Friday, February 27, 2009

Ga-vi-ões, Fiel!


A moça, de família, patricinha, se preparou toda para ir ao ensaio da Gaviões da Fiel.
Chegando lá, um dos mano suarento e banguela pede pra dançar com ela e, para não arrumar confusão, ela aceita.
Mas o mano suava tanto que ela já não estava suportando mais!
A moça foi se afastando, e disse:
- Você sua, hein?!
Ele puxou-a, lascou um beijo e respondeu:
- Também vô sê seu, princesa! É nóis na fita!

Thursday, February 26, 2009

Quarta feira de cinzas



Agora como diz um amigo, é só recolhimento e oração neste restinho de ano...

Friday, February 20, 2009

3 anos


Este blog fez 3 anos neste mês de fevereiro.
Ainda continua sendo minha diversão, meu desanuviador de pensamentos...
We'll be back depois do carnaval com mais flexões e reflexões.
Agora é encher o cabeção de álcool e fazer da jaca minha pantufa pelos próximos 5 dias.

Fundamentalismo obâmico


Há uns dias um chimpanzé revoltado foi abatido a tiros pela polícia de Connecticut. Um desenhista aproveitou a história e a conjuntura econômica para criar esta charge onde depois de matar o chimpanzé o policial diz "Eles vão ter que achar algum outro para escrever o próximo plano econômico".
Parece que a piadinha tá causando furor nos EUA.
Há até quem tenha visto nesta charge publicada pelo NY Post uma sugestão para que o presidente Barack Obama seja assassinado...
O mundo anda mesmo estúpido.

Diogo acertando na mosca


Apesar do copyright da Abril, tive que reproduzir na íntegra este artigo do podcast do Diogo Mainardi. Quanto mais gente ler melhor:

- Hamas, Hamas, os judeus na câmara de gás.
O bordão foi entoado na Holanda, durante uma passeata organizada por grupos de esquerda para protestar contra a batalha de Gaza. Dois parlamentares do Partido Socialista participaram da passeata.
O antissemitismo? Foi tomado pela esquerda. Gadi Luzzato Voghera é autor de um ensaio sobre o assunto, "Antissemitismo à esquerda", da editora Einaudi. Professor da universidade de Veneza, judeu e esquerdista, ele comparou a cumplicidade da esquerda européia com o Hamas à cumplicidade da esquerda européia com o stalinismo. Assim como os intelectuais de esquerda, no passado, se recusaram a condenar o totalitarismo de Stalin e o caráter assassino de seu regime, os intelectuais de esquerda, atualmente, acobertam o totalitarismo do Hamas e o caráter terrorista de seu regime - são os Jean-Paul Sartre do Hamas.
O antissemitismo de esquerda é camuflado como antissionismo. Para poder colaborar abertamente com os assassinos do Hamas, os antissemitas de esquerda falsificaram a história, associando os terroristas palestinos aos grupos anticolonialistas do século passado ou ao movimento contra o apartheid na África do Sul, como se Israel fosse um império colonial ou um regime segregacionista. Pior: eles igualaram Gaza ao gueto de Varsóvia, como se Israel fosse a monstruosidade nazista. Em nome do antissionismo, a esquerda acolheu alegremente o despotismo do Hamas, o fundamentalismo religioso, a opressão das mulheres e a retórica genocida contra os judeus.
De setembro para cá, o antissemitismo de esquerda ganhou o impulso da crise financeira internacional. De acordo com uma pesquisa realizada em sete países europeus, 31% dos entrevistados culparam os judeus pelos desastres da economia mundial. É o retorno em grande escala daquele arraigado preconceito antissemita do judeu agiota, do judeu conspirador, do judeu inescrupuloso, do judeu golpista. Agora é a vez do judeu do subprime, do judeu dos ativos tóxicos, do judeu capitalista. Os novos Protocolos dos Sábios do Sião afirmam que o neoliberalismo é obra de judeus apátridas, como Bernard Madoff, e que só a esquerda pode extirpá-lo, com um vigoroso Pogrom keynesiano de investimentos estatais.
A esquerda nem sempre foi assim. Eu, como Tristram Shandy, relato o que aconteceu antes de meu nascimento, quando ainda estava acomodado no útero materno. Passei a gravidez num kibbutz, em Israel. O kibbutz Ashdot Iaakov, pertinho do mar da Galiléia, aos pés das colinas de Golan. Data: 1962. Lá estou eu, boiando no líquido amniótico. Lá está ela, minha mãe, aos 27 anos, grávida de mim, trabalhando na creche do kibbutz. Lá está ele, meu pai, colhendo uvas no vale do Jordão. E lá está ele, meu irmão, aprendendo hebraico na escola. Nenhum deles era - ou é - judeu. O que faziam num kibbutz? Experimentavam a vida comunitária, aquele ideal socializante de irmandade e de partilha dos bens. O ideal socializante, agora, é outro:
- Hamas, Hamas, os judeus na câmara de gás.

Diogo foi absolutamente na mosca aqui. O resto, como diz a Marie, são secos e molhados.

Love me two times


Fuck it all...

Thursday, February 19, 2009

Separados por uma Glória Perez

Ou por um pontinho vermelho na testa:

Zé de Abreu visual Caminho das Índias e Uncle Fester...
Tenho que mandar essa pro Kibe Loco!

Wednesday, February 18, 2009

Do céu

No melhor estilo Yann Arthus Bertrand, este é o interior do Mato Grosso do Sul visto do céu:




















E foi o melhor que consegui com uma Sony Cybershot a bordo de um teco-teco Cessna tremelicante.

O homem que sabia demais


Senador Jarbas Vasconcelos nas Amarelas da Veja:

"Sarney vai transformar o Senado em um grande Maranhão.A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador."

"O nível dos debates aqui é inversamente proporcional à preocupação com benesses. É frustrante."

"Renan é o maior beneficiário desse quadro político de mediocridade em que os escândalos não incomodam mais e acabam se incorporando à paisagem."

"Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção."

"Com o desenrolar do primeiro mandato, diante dos sucessivos escândalos, percebi que Lula não tinha nenhum compromisso com reformas ou com ética."

"O grande mérito de Lula foi não ter mexido na economia. Mas foi só. . É um governo medíocre. E o mais grave é que essa mediocridade contamina vários setores do país."

"Ele fez essa opção clara pelo assistencialismo para milhões de famílias, o que é uma chave para a popularidade em um país pobre. O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo."

"A classe política hoje é totalmente medíocre. E não é só em Brasília. Prefeitos, vereadores, deputados estaduais também fazem o mais fácil, apelam para o clientelismo."

" O escândalo chocava até cinco ou seis anos atrás. Mas é fato que o comportamento do governo Lula contribui para essa banalização. Ele só afasta as pessoas depois de condenadas, todo mundo é inocente até prova em contrário."

"Eu não subestimo o poder de um marqueteiro, da máquina do governo, da política assistencialista, da linguagem de palanque. Tudo isso estará a favor de Dilma."

Parabéns a essa rara sinceridade em um homem público. Palmas ao senador.

Friday, February 13, 2009

JP Coutinho


Entrevistas com João Pereira Coutinho na Dicta & Contradicta. Imperdíveis.

Wednesday, February 11, 2009

Izima Kaoru









Eutanásia


O cartaz diz: "Manter vivo este portador de uma doença hereditária custa à comunidade 60.000 marcos. Cidadão, este também é o seu dinheiro!".
Acho que não preciso dizer nem de onde e nem de quando é esta propaganda pró-eutanásia.
A italiana Eluana, em coma há 17 anos faleceu esses dias. Acho que nem ela aguentou a discussão que seu caso gerou e resolveu ir-se de vez.
Há imensos dilemas éticos por trás de um assunto como a eutanásia. Eu por exemplo não gostaria de ter minha vida prolongada artificialmente por aparelhos, como Eluana tinha. Mas nunca me arriscaria a decidir pela vida dos outros.
Como nas discussões sobre o aborto, tem gente que milita por uma banalização da morte. Tem gente que levianamente defende a legalização do aborto para combater a criminalidade (como nosso ministro Temporão, baseado em Freakonomics). E tem gente que acha que a eutanásia deveria ser usada para abreviar o sofrimento de muita gente, liberar leitos de hospitais e etc.
Muita calma nessa hora. É preciso lembrar que em um momento recente da nossa história, um povo perfeitamente civilizado decidiu que o horror das palavras desse cartaz fosse considerado racional.
E é preciso pensar muito para que esse horror não se repita.

Tuesday, February 10, 2009

Feudalismo brasileiro


O homem queria ser Corregedor da Câmara dos Deputados!!
Ele era vice presidente da Casa!!
Um homem que não pagava o INSS de seus empregados!!
O homem que queria ser Corregedor mas que de cara declarou que nunca iria denunciar um colega por causa desse vício insanável da amizade!!
É ele, Edmar Moreira, o dono de um castelo, brega, mas um castelo de 20 milhões não declarado à Receita no sertão das Minas Gerais.
O pior é que escória como essa continua sendo eleita nos quatro cantos do Brasil. É como o Jabor disse na CBN, há o feudo dos Sarney no Maranhão, o feudo de Newtão em Minas, o feudo de Jader Barbalho no Pará. Esse aí só fez coroar seu feudo com um castelo. E além de corrupto e canalha ainda vai ser chamado de cafona o resto da vida, embora cafonice não esteja prevista no código penal como deveria.
E o Zé Sarney foi pego agora negociando informações secretas para ajudar seu filhote a se livrar de investigações da PF.
Com efeito, nada parece mudar muito nesse ninho de cobras e ratos que é a nossa política, mas se há uma coisa que pode ajudar a melhorar é a atitude do partido em relação aos canalhas pegos em flagrante.
Se você quiser aprender a escolher um partido, observe como ele trata seus filiados suspeitos.
O PT por exemplo sempre protegeu seus mensaleiros e aloprados. A culpa sempre ia para a imprensa.
Sob pressão do DEM, Edmar renunciou ao cargo e provavelmente será expulso do partido. Assim como Edison Lobão foi expulso.
Agora se há um partido que adora recolher o lixão na mesa, adivinhem qual é.
É o PMDB, esse partido de feudalistas, sem idéias nem programas mas com uma sede incrível por mamatas. É lá que o Edmar vai acabar, querem apostar quanto?

Os bons canibais


Quatro índios Kulina conhecidos como Gracinho, Messias, Tucumã e Macaquinho mataram, esquartejaram e comeram parte das vísceras do fazendeiro Océlio Alves de Carvalho de 21 anos, com quem tinham reconhecidamente boas relações.
A história saiu na CNN antes de ser conhecida por aqui, vá saber a razão.
Agora os meigos e bons selvagens fugiram para o mato, e pela legislação a PM e a Polícia Civil não podem entrar na aldeia para investigar nada. Ou seja, nada vai acontecer com os criminosos.
Ah, não pode chamar de criminoso. Algum antropologista desses que defendem os povos da floresta provavelmente dirá que é parte da cultura lá deles que precisa ser respeitada. Afinal Hans Staden já descrevia canibais no Brasil lá pelo século XVI...
O fato é que há territórios no Brasil onde nosso Estado não vale nada. Agora quem mora ali naquelas bandas se pergunta: quem poderá nos defender? O Chapolin Colorado?
Seja nas favelas cariocas, nas reservas indígenas ou nos assentamentos do MST, o que acontece lá dentro só Deus sabe. E criminosos, senhores absolutos de seus territórios e autores das próprias leis são protegidos pela ausência do Estado, e pela conivência de ONG's e movimentos sociais.

O violinista no metrô


Em uma manhã fria de Janeiro, um violonista se pôs a tocar em uma das estações de metrô mais movimentadas da cidade de Washington.
Era a hora do rush, e calcula-se que milhares de pessoas passaram pelo violinista.
Um homem de meia idade, ao ouvir a música desacelerou o passo, virou-se para escutar, mas logo retomou seu caminho.
Uma mulher, sem parar de andar atirou um dólar ao violinista.
Um outro homem encostou-se na parede para ouvir, mas olhando o relógio afastou-se novamente.
Algumas crianças paravam, mas logo eram puxadas pelas mães apressadas.
Em 45 minutos, somente 6 pessoas pararam e escutaram um pouco. Outras 20 deram algum dinheiro.
No fim ele recolheu 32 dólares em notas e moedas.
Nenhum aplauso ou cumprimento. O rush no metrô continuava em seu ritmo frenético.
Ninguém ali sabia, mas o violinista era Joshua Bell, um dos melhores músicos do mundo, tocando as mais complicadas peças de Bach em um violino Stradivarius de 3,5 milhões de dólares.
Dois dias antes Joshua tinha lotado um teatro em Boston com ingressos de mais de 100 dólares.
O "stunt" foi organizao pelo jornal Washinton Post, interessado na percepção, gosto e prioridades das pessoas.
A idéia era saber se as pessoas conseguem perceber e parar para apreciar alguma coisa bela em um ambiente comum em uma hora inapropriada.
E a conclusão é: se não conseguimos perceber um dos músicos mais talentosos do mundo tocando uma das melhores músicas jamais escritas, quantas outras coisas menores não estamos perdendo?

A história toda dessa experiência está aqui.

Thursday, February 05, 2009

Wall Paint



Crazy stuff...

Wednesday, February 04, 2009

Torna-te aquilo que és


O Rabino Sússia, um santo homem, chorava sentidamente no seu leito de morte.
Os discípulos perguntaram: "Por que chorais, se fostes sempre tão piedoso? Porventura temes que o Senhor pergunte por que não fostes um Averróes ou um Avicena?"
"Não", responde o rabino, "na verdade receio é que Ele me cobre: "Sússia, por que não fostes Sússia?"

The big dick


Oscar Niemeyer, nosso arquiteto-mor fossilizado em vida, comunista jurássico, defensor de Stálin e amigo do coma-andante Fidel fez um projeto de uma Praça da Soberania a ser instalada na Esplanada dos Ministérios em Brasília para comemorar sabe-se lá o quê.
O polêmico projeto já está famoso com o codinome Pirocão do Niemeyer.
Ao contrário dos colegas blogueiros Frodo Balseiro e Jus Indignatus que acharam a piroca grande demais e já prevêm falcatruas nas licitações, eu digo que sou a favor do monumento, desde que uma estátua representando o povo brasileiro seja colocada sentada na ponta do pirocão.

Wagner & Beethoven



Impagáveis...
Mais uma dica da adorada Janaína do Arrastão!

Tuesday, February 03, 2009

2014


Figurões da FIFA, Ricardo Teixeira e sua corte de cartolas estão visitando Campo Grande hoje para vistoriar a cidade.
A cidade anda toda enfeitada, cortaram a grama, taparam os buracos, pintaram as calçadas... Os funcionários públicos municipais estão em ponto facultativo. Tudo para receber este grandissíssimo picareta.
Campo Grande disputa com Cuiabá uma vaga para ser uma sub-sede da Copa de 2014.
Sub-sede do centro-oeste quer dizer que provavelmente os campo grandeses terão que assistir aqueles jogos importantes tipo Croácia e Emirados Árabes, e eu ainda serei obrigado a vestir aquela camisa de toalha de cantina para torcer pelos croatas.
O que a população em geral espera é que a infraestrutura da cidade, a limpeza pública, os meios de transporte e etc. melhorem com a nomeação.
O absurdo é ter que esperar que uma Copa do Mundo aconteça na cidade para essas melhorias sejam feitas.
O cúmulo do absurdo é ter que puxar o saco do Ricardão para que a Copa seja aqui.

Esclarecimentos


Só para esclarecer e prometo não falar mais no assunto:
1. Eu gosto de festa, sexo, cerveja e rock 'n roll. Não sou monge nem exemplo para ninguém, mas tenho valores pelos quais procuro sempre me guiar.
2. Religião para mim é assunto de foro íntimo, uma busca pessoal, por isso não aceito que venham me impor um ponto de vista me chamando de ignorante ou infiel.
3. Respeito ateus e agnósticos. Só acho mais razoável acreditar na existência de algo maior por trás de tudo, que estamos nesta vida em alguma espécie de aprendizado. Mas esta é só a minha opinião e eu não fico por aí pregando na esquina ou tentando converter os outros.
4. Há religiões que oferecem "guidelines" para que a pessoa encontre paz e conforto. Respeito isso. Há outras, que nunca deveriam ser chamadas de religião, que fazem lavagem cerebral como a cientologia. Há os talibans que forçam você a se converter ou a ser decapitado, e outros que usam fiéis como bombas humanas. Há outras que se aproveitam das necessidades espirituais do povo com o propósito de enriquecer seus fundadores e nesse ponto, acho o Edir Macedo e a Bispa Sônia verdadeiros crápulas (e como disse o pastor da Renascer, se eu estiver mentindo que o teto desabe sobre a minha cabeça...).
5. O ateísmo moderno não passa de uma outra religião que enxerga os outros como ignorantes obscurantistas. O cartaz nos ônibus dos ateístas me irrita tanto quanto adesivos Jesus Salva, discos do padre Marcelo Rossi ou Testemunhas de Jeová que vêm me acordar no sábado de manhã.
7. Minha única causa neste blog é defender os valores que fazem das democracias do ocidente, embora cheias de defeitos, o melhor lugar para se viver neste mundo. E é exatamente por causa da liberdade que temos aqui que tanta gente se atreve a meter o pau no nosso modo de vida. Outro dia apareceu um petista picareta aqui para defender o Hamas. Fui no blog do sujeito e descobri que ele mora em Miami. Assim é fácil né? Morar em Cuba, na China ou no Irã neném não quer?

Monday, February 02, 2009

Diz que eu fui por aí

Gomorra


Imagine uma terra onde o crime impera. Onde o crime, como um câncer estendendo seus tentáculos doentes se insere na economia, na sociedade, na política, nas vidas e nas consciências de quem quer que viva por ali.
Essa terra é a Campânia italiana, a terra da Camorra.
O livro do jovem jornalista Roberto Saviano desvenda os mecanismos do poder dos clãs camorristas e expõe essa gangrena, antes oculta, ao mundo.
Pensamos românticamente na máfia como aquela de velhinhos com guarda costas armados extorquindo lojistas em troca de proteção.
Gomorra dá a exata idéia do tamanho do poder econômico da Camorra e até onde se estendem seus laços criminosos.
Saviano conta tudo. Conta dos containeres de contrabando e mercadorias piratas chinesas sendo esvaziados aos milhares todos os dias no porto de Nápoles, dos edifícios de apartamentos propositadamente esvaziados para servirem de depósitos. Conta da indústria têxtil clandestina no sul da Itália, que desconhece qualquer lei trabalhista e que mesmo assim produz todas as roupas, sapatos e bolsas exportados pelas grifes de luxo italianas para todo o planeta. Conta como os produtos descartados pelo controle de qualidade das grifes vão parar pelas mãos dos mafiosos no mercado pirata.
Conta das guerras de poder entre os clãs, onde cada ato, cada palavra pode ser uma sentença de morte. Do cheiro de sangue e das rajadas de metralhadora nas cidades da região napolitana. Das mansões, vilas e carros de luxo dos chefões.
Conta do poder das indústrias de cimento e de construção civil que conseguem contratos públicos através de seus ramos políticos, dos imigrantes africanos usados como mão de obra barata.
Conta do tráfico de drogas que sai da América do Sul para Nigéria e através do sul da Itália é distribuído em toda a Europa. Conta das misturas de droga que são feitas e testatdas em viciados, verdadeiros cobaias humanos dos traficantes.
E conta do tráfico de armas que sai do leste europeu para os narcoguerrilheiros sul americanos.
Conta de como todo o lixo tóxico da Europa rica está sendo desovado nos campos da Campânia através de contratos bilionários geridos pelas famílias criminosas.
Não há atividade criminosa no mundo onde não se vejam as mãos ensangüentadas da Camorra, ou o Sistema como eles se chamam.
E lendo toda essa trama, que enoja e desespera quem lê, vemos como é efêmero e ilusório o poder. Se não são assassinados pouco tempo depois de chegarem ao topo, os boss acabam na cadeia ou passam o resto da vida escondidos em bunkers e casebres.
Mas ao mesmo tempo nos damos conta do quanto o crime se parece com aqueles monstros legendários cuja cabeça cresce novamente assim que é decepada.
Gomorra é a terra onde o crime marca quem nasce ali. É a terra onde o mal entra na sociedade como em nenhum outro lugar no mundo.
Mais do que uma reportagem, Gomorra é um grito ensurdecedor, angustiado, de alguém que viu e viveu e que finalmente se levantou para mostrar ao mundo o tamanho dessa doença, cujo centro nervoso está ali, no sul esquecido da civilizada Europa.
É o mais impressionante relato de coragem jornalística de que tenho notícia.

Roberto Saviano encontra-se escondido e sob alta proteção do estado italiano,
Gomorra virou também filme premiado em Cannes.

A Volta do Filho Pródigo


Antes do Natal, a colega blogueira Bete disse que iria sortear um livro entre seus leitores. Eu me inscrevi e ganhei, e na verdade não tinha idéia de como seria o livro. Agora, feliz de tê-lo lido, venho aqui contar como foi.
O livro chama-se A Volta do Filho Pródigo e foi escrito por um holandês chamado Henri Nouwen.
Há muito debate sobre a função que a arte deveria exercer sobre a sociedade. Não acredito em arte engajada, mas acredito que uma obra de arte deva ser um fonte de beleza na vida, deva inspirar quem a observa.
E foi isso que o quadro A Volta do Filho Pródigo de Rembrandt van Rijn fez com o padre Nouwen.
Nouwen conheceu o quadro por uma reprodução pregada na porta do escritório de uma amiga. Ficou tão obcecado pela pintura que acabou indo ao Hermitage em São Petersburgo na Rússia para admirá-lo ao vivo.
Sua atenta meditação sobre cada pormenor da pintura o levou a escrever este livro, que é uma viagem espiritual inspirada pela obra, pela vida de Rembrant e pela sua própria experiência.
O quadro mostra a hora em que o filho pródigo, que tinha abandonado o lar e torrado sua parte da herança com festas, jogos e prostitutas regressa, pobre, sofrido e arrependido ajoelhando-se aos pés do pai que o acolhe, enquanto o irmão ressentido o observa.
Toda a luz da pintura emana dessa figura paterna que acolhe o filho que estava perdido e foi encontrado, é nesse abraço cheio de perdão que está a emoção da cena.
Deus, ou a figura do pai, é aquele que ama incondicionalmente tanto o filho pródigo que volta aos seus braços como ao filho obediente porém egoísta e ressentido.
De fato, Nouwen acha que nos comportamos ora como o filho pródigo ora como o filho ressentido. Somos amados e não sabemos, por isso nos afastamos ou nos tornamos egoístas. A grande jornada espiritual de cada um é saber ser amado como o filho, mas amar como o pai.
Rembrandt van Rijn teve fama e fortuna em sua época, gastou tudo o que podia com uma vida cheia de excessos, mas também era egoísta e interesseiro, sofreu e perdeu dinheiro e família e no fim morreu só e pobre. Também ele foi em sua vida o filho pródigo, o filho mais velho e no final percebeu, se pintando como o pai, que figura ele deveria ser.
Uma bela lição de arte e espiritualidade, e um chamado a uma transformação.
Agradecimentos à Bete.

A Ditadura do Relativismo


Roger Kimball, da New Criterion (segundo muitos provavelmente a melhor revista cultural do mundo) cita a campanha point of view do HSBC como um sintoma do Relativismo que está tomando conta da civilização ocidental.
Na campanha, um determinado objeto pode ter tanto um significado como também pode significar seu exato oposto. Tudo na verdade depende do ponto de vista do observador.
Se antigamente um indivíduo relativamente educado e respeitável se conhecia por seus firmes princípios morais, hoje em dia nossa sociedade valoriza justamente quem tem princípios mais flexíveis, as pessoas de “cabeça aberta”, e “tolerantes”. Desse modo, princípios dependem meramente da opinião de cada um.
Vejamos um exemplo. O direito à vida deveria ser um princípio fundamental na nossa sociedade, inscrito na Declaração de Direitos Humanos.
Hoje em dia, os indivíduos tolerantes e de cabeça aberta querem legalizar o aborto porque afinal ninguém sabe se o feto é vida ou não, e ele iria atrapalhar a vida das mulheres que não pensaram muito na hora de fazê-lo (não digo as que foram forçadas a tanto ou as que têm a vida ameaçada pela gestação, casos que a legislação brasileira prevê). Se for anencéfalo então não há nem discussão, já está praticamente morto mesmo.
Índios brasileiros enterram vivas crianças deficientes. Antes isso horrorizaria qualquer pessoa civilizada. Hoje há pessoas civilizadas que defendem os índios por agirem assim, respeitando seus costumes.
O mesmo se passa com doentes em coma, como aquela Terri Schiavo. Está gastando dinheiro público vivendo como vegetal, melhor matar de uma vez. É mais humano.
O direito à vida como se vê se torna mais relativo.
Nossa constituição garante o direito à propriedade. Claro que se um pobre coitado se disser oprimido pelo sistema e invadir a sua propriedade ele pode no fim das contas ficar com ela. Outro relativismo.
A infância deve ser protegida? Achamos que sim. No entanto, na Holanda, a pátria dos liberais, já há um partido político que prega a legalização da pedofilia.
Até o terrorismo assassino do Hamas e das Farc acha intelectuais que o justificam.
Como isso pode estar acontecendo?
Bem, as pessoas acham que se são mais tolerantes com outras, as outras serão mais tolerantes com ela. E se antes acreditávamos no direito à busca pela felicidade, hoje em dia esse conceito se tornou uma busca pela própria felicidade não importando os meios. Não importando aquele conceito de amar ao próximo e proteger os mais fracos difundido pela herança de cristianismo e democracia no Ocidente.
Nossos princípios estão mais frouxos e nossos direitos mais relativos para que essa busca a qualquer preço seja mais fácil.
Por isso os ateístas ingleses acham que o conceito de Deus é só mais um empecilho para atrapalhar quem quer aproveitar a vida. Não se trata de provar ou não a existência de Deus, eles querem entrar no liberou geral que toma conta da sociedade.
Além disso, nossos ídolos de hoje, são a superclass das celebridades, como definiu Giuliano da Empoli em seu ensaio a Orgia e a Peste.
Fazer parte da superclass é por exemplo o motivo do sucesso da TV reality show estilo BBB. A commoditie mais valorizada pela celebridades não é honra, conhecimento ou ética, é a atenção. E atenção se consegue justamente ignorando-se qualquer regra ou princípio. Ninguém liga se Bruna Surfistinha é uma prostituta, ladra e drogada. No Altas Horas do Serginho Groissman ela era exaltada pelos jovens da platéia
como símbolo de coragem, como alguém que chegou lá. O mesmo com todas as mocinhas do mundo que querem ser Paris Hilton e Lindsey Lohan, vistas por aí enchendo a cara sem calcinha. Ficou normal para adolescentes americanas divulgarem fotos no mesmo estilo em seus orkuts e facebooks.
É essa felicidade falsa das celebridades que a turma liberal procura a qualquer custo.
Posso não ser um exemplo de moralidade, mas pelo menos admito a necessidade de limites éticos como forma de se evitar a decadência da nossa vida em sociedade.
Senão vira zoológico.

Sunday, February 01, 2009

Hermandad


Soy hombre: duro poco
y es enorme la noche.
Pero miro hacia arriba:
las estrellas escriben.
Sin entender comprendo:
también soy escritura
y en este mismo instante
alguien me deletrea.

Octavio Paz