Tuesday, November 17, 2009

Sexo forte

Em homenagem às mulheres que não gostam de apanhar, aqui vai a Lumières Ass-Kicking Girls All Time Movie Awards:

Xena, Princesa Guerreira

Red Sonja
Elektra
Chris Sanchez
Sarah Connor

Jean Grey
The Bride

Trinity

Bandidas

Silk Spectre II

Aeon Flux

Selene

Nikita

Charlie's Angels 1

Charlie's Angels 2

Lieutenent Ripley

Guinevère

Elizabeth

Lara Croft

E a Lumières All-Time favorite!!

Milla como Alice
Milla como Leeloo

Milla como Joana d'Arc

Milla como Violet

Sunday, November 15, 2009

Non ducor, duco


Em dezembro serei o mais novo habitante da prodigiosa cidade de São Paulo...

Claire de Lune


Para meu amor!

Thursday, November 12, 2009

Salve Geral


Quando o apagão geral da nação atingiu Campo Grande, por volta das 22h30, o Fernandinho Beira Mar havia acabado de deixar o Fórum da cidade protegido por uma gigantesca escolta policial em viaturas e helicópteros. Ele havia sido condenado a mais 15 anos de prisão, além dos 130 que já tinha, por ter mandado executar desafetos dentro da penitenciária de Campo Grande. Nossa primeira reação ao apagão foi justamente a de pensar que era coisa do Beira-Mar. Afinal, é o chefe de um dos poderes paralelos que agem no país, pode mandar prender, soltar, matar, sequestrar e porque não comandar um apagão geral para facilitar a sua fuga?
Nosso medo dá uma idéia do estado do país quando algo assim acontece. E isso em Campo grande, imagino como é no Rio e em São Paulo. Já estávamos esperando um salve geral campo grandense no melhor estilo PCC quando começaram a chegar as notícias de que a energia acabara em Três Lagoas, Ponta Porã, São Paulo, Rio...
Aí respiramos aliviados. Não é o poder paralelo não, é o oficial mesmo...
A vantagem do paralelo, apesar dos tiros, é que pelo menos assume o que faz. Já o oficial põe a culpa no ET de Itaberá e no FHC.

Wednesday, November 11, 2009

Muros e muros


Everardo, o idiota, continua me mandando comentários apesar de eu me recusar a publicá-los por serem demasiadamente...idiotas.
Ele acha por exemplo que o Muro de Berlim e o muro que os americanos fizeram na fronteira do México são a mesma coisa. E ainda me cobra porque eu não falo nadinha sobre o assunto.
Pois bem, vamos dar uma lição a Everardo.
O Muro de Berlim foi construído pela Alemanha Oriental para impedir que os seus cidadãos fugissem daquele "paraíso" socialista. Ou seja, o governo socialista transformou o país em uma prisão para seus próprios cidadãos. Quando o muro caiu, o fluxo de emigração dos países do leste para oeste foi tão grande que uma piada comum na época dizia: "o último apague a luz por favor".
O muro que os americanos construíram na sua fronteira sul é para a defesa de seu território e de sua população contra o contrabando, a imigração ilegal e o tráfico de drogas (drogas aliás produzidas pelos "movimentos sociais" latinos). É o mesmo princípio do muro israelense, construído para proteger a população contra ataques terroristas. E é uma obrigação de países democráticos defender seus cidadãos. Além do que, americanos e israelenses são livres para ir e vir onde e quando queiram.
Os milhares de imigrantes latinos que tentam entrar nos EUA estão fugindo é do populismo, da corrupção, do estatismo e do castro-bolivarianismo que estão há um século impedindo que a América Latina se desenvolva. Isso é causado não pelo capitalismo mas pela falta dele. Quem acha que isso tudo é culpa dos Estados Unidos é só o perfeito idiota latino americano.
Aliás a querida Cuba é um paraíso tão bom, tão igualitário, tão solidário que os cubanos preferem a possibilidade de morrer atravessando o oceano em uma balsa de pneus tentando chegar no Grande Satã Capitalista do que a possibilidade de ficar na ilha prisão para sempre...

Tuesday, November 10, 2009

Lições do Muro


Olhando-se o mundo hoje, com uma Coréia do Norte e um Paquistão nucleares, um Iran prestes a se tornar nuclear, um boçal como Hugo Chávez na Venezuela, uma Rússia agressiva e a ameaça do islamofascismo, os inimigos da liberdade e do Ocidente são mais numerosos do que nunca.
Em seu excelente artigo Tyranny set in Stone, na New Criterion, Roger Kimball fala das duas mais importantes lições que podem ser tiradas da queda do muro de Berlim.
"A primeira é de que a tirania, se confrontada com franqueza, pode ser derrotada.
A segunda é que a vitória da liberdade nunca é final, ela deve ser sempre renovada não só pela nossa vontade de reconhecer e lutar contra o mal mas por uma proclamação decidida de nossos princípios fundadores.
É esse último que parece ser o mais difícil para os intelectuais do Ocidente. Para citar Kolakowski mais uma vez, há só uma Grande Causa que permaneceu mais ou menos intacta pelas últimas décadas ne mentalidade esquerdista: a repugnância aos países democráticos. Fidelidades mudaram, mas se há uma coisa persistente na política esquerdista é isso: se há um conflito entre um governo tirânico e uma democracia, os tiranos estarão certos e a democracia errada.
Alguém poderia pensar que o admonitório conto do Muro de Berlim proporcionaria incontestável desilusão. Infelizmente, é uma lição que ainda temos de absorver.

Monday, November 09, 2009

The Wall

20 Anos Depois


Depois de 100 milhões de mortos e 20 anos depois da queda do Muro de Berlim , ainda há cretinos que acreditam nessa jaca chamada socialismo.
Só uma pergunta: porque quem morreu no Muro foi sempre tentando pular de lá pra cá, e nunca o contrário?

Guga


Para o Guga, mais um sobrinho do coração nascido 04/11/2009.

Saturday, November 07, 2009

Mad World





Lá estava ela, ferida de morte no asfalto frio.
Ele não podia acreditar no que via. Era perigoso dizia, me espere. Ela nunca dava bola às suas demasiadas preocupações.
E agora o destino, horroroso destino, lhe dava razão. Deitada, olhava o vazio, com dor calma.
Ele tremia, custava a crer, desejava estar em um pesadelo pavoroso do qual o sol da manhã lhe arrancaria.
Não conseguia encarar o sangue, muito menos o olhar.


Me diga o que fazer, implorou. Traz me um pouco d'água, ela disse.
Obediente, foi. Traria cachoeiras inteiras se ela houvesse pedido. Ela só queria água, e com uma angústia espinhosa ele sentiu uma migalha de derradeira felicidade por ter conseguido cumprir ao menos esse último desejo, com a esperança de que aquilo talvez a reanimasse, a fizesse logo saltar do chão. Um último milagre.


Tentou movê-la, mas seu corpo inerte não respondeu. Queria levantá-la à força, mesmo que tremesse de medo, mesmo que não tivesse força nenhuma naquele momento. Vamos, para cima, e a tocava, mas no fundo aquele vazio no peito começava a transformar-se em infinito vácuo.


A dor agora era só dele. Ela se foi deixando-o só no mundo indiferente. Ela deitada, o asfalto, o frio. Quis gritar, gritar para voltar no tempo, para passar a dor, para passar a raiva.


Por fim calou-se, e ali ficou. Horas. Perdido.
O mundo poderia ser indiferente, mas ele não era. Não é isso o amor? Não é o que faz a diferença? O que fazer com a dor imensa?
Olhou o azul imenso e decidiu que há perguntas sem resposta.

Monkey business


A Brasil Telecom me ligou para estar me oferecendo um pacote muito bom para meu telefone fixo, mas eu era obrigado a levar um celular junto.
Eu não queria mas inexplicavelmente ia sair mais barato se eu aceitasse e simplesmente não usasse o celular. Foi o que eu fiz. O celular ficou na gaveta.
A GVT chegou na minha rua, mais barata do que a Brasil Telecom. Pedi a portabilidade do fixo e me deram, mas avisaram que eu não poderia cancelar o celular e continuaria pagando a franquia.
O celular tinha uma fidelidade de um ano.
Por sugestão do próprio atendente, pedi que mudassem o celular da Brasil Telecom para a Oi. Como agora é a mesma empresa, fizeram sem reclamar.
A Oi me mandou um chip. Meu celular virou Oi, o contrato com a Brasil Telecom foi terminado, e não havia mais fidelidade.
Liguei para a Oi e cancelei a linha de celular que eu nunca havia usado em primeiro lugar.
Monkey business.
Porque não aparece uma operadora que diga o preço do minuto é x, pra qualquer lugar, pra qualquer operadora, você paga o que usar...
Mas para que simplificar se a gente pode complicar não é?

Thursday, November 05, 2009

Claude Lévi Strauss


A antropologia é uma daquelas ciências que me fascinam mas sobre as quais tenho conhecimentos parcos demais.
Só posso imaginar a emoção e a curiosidade científica que um francês como Claude Lévi-Strauss tinha ao entrar em contato com grupos de homens de cultura até então desconhecida nos sertões mais remotos do Brasil dos anos 30.
Dito isso, confesso que um debate entre o existencialismo de Sartre e o estruturalismo de Lévi-Strauss me é tão enigmático quanto a pedra da Roseta.
A questão fundamental da antropologia para mim é se homens devem ou não propositadamente interferir na cultura alheia. Lévi-Strauss por exemplo condenava firmemente a pretensão ocidental de julgar sua cultura e seu modo de vida superior ao de outros grupos humanos, mas mesmo os índios brasileiros julgavam-se uns aos outros. Os Bororo por exemplo consideravam os Nhambiquaras (a sociedade do mínimo necessário segundo Lévi-Strauss) bárbaros, já que dormiam no chão ao invés de redes.
Para mim, o contato e a mútua influência entre diferentes grupos humanos ao longo da história além de ter sido fundamental para a evolução da humanidade foi certamente também inevitável.
Por aqui não seria diferente. Nossos índios estavam na Idade da Pedra quando os europeus chegaram por aqui. Matavam, escravizavam e comiam-se uns aos outros. A colonização trouxe a palavra escrita, o cristianismo e inovações tecnológicas que talvez eles nunca conseguissem.
Nossos índios de hoje querem ter um freezer, facas de metal e televisão.
Já os nossos antropólogos querem mandá-los de volta à Idade da Pedra, e acham perfeitamente normal que eles enterrem vivas suas crianças deficientes por exemplo.
Não tenho a pretensão de me julgar superior ou inferior, mas reconheço que minha cultura teve acesso às criações de muitas outras culturas diferentes da minha, e que acabaram beneficiando também a mim, e portanto acredito que possa beneficiar também a outros.
Eu acredito que a antropologia hoje deveria servir para criar um choque menor entre culturas do que aqueles ocorridos há 500 anos atrás. Mas não acredito que isolar grupos humanos em reservas imensas seja a solução. Quando a humanidade estiver colonizando marte e passando férias na lua, lá estarão essas reservas indígenas da Funai, transformadas em zoológicos de homens renegados pelos seus irmãos.

Wednesday, November 04, 2009

O caso Uniban


O Discovery Channel tem uma série chamada Fora de Controle, sobre fenômenos e manifestações naturais ou não que começam com pequenos incidentes e escalam para uma magnitude destruidora.
Muitas das reportagens da série tratam de multidões que de repente se tornam ensandecidas, com pessoas cometendo atos que em seu perfeito juízo considerariam bárbaros.
Me lembro certa vez ao sair da escola de ver um suicida escalando uma torre de televisão com o propósito de se atirar lá de cima. Juntou-se uma turba de curiosos embaixo e logo um gaiato começou um coro de "pula, pula!". Fugi dali.
Me lembrei disso ao ver as cenas de horror da semana passada na Uniban de São Bernardo, cujos alunos promoveram o linchamento moral (e faltou pouco para o físico) de uma aluna de saia curta.
Deve haver algum estudo antropológico que diga porque os indivíduos em multidão podem tão facilmente delegar a própria consciência aos desejos da malta enlouquecida. O genocídio de Rwanda é o exemplo mais abjeto disso, junto com as juventudes fascistas, hitleristas e maoístas que gostavam de difundir a própria moral no marra.
Reinaldo Azevedo fez uma boa comparação dos estudantes da Uniban apinhados nas galerias da faculdade com uma cena de Os Pássaros de Hitchcock.
A coisa fica ainda mais grave por ter acontecido no meio de uma instituição que se chama de Universidade mas que na realidade está a anos luz de ser uma. Que espécie de gente vai sair dali? É o futuro do país?

no YouTube

Escola Jurídica Petista


O que é preciso ter para ser um juiz do Supremo Tribunal Federal?
Conduta ilibada e notório saber jurídico. Qualquer advogado sabe disso.
Toffoli não tinha nem um e nem outro. Tem 41 anos, foi reprovado duas vezes em concurso de juiz de primeira instância, nunca escreveu um livro, nunca fez nem pós-graduação, e ainda foi acusado de ajudar a defesa de Silas Rondeau, envolvido em corrupção.
Suas credenciais para o cargo? Ter sido advogado do PT e de Lula.
Agora que a Caixa Econômica Federal bancou sua festinha de posse, de meros R$ 40.000, Toffoli se safa com a velha estratégia da escola jurídica petista: "EU NÃO SABIA DE NADA".
Canalha.

Para onde vamos?


"A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio “talvez” porque alguns estão de tal modo inebriados com “o maior espetáculo da Terra”, de riqueza fácil que beneficia poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?"

"Só que cada pequena transgressão, cada desvio vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advém do nosso príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o País, devagarzinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm que ver com nossos ideais democráticos."

"Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo, antes que seja tarde."

FHC, o Cara, no artigo Para Onde Vamos?, do Estadão de 03/11/2009

Tuesday, November 03, 2009

I'm the World's Greatest


R. Kelly - The World's Greatest (Official Music Video) - The best video clips are here

I am a mountain, I am a tall tree, oh
I am a swift wind sweepin' the country
I am a river down in the valley, oh
I am a vision and I can see clearly

If anybody asks you who I am
Just stand up tall
Look 'em in the face and say

I'm that star up in the sky
I'm that mountain peak up high
Hey, I made it
I'm the world's greatest
And I'm that little bit of hope
When my back's against the ropes
I can feel it
I'm the world's greatest

I am a giant, I am an eagle, oh
I am a lion, down in the jungle
I am a marchin' band, I am the people, oh
I am a helping hand, I am a hero

If anybody asks you who I am
Just stand up tall
Look 'em in the face and say

I'm that star up in the sky
I'm that mountain peak up high
Hey, I made it
I'm the world's greatest
And I'm that little bit of hope
When my back's against the ropes
I can feel it
I'm the world's greatest

In the ring of life I'll reign love
And the world will notice a king
When all is darkest, I'll shine a light
And use a success you'll find in me

I'm that star up in the sky
I'm that mountain peak up high
Hey, I made it
I'm the world's greatest
And I'm that little bit of hope
When my back's against the ropes
I can feel it
I'm the world's greatest

It's the greatest
Can you feel it
It's the greatest
Can you feel it

Monday, November 02, 2009

No Coward Soul Is Mine


No coward soul is mine,
No trembler in the world's storm-troubled sphere:
I see Heaven's glories shine,
And Faith shines equal, arming me from Fear.

O God within my breast,
Almighty, ever-present Deity!
Life, that in me has rest,
As I, undying Life, have power in Thee!.

Vain are the thousand creeds
That move men's hearts: unutterably vain;
Worthless as withered weeds,
Or idlest froth amid the boundless main,

To waken doubt in one
Holding so fast by Thy infinity,
So surely anchored on
The steadfast rock of Immortality.

With wide-embracing love
Thy Spirit animates eternal years,
Pervades and broods above,
Changes, sustains, dissolves, creates, and rears.

Though earth and moon were gone,
And suns and universes ceased to be,
And Thou wert left alone,
Every existence would exist in Thee.

There is not room for Death,
Nor atom that his might could render void:
Thou -Thou art Being and Breath,
And what Thou art may never be destroyed.

Emily Bronte

Friday, October 30, 2009

District 9


Uma imensa espaçonave chega à Terra. Quando todos esperavam que ela pousasse em Washington ou Londres, ela, aparentemente à deriva paira sobre Johannesburg e ali fica por três meses sem sinal de vida.
Quando homens forçam sua entrada na nave, encontram alienígenas subnutridos e doentes. São operários sem grande apuro intelectual. Suas lideranças foram dizimadas por uma espécie de epidemia a bordo.
Uma multinacional interessada em tecnologia bélica é incumbida de cuidar dos aliens que são isolados em um campo de refugiados batizado de District 9.
Os aliens não são exatamente bons ou maus, ou dotados de algum grau superior de evolução. Parecem ao contrário dotados dos mesmos vícios, defeitos e qualidades que os humanos.
O campo transforma-se em uma favela onde o crime impera, dominada por uma máfia nigeriana que controla o tráfico de comida, bebida, armas e prostituição.
District 9 tem mil facetas diferentes. É impossível não lembrar do apartheid, especialmente quando o cenário é a África do Sul. O próprio Distrito lembra como são construídos campos para receber imigrantes na Holanda ou na Inglaterra, e a favela em que se transforma lembra as townships, os guetos, onde os negros eram isolados dos brancos em Johannesburg. As placas sinalizando “Humans Only”, ou “Non-Humans not Allowed” fazem uma alusão clara às barbaridades do apartheid e do que somos capazes de fazer com os julgamos diferentes de nós, assim como as cenas da polícia entrando ali para descer o cassetete em quem aparecer pela frente.
A cena onde os humanos entram pela primeira vez na nave, lembra as imagens da guarda costeira italiana ou espanhola abordando navios de refugiados africanos, com imigrantes miseráveis e famintos atulhados em seus porões. No filme também aparecem manifestações dos defensores dos "Non Human Rights", como aparecem defensores para tudo neste mundo.
A própria favela alienígena lembra as nossas favelas cariocas, com traficantes dando ordens, ou favelas indianas com miseráveis catando comida no lixo para sobreviver.
O próprio filme inova misturando um estilo de documentário coletando depoimentos de envolvidos com cenas de violência brutal.
Longe do estilo filosófico e estilizado de Matrix, Distrit 9 lembra mais o estilo de Alien, Robocop e Blade Runner. É com certeza o mais inventivo e inovador filme de ficção científica que apareceu na última década.
O cinema sul-africano, com Neil Blomkamp, o diretor, e o desconhecido Sharlto Copley, o protagonista, tem com certeza um futuro brilhante pela frente.
Copley no filme faz Wikus van de Merwe, um burocrata sádico, chato e almofadinha que vai ser a vítima de contaminação por DNA alienígena, e assim sentir na pele o que o outro sofre, o que mostra ser a única saída para se livrar dos preconceitos.

Wednesday, October 28, 2009

Política no campo


Um pré-candidato a deputado federal veio pedir apoio político a uma amiga, produtora rural. Que me pediu conselhos para condicionar o seu apoio.
Aí vão algumas coisinhas que um político deve saber para defender o homem do campo
:

Não pode existir uma diferença entre agricultura familiar e agronegócio. O que existe é um só setor e uma só classe, a de produtores rurais, divididos em grandes médios e pequenos;

Este setor é responsável por umterço do PIB e dos empregos do país. Quando se luta pelos interesses do campo não se está defendendo "os fazendeiros", os "ruralistas", está se defendendo o interesse e a economia do Brasil;

Um produtor que sustenta sua família com agricultura pratica agricultura familiar, não interessando se ele é grande, médio ou pequeno. Como existem indústrias e comércios familiares, que vão da quitanda do japonês da esquina até a rede Pão de Açúcar dos Diniz, a Votorantim do Ermírio de Moraes, a siderurgia dos Gerdau e etc. Existem agricultores familiares que trabalham com tabaco no RS, com suinocultura em SC, com fruticultura no vale do São Francisco, e com pecuária no MS, em GO, ou em MG. O importante é que a renda gerada por aquela propriedade sustente dignamente uma família, e se possível gere renda a outras famílias também;

É mentira que o agronegócio gere concentração fundiária e desemprego por exemplo. No último censo agropecuário do Estado de São Paulo, que tem a agricultura mais tecnificada do país, verificou-se que o tamanho médio das propriedades diminuiu. E isso com toda aquela cana, laranja e reflorestamentos. Os empregos que são eliminados no campo com a monocultura e a tecnificação são criados nas cidades com a instalação de agroindústrias de suco, de papel e celulose, de usinas, de laticínios, de frigoríficos e etc;

Quanto menor a propriedade obviamente mais necessário se faz o uso da técnica agronômica e zootécnica para um bom desempenho de produtividade, e maior precisa ser a capacidade de organização na hora de conseguir crédito, na compra de insumos e na comercialização de produtos. Isso pode ser alcançado por exemplo com o cooperativismo (como alguém com 20ha pode ter um trator por exemplo sem inviabilizar financeiramente a propriedade?). É nessa hora que o estado deve desempenhar sua função através dos programas de extensão rural;

A agricultura familiar no entendimento do atual governo e do programa de reforma agrária no entanto é incapaz de gerar renda, o que a recente pesquisa da CNA comprova. Pela pesquisa da CNA, 46% dos beneficiados com o Programa da Reforma Agrária já vendeu suas terras (o que é ilegal diga-se de passagem), 37% não produz rigorosamente nada, 10% não produzem o suficiente nem para a família e 24% produzem o suficiente só para a família. Ou seja, em vez de gerar um benefício para a comunidade e para a economia do país, gera-se um gasto extra que em vez de dar independência econômica a uma família cria uma legião de estado-dependentes, gente que para viver precisa de auxílio contínuo do Estado;

É preciso entender que o setor da agropecuária é um setor da economia igual aos outros, como é a indústria, como é o comércio. Os índices de produtividade que visam a desapropriação de imóveis rurais são uma obscenidade ideológica. Imaginem por exemplo que seja proposto um índice de produtividade para a indústria de calçados. A que não produzir um determinado número de pares de calçado por ano poderá ser desapropriada e destinada as militantes do Movimento dos Sem-Indústria. A idéia é tão absurda que ninguém nunca cogitou implantar uma coisa dessas. E no campo no entanto essa idéia perdura, com um atraso de uns 200 anos pois é do tempo em que a terra era a única fonte de geração de riquezas;

A revisão dos índices de produtividade vai servir só como ferramenta para que um movimento criminoso como o MST ganhe passe livre para invadir onde bem entender.
Por mais que uma fazenda seja mal cuidada ou que produza muito pouco, o dono dela emprega pelo menos duas ou três pessoas. Tem um filho em escola particular na cidade, usa uma Unimed, gera um excedente que mesmo pequeno vai gerar ICMS para o município. Se nessa fazenda faz-se um assentamento de reforma agrária, além de não gerar mais nada vai dar prejuízo em forma de bolsa-família, cesta básica, transporte grátis e ainda demanda a instalação de redes delétricas, de água e esgoto em zonas rurais quando nem nas cidades estes serviços estão disponíveis a toda a população urbana. Nesse sentido, a reforma agrária deve ser feita em terras realmente improdutivas, que devem ser dadas não a assentados mas vendidas a pessoas com vocação agrícola por programas que facilitem o acesso à terra;

Em resumo, o papel do Estado no campo:
- facilitar o acesso a terra a quem realmente tem vocação agrícola
- extinguir os índices de produtividade para o setor agrícola
- incentivar programas de extensão rural que viabilizem a pequena propriedade
- incentivar a agroindústria
- melhorar a infraestrutura em núcleos urbanos do interior, diminuindo o inchaço das grandes capitais

Lição do dia


Um professor de economia numa universidade local fez a declaração de que nunca tinha reprovado um único aluno, mas que uma vez reprovara uma classe inteira.
Aquela classe tinha insistido que o socialismo funcionava e que ninguém seria pobre e ninguém seria rico, um grande equalizador.
O professor então disse:
- Ok, vamos fazer uma experiência de socialismo nesta classe. Todas as notas serão médias e todos receberão a mesma nota, assim ninguém vai ser reprovado e ninguém receberá um A.
Depois da primeira prova, a média foi tirada e todos ganharam um B. Os alunos que estudaram muito ficaram chateados e os alunos que estudaram pouco ficaram felizes. A média da segunda prova foi um D! Ninguém ficou feliz. Feita a terceira prova, a média foi um F. As notas nunca aumentaram, enquanto mesquinharias, acusações e xingamentos só resultaram em ressentimentos e ninguém mais iria estudar em benefício de qualquer outro.
Todos foram reprovados, para sua grande surpresa, e o professor lhes disse que o socialismo também iria falhar ao final porque quando a recompensa é grande, o esforço para vencer é grande, mas quando o governo tira toda a recompensa, ninguém vai tentar ou querer vencer. Não podia ser mais simples do que isto.
Ou como o Dr. Adrian Rogers diz em seu trabalho de 1996 Ten Secrets for a Successful Family sobre ensinar aos adolescentes o valor de um trabalho honesto:

"Não se pode legislar os pobres para dentro da liberdade, legislando os ricos para fora dela. Não se multiplica a riqueza dividindo-a. O Governo não pode dar nada a ninguém que ele não tenha tirado antes de outra pessoa. Quando alguém recebe alguma coisa sem trabalhar por isso, outra pessoa está trabalhando sem receber por isso. A pior coisa que pode acontecer a uma nação é que metade de sua população acredite que não precisa trabalhar porque alguém está trabalhando por eles, e a outra metade acreditar que trabalhar não leva a nada porque não poderão aproveitar o fruto do seu trabalho."

Kit Left Revolution

Everardo, o Idiota


Elio Gaspari tem Eremildo, o Idiota. Eu tenho Everardo, o Idiota.
Everardo dá plantão de comentários no meu blog. Acho que o Reinaldo Azevedo nunca publicou um comentário dele, então o Everardo migrou para cá. Quando eu parei de publicar os comentários dele, ele foi dar plantão no blog do Bruno Pontes.
Mas o Everardo não deve levar a mal o Idiota do título. Não é uma ofensa pessoal. É que eu acabei de ler o Manual do Perfeito Idiota Latino Americano, de Alvaro Vargas Llosa, Plinio Apuleyo Mendoza e Carlos Alberto Montaner. Me foi emprestado por outro blogueiro reacionário e direitista, meu amigo Augusto.
O fato é que Everardo (que não é um, é uma legião) se encaixa perfeitamente na descrição do perfeito idiota latino americano. Everardo acredita no Estado benfeitor, aquele criado nos tempos de Vargas e Perón. O mesmo tipo de Estado que levou o continente inteiro à ruína econômica enquanto por exemplo os tigres asiáticos, que na década de 50 eram mais pobres do que os latinos, se desenvolviam a um ritmo muito maior.
Everardo credita todos os males do continente ao capitalismo e ao neoliberalismo, sendo que estes nunca existiram de verdade em uma América Latina sufocada sob as garras do Estatismo, e só agora começam a aparecer, graças a Deus. Curiosamente, o país que melhor conseguiu se livrar da pobreza no continente, o Chile, foi o único a optar por um maior liberalismo na economia.
Everardo acredita que Zelaya não quer dar um golpe e perpetuar-se no poder, como Chávez fez, e como Ortega, Evo Morales, Rafael Correa querem fazer.
Everardo acha que o mensalão nunca existiu, e que é normal o PT estar no poder junto com Sarney, Maluf e Renan Calheiros. Se Jesus se aliaria até a Judas no Brasil como diz o Lula, porque ele não pode?
Everardo chama os Estados Unidos de Império, e como todo bom idiota latino americano acha que os Estados Unidos ficaram ricos deixando o resto do mundo mais pobre, especialmente os latinos. Para ele, os ricos só querem vir aqui roubar nossas riquezas e matérias primas, que não teríamos onde enfiar se não fossem as exportações.
Everardo acha por exemplo que a Vale deveria ser estatal, embora como empresa privada tenha multiplicado patrimônio, divisas e empregos. Privatizar a Petrossauro então nem pensar.
Cansei de Everardo. Recomendo-lhe que leia o livro em vez de infestar o blog dos outros com suas boçalidades. O blog é meu. A web é democrática. Faça seu próprio blog com suas idéias brilhantes e suas apologias de ditadores e assassinos.

Libera geral


Essa é irresistível, saiu lá do Kibe Loco:

Governo libera R$ 400 milhões para estádios da Copa

Pelo visto, desvio de verbas passará a ser avaliado em “campos de futebol”. Bons tempos quando isso era privilégio do desmatamento, né?

Campanha


Dilma em Araraquara, minha cidade natal, inaugurando não sei o que do PACtóide.
Cadê o TSE?

Adeus emprego velho


Feliz emprego novo...
E lá se foi hoje minha carta de demissão...

Sete Pecados Capitais


Uma imagem, de Bosch, e abaixo, algumas reflexões...

Invidia


A inveja anda de casaco pelos corredores, diz a legenda dessa foto. Essa é a inveja corrosiva, destrutiva, amarela como a criada Juliana do primo Basíllio na obra de Eça.
É a inveja triste, masoquista.
Não é só querer o que o outro tem. É querer o que ele tem e querer mais ainda que você tenha e ele não. Pode ser um carro, um trabalho, uma mulher, dinheiro, o que for. Diz a estória que um gênio da lâmpada disse a um invejoso que ele lhe daria tudo o que desejasse, mas daria também o dobro ao seu inimigo. O invejoso respondeu: fure-me um olho.
Mas há invejas boas, as que te fazem trabalhar para conseguir o que se quer e não se tem. Eu por exemplo invejo pessoas que estão sempre de bem com a vida. Um dia aprendo com elas. Invejo os que realmente gostam do que fazem. Algo que estou tentando conseguir. Invejo os que saem viajando pelo mundo. Já fiz um pouco, farei mais.
E no entanto não preciso furar o olho de ninguém por isso...
Inveja de uma bunda em forma? Entre na academia e pare de se entupir de chocolate.

Superbia


No orkut existem mais de mil comunidades com o título "Eu odeio gente que se acha" e variações.
Na verdade ninguém gosta de gente que se acha, exceto os puxa-sacos daqueles que estão se achando.
Existe um piscologia um troço chamado de síndrome do pequeno poder. Acontece muito com porteiros e síndicos por exemplo. E atendentes de guichês de repartições públicas. O cara sobe no tijolo e pensa que é rei. Ah, o prazer de torturar e humilhar aqueles que precisam de você, vê-los jogados aos seus pés...
É, taí o orkut que não me deixa mentir, a soberba é o mais odioso dos pecados.
Do tijolo ao trono, a coisa só muda em escala. Quanto mais poderoso o pecador, maior é sua vaidade, maior o seu orgulho. E maior a corja de puxa sacos que lhes mascara a realidade e ao mesmo tempo lhes infla o ego.
É difícil achar na história da humanidade um líder poderoso de massas que não fosse um poço de soberba. Abraham Lincoln, Gandhi, Mandela? Talvez sejam os únicos.
A coisa fica bem mais feia quanto mais à esquerda andamos. Nos regimes socialistas a soberba é política de Estado, já que os supremos líderes encarnam não só a vontade do povo mas o Bem e a Verdade. Daí que suas fotos, efígies e estátuas estejam por toda parte. É o cúmulo da soberba, é o culto à personalidade patrocinado pelo constribuinte. Mas nem falemos pois de Kim Jong Il, Khadafi, Castro, Lênin, Stálin e toda essa cambada. Vamos nos restringir às Américas. Obama depois do Nobel já pode ser canonizado. Chávez já tem até sua SS. Evo tinha também seu comitê para indicá-lo ao Nobel da Paz. Zelaya já tinha até estátua sua pronta para por no jardim da sede de governo. Os Kirchner calam a imprensa que lhes critica.
E nosso líder? Ora, fora os inúmeros "nunca antes nesse país" que só ele sabe dizer, aparece em inauguração até de quitanda. E a obra prima de sua soberba vem aí em filme, o Filho do Brasil, a ser lançado em todo o Brasil bem no ano de eleição, ora vejam que coincidência.
E enquanto o cordão dos puxa sacos aumenta, falta gente para mostrar que o rei está nu.

Saturday, October 24, 2009

Avaritia


A crise financeira mundial mostrou o lado negro do mercado de capitais. Ainda acredito que a imoralidade do mercado hoje é fruto das revoluções liberais dos anos 60, que lutaram e ainda lutam para destruir valores como a família, a religião e as tradições. Mas á fácil culpar os tubarões de Wall Street como os grandes culpados da bolha. É como os ingleses culpando os tablóides que eles mesmos compram pela morte da princesa Diana ou a classe média carioca consumidora de drogas protestando contra a violência dos traficantes do morro. A história começa bem mais embaixo, com os subprimes concedidos aos ninjas (no income, no jobs, no assets) do mercado. Com dinheiro sobrando na mão, os bancos concederam empréstimos a quem não podia pagar. Com os preços imobiliários em alta, os americanos endividados iam de hipoteca em hipoteca usando a diferença como crédito para consumir ainda mais. Como a gula, a cobiça é um pecado de excesso. É querer sempre mais, mais, mais.
E o marketing é a ferramenta do pecado. O marketing diz que precisamos consumir para ser felizes. O marketing cria necessidades que nunca tivemos antes.
Um rápido zapping pelos canais de televendas nos dão uma idéia precisa dos horrores a que estamos nos submetendo. Quando você acha mesmo que precisa urgentemente comprar aquele kit tabajara de massagear o dedão do pé ou um utensílio de cozinha que deixa seu ovo cozido quadrado, realmente está faltando sentido na sua vida.
A classe média especialmente tem obsessão em acumular bens de consumo sem perceber, como diz Robert Kiyosaki, autor de Pai Rico, Pai Pobre, que acumular bens de consumo não deixa ninguém rico. Rico investe em ativos, coisas que lhe rendem dinheiro. Pobre compra carro, casa, chácara, moto, cavalos, coisas que lhes tiram dinheiro.
Essa obsessão por consumir a longo prazo também será a causa da nossa ruína. Imaginem Brasil, Índia e China consumindo como americanos. Ou nos matamos todos ou matamos o planeta antes. Um ocidental médio consome hoje 350 vezes mais energia do que há 200 anos atrás. Sem necessariamente viver melhor por causa disso, ou alguém acha que temos mais tempo livre hoje do que nossos avós tinham?
João Pereira Coutinho uma vez escreveu que seria possível viver com 100 objetos essenciais. Um artista japonês que esculpia móveis em toras de madeira disse uma vez que só compensava derrubar uma árvore para fazer um móvel se este durasse tanto tempo quanto a árvore duraria. Minha ambição maior é a de poder viver mais, consumindo menos porém melhor.

Friday, October 23, 2009

Acedia


A preguiça é o pior dos meus pecados. Mesmo porque inconscientemente não admitimos que ela seja assim tão grave. Mas é.
E enquanto outros pecados são mais facilmente mantidos sob controle ou dissimulados por regras de convivência em sociedade desenvolvidas em séculos de história, a preguiça não. A preguiça passa desapercebida.
Não falo dessa preguicinha de deitar na rede depois do almoço, ou de acordar às onze no domingo. Ou a preguiça de lavar a louça, e ir buscar tomates no supermercado.
A preguiça capital é aquela que me acomete todos os dias de manhã, quando penso que tenho que levantar para enfrentar este mundo imundo.
Penso em todos os que desperdiçam as vidas em trabalhos tediosos, penso que naquele dia os políticos vão estar mentindo e roubando de novo, os traficantes estarão matando de novo enquanto um outro maconheiro vai comprar outro baseado de novo, que em uma guerra qualquer crianças estarão morrendo de novo, e que alguma conta para pagar vai chegar de novo. Então eu penso porque não me amarrar e morrer aqui nessa cama?
Acedia vem do grego e significa recusa em se encarregar de uma tarefa. São Tomás de Aquino a definia como um mal-estar da mente, Dante como o pecado de não amar a Deus completamente, de corpo e alma. Ele está certo porque sem sair da cama fica meio difícil fazer o trabalho de Deus. Eu acho que é covardia pura e simples, e por isso mesmo o pecado que devo combater mais decididamente. Então todo dia penso em uma razão para levantar da cama, não sem antes cair em tentação, dar aquele tapa no despertador e dizer “só mais cinco minutinhos”.

Ira


Eu tenho esse sonho recorrente onde quero dar um soco e meus braços estão paralisados, quero gritar e minha voz não sai. Talvez seja meu subconsciente expressando uma ira reprimida durante o dia.
Nietzsche comparava o homem vivendo em civilização a um animal enjaulado. As regras desse contrato social que assumimos para assegurar a sobrevivência da espécie seriam as grades segurando os impulsos primitivos do homem animal.
Lembrei disso quando contei que precisava conter meus instintos animais toda vez que entreva em uma repartição pública. Tivesse eu nascido há alguns séculos atrás estaria decapitando funcionários a golpes de machado. Jogando óleo quente sobre centrais de telemarketing. Espancando fãs dos Backstreet Boys.
Todos temos esta besta-fera dentro de nós. É talvez por isso que seja tão reconfortante ver Tarantino escalpelando nazistas no cinema. Ou o capitão Nascimento fuzilando traficantes.
Felizmente não evoluímos por nada, não é mesmo? Segundo o livro a Cabeça do Brasileiro de Alberto Carlos de Almeida, idéias como pena de morte e linchamentos são mais comuns entre as parcelas menos educadas da população, aquelas que a esquerda diz ter os caminhos da verdade. Conter nossa ira significa ter um pouco mais de confiança em nossos semelhantes, o que é uma grande virtude. Mas que dá às vezes algum arrependimento.

Gula


Quando Lula lançou com estardalhaço o Programa Fome Zero, o IBGE acabou com sua graça dizendo que a obesidade era um problema mais comum entre os brasileiros do que a fome.
De fato brasileiro come demais, fato constatado com espanto por qualquer turista que passe por aqui, exceto os americanos que têm com a junk food um problema muito mais grave do que o nosso. Aqui no Brasil, no meu ponto de vista, o problema é que comer passou de necessidade básica a opção de lazer entre os brasileiros. Durante a semana saímos da cama para o carro, para a cadeira, de volta ao carro, ao sofá e de volta à cama. E o que vamos fazer no fim de semana? Passear de bicicleta no parque? Remar na lagoa? Visitar algum sítio histórico? Ir ao museu? Não, vamos fazer um churrasquinho com bastante cerveja, uma macarronada, comer uma pizza, ir no boteco e pedir aquela porção de calabresa acebolada... E depois aquela torta de brigadeirão e um sundae de caramelo. O segundo problema é confundir quantidade com qualidade. E assim chegaremos logo logo onde estão os americanos hoje. E quanto mais obesos ficamos, mais se proliferam as dietas maravilhosas e aquelas câmaras de tortura conhecidas como academias de ginástica. Pensando bem a gula é o grande motor da economia nacional. Pense em tudo o que você gasta de comida no supermercado, em restaurantes e depois assinando a Boa Forma e pagando aquela aula de Pilates.
E muito embora na última década as academias tenham se espalhado pelos bairros, a obesidade, tanto aqui como nos EUA não diminuiu. A Time publicou uma reportagem investigando o que se chama de efeito compensatório. Para o guloso, cinco minutos a mais de esteira são suficientes para que ele alivie sua consciência descontando o esforço na lanchonete mais próxima. Ou seja, quanto mais exercícios fazemos mais nos sentimos liberados para o pecado.
Minha humilde sugestão é que passemos pois a caçar o almoço e a janta, como faziam nossos esbeltos ancestrais. Entraríamos todos em forma e nossa gula seria aí plenamente justificada.

Luxuria


Segundo o coronel Frank Slade, personagem de Al Pacino em Perfume de Mulher, entre as pernas de uma mulher está o passaporte para o paraíso. Já o diabo de Roberto Begnini, em o Pequeno Diabo, achava que ali estava a fonte de toda a sua energia.
Sexo é dos nossos instintos animais talvez o mais poderoso. Para o bem e o mal. Não é à toa que sexo é usado hoje em dia para vender de carros a cigarros. E a gente ainda cai nessa armadilha. A “adult entertainment industry” nos Estados Unidos fatura 13 bilhões de dólares por ano. Google? Adivinhem a palavra mais procurada? Pois é.
Os moradores da minha república de estudantes uma vez assinaram um canal pornô 24hs por dia (no meu tempo não tinha disso, foi depois que eu formei). Depois de duas semanas ninguém mais agüentava assistir aquilo. Um deles me explicou: é tudo igual vai aqui, vai ali, na frente, atrás, na cara...o basicão é esse aí...”. Uma vez ouvi um piscólogo dizer que pornô é como pimenta ou nicotina, a cada vez a dose precisa ser mais forte para fazer o efeito. Comparado com os filmes de hoje, Garganta Profunda é quase um programa infantil.
E falando nisso, o efeito mais perverso da revolução sexual, nascida com Kinsey e seu esquadrão de perturbados e pedófilos, está justamente na educação sexual que governos delinqüentes (todos liberais) querem impor às nossas crianças sob o pretexto de prevenir doenças. Há uma entrevista interessantíssima da psiquiatra Miriam Grossman à Kathryn Lopez da National Review sobre o assunto. Segundo a psiquiatra, a última zona do cérebro a se desenvolver é a do córtex pré frontal, a zona da razão, do julgamento, do planejamento, que só está madura lá pelos 30 anos. Adolescentes sabem perfeitamente que isso naquilo dá gravidez, e no entanto não assimilam os riscos e conseqüências. O mesmo se dá em relação ao uso de preservativos e pílulas, distribuídos pelas nossas escolas. Os grupos que decidem as políticas de educação sexual na verdade não estão nem um pouco interessados em prevenir doenças, e sim em mudar a concepção moral da sociedade tornando-a tolerante a qualquer tipo de comportamento sexual. Depois se espantam quando um trio de adolescentes de 13 anos é pego fazendo sexo no banheiro da escola como aconteceu recentemente em Curitiba. Há um tempo atrás na Holanda, paraíso dos liberais, foi formado um partido político cuja plataforma era a legalização da pedofilia.
Nossa juventude merece mais que isso. Quanto aos adultos, para mim, o que quer que façam entre quatro paredes (excluindo crianças e animais) é problema deles.

Tuesday, October 20, 2009

Little Wheel

A little fun:
Little Wheel
Little Wheel

Twitando


Tô twitando...
Sô feio mas tô na moda.
http://twitter.com/fms75

Monday, October 19, 2009

Mmm...Gumbo?


Room Eleven é uma banda que começou com um anúncio no mural do Conservátorio de Música de Utrecht, na Holanda. Fizeram a primeira apresentação em 2004 e lançaram em 2006 o primeiro álbum: Six White Russians and a Pink Pussy Cat.
O disco que eu comprei por acaso em uma lojinha de maluco em Utrecht virou um dos meus all-time favorites.
Agora veio o segundo disco, Mmm...Gumbo? com uma mistura ainda mais bacana de jazz, folk e soul.
Apesar de eu ainda não ter conseguido o cd, algumas músicas dá para se ouvir aqui no youtube:

Lovely Morning
Stronger
Hey, hey, hey
Note on the door
Lalala Love

Room Eleven virou definitivamente minha banda preferida. E ainda por cima tem essa gracinha chamada Janne cantando.

http://www.roomeleven.nl/news

Inglourious Basterds


Poderia ter sido um faroeste, mas o Inglourious Basterds é sobre um grupo de soldados judeus a serviço da OSS que entra na França ocupada para aterrorizar soldados nazistas.
Cada cena é irresistível, e mesmo uma conversa em uma mesa de restaurante não tira a tensão e o humor do ar. Cada ator também dá seu show especial, incluindo o caipira escalpelador de Brad Pitt, a espiã de Diane Kruger que nunca atuou tão bem, e especialmente o austríaco Christoph Waltz que faz o SS Hans Landa numa performance de roubar a cena.
Uma conhecida disse que assistiu o filme em um cinema de Higienópolis, tradicional bairro judeu de São Paulo. Segundo ela a platéia foi ao delírio e aplaudiu de pé no final.
Em Atonement, livro de Ian McEwan e filme de Joe Wright, a personagem usa a literatura para expiar seus pecados, Tarantino usa o cinema (literalmente no final) para mudar a história e aplacar nossa sede de vingança pelo Holocausto, e é genial no que faz.

Doutzen Kroes

Atendendo a pedidos, e para os leitores esquecerem a foto do Zelaya sem camisa, aí vai uma palhinha de Doutzen Kroes no desfile da Victoria Secret.
Doutzen Kroes é a melhor obra prima produzida pela Holanda desde o último Rembrandt:

Friday, October 16, 2009

Reforma urbana


Minha visita a Belo Horizonte tem a ver com a questão da reforma agrária no Brasil. Mais detalhes em breve.
Mas visitando a cidade, e com a notícia da pesquisa do Ibope encomendada pela CNA, uma reflexão me ocorreu. Belo Horizonte, assim como São Paulo, o Rio, Porto Alegre e outras metrópoles brasileiras têm prédios interessantes, alguns belíssimos. O casario dos antigos bairros nobres são ecos de um tempo passado de fausto e riqueza. Mas a cidade sofre de um mal inerente às grandes aglomerações urbanas, o inchaço. As favelas são evidentes nos morros, o centro se torna decadente, sujo e mal cuidado e a violência urbana prolifera. Aqui e ali existem ainda trabalhos de recuperação do patrimônio e preservação da arquitetura, mas as coisas estão longe de ser o que foram um dia.
O resultado disso é a privatização dos espaços urbanos, com shoppings, prédios residenciais e condomínios fechados. Alguns brasileiros com quem convivi na Europa achavam absurdo um país como a Holanda por exemplo não ter shoppings como os que haviam em São Paulo, ou condomínios e prédios com piscina, academia e essas coisas.
O que parece ser um sinal de desenvolvimento no Brasil é ao contrário, um símbolo de nosso atraso. A Holanda não precisa de shoppings porque o centro das cidades é limpo, bonito, arrumado, preservado e ninguém corre o risco de ser assaltado enquanto faz compras. Não há condomínios fechados porque os bairros residenciais são limpos (exceto os de imigrantes), iluminados, seguros, ajardinados.
Essa privatização do espaço urbano brasileiro é um sinal inconteste da incompetência do Estado.
Agora diriam que o inchaço das metrópoles é fruto do êxodo rural. Para responder a isso recorro a um texto de Diogo Mainardi:
"A reforma agrária se tornou um instrumento arcaico, contraproducente. O Brasil precisa de uma agricultura de larga escala, mecanizada e exportadora, não de culturas de subsistência. Nesse sentido, o governo deveria limitar-se a decuplicar os impostos sobre terras improdutivas. Os candidatos conseguem seduzir a classe média com o argumento preconceituoso de que a reforma agrária pode contribuir a fixar os brasileiros no campo, impedindo que as massas de miseráveis migrem para as cidades. Só que o problema do país não é o excesso de migrantes, e sim a falta de cidades. Mais de 30% das cidades brasileiras não têm bancos, e mais de 90% não possuem cinemas. Ou seja, não são realmente cidades, mas meros currais eleitorais. O Brasil necessitaria de uma reforma urbana, não de mais hortas de feijão. A urbanização é a única garantia de empregos e mobilidade social".
Resumindo, o Brasil não precisa de uma reforma agrária, precisa de uma reforma urbana. Precisa fazer com que as pequenas cidades do interior se desenvolvam, atraiam indústrias, fábricas, tenham agências bancárias, hospitais (o estado de Mato Grosso do Sul inteiro vem se medicar em Campo Grande por exemplo) e obviamente escolas e saneamento básico.
O que faz uma cidade mixuruca se desenvolver? Infra estrutura. É nisso que o dinheiro mal gasto da reforma agrária deveria ser aplicado.
Pela pesquisa da CNA, 46% dos beneficiados com o Programa da Reforma Agrária já vendeu suas terras (o que é ilegal diga-se de passagem), 37% não produz rigorosamente nada, 10% não produzem o suficiente nem para a família e 24% produzem o suficiente só para a família.
A reforma agrária brasileira é um mito, é um escancarado desperdício de dinheiro público. Só quem se beneficia com ela é a chefia do MST, um bando de delinquentes que excreta uma ideologia assassina a uma multidão de miseráveis em troca de poder.