Wednesday, November 21, 2007

Cyclone track


A imagem mostra o percurso de todos os ciclones, furacões e tempestades tropicais já registradas pelos modernos serviços de meteorologia. O que salta aos olhos é a sorte do Brasilzão limpinho com seu céu de brigadeiro... Tenho visto terríveis imagens de Bangladesh, atingido pelo Ciclone Sidr na semana passada. Um evento como esse já é uma tragédia em qualquer lugar do mundo. Em um dos países mais miseráveis do planeta é de se perder as esperanças.

Tuesday, November 20, 2007

Atonement


Atonement em inglês quer dizer expiação. Este é o sentido do prestigiado romance de Ian McEwan, que virou um ótimo filme nas mãos de Joe Wright, o mesmo de Pride and Prejudice. É uma elegante reflexão sobre o poder da ficção em imitar a vida, consertar erros e expiar pecados, e o quão irreal e limitado é esse poder.
A história começa na Inglaterra em um dia de verão de 1935. A família Tallis vive em uma daquelas imensas mansões inglesas no campo. Cecilia Tallis tem 23 anos e acaba de voltar da universidade. Cecilia tem sentimentos confusos em relação a Robbie Turner, o filho do caseiro desde que estudaram juntos quando jovens. A irmã de Cecilia é Briony, de 13 anos, uma criança sozinha e introvertida que se diverte escrevendo estórias e peças de teatro, e que secretamente nutre um amor platônico por Robbie.
Depois de uma série de acontecimentos daquele dia, Cecilia e Robbie finalmente declaram seu amor um pelo outro. Naquela noite, Briony acusará Robbie de um crime terrível que ele não cometeu.
Robbie vai para a prisão e só Cecilia continua a acreditar nele. A única saída da prisão para Robbie é o front da II Guerra Mundial. Cecilia e Robbie ainda se encontram antes de sua partida e ela promete que o esperará.
O filme nos leva então para as cenas terríveis da trágica retirada inglesa de Dunkerque em 1941. As alucinantes cenas na praia francesa são uma pequena e assombrosa obra de arte dentro do filme, e resumem toda a insanidade da guerra. Em um detalhe delicado, Robbie entra em uma sala onde estão projetando o filme Quai des Brumes de 1938, em meio a uma famosa cena entre Jean Gabin e Michele Morgan.
Enquanto isso Briony desiste da universidade e se engaja como enfermeira em um hospital londrino, assim como Cecilia que vive sem contato com a família em um pequeno apartamento de Londres. Briony, em seu trabalho que ela encara como uma penitência percebe as dimensões do erro que cometeu e começa a imaginar formas de se redimir mas lhe falta coragem.
Na parte final do romance (e do filme), Briony é uma escritora de sucesso já com seus setenta anos. Ela sabe que nunca se perdoará pelo seu crime que mudou a vida de tantas outras pessoas. A única forma de expiar sua culpa foi dar em seu livro o final feliz que Cecilia e Robbie nunca conseguiram ter na vida.
Keira Knightley é a meu ver uma das masi belas e talentosas atrizes da new generation... E James McAvoy é como se fosse o novo Russel Crowe. Perfeito par.

Sunday, November 18, 2007

O Mundo e a Religião


Em 1966, a revista Time publicou uma capa famosa com a pergunta “Is God Dead?”. A britânica The Economist chegou a publicar o obituário do Todo-Poderoso em sua edição do milênio. Agora é a mesma The Economist que lança uma reportagem especial imperdível sobre o renascimento da religião no planeta e sua crescente influência na política mundial.
De fato, religião está na base de conflitos no Oriente Médio e na África. O pentecostalismo cresce nas favelas do Brasil e nas áreas pobres da América Latina. O hinduísmo nacionalista está voltando à cena política na Índia. Mega Igrejas dominam a Coréia do Sul e o cristianismo aumenta a cada dia na China. A Europa vê o islamismo avançar no seu território através da imigração. A direita cristã nos Estados Unidos está intimamente ligada à Casa Branca, enquanto as campanhas pelo criacionismo, contra o aborto e contra pesquisas de célula tronco proliferam pelo país. Mesmo o ateísmo, é defendido com tanta dedicação por seus apóstolos que se tornou uma religião a mais.
Há dez anos atrás filósofos e pensadores imaginavam um futuro secular e nenhum político tinha religião incluída em sua agenda. É irônico imaginar que no século XXI o mundo está vivendo um revival religioso. Para os europeus ocidentais, que desprezam o moralismo americano e encaram o Islam como retrógrado e atrasado, o mundo está indo na direção errada.
O fato é que foi no século XX, essencialmente secular, que se cometeram os maiores crimes da história da humanidade, sob as bandeiras dos sem-deus fascistas, nazistas e comunistas. A racionalista Europa Ocidental foi o palco central de duas guerras mundiais. Como Dostoievski tinha previsto, se Deus está morto tudo é permitido.
É natural que com o mundo se transformando na velocidade de hoje, as pessoas precisem de algo que lhes dê conforto e direção, uma tábua onde se agarrar na correnteza.
Evidentemente eu defendo a separação de Estado e Religião. Acredito que o estado democrático deva zelar pelo direito de cada um acreditar no que queira e acredito que a religião deva ser uma escolha de cada um.A conclusão da Economist é que o futuro não é ateu ou secular, mas pluralista, e a religião é cada vez mais uma escolha de cada um, não uma imposição.
Os estudiosos do Islam dizem que a verdadeiro sentido de jihad como luta religiosa é a do indivíduo consigo mesmo. A luta com a própria consciência para melhorar e entender o mistério da própria existência. Para mim, este é o sentido de toda religião, e o que todos os religiosos do mundo deveriam entender.
Por isso não respeito homens-bomba, não respeito igreja mais nova que o whiskey que bebo como diz o Reinaldo Azevedo, não respeito pastor que engana pobre para comprar canal de televisão, não respeito político que usa igreja para se eleger.
Recomendaram ao Vaticano que a Igreja e o catolicismo se modernizassem para ganhar mais fiéis e se tornassem mais flexíveis em assuntos como aborto, casamento gay, camisinhas etc. Bento XVI decidiu que a Igreja fica como está, quem quiser aceitar o catolicismo como guia moral que aceite como ele é. Não vai mudar os princípios em que acredita para aumentar seu market share. Eu respeito isso.

Saturday, November 17, 2007

Natureza Viva


As facas,
Todas à mostra
Dispostas
No mesmo prato
De arabescos.
Tal é a natureza
Da coisa,
Cintilando entre outras
Presenças.

Eles e elas,
Nós e os outros
Os outros e os pequeninos.
Tudo finamente desenhado:
Apenas um fragmento
E quase rebrilha.

É para se debruçar
Sobre a tela
E sentir o vento
Que balouça este quase-navio.
Vela e pavio,
Letra viva que um dia
Em paz há de brilhar
Desfraldando sua bandeira
Nesse mar,
Singrando este poema devagar.

Mas esta pena -
Que escorrega, que cintila -,
E que, já farta de a palavra festejar,
Se deita ao chão,
Não deixa em seu rastro
Algum borrão?



Beth Fleury
Às crianças do Kosovo

Informaticidades


Ainda me lembro quando meu pai, sempre afeito a novidades tecnológicas, chegou em casa há uns 20 anos atrás com um personal computer última geração debaixo do braço. Era o começo da realização da profecia de Bill Gates, um PC em cada lar. O treco era um TK85, uma caixinha preta que se ligava na televisão e cujos programas vinham em fitas cassete que demoravam pelo menos meia hora para serem carregados. A bugiganga só me interessou por causa de um jogo do tiranossauro Rex (era preciso muita boa vontade para identificar um tiranossauro naquele monte de pontinhos e tracinhos) que perseguia a gente por um labirinto preto e branco. Obviamente o TK ficou para trás, eu e meus irmãos passamos meu pai no manejo do computador e hoje são minhas primas e primos mais novos que me espantam com truques informáticos que eu nunca aprendi. Minha sobrinha de 4 anos usa um mouse como se fosse uma extensão natural de seus membros. Meus bisnetos serão cyborgs.
Tudo isso para dizer que apesar de ter demorado eu finalmente aprendi a fazer uma coisinha ou duas no blogger, e consegui arrumar meus arquivos. Tá tudo aí do lado, por temas, vale a pena ver de novo. E vou incluir mais um site ou dois nos links, gente que eu gosto e que escreve bem.

A Ameaça Fantasma


Lula, o nosso Guia Genial, o Apedeuta, este assombro de erudição e ética declarou que ninguém pode criticar a Venezuela por falta de democracia, e ainda falou mais umas cinco ou vinte bobagens na sequência, sobre o petróleo, sobre pobre não pagar CPMF, sobre a Margareth Thatcher e Helmuth Kohl também terem ficado tanto tempo no poder e etc. Eu acho inconcebível que alguém minimamente alfabetizado, capaz de ler um jornal e interpretar uma notícia possa ainda ter vontade de apoiar o Lula, e o pior é que ainda tem.
Condolezza Rice disse uma vez que democracia não é só eleição. O Hamas havia acabado de ganhar a eleição na Palestina e a esquerda mundial zoava o Estados Unidos que tanto havia brigado para instalar ali uma democracia, e no final foram os fanáticos que ganharam.
Só que a Mme. Rice está certíssima. Chávez pode ter ganhado todas as eleições e referendos que ganhou e mesmo assim é alguém que odeia a democracia, e que está usando seu populismo baixo para destruí-la. Um dos princípios básicos da democracia é que ela não pode tolerar quem não lhe tolera, é exatamente por isso que partidos nazistas são banidos na Alemanha por exemplo.
Miriam Leitão faz em seu blog uma lista de fatos que Lula esqueceu de contar sobre o democrata Hugo Chávez:
1. Ele entrou na vida pública tentando um golpe de estado.
2. Ao ser eleito anos depois aproveitou o momento em que estava ainda forte, destituiu o Congresso, fez eleições para uma Constituinte, mudou a Constituinte em seu favor, dando-se mais um mandato.
3. Aproveitando o momento de popularidade se elegeu de novo e considerou que esse era o primeiro mandato da nova Constituição.
4. Mudou a composição do Supremo, aposentando os adversários e nomeando os amigos.
5. Mudou a composição do Conselho Nacional Eleitoral para ter apenas ministros que o apóiam lá.
6. Formou, incentivou e armou grupos de militantes que intimidam qualquer oposição ao seu governo, que atacam jornais e emissoras de televisão.
7. Fechou uma TV por não estar alinhada ao seu governo.
8. Ameaça jornais e jornalistas, instigando seus grupos armados contra eles.
9. Mesmo depois de reeleito para um novo mandato, que fará com que fique 13 anos ao todo no poder, ele quer o direito a reeleição perpétua e propôs isso a um Congresso subserviente e para uma população manipulada pelo controle da imprensa e pela distribuição do dinheiro do petróleo.
A isso acrescente-se que Caracas já se tornou uma das cidades mais violentas do mundo, que os venezuelanos não estão encontrando nem leite para comprar nos supermercados, que estudantes estão sendo mortos à bala pela milícia chavista, e que Chávez acaba de anunciar que vai desenvolver, a exemplo do Irã, um programa nuclear. Isso em um país que bóia em petróleo. É muita estupidez.
Enquanto isso, a ameaça fantasma do terceiro mandato lulista começa a tomar forma. Afinal eles acham que se na Venezuela é democracia no Brasil também será.

Tuesday, November 13, 2007

Viva El Rey!!!


Ótima essa, alguém finalmente perdeu a paciência e mandou Hugo Chávez calar a boca! E não qualquer um, El Rey de Espanha Juan Carlos I, durante a Cúpula Ibero-Americana no Chile. Chávez havia chamado o ex-premiê espanhol José Maria Aznar de fascista, acusando-o de ajudar no golpe que quase o tirou do poder em 2002.
O atual primeiro ministro José Maria Zapatero lembrou a Chávez que Aznar fora eleito pelo povo espanhol, e que ofendê-lo era ofender a Espanha. Zapatero era ele próprio do partido da oposição durante o governo Aznar, mas entre seu comportamento exemplar e a boçalidade de Hugo Chávez nota-se que diferença faz viver em um país democrático de verdade.
Hugo Chávez está à vontade mesmo é em seu país onde ele pode controlar a imprensa como quiser e trata os opositores à bala. Lá ninguém lhe manda calar a boca.
Já o Congresso Brasileiro podia aprender alguma coisa com Juan Carlos e reagir à altura na próxima vez em que Chávez ofender nosso Parlamento, coisa que ele já fez algumas vezes sem ouvir nenhum pio de protesto. Vida longa ao rei!

http://www.youtube.com/watch?v=jv-DgAJ1ncM

Saturday, November 10, 2007

Vitória no Iraque


Mario Vargas Llosa escreveu na Cuarta Pagina do El País de domingo passado, comentando um artigo intitulado Missão Cumprida que o inglês Barttle Bull, especialista em Oriente Médio escreveu para a revista Prospect. Guardei esse jornal a semana toda só para escrever sobre ele aqui.
A impressão que temos hoje quando se fala no Iraque é a de que a invasão americana foi um verdadeiro desastre, e que Bush é bem pior do que Saddam para os iraquianos.
Em seu artigo Bull deixa de lado a questão de se foi certa ou errada a invasão, algo que ele deixa para os historiadores do futuro julgarem.
Mas ele diz que o Iraque é hoje uma democracia cada vez mais sólida, onde as participações da população nas eleições é massiva. O país que parecia à beira da guerra civil está mais unido, e o separatismo de sunitas, xiitas e curdos se amainou.
Diz Vargas Llosa que embora seja obscena a comparação, as mortes desde a invasão se contam entre 80 e 200.000 dependendo das estimativas, mas ainda assim é muito menos do que o um milhão e meio que Saddam matou com suas guerras, chacinas e seu aparelho de repressão. E as mortes desde a invasão foram causadas muito mais por atentados de terroristas muçulmanos contra civis também muçulmanos do que por soldados estrangeiros.
A minoria sunita percebeu que se beneficiaria mais participando de um novo regime democrático junto com os xiitas do que se aliando ao terroristas da Al Qaeda. Agora o número de sunitas em cargos do governo e mesmo no Exército e na polícia iraquiana não para de crescer.
Em mais de metade das 18 províncias do país, a violência terminou quase completamente.
Há uma opinião generalizada, antiamericanista, na mídia internacional de que os Estados Unidos sairão do Iraque como saíram do Vietnam, expulsos por “resistentes”.
A verdade parece ser outra. Mario Vargas Llosa acredita que por enquanto são os terroristas que estão levando a pior, e tanto Hillary Clinton como Rudolf Giuliani prometeram ir retirando tropas sempre e somente na medida em que o exército iraquiano consiga substituí-las. E que talvez assim esse sacrifício de quatro anos e meio do povo iraquiano não tenha sido assim tão inútil.

Rugby is awesome


Imperdível, um vídeo com jogadas espetaculares de rugby e a trilha sonora dos doidões irlandeses do Flogging Molly cantando Seven Deadly Sins:

http://www.youtube.com/watch?v=aTqV6cuhtd0

Vida longa e próspera


Êêê, fazia tempo que eu não sentava aqui na sexta feira de madrugada ouvindo jazz, escrevendo e tomando umas e outras. Há mais de um mês que eu estou para lá e para cá com viagens, relatórios, feiras, clientes, pepinos, chega...Está um vento horrível e chovendo gelo aqui na Holanda, pela primeira vez em dez anos, o porto de Rotterdam foi fechado por medo de inundações. Resolvi trazer uma cuia de chimarrão uruguaia e um quilo de mate Canarias (o preferido dos uruguaios pero fabricado en Brasil) para passar o inverno holandês. O mate graças a Deus passou incólume pelos cães farejadores e pela alfândega do aeroporto de Amsterdam, imagine eu explicando aos “meganha” holandês que erva é essa. Como meu whiskey acabou, tá frio e eu tô com sono estou mandando ver no chimarrão nessa madrugada.
Com o mate na mão e ainda pensando no Uruguai ensolarado, lembrei de uma conversa com um tio médico no fim do ano passado. Ele me contava sobre uma pesquisa que foi investigar a vida das pessoas que viviam mais de cem anos. No Japão, no sul da França, no interior do Brasil, no Canadá...O que se encontrou em comum é que nenhuma delas nunca tinha pisado numa academia, feito dieta ou coisa que o valha. Nunca se preocuparam com o Iraque, com produtos light com ômega 3 e creme anti rugas, com a cotação da bolsa ou com o princípio da Incerteza de Heisenberg. Normalmente são pessoas que sempre viveram em lugares simples e aprazíveis, perto do campo e da natureza, longe de trânsito e assaltos. A conclusão da pesquisa, e a nossa, é que a longevidade está ligada meramente a stress, muito mais do que a qualquer outro fator. Acredito nisso, infelizmente porque acho que assim vou morrer cedo. Por outro lado aprendi a valorizar cada vez mais lugares onde eu tenha tranquilidade e espaço. Nem que seja relaxando aqui na sexta de madrugada, quem sabe não ganho alguns minutinhos a mais de vida.

And time won't pass us by,
And you won't tell me lies,
Someday we all have to die...but not now

Wednesday, November 07, 2007

A Arca de Zoé


Eu já falei aqui que o Terceiro Mundo virou a Disneylândia do Primeiro. Tem holandesa nas FARC, tem holandês pintando favela no Rio, e agora apareceu mais essa. Uma ONG francesa intitulada l’Arche de Zoë, formada por jipeiros e fãs de rally franceses decidiu levar 103 crianças do Tchad para serem adotadas por famílias francesas. É a estratégia Madonna-Jolie para melhorar o mundo, adotar uma criança pobre. Como dizia Eduardo Dusek, deixe na história da sua vida uma notícia nobre.
A história do resgate das crianças está ainda rodeada de mistério, contradições e irregularidades. O que aconteceu é que 9 franceses, 6 da ONG e 3 jornalistas e mais 7 espanhóis da tripulação do avião fretado pelos franceses foram presos no Tchad no último dia 25/10. A ONG agiu completamente à revelia das legislações francesa e do Tchad e provocou um cataclisma diplomático entre a França e o país africano.
Ainda não se conhecem todos os detalhes do financiamento da operação, mas é certo que cada família interessada pagou adiantado pelo menos € 2.000 por cada criança. Ajuda humanitária hoje virou um business como outro qualquer. Segundo a Universidade John Hopkins, cerca de 40.000 ONG's são donas hoje de um orçamento de 1,6 trilhão de dólares (juntas elas seriam a 5 potência mundial). Muitas delas são picaretagem pura e simples, no Brasil há vários exemplos disso.
Descobriu-se depois que das 103 crianças, 93 ainda tinham pelo menos um dos pais vivos no Tchad ou no Darfour, e não eram órfãos como tinha anunciado a ONG.
Por melhores que sejam as intenções das famílias francesas em salvar crianças de um destino supostamente trágico, nada no mundo justifica um ato ilegal e imoral de separar filhos de seus pais. Os cretinos da ONG equilibram-se em uma tênue linha entre o tráfico humano e um complexo de superioridade colonialista.
O presidente do Tchad, Idriss Déby, subitamente interessado em questões humanitárias aproveita-se da ocasião para esfregar “cet affaire” ilegal na cara dos franceses. Em um momento onde a Europa se prepara a enviar tropas, em sua maioria francesas, ao Darfour, Déby ameaça dizendo que não sabe se isso será uma boa idéia e que ntalvez não deixe mais tropas internacionais de países que sequestram crianças usem o Tchad como base.
Por causa de um ato irresponsável que supostamente ajudaria 103 crianças provocou uma crise diplomática que talvez custará a vida de milhares de outras.

Tuesday, November 06, 2007

Imagens do Uruguay














Uruguay


O Uruguai é verde. Entrei no país pelo norte, voando até Rivera e Tacuarembó, que descobri ser a terra natal de Carlos Gardel. Logicamente todo mundo pensa que o rei do tango é argentino mas não é, é uruguaio. Por ali viaja-se entre campos e colinas todas verdes, aqui e ali algum bosque de eucaliptos, lagoas e arroios, casinhas brancas com telhado de zinco ou palha, roupa no varal, e muitas vezes um calhambeque velho estacionado ao lado de um cavalo pastando. Há uma pobreza sim, mas não uma pobreza agressiva como vemos no Brasil com suas favelas e esgotos a céu aberto. A sensação de espaço, o verde e a tranquilidade fazem pensar que alguém ali pode levar uma vida melhor do que muita gente na periferia de Amsterdam ou Londres.
Dos 3.5 milhões de habitantes do Uruguai, metade está em Montevideo e no departamento de Canelones que cerca a capital. O resto do país parece uma imensa fazenda, com algumas vilas espalhadas que me lembram de certo modo o interior de São Paulo da minha infância. A Holanda é quatro vezes menor e tem 16 milhões de habitantes para se ter uma idéia. Mesmo em Montevideo a gente é tranquila, o transito flui sem buzinas e xingamentos, o povo passeia pela rambla à beira do Plata tomando chimarrão, pescando, passeando ou namorando. É praticamente impossível encontrar um uruguaio nervoso ou irritado, exceção feita aos jogadores da seleção em tempos de Copa.
Montevideo é uma cidade simpática, mas os turistas na verdade preferem o glamour de Punta del Este. O centro da cidade tem ainda alguns edifícios antigos que lembram Madri e Paris. Ali, perto da Plaza de la Independencia com a majestosa estátua de Artigas, estão o Palácio do Governo, o Teatro Solis, e a Porta da Cidade que separa o centro velho da parte nova. Ali na parte velha estão os bares e restaurantes que fazem a vida noturna de Montevideo nos fins de semana. Passando pela Matriz chega-se ao Mercado, onde come-se muito bem, e aos velhos prédios da Alfândega, da Estação Ferroviária. Finalmente chega-se ao Porto de onde se vêem ainda as pontas dos mastros do Graaf Spee sobre o Plata, um navio de guerra alemão afundado pelo próprio comandante no fim da Segunda Guerra. Cercado pela marinha inglesa e impedido de aportar em Montevideo e Buenos Aires, o comandante preferiu abrir um rombo no próprio casco a entregar o navio aos inimigos.
No lado novo da cidade, em direção ao leste, estão os prédios modernos, shoppings e os edifícios à beira do Plata que lembram a orla do Rio de Janeiro, e mais além as mansões em estilo inglês do bairro de Carrasco.
De Montevideo passeei pelo interior do país, chegando até Colonia, onde desde os princípios do século passado instalou-se uma importante comunidade de suíços. Almocei em um hotel suíço, kassler (lombo de porco defumado) com molho de geléia de laranja e batata suíça, e um excelente vinho uruguaio Carta Mayor. Esta foi a única exceção na minha dieta de churrasco da semana passada. Na verdade acho que comi mais carne em uma semana do que um holandês como no ano. Comi tanta carne que quando voltei fiquei dois dias inteiros sem comer carne...o que para mim, carnívoro convicto, é praticamente um jejum. É impossível imaginar a vida no Uruguai sem carne, e sei que vou apanhar por isso mas brasileiros, à exceção dos gaúchos, não sabem fazer churrasco como eles fazem.
Os cortes que eles preferem são a ponta do contra-filé, a maminha da alcatra e o assado, uma tira cortada da costela, acompanhadas de molho chimichurri feito à base de azeite, alho e salsinha. Suculento, macio saboroso, muito melhor do que aquelas tirinhas de carne finas, secas e salgadas que temos que encarar muitas vezes no Brasil. A carne é assada em brasa de lenha, que é queimada à parte e transferida para baixo da grelha. E comi muita costelinha de carneiro assada. Fora a carne, os uruguaios sabem aproveitar algumas coisas bem estranhas no churrasco. Eu experimentei por exemplo os rins assados, as molejas (gânglios linfáticos dos bezerros), o choto (intestino grosso do carneiro enrolado com tripa) e o chinchulín (intestino grosso do boi assado). E comi morcela feita de sangue, a salgada e a doce, que tem açúcar e pedaços de doce de laranja no meio. Quer saber? O pior é que é tudo muito bom…Para mim não há nada melhor do que céu azul, campo verde, ver os bois ao longe passeando nos pastos, carne boa, vinhos bons, gente simpática e tranquilidade. Sinceramente uma terra encantadora, espero voltar logo.

Monday, November 05, 2007

Pequeno exemplo da moral do MST


O Estadão dessa segunda publicou uma reportagem assinada por José Maria Tomazela que diz o seguinte: "Assentados da reforma agrária derrubam árvores e produzem carvão em uma área de 5,7 mil hectares de mata nativa no município de Nova Andradina, no sudeste de Mato Grosso do Sul, a 347 quilômetros de Campo Grande. E o pior: há crianças trabalhando nas carvoarias. A floresta, com formações de cerrado denso e remanescentes de mata atlântica, constitui a reserva legal da Fazenda Teijin, de 28,5 mil hectares, desapropriada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). No local, foram assentadas 1.067 famílias do Movimento dos Sem-Terra (MST) e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri). É uma das poucas áreas de mata que restam numa região devastada pela atividade agrícola e pecuária. Isso não impediu que 187 famílias de sem-terra invadissem a reserva. Elas demarcaram os lotes, abriram clareiras para instalar seus barracos e, agora, queimam a madeira para produzir carvão. Muitas deixaram lotes no assentamento para se instalar na mata e explorar a nova atividade. A reportagem do Estado flagrou crianças trabalhando numa carvoaria. "
Pois é, como eu disse sem-terra não quer terra, quer dinheiro. Nem que seja para fazer criança trabalhar e devastando floresta. O governo é claro, prefere ignorar o Estado de Direito porque na filosofia capenga da esquerda tudo o que se faz em nome do bem do povo é justificável.
Há um outro livro que esqueci de prescrever no post abaixo, trata-se de A Cabeça do Brasileiro de Alberto Almeida. Um livro baseado em uma ampla pesquisa que mostra, oh surpresa, que quanto menos educação e renda tem o brasileiro, mais aceitável ele acha a intolerância sexual, o preconceito racial e social, a corrupção, o nepotismo. Em um país onde ser da elite hoje em dia é quase uma ofensa, é uma leitura recomendável a todos os esquerdistas.
Recomendo ainda um artigo de Rui Nogueira em primeira Leitura, que já demonstrava em 2003 que o MST não tinha razão de ser. Disponível para download neste site:


E recomendo este site, criado entre outros, por uma nova amiga virtual, cuja fazenda (produtiva) já foi invadida e depredada por sem-terras: