.
Lula formou nesta semana provavelmente o Ministério mais medíocre da história “deste país”. Um exemplo é o Ministro da Agricultura, um reconhecido picareta , que mesmo nomeado dificilmente tomará posse. O mais grave no entanto foi a nomeação de Tarso Genro para Ministro da Justiça. Agora um homem do Partido será o dirigente da Polícia Federal. Sob Márcio Thomaz Bastos, a PF mostrou muito mais empenho em prender donas de butiques do que em investigar os mensaleiros petistas. É inacreditável que até hoje não tenham descoberto de onde saiu o dinheiro que pagou o dossiê falso das ambulâncias contra José Serra. Agora sob o comando de Tarso, provavelmente a PF será ainda mais dependente das conveniências do PT. É a Gestapo brasileira nascendo como preconizou César Maia essa semana.
Depois vem a idéia de uma nova TV estatal, feita com nossos impostos, para transmitir as notícias “corretamente”, o que em português significa por um filtro ideológico marxista no que deve ser mostrado ao povo, e obviamente fazer propaganda do governo.
Em terceiro surgiu o projeto de Guido Mantega de dar aos fiscais dos Ministérios da Fazenda e do Trabalho o poder de multar empresas infratoras e executar penhoras, ambas competências do Ministério da Justiça. Ou seja, já que a Justiça é lenta, em vez de reformá-la, Lula dá o poder de juiz aos fiscais. E põe o empresariado debaixo da sua botina.
Trê degraus a mais na escada para a ditadura, polícia do partido, mídia para propaganda e pressão no setor privado. Esse é Nosso Guia Genial nos levando para o atraso.

Wednesday, March 14, 2007

Cinématographe Lumière


Garimpei no Youtube estas relíquias da pré-infância do cinema. Não as via desde que visitei a antiga casa dos irmãos Louis e Auguste Lumière, hoje o museu do cinema, em Lyon. Os dois fizeram a primeira exibição pública do cinematógrafo em 1895 com o filme “Sortie des Usines Lumières”.
O filme “Arrivé du Train en Gare de la Ciotat” marca o início da influência do cinema na cultura popular. Diz-se que durante a primeira exibição do filme os espectadores saíram correndo da sala esperando mesmo que o trem fosse entrar pela tela.
Já em “L’arroseur arrosé” ou o jardineiro molhado, Louis Lumière descobre que om filme para ser interessante precisaria de um enredo, uma trás por trás das imagens. É provavelmente a primeira comédia filmada da história e ao mesmo tempo a descoberta do cinema como entretenimento.

Saturday, March 10, 2007

L’Orgie et la Peste



Fuori controllo, tra edonismo e paura, il nuostro futuro brasiliano. Esse era o título original deste ensaio do sociólogo e jornalista italiano Giuliano da Empoli. Li a tradução francesa editada agora pela Grasset. Fiquei sabendo deste ensaio por uma notícia de jornal, mas a verdade é que ele me surpreendeu, e agora o considero uma leitura essencial nestes tempos em que vivemos.
Durante as epidemias de peste na Idade Média, frequentemente se viam casas onde as pessoas choravam os mortos e outras onde elas se entregavam a todo tipo de abusos e depravações.
Segundo Giuliano da Empoli, o Brasil foi indevidamente esquecido por filósofos e pensadores modernos que ao que parece preferem as cinzentas cidades do norte europeu. Ziraldo já dizia que se na Alemanha desse praia a história da filosofia seria outra. Neste ensaio o autor vê o Brasil, um dos países mais festeiros e inegalitários do mundo como uma espécie de espelho do mundo contemporâneo, com duas vertentes complementares, a carnavalesca ( a orgia) e a trágica (a peste).

A Orgia

O Brasil na visão do estrangeiro é o país do carnaval, do samba e futebol. Um país onde as elites tentaram de modo fracassado imitar as elites européias com seus boulevards e óperas mas que depois descobriu com Gilberto Freyre que sua força não estava em sua elite, mas na sensualidade e na miscigenação de seu povo. Depois de assumir essa identidade é que o Brasil descobriria sua imensa riqueza cultural, da qual o Carnaval é a expressão máxima. É no Carnaval que o Brasil une as influências de suas diferentes origens, e é no Carnaval que pobres e ricos se encontram. Ao contrário das ideologias racionais que sempre caracterizaram o progressismo Ocidental, o carnaval é verdadeiramente a única ideologia brasileira. A ideologia de aproveitar a vida e não se preocupar.
Da Empoli fala então da Carnavalização do mundo, da democratização da orgia. Das raves européias à Sex & The City americana, o mundo quer sexo, drogas e diversão. Somente a Califórnia produz mais de dez mil filmes pornôs por ano, todos os dias aviões lotados deixa cidades da Europa levando turistas sexuais à Tailândia, ao Leste Europeu e ao Brasil. A pornografia é o negócio número um da internet e aparece cada vez mais na TV. Tudo que se relaciona ao corpo, de dietas a cosméticos e cirurgias plásticas vendem como nunca. A indústria do jogo dobrou o faturamento nos últimos 10 anos. Da mesma forma, chefs de cozinha como Jamie Oliver e estilistas como Armani e Dolce & Gabbana tornam-se superstars porque a Carnavalização é também comer, beber e se vestir bem. Esse novo hedonismo de massa fez surgir também uma nova superclasse de cidadãos, as celebridades. No começo do século quando perguntados sobre seus ídolos, estudantes americanos citavam personagens da história e de letras. Nos dias de hoje 100% dão o nome de atores e celebridades. Se no passado nossos modelos de sociedade eram baseados em caráter, honestidade, realização, hoje a única característica que se precisa ter para entrar na superclasse é a capacidade de atrair atenção. Atenção hoje é uma commoditie rara, e por isso quem consegue atenção o faz frequentemente agindo fora do padrão histórico de comportamento (pense em Paris Hilton sem calcinha ou Britney Spears careca se dizendo o anticristo). Nada disso afeta o povo neo-carnavalizado, eles querem também ser famosos, daí as filas imensas nos programas de auditório e o sucesso dos mais estúpidos reality-shows. O que vale é ter fama e viver bem. Mesmo na política, Silvio Berlusconi, Arnold Schwarzenegger e Pim Fortuyn são exemplos do futuro político, cuja eleição depende mais da imagem do que de idéias. Da Empoli cita Seneca, dizendo que o epicurismo, a busca do prazer é feita geralmente por quem esqueceu o passado, não se preocupa com o presente e tem medo do futuro.

A Peste

O Brasil não vive um conflito bélico em seu território há mais de cem anos. No entanto são mais de 50.000 mortes violentas por ano, o dobro do que a ONU julga necessário para considerar um país em guerra. A violência brutal do tráfico está aí no cadáver na esquina e em parte nenhuma. Nas grandes cidades, os brasileiros se tornaram paranóicos esperando a próxima bala perdida, com cercas elétricas nos muros de seus condomínios fechados. O espaço público começa a ser privatizado, só vamos às compras nos shoppings fechados e seguros. Crianças brincando nas praças só dentro do condomínio.
Segundo Giuliano da Empoli o 11 de setembro e os conflitos que se seguiram depois (dos quais Sarajevo foi o terrível presságio) trouxe essa paranóia à la brasileira para o mundo inteiro. A próxima vítima do terrorismo não é um soldado no front, as vítimas podem ser turistas em Bali, executivos em Manhattan ou suburbanos em Madrid. Antigamente quando as notícias chegavam pelo jornal escrito, a impressão da violência era muito menor. A televisão trouxe os cadáveres da Palestina para a nossa sala. E como a imagem é muito mais acessível do que a escrita, nossas crianças estão perdendo a infância. Estamos voltando ao tempo em que adultos não se incomodavam em praticar atos violentos e obscenos diante de crianças.
A tudo isso soma-se o self-service da alma. Assim como na moda, emprestamos idéias e acessórios das religiões que conhecemos para formarmos nossas próprias crenças. Há católicos que acreditam em reencarnação e que praticam meditação budista. Em tempos obscuros, onde o futuro é incerto, renascem superstições e crenças outrora enterradas pelo racionalismo. O sucesso de Harry Potter e do Senhor dos Anéis, da astrologia e do New Age ajuda a provar a tese. É o fatalismo high-tech.

A luz no fim do túnel

Nietszche disse que o único modo de dar mais solidez aos fundamentos da sociedade é o de dar um papel ao lado escuro que sustenta tudo o que é humano, ao excesso de energia que todo organismo possui face à exigência pura e simples de sobreviver.
Joseph Conrad com seu Heart of Darkness e Euclides da Cunha com Os Sertões descreveram bem o que o homem é capaz de fazer em nome do progressismo. Foram junto com Nietszche, na visão de da Empoli, os profetas das desgraças do século XX.
Os intelectuais progressistas de hoje se calam perplexos diantes da carnavalização do mundo, que eles chamam de decadência, porque esta vai contra tudo o que eles pregam em racionalismo.
Giuliano da Empoli diz que essa força animal que o homem tem, essa sede de orgia, longe de ser reprimida deve ser controlada e usada contra o perigo do integrismo que vivemos hoje. O islamismo, assim como o nazismo, o fascismo e o comunismo antes dele, quer criar um homem novo e puro, e para isso considero todos os meios justificáveis. Uma espécie de nihilismo positivo pode evitar a contaminação do Ocidente por essa idéia, visto que quem gosta de aproveitar a vida tem uma grande dificuldade em sacrificá-la. Como o próprio Osama Bin Laden reconheceu, vocês tem milhares de jovens querendo viver e nós temos milhares prontos a morrer.
Usando-se a vertente carnavalesca para o lado positivo, resta-nos cuidar da vertente trágica da Brasilianização do mundo. E para isso o autor recomenda esquecer os preceitos esquerdistas de que o Ocidente é a causa do terrorismo islamita. Consideramos que atentados terroristas não são decisões de terroristas, mas consequências dos nossos atos. Segundo esses esquerdistas, o privilégio de um indivíduo adulto tomar uma decisão seria reservado aos Ocidentais. Da Empoli diz que essa é a maior prova de racismo que poderíamos dar em relação ao mundo islâmico.
Da mesma forma o esquerdista culpa “a sociedade” pelos crimes dos traficantes de drogas do Rio, isentando-os de responsabilidade. Giuliano da Empoli cita como exemplo Tony Blair, o primeiro esquerdista a tomar o lado das vítimas dizendo “Tought with crime, tough with the reasons of crime”. Atitude sendo felizmente seguida por outros.
Vencida a paranóia restará o amor à vida dos “carnavalescos” para vencer o integrismo.

Bansky – Guerrilla art


Poucos sabem quem ele é. Ele só concedeu algumas raras entrevistas, sem fotos.
Sua arte começou a ser feita nas ruas, em grafites. É provocadora, anarquista, revolucionária. Ele pintou a rainha Vitória como uma lésbica sado-masô, grafitou um muro com dois policiais da Scotland Yard se beijando, imitou os jardins de Monet com lixo jogado nos canais floridos de ninfeas, pintou animais vivos. Pichou as paredes da jaula do elefante no Zoológico de Bristol dizendo: “'I want out. This place is too cold. Keeper smells. Boring, boring, boring...” Pintou a barreira da vergonha que separa Gaza de Israel com grafites que mostram garotos quebrando o muro com um céu azul aparecendo.
Embora sendo uma celebridade anônima, seus quadros foram vendidos nas melhores casas de leilão de Londres atingindo preços astronômicos.
Ele é Bansky. Entre o vandalismo e a genialidade.

http://www.banksy.co.uk/

Friday, March 09, 2007

Dia das Mulheres 2 - The Good Wife's Guide


Uma revista especializada aconselha suas leitoras a estarem sempre frescas e sorridentes à espera do marido e não o perturbar com problemas. Lembre-se de que os tópicos de conversa dele são sempre mais importantes do que os seus. E você não tem o direito de questioná-lo, ele é o chefe da casa e ajudá-lo a se sentir confortável lhe dará grande satisfação pessoal. E o conselho final: uma boa mulher sempre conhece seu lugar.
Bem, o homem que hoje em dia sugerir à esposa (desde que ela não use burca) seguir os conselhos do Good Wife's Guide vai ter como resposta uma sonora risada ou a sugestão de enfiar o "guide" em algum orifício da própria anatomia.
Uma relíquia de 1955 para fazer as mulheres perceberem o quanto conquistaram nessas últimas décadas.

Thursday, March 08, 2007

Dia da mulher


Quer dizer que os outros 364 são de quem? Piada à parte, descobri que o dia da mulher comemora uma passeata feminista de 1908, ou seja, 99 anos atrás, quando 15.000 mulheres de Nova York saíram às ruas pedindo melhor salário, redução da jornada de trabalho e direito ao voto. Desde então muita água rolou e as mulheres conseguiram isso e muito mais. As mulheres conquistaram a indepêndencia sexual com a pílula, conseguiram cargos executivos em corporações e chegaram à política. Provavelmente veremos em um futuro próximo Hillary Clinton na Casa Branca. Enquanto isso os homens se ocupam mais dos filhos, cuidam mais da própria vaidade como atestam as vendas astronômicas de cosméticos masculinos, enfim, tomam espaço que antes era exclusivamente feminino. Aqui em casa eu cozinho e minha esposa instala o computador e faz a nossa declaração do imposto de renda. Eu acho é bom. Um futuro dominado por homens seria muito mais chato, bruto e burro do que um futuro mais feminino, ou mais equilibrado.
A verdade é que enquanto as mulheres conquistam seus espaços nas metrópoles, nos grotões do país (e do mundo) a realidade das mulheres tristemente ainda é outra.
Nosso pensamento machista primitivo dá risada quando olhamos essas fotos, mas atrás do cômico está a cruel realidade das mulheres ainda vistas e tratadas como mercadoria.
Para o condutor da carroça por exemplo a moça tem que ser “vige”, se não for não merece ser tratada como moça. Na distinta Boate Azul uma mulher vale 5 cervejas. Na Noite da Chupeta por uma cerveja e uma porção de batata frita você ganha uma masturbação grátis! No Planet Dance cada mulher que você levar dá um desconto na entrada. E se você levar 5 mulheres ganha até 2 reais de volta, já dá para uma pinga. Eles não especificam se as mulheres podem ser levadas vivas ou mortas. E a Noite da Xoxoteca? O traje é a rigor? Pobres homens, estão mesmo condenados à extinção. Por enquanto eles aproveitam, enquanto ainda há noites da xoxoteca.
O que eu queria mesmo saber é o que diabos é um “sabonetinho” que vale 40 reais ali no cartaz...

Gente hipócrita


A foto de cima é de Edna Ezequiel, mãe de Alana Ezequiel morta por uma bala perdida na última terça feira durante um tiroteio entre traficantes e policiais no morro dos Macacos em Vila Isabel. Uma repórter perguntou qual era o sonho da sua filha? Edna respondeu “Quem mora no morro não tem sonho não...”
A foto de baixo é a de Lula descalço batendo uma bola com o governador do Rio, Sérgio Cabral, e sendo observado pela corte dos puxa-sacos. Lula foi encontrar Cabral para liberar uma verba de R$ 100 milhões para as obras dos Jogos Pan Americanos que serão realizados na cidade.
Enquanto isso o tráfico reina, a polícia se ajoelha e Edna chora com a bandeira do Brasil no pulso.

Nos Barracos da Cidade
Composição: Liminha e Gilberto Gil

Nos barracos da cidade
Ninguém mais tem ilusão
No poder da autoridade
De tomar a decisão
E o poder da autoridade, se pode, não faz questão
Mas se faz questão, não consegue
Enfrentar o tubarão

Ôôô , ôô, Gente estúpida!
Ôôô , ôô, Gente hipócrita!

E o governador promete,
Mas o sistema diz não
Os lucros são muito grandes,
E ninguém quer abrir mão, não
Mesmo uma pequena parte
Já seria a solução
Mas a usura dessa gente
Já virou um aleijão

Ôôô , ôô, Gente estúpida!
Ôôô , ôô, Gente hipócrita!

Wednesday, March 07, 2007

O Haiti não é aqui


A primeira farmácia a vender maconha no mundo foi aberta aqui na Holanda há algumas semanas atrás. As vendas são feitas sob prescrição médica. É um passo a mais na legalização de drogas leves no país mais liberal do mundo. Maconha e haxixe são normalmente vendidos nos Cofee-shops, devidamente cadastrados pelo governo, e seu consumo é permitido em lugares públicos cadastrados ou em casa.
Nas caso de drogas pesadas como cocaína e heroína, o usuário é visto como um paciente, não como criminoso. Em centros de saúde do governo eles recebem gratuitamente doses de droga que vão sendo diminuídas com o tempo, acompanhamento piscológico e assistência social.
A Holanda age assim com outros dependentes, como jogadores compulsivos. Na Holanda os cassinos pertencem ao governo, viciados em jogo são filmados e sua entrada é barrada nos cassinos.
Em última instância, sou favorável à legalização de todos os tipos de drogas, tabaco, álcool e jogo. Sou a favor porque acredito que cada indivíduo tem que ser livre para tomar uma decisão que afete a ele e a ninguém mais. Mas é uma utopia achar que isso possa ser feito em um país como o Brasil. Mesmo na Holanda, cuja polícia e governo estão a anos-luz à frente do Brasil em termos de eficiência e honestidade, o sistema não é perfeito.
Drogados normalmente não afetam só as próprias vidas. Eles assaltam, dormem nas ruas, não produzem, causam problemas não só a si mesmo mas à família, ao bairro, a sociedade em geral. A violência no Brasil está intrinsecamente ligada ao tráfico.
O debate sobre a legalização das drogas no Brasil recomeçou em grande parte pelas declaraçãoes do novo governador do Rio, Sr. Sérgio Cabral. Mas a melhor resposta que Cabral teve foi dada pelo deputado Fernando Gabeira, histórico defensor da liberalização da maconha. Diz Gabeira: “quem conhece o processo de legalização fora daqui sabe que ele tem premissas que não foram cumpridas no Brasil. Uma delas é uma polícia mais ética e competente. Enquanto não se fizer uma reforma profunda nos organismos policiais, a mudança pode contribuir com a violência.”
Como o próprio Gabeira lembrou, o exército brasileiro entrou e ocupou essa semana na Cité Soleil, a favela mais violenta do Haiti. Vale a pena perguntar porque não conseguimos fazer o mesmo no Rio de Janeiro.

Saturday, March 03, 2007

O mapa da violência e a violência globalizada


Os dados liberados dobre a violência no Brasil esta semana mostram o que todo mundo sabe, menos o governo do PT. Violência não está relacionada com a pobreza, está relacionada com a ausência de um Estado forte ou a conivência de um Estado fraco. É por isso que as áreas mais violentas do país estão nas periferias de zonas metropolitanas onde a polícia não entra e nas cidades da fronteira agrícola do país onde simplesmente não há polícia. Falta de Estado significa impunidade e em consequência expansão do crime. Essa balela de que pobreza causa crime é conversa de petista, e é uma ofensa aos milhões de pobres brasileiros que tentam viver honestamente.
Em uma outra reportagem publicada na Nouvel Observateur, Moisés Naim, ex-diretor do Banco Mundial e redator da Foreign Policy fala sobre o seu “Livro Negro da economia mundial”. Segundo Naim, o crime assim como a economia se globalizou. Estima-se que a economia paralela hoje represente 10% da economia mundial, contra 1% há dez anos. Só o tráfico de seres humanos responde por 7 a 10 bilhões de dólares em negócios ilegais. Em 4 séculos os navios negreiros conseguiram levar 12 milhões de escravos para as Américas. Hoje, em menos de 10 anos mais de 30 milhões de pessoas passaram pelo tráfico no Sudeste Asiático. A pirataria, de bolsas Chanel a softwares e remédios contra o câncer falsos, representa 1 trilhão de dólares. Há ainda o tráfio de drogas, de armas, de órgãos, de animais silvestres, de materiais nucleares.
A progressiva abertura da economia mundial, incluindo Rússia e Leste Europeu, China e países africanos criou também uma miríade de possibilidades para o crime organizado. O tráfico hoje liga a Colômbia à Espanha e à Ucrânia, Senegaleses vendem pirataria chinesa nas ruas de Paris. Traficantes nigerianos atuam desde o Rio de Janeiro até a Tailândia.
Há um tempo atrás um bando de imbecis na praias cariocas usavam apitos para avisar os amigos puxando fumo que a polícia estava chegando. São os mesmos imbecis que reclamam da violência todos os dias mas que a cada baseado põe uma arma na mão dos traficantes.
Como diz Moisés Naim o crime também obedece à lei da oferta e da procura. E se há traficantes e criminosos vendendo pirataria, drogas ou mulheres, quem está comprando podem ser nossos vizinhos ou amigos ou até nós mesmos. Que pensamos que não temos nada a ver com isso tudo.

David Hamilton - Hommage a Balthus


Conto fantástico - E se...


John Carrera estava com um mau pressentimento na cabeça enquanto seu F16 subia no elevador que o levaria até a pista de decolagem do USS Eisenhower, um super porta-aviões classe Nimitz, orgulho da Marinha americana.
O Eisenhower estava estacionado há mais de um ano nas águas do Golfo Pérsico, e fora as missões de reconhecimento operadas no espaço aéreo iraquiano, as coisas andavam entediantes por ali. Pelo menos até os últimos dias. Carrera sabia que havia alguma coisa a mais no ar. Rumores falavam que alguma coisa grande viria.
E durante a madrugada, no briefing da missão de hoje ele tinha tido a confirmação. A missão da esquadrilha seria escoltar um bombardeiro F117 Stealth até um certo ponto do espaço aéreo iraniano.
George W. Bush estava no último ano de seu segundo mandato. A queda de braço com os aiatolás já durava três anos e segundo as informações que Carrera tinha recebido aquela manhã, oficiais da inteligência tinham localizado finalmente o coração do programa nuclear iraniano. Mísseis de longo alcance, produção de ogivas, toda aquela merda.
Seu F16 esperou na fila até chegar a vez de ser catapultado no espaço com aquela familiar sensação de adrenalina pura que tomava conta do seu corpo toda vez que decolava.
Carrera tinha certeza de que o F117 levava uma bomba nuclear embora uma infor,ação dessas fosse confidencial demais para ser dividida com os pilotos. Isso vai feder ele pensava olhando a imagem do Cristo colada junto ao altímetro. George W. já tinha dito que ele iria fazer alguma coisa que nenhum de seus sucessores, republicano ou democrata teria coragem de fazer. Era isso. O cretino ia começar a Terceira Guerra Mundial.
Foi então que aconteceu. Os instrumentos pararam de funcionar. Seus comandos não respondiam mais. O avião tomou um rumo inesperado e por mais que John Carrera tentasse controlar o vôo era como tentar enxugar gelo. O céu daquela manhã estava limpo e aparentemente não havia nenhum motivo lógico para o mau funcionamento do aparelho. O puto do rádio também não funcionava pensou enquanto desesperadamente se comunicar com a torre do Eisenhower ou com o chefe da esquadrilha, tenente O’Gara. Carrera tinha perdido contato visual com os outros F16 e agora seu avião rodopiava pelo ar sem direção e perdendo altitude. Carrera viu o céu escurecendo à sua volta e olhando o solo que se aproximava percebeu que estava na verdade a uma velocidade vertiginosa. Colado ao cockpit ele não conseguia se mover e sentia o sangue subir e descer pelo seu corpo, fazendo-o perder os sentidos mais de uma vez.
A impressão que se tinha de dentro do avião era a de que fora pego por um gigantesco tornado, o que não fazia sentido já que meteorologia nenhuma tinha previsto aquilo.
Carrera viu outros objetos rodopiando nas nuvens negras ao seu redor, pareciam carros, outros aviões, e até navios. Navios?! Um imenso choque arrancou o teto da cabine e em um gesto de desespero, conseguindo se mover por uma vez, John Carrera puxou o comando do assento ejetável pensando que já estava de fato morto.
John nunca viu o que aconteceu entre a ejeção e a aterrissagem, que ele só percebeu por uma lancinante dor na perna esquerda. O céu estava negro e a poeira subia em nuvens com o vento que assobiava no meio das pedras.
John Carrera soltou-se do assento e rolou pelo chão gritando de dor enquanto maldizia o dia em que entrara na Academia da Força Aérea. Arrastou-se até a beira de um barranco rochoso e aí desmaiou.
Acordou horas depois. Muitas horas depois a julgar pelo sol que já lhe queimava a cara. Sua perna não estava quebrada, talvez uma luxação, ams em todo caso doía e muito. E ele estava sem rádio, sem armas e sem mantimentos em uma terra incógnita. Foi quando um garoto apareceu atrás da colina próxima e lhe dirigiu algumas palavras aos gritos em uma língua que Carrera assumiu ser árabe. O garoto pelo menos tinha cara de árabe. Carrera pediu ajuda em inglês. O garoto se aproximava e falava sem parar apontando para a colina. Onde estou?, perguntava John apontando o chão. O garoto finalmente chegou a um braço de distância e se calou olhando a perna do piloto. John repetiu a pergunta umas quatro vezes até o menino responder: Palestina! Mais de 1.200 milhas longe do lugar onde eu deveria estar...Como isso aconteceu....O moleque sumiu de novo atrás da colina voltando dali a dez minutos com dois adolescentes bem maiores do que ele.
Ei, americano, venha ver, venha ver eles diziam em um inglês tosco. Os dois agarraram John segurando-o embaixo dos braços enquanto subiam a colina de volta.
Foi aí que John Carrera viu algo que ele nunca mais esqueceria na vida. A uma certa distância dali, talvez umas 10 milhas, contra um céu agora claro, ele via uma gigantesca torre. Olhando melhor a bizarra construção, ele viu que na verdade ela tinha uma forma familiar, a forma de um braço erguido saindo da terra e com o dedo indicador apontando o céu. Que diabos era aqulio?
Venha, venha, é Allah, é Allah diziam os garotos. John subiu com eles em um velho Lada caindo aos pedaços e seguiram pela estrada enquanto o adolescente que parecia mais velho dirigia.
É Allah americano, agora você vai ver que nós tínhamos razão, nós vamos vencer. John, olhava na estrada centenas de pessoas caminhando ou montadas em mulas, motos ou qualquer outro meio de transporte à mão dirigindo-se para o mesmo lugar onde eles estavam indo. Chegaram a uma vila árabe poeirenta e pararam o carro.
Aproximando-se do gigantesco braço erguido, John tentava imaginar do que seria feito aquela gigantesca estrutura que tinha pelo menos o dobro do tamanho do Empire State Building. E ao chegar perto ele começou a notar as formas que apareciam na base da torre. Descendo do Lada John reconheceu estupefato, meio enterrado na areia o USS Eisenhower. Colado a ele o porta aviões francês Charles de Gaulle, que pelo que ele sabia estava no Mediterrâneo. Aquele gigantesco braço era formado por navios de guerra, porta-aviões, destróiers, fundidos um ou outro, metal com metal. E acima dos navios, aviões e tanques. John reconheceu os F16, Mirages e Migs uns colados aos outros. Mísseis Tomahawk, Scuds, e centenas de milhares de Kalashnikovs e outras armas soldadas por uma força sobrenatural na estrutura toda.
Em volta da torre, pessoas se ajoelhava e rezavam, ou corriam e cantavam. Ele viu outros soldados, israelenses, franceses e americanos à distância. Não teve vontade de pedir ajuda, sentia a cabeça girar como se tudo aquilo fosse um sonho absurdo. Entrou em uma casa onde havia uma antena parabólica e uma televisão ligada. A casa estava vazia e John procurou a CNN na TV. Um boletim especial informava que depois de uma inexplicável tempestade magnética sobre Jerusalém, navios, aviões e tanques em um raio de 2.000 milhas tinham sido arrastados até aquele ponto formando uma imensa estrutura única na forma de um braço apontando para o alto com 600 metros de altura.
Segundo a reportagem, no planeta inteiro surgiram demonstrações de caos e desespero, assim como imensas procissões religiosas. Mais de 200.000 pessoas estavam reunidas na praça de São Pedro no Vaticano orando. Em Jerusalém e em seus arredores, milhares de pessoas se dirigiam à estrutura que já estava sendo chamada de a mão de Deus. Especialistas discutiam as possíveis causas do fenômeno, entre ações de extra-terrestres, um puro e raro fenômeno eletro-magnético enquanto outros diziam ser prova irrefutável da existência de Deus. E agora, qual Deus? Pensou.
John Carrera agora ouvia gritos lá fora. Gritos de guerra. Sua perna piorava e a dor aumentava. Ele se levantou e agarrando as paredes tentou chegar ao batente da porta.
Um dos adolescentes que o levara até ali o viu de longe e o apontou para uns tipos barbudos que estavam perto. Merda pensou John. Ele via agora várias brigas na planície rochosa de onde se erguia a Mão. Os que estavam antes rezando ou cantando se engalfinhavam em brigas corpo a corpo. Sua perna doía muito e os barbudos agora corriam para a casa onde ele estava. Ah se eu tivesse minha pistola pensou. Ele olhou a Mão, ajoelhou e começou a rezar.

The Last King of Scotland


O filme baseado no romance de Giles Foden relata a convivência entre Nicholas Garrigan, um fictício médico escocês e Idi Amin Dada, ditador do Uganda entre 1971 e 1979. Tanto livro como filme misturam a ficção de Foden à realidade do Uganda sob a ditadura de Idi Amin. No filme, Garrigan conquista a confiança do ditador africano que se diz legítimo herdeiro do trono da Escócia e se torna seu médico pessoal. Magnetizado pelo poder e pelo carisma de Idi Amin, Nicholas prefere ignorar a brutalidade do regime e aproveitar seus favores.
Martin Meredith em seu livro The State of Africa mostra que na realidade, Idi Amin Dada era um ditador brutal e assassino, analfabeto e sem a menor noção de como administrar um país. Amin perseguiu, torturou e massacrou seus inimigos. Seus esquadrões da morte atiravam os corpos aos crocodilos do Nilo para livrarem-se deles. Diz-se que ele fazia rituais de sangue e magian negra quando frequentemente pedia que o deixassem a sós com os cadáveres de suas vítimas. Passava suas ordens e leis pelo rádio à população. Desconfiava de tudo e todos. Acabou com o tesouro em gastos militares e quando o dinheiro acabava ele simplesmente mandava o Banco Central imprimir mais notas para resolver o problema. Expulsou todos os asiáticos do país arruinando a economia local, outrora florescente com exportações de café, cacau, frutas e minérios.
Aos poucos, Nicholas Garrigan vai descobrindo que vendeu sua alma ao Diabo. E uma certa cena, que lembra Orfeu indo buscar Eurycide no Inferno, Nicholas desce as escadas de seu hospital em meio aos gritos torturados de refugiados da guerra para encontrar o corpo de sua amada, um das esposas de Amin, morta e desmembrada (e é verdade que uma das esposas de Amin foi mesmo encontrada desmembrada no porta-malas de um carro). Desse inferno é que Nicholas vai conseguir escapar da morte, em uma fuga inesperada e redentora.
The Last King of Scotland é uma excelente adaptação do romance de Foden. Forrest Whitaker tem uma performance excepcional na pele do ditador, digna do Oscar que recebeu, e o filme tem uma trilha sonora surpreendente. É mais uma face da tragédia africana a ser mostrada na telona.

Little Miss Sunshine



O filme de Jonathan Dayton e Valerie Faris é a tragicomédia da desorientada família de uma garotinha chamada Olive. A família é formada por um avô biruta e tarado (Alan Arkin hilário no papel que lhe deu o Oscar esse ano), um pai obcecado por sucesso que tenta vender um livro de auto-ajuda, uma mãe atarefada demais, um tio gay e depressivo e um irmão adolescente nerd e revoltado. Olive é selecionada para participar do concurso de Little Miss Sunshine na Califórnia e lá vai a trupe toda na Kombi da família enfrentar uma road-trip para fazê-la chegar lá.
Durante a penosa viagem, cada um da família se revolta com as derrotas que a vida lhes impõe. Olive, sem querer, acaba sendo a única peça capaz de segurar a turma toda junta e sua vitória “moral”no concurso de Miss acaba sendo uma vitória de todos. Uma história original e divertida de losers aprendendo a enfrentar a vida em uma sociedade que frequentemente idolatra o que não tem importância.

Monday, February 26, 2007

Saturday, February 24, 2007

Entre a favela e o dendezeiro


Uma amiga me enviou a foto acima. Trata-se de um projeto de dois holandeses que foram ao Rio com a intenção de pintarem murais, junto com moradores, nas casas e prédios da comunidade de Vila Cruzeiro.
Por enquanto eles terminaram a primeira pintura, um mural azul com um menino empinando papagaio. Dizem eles que outras virão.
François Miterrand já dizia muito antes dos incêndios de carros nas periferias de Paris que a feiúra daqueles prédios e cidades acabariam enfeiando também os pensamentos da juventude que ali vivesse.
Eu também acho beleza fundamental. Me lembro de um personagem de Júlio Verne que dizia que mesmo um ladrão ao fazer um buraco em um cofre deveria se preocupar em dar ao buraco uma forma de lira, de flor, ou qualquer outra coisa.
Viver em um lugar bonito realmente ajuda a viver melhor.
Mesmo assim acho fundamentalmente errada a idéia dos dois holandeses. A coisa funciona mais ou menos assim. Holandeses são reputados pão duros na vida quotidiana, mas extremamente generosos com causas nobres. Muito dinheiro da Holanda vai parar em boas ações na África, Sudeste Asiático e América Latina.
Os dois holandeses desocupados arrumam financiamento aqui para seu projeto. Viajam ao Brasil para o Rio de Janeiro, se integram na comunidade de Vila Cruzeiro, curtem um sambinha e um baile funk, contam aos amigos na Holanda sobre os tiroteios nas favelas e os raids da polícia, se sentem felizes pela boa ação que estão fazendo, os turistas vêem a favela bonita e colorida como nos filmes, e eles voltam para a Holanda para arrumar mais financiamento.
Isto é o que quero dizer quando digo que o Terceiro Mundo se tornou a Disneylândia do Primeiro. Assim como nossos jovens querem viajar para os Estados Unidos ou Europa, os gringos querem ver um pouco de pobreza e violência ao vivo. Eles vão à Africa ou ao Brasil, fazem alguma caridade e voltam para contar as aventuras na terra natal.
Inúmeras ONG’s têm trabalhado dessa maneira.
Eu também acho que a favela fica mais bonita pintada, mas eu não quero que ninguém pinte a favela.
Eu quero sim é que quem mora na favela tenha renda suficiente para poder pintar a própria casa, da cor que quiser e como quiser. Melhor ainda: eu quero que quem more na favela tenha uma renda suficiente para sair da favela. Eu quero que a favela suma. Como já dizia Joãozinho Trinta, quem gosta de pobreza é intelectual.
Por isso eu acho essencial que qualquer um que se interesse pelo tema leia a última edição da ReVista, Harvard Review of Latin America, editada pela Universidade de Harvard. A ReVista introduz o conceito de Market-Based Poverty Initiatives, fruto de um ciclo de estudos da Social Entreprise Knowledge Network formada por nove universidades da América Latina, Espanha e a Harvard Business School. São 18 casos estudados, 8 citados na publicação, que contam como empresas criadas nas camadas mais pobres da população puderam modificar a renda e a vida dessas pessoas. São iniciativas no agronegócio (como a produção de óleo de palma no Peru e no Pará e fazendas de borboleta na Costa Rica), na indústria de cerâmicas na Colômbia, no seguro saúde pré-pago na Venezuela, reciclagem na periferia de Buenos Aires e na construção civil no México.
Elio Gaspari em sua coluna de sábado passado no Globo cita a Revista e o impacto da iniciativa da Agropalma no Pará. São 150 famílias com renda acima da média, 4 hectares de mata preservados para cada 10 hectares de dendê plantados, biodiesel produzido, lucro para a empresa e impostos para os municípios. Sem trabalho escravo, sem extração ilegal de madeira.
Paradoxalmente, a melhor ferramenta para se reduzir a pobreza é capitalismo. Ë nessa idéia que ONG’s deveriam se concentrar.
A ReVista está neste endereço: http://drclas.fas.harvard.edu/revista/

Rodin erótico

Como todo adolescente fascinado pelos mistérios do corpo feminino, já gastei várias páginas de caderno desenhando sacanagem com colegas nas obscuras paragens do “fundão” da sala de aula. Muito mais instrutivo do que detalhes sobre a multiplicação de matrizes, algo para o qual até hoje não encontrei serventia. O que eu não poderia imaginar é que grandes mestres da história das artes também fizessem lá os seus garranchos pensando “naquilo”. Pois aqui vão alguns desenhos do famoso Auguste Rodin em melhor estilo Carlos Zéfiro!









World Press Photo Award


Esta foto do americano Spencer Platt foi a grande vencedora do World Press Photo Award deste ano. A foto foi tirada em Beirute durante o bombardeio de Israel às bases do Hezbollah no ano passado.
O marcante na foto acaba sendo o contraste entre o primeiro plano e o fundo. Na frente vemos um bando de patricinhas em um conversível vermelho que poderia estar muito bem em Mônaco ou na Califórnia. Atrás os destroços de uma guerra absurda filha do fundamentalismo islâmico.
O Líbano já foi outrora chamado de a Suíça do Oriente Médio, com suas montanhas e florestas de cedros, negócios florescentes e uma capital cosmopolita. Dividido entre etnias e religiões o país acabou sendo destroçado pela guerra civil.
O mérito da foto de Spencer Platt é o de mostrar em um instante a enorme distância que ainda existe entre a realidade trágica e um futuro ocidentalizado que almeja uma parte da sociedade libanesa.
A galeria de vencedores do World Press Photo Awards está aqui. O tour das fotos vencedoras começa 24 de abril na Oude Kerk de Amsterdam.

Thursday, February 22, 2007

Perdeu malandro, perdeu!


Europeu pergunta: "- Nossa, você viu quantas pessoas morreram durante o Carnaval lá no Brasil !?"


Eu respondo: "- Pois é, mas você não sabe quantos bebês vão nascer por causa do Carnaval ..."

Wednesday, February 21, 2007

Millôr

Millôr Fernandes na Veja dessa semana. Clique para ampliar.

Tuesday, February 20, 2007

A Lição de Anatomia de Rembrant


Bodies



A Lição de Anatomia do Dr. Nicolaes Tulp, quadro de Rembrant de 1632 do acervo da Mauritshuis tinha sido o mais próximo que eu cheguei de um cadáver em exposição artística. Até domingo passado quendo visitei The Bodies Exhibition em Amsterdam. Esta exposição famosa já ganhou páginas da Veja e de outras revistas no mundo todo, e foi cenário de uma sequência rodada em Miami do último James Bond. A mostra exibe cadáveres verdadeiros, sem pele, abertos ou fatiados de modo a mostrar a estrutura de ossos, músculos e órgãos internos do corpo humano. O método de conservação à base de silicone preserva de maneira excepcional a aparência do corpo, e ao que parece foi inventado por um alemão (porque tinha que ser um alemão?). Os corpos são dispostos como esculturas representando ações musculares, como um jogador de basquete arremessando a bola, ou um maestro regendo uma orquestra. Além dos corpos há membros e órgãos devidamente fatiados em exibição. A impressão que se tem ao entrar na sala semi-escurecida é a de que estamos penetrando os porões do Dr. Frankenstein. A única maneira de relaxar é tentar destilar algum humor negro no meio do passeio, do tipo : "oh, coitado do homem-bomba" ao contemplar aquele corpo onde todos os músculos foram separados e esticados no ar mostrando como são formados. Ou : ''Ninguém assina o guest book ! Vai que as letras miúdas estão dizendo que você quer se tornar um doador''. Aparentemente até os expositores querem provocar piada, como nesta escultura em que os músculos e órgãos do sujeito seguram o próprio esqueleto enquanto parecem dançar a cirandinha.O fato é que, dizem eles, todos os corpos foram devida e legalmente doados (grande parte na Rep. Popular da China), e tratados com dignidade. A exposição é uma expêriência incrível para fisioterapeutas, anatomistas, médicos ou estudantes. Se você é como eu e quiser observar corpos, compre a última edição da Playboy. Eu acho que eles são bem, mas bem mais bonitos vivos e vistos pelo lado de fora.

Monday, February 19, 2007

O Ano do Porco


Eu não tenho a menor idéia do que o Ano do Porco significa na nossa antípoda China, mas para minha mente ocidental não soa lá muito bem.
Pode ser algo positivo para, sei lá, palmeirenses talvez. Mas um Ano do Porco? E de fogo?
Meus piores pressentimentos se agravam quando leio o projeto de lei petista para ampliarem-se consultas populares por meio de plebiscitos. Parece ser o primeiro passo no caminho do terceiro mandato do Nosso Guia, e da venezuelização das instituições brasileiras. É assim que funciona a lógica torta das ditaduras de esquerda: usar o povo para justificar e sancionar a repressão.
Se essa lei passar, a pauta do Congresso e talvez mesmo o mandato dos congressistas será definida pelo que decidirem a CUT, o MST e a militância organizada petista.
É Lula 2010.
Enquanto isso o país leva uma tunga da Bolívia de US$ 100 milhões com o aumento do preço do gás, debaixo da complacência de Lula e do Itamaraty.
É realmente o Ano do Porco. E para aguentar só de fogo mesmo.

Carnaval


Eu odeio Carnaval. É mentira, eu só odeio Carnaval porque nunca pulei um Carnaval decente. E tenho inveja de quem pula.
E se nunca tive uma folia decente não era na Holanda que isso ia acontecer.
Fui a um Carnaval Afro-Brasileiro, na Holanda, organizado por italianos, e a festa era para angariar fundos para uma tal de Siva 4 Kids, uma ONG que ajuda crianças órfãs no Sri Lanka.... É a globalização momesca. Precisa contar mais?
Samba, axé, salsa e zouk. Zouk para quem não sabe é uma dança angolana, a última moda por aqui. E já encontrei holandeses que juraram de pés juntos que era uma dança brasileira. Para os gringos aqui é tudo uma festa, seja Brasil, África ou Sri Lanka. Passou para o lado de baixo do equador, é pobre mas é alegre. O Terceiro Mundo virou a Disneylândia do primeiro.
Depois eu falo mais disso. Por enquanto continuo sem ter um Carnaval decente, mas pelo menos tenho a felicidade de fazer um Carnaval sempre que estou junto a meus amigos, e isso me basta.

Saturday, February 17, 2007

State of Fear


Este livro de Michael Chrichton é um desses livros que você lê imaginando o blockbuster que sairá no próximo verão usando o texto como roteiro. E um é desses livros que você não consegue parar, tem sempre que virar a próxima página.
O gatilho da história toda é um famoso processo judicial que a nação de Vanuatu, um arquipélago do Pacífico e uma das nações mais baixas do mundo, pretendia lançar contra a Environmental Protection Agency, órgão do governo dos Estados Unidos da América. A razão do processo é que os EUA seriam os maiores emissores de gás carbônico do planeta contribuindo para o aquecimento global e para a elevação do nível dos oceanos, o que a longo prazo faria Vanuatu desaparecer do mapa. O processo nunca foi em frente. Segundo Crichton, porque nunca foram encontradas evidências sérias sobre o aquecimento global.
No livro, o autor transforma em vilões as organizações de proteção ao meio ambiente. Enquanto estas tentam planejar catástrofes climáticas na Antárctica, nos EUA e no Pacífico, uma equipe formada por um agente do governo, um milionário filantropo e seu advogado e duas belas moças tentam conter as tragédias. Esta é a trama que dá todos os ingredientes de tensão deste best-seller. Cenários exóticos, assassinatos, perseguições, atentados, intrigas. Mas o livro de Crichton é na verdade bem mais do que isso.
A idéia central é a de que o Poder nas sociedades ocidentais, para se manter no poder, precisa manter a população dócil, e por isso amedrontada. Vivemos em um mundo infinitamente mais seguro do que nossos antepassados mas ainda assim vivemos com medo de tudo. De atentados, de doenças, de contaminações, de assaltos. (O mesmo tema tinha sido explorado por Michael Moore em Bowling for Columbine na questão da proliferação de armas de fogo nos EUA). Segundo o autor, o complexo militar-industrial dos tempos da Guerra Fria estaria hoje sendo substituído por um complexo midiático-ambiental-jurídico. Basicamente o medo da guerra nuclear teria sido substituído pelo medo de uma catástrofe ambiental. E aí, Michael Crichton traz mais de 20 páginas só em referências bibliográficas com estudos científicos publicados comprovando entre outras coisas que:
- o mundo estava esfriando na primeira metade do século, até a década de 70 os cientistas apostava mais em uma nova Era Glacial do que em aquecimento global;
- A temperatura hoje voltou aos níveis em que estava em 1930;
- Não houve aumento do nível do mar;
- A Groenlândia está sim derretendo, mas como esteve pelos últimos mil anos;
- Embora a península Antártica esteja perdendo gelo, no interior do continente a espessura da calota polar está aumentando;
- O Kilimanjaro está perdendo neve por causa do deflorestamento na base, não houve mudanças de temperatura no topo;
- Eventos extremos em meteorologia como furacões continuam ocorrendo com a mesma frequência de sempre;
- O Sahara está diminuindo;
- Se houver aquecimento global ele pode ser mais benéfico do que prejudicial à população;
A idéia de que ONG’s e outros picaretas estejam semeando pânico para defender um negócio de bilhões de dólares é perfeitamente plausível.
Os militares preferem criar medo com armas de destruição massiva inexistentes.
A verdade é que a beleza da ciência está em buscar a verdade continuamente através de experimentos. Mesmoq ue o experimento de hoje desminta o que foi descoberto ontem. O problema é que os cientistas normalmente tendem a buscar resultados que agradem a quem os financia, sejam eles indústrias ou ambientalistas. Em sua conclusão, Michael Crichton sugere entre outras coisas (como concentrar-se em reduzir a pobreza) que a pesquisa seja “blind funded”, ou seja, receba dinheiro sem saber de quem. Para que cientistas estejam livres de consciência e para que certos aproveitadores não possam se apropriar de resultados fabricados para criar medo.

Valentine’s


Sim, continuo comemorando Valentines Day enquanto ainda não inventarem o Dia da Esposa. Flores, bonbons, jantar, comprei até Casablanca na Amazon.com para assistir em casa... Há dia das Mães, mas não é a mesma coisa. Não há nada para celebrar esposas que ainda não são mães. Não há nada entre Dia dos Namorados e Dia das Mães. Do namoro passa-se à maternidade nas comemorações... Então continuemos a comemorar o dia dos namorados, que para brasileiros expatriados é duplamente cobrado já que as namoradas/jovens-esposas-não-mães exigem que o dia seja comemorado no dia de São Valentim, 14 de fevereiro, assim como na data brasileira, 12 de junho (ou 14?, sei lá).
O dia dos namorados nos EUA significa Hall-Mark Day. Na Holanda significa 40 milhões de flores vendidas. Mas o que o dia dos namorados significa mesmo é o que estava em uma foto que circulou em todos os jornais do mundo essa semana. Esta foto de dois esqueletos da Idade da Pedra abraçados, encontrados por arqueólogos na Itália. Talvez eles estivesse morrendo de fome, ou frio ou os dois. Ou talvez tivessem morrido felizes, olhando a paisagem. Mas pelo menos naquele momento, eles tinha um ao outro para compartilhar tristeza ou felicidade. E passados alguns milhares de anos daquele momento, as pessoas que se emocionaram com essa imagem descobriram que mesmo depois de séculos de história e evolução ainda buscamos a mesma coisa. Alguém para compartilhar. Um(a) namorado(a).

Post musical


Algumas descobertas da semana:

“Half the Perfect World” é o novo álbum de Madeleine Peyroux. Descobri essa cantora em rádios de jazz, e comprei o disco agora. Madeleine nasceu na Geórgia, e passou pela Califórinia e por Paris aprendendo música. Embora sua voz faça pensar imediatamente em cantoras como Billi Holiday, Madeleine tem seu próprio timbre e estilo. Neste álbum, ela canta músicas de compositores com temporâneos, que são deliciosamente arranjadas para combinar perfeitamente com sua voz de veludo. Jazz em seu melhor estilo.
Clique aqui para ver Madeleine Peyroux cantando “I’m All Right”.

“It’s not too late” é o novo disco de Norah Jones, ganhei de Valentine’s... Em “Feels like home” a cantora parecia ter acentuado mais o sotaque country das canções e arranjos. Em “It’s not too late”, há sempre uma surpresa. Algumas canções como Wish I Could parecem country, em outras como Sinkin’ Soon dá para imaginar as velhas bandas de jazz de Nouvellle Orleáns. E outras como Broken e Wake me Up trazem um pouco de tudo, belas letras e a voz maravilhosa de Norah que fazem desse um álbum diferente e tão bom ou melhor do que seus dois primeiros. É uma voz que nunca canso de escutar.
Aqui está Norah Jones cantando e contando sobre suas canções Little Room e Rosie’s Lullaby.

Em 2003, durante um concerto em Londres, Natalie Maines, uma das Dixie Chicks disse à platéia que elas tinha vergonha de saber que George W. Bush era do Texas, assim como elas. O comentário valeu um “gelo” de pelo menos 3 anos das rádios do meio oeste americano, base eleitoral republicana. Ouvintes furiosos organizaram reuniões para pisotearem cd’s do trio em público. No ano passado elas lançaram “Taking the Long Way”, que virou um sucesso de público apesar do boicote. Apesar disso, a Country Music Association deixou o trio de fora da sua premiação do fim do ano passado. A vingança veio agora quando Natalie e suas colegas Martie Maguire e Emily Robison descolaram 5 Grammy’s incluíndo melhor álbum e canção... Enquanto o prestígio de Bush cai, o das Chicks sobe, e mostra o quanto a Califórnia ainda está longe de Nashville. Veja aqui o clipe de “Not Ready to Make Nice”.

Sunday, February 11, 2007

De volta à barbárie


O inverno deu as caras pela primeira vez no ano esta semana aqui na Holanda. Temperaturas abaixo de zero, vento, gelo e neve. A única vantagem nisso é a de poder ver a neve caindo na janela. Ainda mais para quem nasceu nos trópicos, o branco da neve cobrindo ruas e prédios é bonito demais de se ver. Os flocos caindo fazem imaginar uma imensa briga de travesseiros entre querubins no céu. Ver a neve dá paz. As pessoas até melhoram o humor. Neve, um livro, um café ou uma taça de vinho em uma casa aquecida, tulipas no vaso. Há vantagens na civilização.
Então inevitavelmente leio notícias sobre o Brasil. E invariavelmente notícias que estragam o meu dia. Leio sobre a morte horrível desse garoto João Hélio, arrastado pelas ruas do Rio no carro da família, roubado por bandidos menores de idade.
Nas histórias antigas de folclore, com raízes medievais, recontadas por Câmara Cascudo e Monteiro Lobato, o malvado sempre terminava seus dias sendo arrastado por cavalos bravos pelas ruas da cidade. Aquiles arrastou o corpo de Hector diante das muralhas de Tróia, como nesta pintura de Donato Creti. Naqueles tempos bárbaros, esse era o pior castigo e o maior sinal de desprezo pela vida do outro. É o que acontece no Brasil hoje, os bandidos desprezam a vida. Voltamos à barbárie. A morte e o terror viraram um cotidiano banal, anestesiando-nos para o horror a cada dia que passa. A vida nas ruas do Rio e de São Paulo não valem muita coisa.
Há falsos “humanistas” que defendem os bandidos, dizem que a culpa não é deles, que é o ambiente, que é a sociedade, que a culpa enfim é nossa. É uma cretinice. Há milhões de pobres levando uma vida honesta. Dizer que pobreza causa crime é uma mentira. O que causa crime é impunidade.
Eu lhe asseguro, se você trabalha todo dia, paga seus impostos e vota direito a culpa não é sua. E é seu direito exigir que bandidos sejam punidos, mesmo os menores.
Eu já perdi um amigo na escola baleado por um menor, que a essas alturas deve estar por aí solto e aprontando outras. Basta! Se tem idade para matar é porque tem idade para ser punido pelo que faz.

Saturday, February 10, 2007

Blood Diamond


A África, este continente esquecido por Deus, é um poço de tragédias das quais temos um conhecimento relativo e distante. Filmes como The Constant Gardener, Lord of War, The Last King of Scotland, Hotel Rwanda e agora Blood Diamond ajudam a dar uma imagem ao que antes só imaginávamos por notícias vagas.
O filme de Edward Zwick é feito sob medida para criar uma culpa nas consciências do público de primeiro mundo que o assiste.
A história passa-se durante a guerra civil em Serra Leoa, 1999. Danny Archer, um traficante de armas e diamantes se junta a um refugiado, um em busca de uma pedra rara, o outro da família. Os dois seguidos pela bela e destemida repórter Maddy, personagem da linda Jennifer Connely. Leonardo di Caprio, que faz Archer, mostra que realmente se tornou um excelente ator (já fora muito bom em Aviator), caprichando até no sotaque sul-africano.
Durante o conflito, milhões de dólares em diamantes saíram ilegalmente de Sierra Leone para serem exportados legalmente da vizinha Libéria financiando assim uma guerra cheia de atrocidades com amputações em massa e uso de crianças soldado.
Martin Meredith em seu livro The State of Africa conta alguns detalhes dessa guerra sangrenta. Só na tomada de Freetown, cerca de 6.000 civis morreram e outros milhares tiveram mãos ou pés amputados. Em seu auge, estima-se que metade dos efetivos das forças da RFU tinha idade entre 8 e 14 anos.
Em uma das sequências finais, o refugiado africano Solomon Vandy, interpretado por Djimon Hounsou, contempla um colar de diamantes em uma vitrine de Londres.
Aí a gente se pergunta o porquê de tudo aquilo. Um dos melhores filmes que vi este ano.

Os 12 Macacos


O homem é o animal mais pernicioso a ter andado sobre a superfície deste planeta. Envenenamos nosso ar, poluimos nossas águas, queimamos nossas florestas, assassinamos animais para nos alimentar e vestir, fizemos incontáveis espécies desaparecerem, e ainda por cima nos matamos uns aos outros à torto e à direito.
A Terra estaria bem melhor sem a civilização humana por perto. Será?
O relatório sobre o aquecimento global das Nações Unidas despertou um certo sentimento de apocalipse geral entre os que se interessam pelo tema, e em especial entre uma certa espécie que se multiplica em praias desertas e pousadas de turismo rural: o eco-chato. O eco-chato quando se junta em ONG’s e consegue finaciamento pode evoluir para um outro sub-tipo mais perigoso: o eco-terrorista, daqueles que explodem carrinho de hambúrguer.
Basicamente estes são indivíduos que acham que a natureza e os animais merecem uma proteção maior do que seres humanos. São os que gostam mais de baleia e coalas do que de gente. São os que dizem que devemos comer só o que a natureza nos dá, como frutas.
É preciso desconfiar dessas pessoas tão generosas e amantes da paz e do amor.
Sim, o aquecimento global é um problema imenso, causado em grande parte pela queima de combustíveis fósseis. Segundo os eco-chatos apocalípticos nós deveríamos abandonar nossas cidades e ir viver como índios novamente.
Nós temos que matar animais como fonte de proteínas para nos alimentar. Sem proteína animal o homem provalvelmente nunca teria descido das árvores e começado a andar sobre dois pés. Mas não, para o eco-chato é assassinato. Deveríamos comer apenas frutas.
Desconfie. A ecologia tem que ser usada a favor do homem, e não contra. Não passamos por milênios de história e civilização para renunciar a tudo agora e voltar para as selvas.
Se toda a população do mundo passasse a alimentar-se somente de frutas ou nós teríamos que derrubar todas as florestas do mundo para plantarmos pomares ou 5 bilhões de pessoas morreriam de fome.
Se os combustíveis fósseis estão causando o aquecimento, deveriam ser substituídos por outra forma de energia. A única alternativa plausível que temos é a energia nuclear. Deveríamos estudar maneiras de fazê-la mais segura.
Enquanto consumidores devemos exigir que os animais que comemos sejam tratados o mais humanamente possível. Se podemos ter tecidos sintéticos ou vegetais não temos mais necessidade de usar casaco de peles.
Se algum teste em ratos pode ajudar a nos livrarmos de alguma enfermidade endêmica infecto-contagiosa que se façam as pesquisas necessárias.
O homem só chegou onde chegou por conseguir adaptar o ambiente a seu favor. A ecologia serve para ajudá-lo a manter o ambiente a seu favor.
O humanismo dos eco-chatos é como o do Exército dos Doze Macacos, aquele do filme com Brad Pitt e Bruce Willis. O homem está acabando com o planeta, é o fim do mundo. Deixem que os animais voltem a dominar a Terra, exterminemos os humanos.

Sunday, February 04, 2007

Happy Birthday


Um ano de blog!

Ernst Haas


Manda Bala


O filme Manda Bala de Jason Kohn ganhou o Grande Prêmio do Júri de Documentário no Sundance Festival desse ano.
Mal posso esperar esse filme chegar por aqui.
Brasil, terra de corrupção e violência. Quem pode negar?
Mas que queria saber mesmo se o Lula vai querer prestigiar uma exibição desse filme que mostra tanto o lado podre das elites como o contra ataque dos pobres com sequestros e assaltos. O PT é quem defende a idéia de que a pobreza gera violência e de que as elites é que roubam o país.
O filme mostra Jader Barbalho desviando bilhões de reais usando uma fazenda de rãs da Sudam como fachada.
Eu queria saber se Lula vai ver o filme porque afinal foi Lula beijou a mão de Jader em setembro passado ao pedir seu apoio para a reeleição.
E a gente engolindo sapo.

Hrant Dink


Hrant Dink foi assassinado em 19 de janeiro passado por um ultra nacionalista turco. Em 2006 ele tinha sido preso por “insulto à identidade turca”. Dink era armênio, tinha fundado um jornal turco-armênio, defendia a idéia que os turcos teriam que admitir o genocídio dos armênios de 1915. Ohan Pamuk também já foi condenado pelo mesmo motivo.
A luta de Hrant Dink sempre foi para que turcos e armênios enfrentassem juntos o passado, sacodissem a poeira e olhassem juntos para o futuro. Daí seu assassinato ter sido um choque em toda a imprensa européia e mundial, e um atentado contra a democracia e a liberdade de expressão. Segundo o próprio Primeiro Ministro turco Tayyip Erdogan, “essas balas nos atingiram a todos”.
Sua morte, londe de ser em vão, trouxe a questão armênia mais do que nunca à pauta da modernização da Turquia. E a imagem de milhares de cristãos e muçulmanos, turcos e armênios, marchando juntos em seu funeral em Istambul trouxe uma nova onda de esperança à democracia turca.

Neve


O turco Orhan Pamuk ganhou o Nobel de literatura no ano passado. Li agora Neve, um de seus romances.
Neve conta a história de um poeta chamado Ka, que depois de muitos anos no exílio na Alemanha regressa à Istambul para o enterro da mãe. Depois decide voltar à sua cidade natal, Kars, na longínqua fronteira com a Geórgia sob o pretexto de investigar as eleições e uma onda de suicídios entre as jovens muçulmanas da cidade. Na verdade Ka quer se reencontrar com um amor de sua juventude, Ipek.
Uma nevasca isola Kars do resto do mundo. Com os islamitas em primeiro lugar na corrida eleitoral, um velho ator nacionalista decide dar um dramático golpe de estado apoiado pelas tropas locais.
No romance, Pamuk transforma a cidade de Kars fechada ao mundo pela neve, em um microcosmo que nada mais é do que um retrato da desorientação da Turquia atual. Oscilando entre Europa e Oriente, entre a herança laica de Kemal Atatürk e o islamismo fundamentalista, entre democracia e despotismo, a Turquia hoje vive dilacerada entre seus próprios dilemas.
O ultra nacionalismo que pretende defender a Turquia do islamismo radical também é o mesmo que se recusa a reconhecer o genocídio dos armênios. O islamismo crescente recusa a democracia européia e o laicismo do Estado turco.
Ka, colhido de surpresa pelo golpe se torna involuntariamente um de seus personagens principais. Entre nacionalistas, curdos, islamitas, comunistas e armênios, vendo a neve cair, Ka começa a reescrever poemas, o que não conseguia desde que tinha saído da Turquia. E percebe que no meio deste caos de mundo, que a verdadeira felicidade está em ficar ao lado de quem se ama. E que as pessoas, como os flocos de neve, nunca serão iguais umas às outras já que são tantas e tão diferentes as condições que determinam a forma de cada um. Um livro cheio de poesia e drama sobre um dos temas mais importantes da atualidade, no lugar que é a fronteira do que chamamos hoje de choque de civilizações.

The Heart Asks the Pleasure First


Lembram-se daquela maravilhosa música de Michael Nyman feita para o filme O Piano?
O clip tá aqui: http://www.youtube.com/watch?v=-PqXG-GC5QE

The Elegant Violence

A única vantagem de ter ficado de cama aqui neste fim de semana foi assistir rugby na TV todos os dias. Vi a abertura do Torneio das 6 Nações de Rugby com a Itália levando uma surra dos franceses. Também assisti Samoa ganhando de Fiji no Torneio de Seven a Side na Nova Zelandia. E testemunhei o fantástico comeback de Jonny Wilkinson, o abertura dos ingleses, botando pra quebrar contra a Escócia. E depois do que vi estou apostando na Inglaterra para levar o caneco das Seis Nações este ano, já que eles decepcionaram no ano passado. E acho que eles também não vão fazer feio na Copa do Mundo que começa em julho.
Finalmente o ano inteiro com este magnífico esporte bretão, muito mais bonito, emocionante, divertido e elegante do que o futebol. Lembrem-se do entediante show de horror foi a Copa do Mundo de Futebol do ano passado, especialmente com o desempenho da seleção brasileira.
Já volto. Agora está na hora de Gales e Irlanda jogarem.

Saturday, February 03, 2007

Wolverine


Eu entendo que Wolverine seja um dos mais populares X-Man. Em primeiro lugar se eu tivesse um esqueleto de adamantium nunca teria estraçalhado meu ombro no rugby. Segundo, aquelas garras nas mãos, além de que me tornariam muito mais persuasivo em qualquer discussão no boteco ou no trânsito, seriam uma mão na roda na hora do churrasco com os amigos. Uma lâmina para picar o vinagrete, outra para a maioneses e uma para fatiar a picanha.
Mas todo mundo sabe que o verdadeiro dom mutante de Wolverine é seu sistema imunológico perfeito, que o torna quase indestrutível. E é este que eu invejo agora que passei o dia inteiro em uma cama com gripe, essa praga que persegue a humanidade desde sempre. Qual a utilidade do vírus da gripe? Na hipótese de uma Guerra dos Mundos como pensou H.G. Wells, ele serviria pelo menos para impedir a destruição da humanidade por uma raça de ET’s malignos. Eu passo. Acho que esse vírus não serve para nada mesmo. Wolverine nunca pegaria uma gripe.
Aliás ele não pega nenhuma doença e seus ferimentos se regeneram em segundos.
Eu acredito que em um futura distante a raça humana ainda chegará a esse ponto. Obviamente será uma verdadeira catástrofe para os sistemas de previdência social já que ninguém irá morrer tão cedo, mas até lá acho que já terão mudado a idade mínima de aposentadoria.
Tirando esse mero detalhe do qual se encarregarão nossos competentes políticos, sinceramente eu espero que meus descendentes desconheçam esta humilhação que é estar prostrado por terra por um bichinho ridículo e inútil milhões de vezes menor do que você.