Friday, November 28, 2008

Santa Catarina


"Ninguém é tão pobre que não possa ajudar e nem tão rico para nunca precisar de ajuda"
Madre Teresa de Calcutá

Thursday, November 27, 2008

Banania


Podcast do Diogo Mainardi:

"Pense um minutinho só: o que aconteceria se Lula mudasse a lei para favorecer diretamente, digamos, a Andrade Gutierrez, maior doadora de sua campanha presidencial? Pense um minutinho só: o que aconteceria se Lula aparelhasse a Anatel para, digamos, autorizar um negócio nebuloso da Oi, que encheu seu filho de dinheiro, comprando sua empresa de fundo de quintal? Eu sei perfeitamente o que aconteceria: a esta altura, a gente já estaria nas ruas, com o rosto pintado de preto, denunciando o descarado conflito de interesse do presidente da República e pedindo uma CPI no Congresso Nacional, porque um abuso desses só poderia ser admitido num regime arbitrário como o da Somália ou do Zimbábue, e o Brasil é infinitamente mais legalista e ordeiro do que uma Somália ou um Zimbábue. De fato, algo assim jamais se verificaria entre nós."
Y'a bon...

Another Way to Die



Atração à parte em Quantum of Solace foi a insólita união de Alicia Keys e Jack White na música tema.
Na verdade Amy Winehouse tinha sido convocada para compor uma canção para o filme , e foi dispensada pelos produtores porque como todos sabemos, a mulher não pára em pé.
Alicia e Jack deram conta do recado e o resultado é eletrizante.

Quantum of Solace


Levei minha esposa assistir o último James Bond. Eu gostei, ela não. Há algumas coisas que as mulheres nunca vão conseguir entender, 007 é uma delas.
Boys will be boys eu diria. Todo homem quer no fundo SER James Bond. Trabalhar no serviço secreto, dirigir os melhores carros, viajar para lugares exóticos, conquistar as mulheres mais lindas do mundo (neste filme as imperdíveis Olga Kurylenko como Camille e a boneca inglesa Gemma Arterton como Strawberry Fields), e o melhor de tudo, dar pancada em bandido e ter licença para matar. How cool is that?
James Bond está hoje em melhor forma do que nunca. Casino Royale promoveu uma Bond renaissance com Daniel Craig, agora concretizada com Quantum of Solace.
O novo Bond está muito mais próximo da imagem de matador frio idealizada por Ian Flemming do que seus predecessores. E muito melhor.
As figurinhas folclóricas de Monneypenny e Q por exemplo sumiram. Acabaram as piadinhas sem graça. O humor de Craig é muito mais curto e grosso, e nem por isso menos sofisticado.
Acabaram os brinquedinhos fictícios que Q inventava para Bond do tipo relógio com laser, óculos com raio X ou anel utrassônico. O que não quer dizer que seus brinquedinhos não existam nos filmes, mas são extremamente reais. E agora, Bond tem que se safar de seus apertos na pancadaria mesmo. Obviamente ele está sempre mais sujo de sangue, suado e despenteado do que Sean Connery ou Roger Moore que nunca puseram as mãos na massa de verdade. A perseguição a pé nas ruas e telhados de Siena na primeira parte do filme é simplesmente magistral.
Os vilões também não são mais aqueles malucos com algum distúrbio físico como diamantes na cara, bala no cérebro ou dentes de aço armando grandes esquemas para dominar e/ou destruir o mundo. Tudo bem que o sorumbático Le Chiffre de Casino Royale chorava umas discretas lágrimas de sangue, mas o Dominic Greene de Quantum of Solace só é desprezível. E seu único objetivo é mesmo ganhar dinheiro.
É emblemático também que Greene, o vilão do filme, seja um ambientalista presidente de uma poderosa ONG que compra terras ao redor do mundo com apoio de políticos e banqueiros internacionais. É emblemático também que o cenário do filme seja a Bolívia, cujo governo Greenne planeja derrubar em prol de seus negócios. É tão plausível que lemos nos jornais muitas vezes coisas parecidas.
Alguém se lembra de Johan Eliasch, o bilionário anglo-sueco dono de 160 mil hectares na Amazônia e presidente da ONG Cool Earth? Pois é, é o mesmo que foi flagrado exportando madeira ilegal e que desmente que suas terras sejam na verdade propriedade do governo brasileiro. E o que dizer das ONG´s que apóiam a criação de uma nação indígena no Mato Grosso do Sul em cima do Aquífero Guarani? É quase o mesmo plano criminoso de Quantum of Solace, dominar suprimentos de água para governos subservientes.
Enfim, o novo Bond, implacável e quase descontrolado de Casino Royale se transformou em um 007 completo desta vez. E salvou o mundo mais uma vez.
E eu da próxima vez que for no cinema vou ter que assistir uma comédia romântica água com açúcar. Bond nunca passa por essas situações.

Wednesday, November 26, 2008

Da série Grandes Slogans Piracicabanos



Caninha Tatuzinho
É veludo no gogó!

Escola sem Partido II


Imperdível a entrevista da antropóloga Eunice Graham nas Amarelas da VEJA.

"As faculdades de pedagogia formam professores incapazes de fazer o básico, entrar na sala de aula e ensinar a matéria. Mais grave ainda, muitos desses profissionais revelam limitações elementares: não conseguem escrever sem cometer erros de ortografia simples nem expor conceitos científicos de média complexidade."

"Eles confundem pensamento crítico com falar mal do governo ou do capitalismo. Não passam de manuais com uma visão simplificada, e por vezes preconceituosa, do mundo."

"Em vez de aprenderem a dar aula, os aspirantes a professor são expostos a uma coleção de jargões. Tudo precisa ser democrático, participativo, dialógico e, naturalmente, decidido em assembléia. "

"Eles (professores) são corporativistas ao extremo. Podem até estar cientes do baixo nível do ensino no país, mas costumam atribuir o fiasco a fatores externos, como o fato de o governo não lhes prover a formação necessária e de eles ganharem pouco. É um cenário preocupante. Os professores se eximem da culpa pelo mau ensino – e, conseqüentemente, da responsabilidade. Nos sindicatos, todo esse corporativismo se exacerba."

Johnny Mad Dog



Trecho de documentário produzido por Mathieu Kassovitz sobre o inferno das crianças-soldado da Libéria. Algo que se repete em lugares como o Darfur e o Congo e que não vai acabar tão cedo. Essas vidas estão arruinadas para sempre.

Contagem regressiva


Chávez disse que ganhou, mas na verdade perdeu as eleições regionais na Venezuela. As cidades mais ricas e povoadas que representam 44% da população, incluindo Caracas, serão governadas por opositores do seu regime.
O Chapolín Colorado e sua revolução bolivariana conseguiu fazer da Venezuela um dos países mais pobres e violentos do continente. Sem liberdade de imprensa, sem nenhuma confiança de investidores, a única coisa que sustenta a ditadura chavista é o petróleo.
Aliás, o petróleo em países de terceiro mundo tem sido mais uma maldição do que uma benção, fonte de corrupção generalizada e centralização do poder. Vide Angola, Nigéria, Sudão e todos os países árabes. Difícil achar uma democracia por ali. E o pior é que sustentam suas economias com as exportações de óleo, e isso não é de hoje.
Isabel Allende conta em seu livro Paula o que sentiu quando chegou à Venezuela, fugindo da ditadura de Pinochet nos anos 70. Em contraste com a austeridade chilena, dizia, os venezuelanos que boiavam em petróleo viviam em uma farra consumista. O país importava de tudo, de carros a ovos, e enquanto os adultos se divertiam em viagens de compras a Miami as crianças consideravam ir à Disney uma vez por ano como um direito natural.
Chavez perdeu a oportunidade que teve de transformar seu país. Quer dizer, transformou mas para pior. A Venezuela continua importando de carros a ovos.
E com o preço do barril descendo de 100 para 50 dólares, o povo começa a perceber que o bufão está nu. E a contagem regressiva para seu triste fim começa. Se ele tiver sorte vai um dia ainda poder ser porteiro de boate gay, como sugeriu Arnaldo Jabor. O mais provável é que acabe linchado pelos próprios venezuelanos.
O que resta ao palhaço é tentar impressionar o resto do mundo brincando de batalha naval com seus amigos russos nas águas do Caribe.

Sunday, November 23, 2008

Escola sem Partido


A Veja já publicou, Reinaldo Azevedo já denunciou, Ali Kamel já falou, mas ainda são poucos, muito poucos, os que se dão conta da enorme doutrinação esquerdista em prática nas escolas públicas e privadas do país.
Eu mesmo adorava geografia quando criança. Queria saber nomes de rios e cordilheiras. Curiosamente nunca aprendi isso em aulas de geografia. Os professores estavam mais preocupados com os problemas sociais e a consciência crítica dos alunos. É por isso que é acada vez mais difícil achar um energúmeno na rua capaz de apontar nosso continente no mapa.
Dificilmente haverá maneira mais eficiente de se manipular uma massa imensa de mentes ainda imaturas do que usando a rede de educação primária.
A verdade é que a educação é uma arma muito poderosa para poder ser usada assim deliberadamente por grupos interessados em pregar uma determinada versão da história, sejam eles comunistas, militares, creacionistas ou seja lá o que for. Aliás eu não sei quem inventou a idéia de que a educação deve ser uma prerrogativa do Estado.
É uma idéia demasiadamente perigosa. A mente de seus filhos nas mãos do governo. Aarrgh.
O que é mais incrível é que no Brasil, se você quiser educar seus filhos em casa, pode ser acusado de negligência parental.
E por mais que a humanidade tenha se desenvolvido, a maioria das pessoas não conseguiria ler hoje livros que eram lidos há cem anos atrás por considerá-los demasiadamente complicados. Aliás, apesar do grande acesso a escolas, a grande maioria da população não consegue nem interpretar um texto.
Bem, na vida de hoje, os pais querem mesmo é se livrar dos filhos ao menos por um período do dia. E esperam que os filhos estejam aprendendo alguma coisa. Só que aqui no Brasil pelo menos, eles não tem idéia do que os filhos estão aprendendo.
A estratégia da doutrinação foi bem usada, não só no Brasil como no resto do mundo, e o resultado desastroso é o que Olavo de Carvalho chama de padronização da opinião pública.
O triângulo academia-imprensa-show business que ocupa todo o espaço na mídia foi dominado, com raras exceções, pelo esquerdismo militante. É o sonho de Antonio Gramsci tornado realidade. Do aquecimento global a Barack Obama, visões divergentes daquela divulgada pelo beautiful people desse triângulo são descartadas como fruto de conspirações, delírios, racismos e reacionarismos.
É uma bola de neve, a universidade contamina a escola, a escola forma os profissionais que vão ocupar o espaço da mídia, a mídia padroniza a informação segundo a doutrina recebida na escola.
Livros, livros e mais livros neles.
Por uma escola sem partido!

Cassandra


A lenda grega conta que Cassandra, filha do rei Príamo de Tróia, ao ceder seus amores ao deus Apolo, pediu em troca o dom de prever o futuro. O deus, que pelo visto não gostou tanto assim do serviço concedeu o dom junto com uma maldição. Cassandra seria capaz de prever o futuro, mas nunca ninguém acreditaria nela. Quando seu irmão Paris sequestrou a bela Helena e começou a guerra contra os gregos, Cassandra previu a queda de Tróia, mas, tida como louca pelos compatriotas, ninguém a escutou.
O programa tegenlicht da televisão holandesa produziu um excelente documentário sobre o Crash econômico de 2008, usando declarações de personalidades do mercado como Jim Rogers, o Indiana Jones dos investimentos segundo a Times, o economista italiano Marco Vitale, o economista chefe do Morgan Stanley Stephen Roach, o investidor Peter Schiff e o banqueiro Charles R. Morris.
Todos são Cassandras que anos atrás já previam a crise de 2008.
Stephen Roach já via a bolha imobiliária prestes a estourar, Marco Vitale falava da Parmalat não como um caso isolado, mas como a ponta de um iceberg podre no mundo das finanças, como se veria depois com a Enron, Worldcom e outras.
Um amigo que participou de um road show de apresentação para a abertura de capital de uma grande empresa brasileira me contou como funcionava. Eles desciam em Nova Iorque em vans pretas, indo de um banco a outro, de um fundo de investimento a outro, contavam o que faziam e perguntavam quantas ações eles iam querer comprar.
Em um certo fundo de pensão por exemplo, com capital equivalente ao dobro do PIB brasileiro, uma garota de uns 30 anos comprou 100 milhões de dólares em ações como se estivesse comprando bala jujuba na quitanda.
É como diz um dos entrevistados no documentário, esses jovens ganham milhões por ano, negociam milhões na bolsa, e acham que aquilo tudo ali que eles estão vivendo, aquele cassino, é perfeitamente normal. empresas ganhavam bilhões no mercado financeiro sem que ninguém soubesse exatamente de onde vinha aquele dinheiro todo. em outubro de 2007 o CFO do Citibank declarou não saber o valor da própria empresa porque todo o dinheiro que eles tinham estavam em investimentos que ele não entendia. Pessoas estavam vivendo acima dos próprios meios, gastando mais do que ganhando. Bem, não era normal como estamos vendo agora. A exuberância irracional acabou no fundo do poço.
O documentário alerta para a globalização do capital, e também para a influência do big business na política americana, e a promiscuidade entre política e negócios, cujo exemplo mais óbvio é o Carlyle Group.
O mundo hoje critica a maneira como os Estados Unidos querem exportar ao mundo suas idéias de democracia e livre mercado. Mas agora quem vai dar uma de Cassandra sou eu.
O ano de 2008 para mim será o início de uma nova e lamentável era.
A eleição de Barack Obama foi o momento em que os americanos deixaram de ser America, para se tornarem Latino America. Invertendo o lema de São Paulo, em vez de conduzirem, escolheram ser conduzidos. Escolheram um guia, um messias, um Peron. Em 2008, os Estados Unidos se tornaram oficialmente uma Banana Republic.
Ao mesmo tempo, a crise financeira deslocou o eixo econômico do planeta de Wall Street para o Oriente, mais precisamente para a China, e isso é o que Jim Rogers também fala.
A crise vai passar, as coisas vão se ajustar, mas 2008, o ano das olimpíadas de Beijing será o ano em que a China tomará as rédeas do planeta.
E todos aqueles anti-americanistas que hoje reclamam da onipresença ianque no planeta se arrependerão profundamente de um dia ter odiado os Estados Unidos.
Porque, meninos e meninas, na hora em que a China decidir exportar a sua visão de mercado e de democracia, o mundo vai ver o que é bom para tosse.
O programa Tegenlicht é em grande parte em inglês, e está aqui nesse link (crash 2008):
Dank je Remco.

Saturday, November 22, 2008

Obama Rising


Barack Obama’s election as the most powerful man on Earth has been interpreted as a historical mark for the United States and, why not, for the world.
He was not only an American candidate, but the world candidate. His election was celebrated in Europe, in the Middle East, in Latin America, and of course in Brazil. The world was indeed tired of Mr. Bush policies.
But who is Barack Obama?
Two years ago nobody knew anything about Barack Obama. Until now, we still don’t know much about Barack Obama.
We know something about his multicultural life history. We know he is a senator for Illinois. We have heard his speeches about change. But really, who is that guy?
Before answering that, there is an interesting phenomenon about the American election campaign to be discussed. Something we knew here in Brazil, but we didn’t believe it was possible in the US.
That phenomenon is called the end of journalism. Victor Davis Hanson wrote um article with this same exact title for the National Review. As he says:
"The media has succeeded in shielding Barack Obama from journalistic scrutiny. It thereby irrevocably destroyed its own reputation and forfeited the trust that generations of others had so carefully acquired. And it will never again be trusted to offer candid and nonpartisan coverage of presidential candidates. Worse still, the suicide of both print and electronic journalism has ensured that, should Barack Obama be elected president, the public will only then learn what they should have known far earlier about their commander-in-chief — but in circumstances and from sources they may well regret."
Obama was shielded the same way president Lula was shielded in Brazil when corruption scandals started to multiply in his administration.
The press had plenty to accuse him. They could have pointed out the way he mixed power and party, the suspicious enrichment of his son, the lobby activities of his brother, the assassinations of some of his party members, his alleged ignorance of the dirty money scheme of his own party and the dangerous liaisons of his party, the Workers Party with Latin America narco-terrorists. But not a single accusation touched him.
Why the press did protect him that much?
We have in Brazil something that can be called the leftist axis: press-university-show business. It has been dominated by leftist ideology since the 60’s. It’s Antonio Gramsci’s dreams come true.
Of course they couldn’t accuse Lula of anything, he was one of them. A man of the people, a worker that had become president.
Lula was cherished by intellectuals, artists and journalists as the man who would heal Brazil’s huge social gap.
In the United States, the axis worked in the same way. Obama had Hollywood, press and intellectuals all by his side.
Larry Rother, a long time correspondent of the New York Times in Brazil just released a book with his best stories for the NY Times. Rother was almost expelled of Brazil when he wrote about president Lula’s drinking habits. Rother was a good observer of what was happening in Brazil during the Lula years. Curiously, his newspaper wasn’t able to do the same in the US, when the subject was Barack Obama.
Investigating Obama’s past and also dangerous liasons was immediately dismissed by the press as a demonstration of racism of the wasp America. By instance, where did all that money from Obama’s campaign come from?
Likewise, investigating Lula was an act of reactionaries from the elites that ruled Brazil for five hundred years.
Melanie Philips, in her blog at the British magazine The Spectator wrote about Obama’s election: “this is a watershed election which changes the fate of the world. The fear however is that the world now becomes very much less safe for all of us as a result. Those of us who have looked on appalled during this most frightening of presidential elections – at the suspension of reason and its replacement by thuggery -- can only hope that the way this man governs will be very different from the profile provided by his influences, associations and record to date.”
The silence of a press moved by ideological believes is however only a symptom of a much bigger issue.
Obama’s election represents the end of one ideal. An ideal born with that very Nation. An ideal conceived by the enlightened hearts and brains of America’s Founding Fathers, the ideal that every man shall be free to pursue his own happiness.
When McCain and Obama met Joe the Plumber, McCain talked about distributing opportunities. Obama talked about distributing money. Americans chose Obama.
Before, Americans always did their own thing, their business, their work, they didn’t care much about politics.
Now they want a saviour, a Messiah, someone to take from the rich and give to the poor. They want a European like super-state to take care of them, to tell them what to do, to make them happy.
That’s also the way Lula thinks. That’s the way every leftist liberal thinks. That´s the way to make individuals less individuals, an more herd like. A source of disaster.
The behaviour of the press, and the election of Obama makes the United States less American, more Latin American.
United States, in 2008 became an official Banana Republic.
And in 2008, the world saw the Olympic Games in Beijing and the worst economic crisis since 1929. It’s not a coincidence; it’s just the beginning of a new Era.
United States is no longer the headlight of the planet.
Obama rising, is China rising. Unfortunately.

Mission Impossible



Estou meio heavy metal hoje...

Thursday, November 20, 2008

Colabore com Lula: Faça dívidas


Do blog do Reinaldo Azevedo:

Seja um patriota! Faça dívidas!Todo mundo tem de colaborar, né? Se a gente não sair por aí comprando, endividando-se, aproveitando os juros camaradas que nos são oferecidos, vai acontecer o quê? Segundo Lula, vem o desemprego.
O credito consignado — ah, sim, reconheço a sua importância para a economia —, se bem pensado, já é um expediente só permitido porque muitos dos nossos “juristas” têm sono — quando não têm preguiça. E a razão é simples, vinda do mais límpido pensamento liberal: se o cara quer vender sem risco, que vá tomar suco de laranja. Mas aí os pragmáticos pensaram: “Gente, com menos risco, cai a taxa de juros, mais gente tem acesso a crédito, a economia anda”. É, eu sei. Nem tudo o que é bom para a economia é bom para as liberdades. Qualquer sistema que elimine o risco de vender e a recompensa ou punição para quem cumprir/não cumprir o contrato na forma da dívida contraída é uma porcaria. Parece mais cartório do que capitalismo. Adiante.
Depois do crédito consignado, poderiam inventar o crédito obrigatório, não é mesmo? Um brasileiro que não está endividado, que está guardando dinheiro no banco, fazendo poupança, não passa de um rematado canalha, de um insensível, de um conspirador. Um homem sem dívida é um sabotador do governo Lula.

Wednesday, November 19, 2008

Ordem no galinheiro


Uma galinha põe um ovo de um quilo.
Jornais, televisão, repórteres... Todos atrás da galinha.

- Como conseguiu esta façanha, Sra. Galinha?
- Segredo de família.
- E os planos para o futuro?
- Pôr um ovo de 2 quilos !

As atenções se voltam para o galo.

- Como conseguiram tal façanha, Sr. Galo?
- Segredo de família.
- E os planos para o futuro?
- Encher o avestruz de porrada

3 historinhas de Steve Jobs


http://video. google.com/ googleplayer. swf?docid= -382759589701637 8253&hl

Pela semana nacional do empreendedorismo.

Conan resolvendo pendências


Then come you forward Northman, for in my land...
...Men settle their quarrels like men!

Tuesday, November 18, 2008

Minha vida de bárbaro


Nietzsche comparava o homem vivendo em civilização a um animal enjaulado. As regras desse contrato social que assumimos para assegurar a sobrevivência da espécie seriam as grades segurando os impulsos primitivos do homem animal.
O bigode estava certíssimo. Não sei como é com vocês, mas eu tenho um bárbaro reprimido em mim, que volta e meia me assombra os pensamentos.
Às vezes por exemplo, em uma reunião chata, eu me imagino como Conan, no trono da Ciméria, entediado e irritado com a corja de ratos e aduladores que lhe cerca, torcendo por uma batalha.
Aquela garota linda que olhou para você no bar como se você fosse um mendigo? Imagino logo a porretada na cabeça, arrastando-a pelos cabelos até a caverna.
Pitboys que gostam de bater em empregadas? Escalpelados, dentes quebrados, membros arrancados a fio de espada.
Aquele porteiro que se acha o dono do prédio? Degolado.
O tiranete que puxa saco do chefe e destrata os empregados? Impalado.
O vendedor que te enganou? Arranco-lhe a pele com uma faca enferrujada e sem fio.
Mas se há um momento em que o bárbaro quer mais sair de sua prisão, é quando entro em uma repartição pública. Depois de passar horas em filas, guichês, bancos e cartórios.
Ah, destruindo aquelas escrivaninhas baratas a golpes de machado, esmagando crânios com uma clava de pregos, fazendo cabeças rolar na ponta da espada, violentando suas mulheres e filhas, queimando suas casas, jogando sal nas cinzas, arrastando seus cadáveres esquartejados pelas ruas, amaldiçoando seus antepassados, comendo seus fígados crus arrancados a golpes de punhal. E então rir de tudo bebendo cerveja na caveira dos vencidos.
Infelizmente nasci no século, ou no milênio errado.
Nasci entre as grades dessa jaula.
E meu bárbaro interior na verdade se transformou em uma gastrite crônica.
E a maior conquista da civilização para mim é omeprazol.

Monday, November 17, 2008

Sertanejos


Eu faço orgulhosamente parte de um setor de negócios que nas últimas duas décadas salvou a balança comercial brasileira, reverteu o êxodo rural e trouxe desenvolvimento e progresso para as fronteiras agrícolas do país.
Se antes o campo representava atraso, hoje é a força motora da economia nacional. Não é por menos que na semana passada a Bovespa andava por aqui ensinando aos fazendeiros como investir em ações e a usar o mercado futuro de commodities.
O agronegócio não representou uma transformação puramente econômica no interior do país, mas toda uma mudança cultural perfeitamente visível na música sertaneja.
Tristeza do Jeca de Angelino de Oliveira por exemplo é a música daquele caipira clássico de Monteiro Lobato, triste e morando na palhoça:

Eu nasci naquela serra
Num ranchinho beira chão
Todo cheio de buraco
Onde a lua faz clarão

E continua:

Lá no mato tudo é triste
Veja o jeito de falar
Pois o Jeca quando canta
Dá vontade de chorar

Com o progresso chegando, as músicas falam do boiadeiro triste que vê seu mundo desaparecer, como Triste Berrante cantada por Pena Branca e Xavantinho:

Mas sempre foi assim e sempre será
O novo vem e o velho tem que parar
O progresso cobriu a poeira da estrada
Esse tudo que é o meu nada
Eu hoje tenho que acatar e chorar
E mesmo tendo gente e carro passando
Meus olhos estão enxergando uma boiada passar

O sertão é um lugar idílico, que por força maior teve que ser abandonado. O caipira que troca o campo pela cidade se arrepende e morre de saudades do sertão. Está em Luar do Sertão de João Pernambuco:

Ó, que saudade do luar da minha terra
Lá na serra branquejando folhas secas pelo chão
Esse luar lá na cidade tão escuro
Não tem aquela saudade
Do luar lá do sertão

E em Saudades da Minha Terra, de Goiá e Belmonte:

Por nossa senhora,
Meu sertão querido
Vivo arrependido por ter deixado
Esta nova vida aqui na cidade
De tanta saudade, eu tenho chorado

Os amores, sempre impossíveis apareciam naquelas canções dor de cotovelo como Fio de Cabelo, de Marciano e Darci Rossi, imortalizada por Chitãozinho e Xororó:

E hoje o que encontrei me deixou mais triste
Um pedacinho dela que existe
Um fio de cabelo no meu paletó
Lembrei de tudo entre nós
Do amor vivido
Aquele fio de cabelo comprido
Já esteve grudado em nosso suor

Com a mudança de paradigma no campo, o sertão virou um lugar aprazível para se viver, longe dos tormentos e da violência da cidade. Já não tem tristeza nenhuma, só alegria, como conta a música Vida Boa de Victor e Leo:

Que vida boa
Que vida boa
Sapo caiu na lagoa,
sou eu no caminho do meu sertão
Pego o meu burrão
Faço na estrada a poeira levantar
Qualquer tristeza que for não vai passar do mata-burro
Galopando vou
Depois da curva tem alguém
Que chamo sempre de meu bem, a me esperar

Agora a caipirada só anda de caminhonete e a mulherada sobra. E ao contrário de músicas como Bandeira do Divino ou Calix Bento, agora o caipira largou a vida de igreja e quer mais é se divertir, como esse da música Por Favor Reza pra Nóis de Leonardo:

A gente não vai na missa
Por que a missa demora
Mas se vamos no boteco
Nós esquecemos da hora
No amor nós tá perdido
Nossa vida tá na fossa
Estamos sempre com mulher
Mais nunca é a nossa

Em Nóis enverga mais não quebra, Gino e Geno mostram que o caipira que pro pessoal da cidade tinha cara de bobo, de bobo não tem nada:

Nóis enverga mais não quebra, nóis chacoalha e não derrama
Nóis balança mais não cai, nóis é brabo e bom de cama
De bobo nóis não tem nada, só a cara de coitado
Nóis se finge de leitão, pra poder mamar deitado

Osso duro de roer, somos nóis aqui do mato
Tomando cachaça pura, comendo ovo de pato
Capinando a nossa roça, contando boi na envernada
Nóis não tem dor de cabeça, não se encomoda com nada

De noite a nóis vai pra festa e arrepia no bailão
Mulher bonita e gostosa, nóis ganha de montão
Onde tem moda de viola e catira nóis ta no meio
Nóis não liga pra dinheiro, nóis já ta com saco cheio

O caipira hoje é um sujeito endinheirado, com uma vida muito melhor do que o povo de Sum Paulo e que sabe aproveitar o que tem. Isso foi possível com a riqueza gerada pelo agronegócio e pela transformação cultural que misturou os valores tradicionais do sertão com a riqueza da agricultura e o mundo das festas de peão, dos rodeios e dos bailes. E pinga ni mim.
Honra seja feita, o primeiro a perceber essa transformação e a influenciá-la diretamente foi o saudoso Zé do Prato, um dos primeiros locutores de rodeio e o inventor da expressão "Seguuuura peão!", morto em Piracicaba em 1992. E segundo suas proféticas palavras:

Me chamaram de caipira e como caipira vou responder
Sou caipira sou da roça e tenho orgulho de ser
Caipira tem invernada e boi gordo pra comer
Tem vinho e uísque importado pra beber
Tem mangalarga pra trotar e quarto-de-milha pra correr
Tem loira de manhãzinha e morena no anoitecer
Se essa vida é ser caipira, eu sô caipira até morrer

Are you talking to me?

Are you talking to me?
ARE YOU TALKING TO ME?
Hey, he is talking to me...
BANG, BANG!

Momento Lumières de dissipar tensões.

Europeus


Eu tenho acompanhado alguns europeus em visitas de trabalho pelo Brasil. Eles vêm visitar nossas fazendas e indústrias de alimentos. Querem saber se o que produzimos e exportamos representa algum perigo para a saúde pública da população européia.
A coisa é irônica porque todas as últimas crises alimentares que aconteceram na Europa, febre aftosa, vaca louca, dioxina, listeria e tantas outras foram causadas exclusivamente por indústrias européias. Todas as semanas, em algum lugar da Europa, aparece uma notícia sobre uma maracutaia, uma falsificação, uma contaminação.
E eles aparecem por aqui com aquele arzinho de superioridade como se tudo por lá estivesse absolutamente sob controle.
Eu já acompanhei auditorias de europeus. Em todo lugar onde vão são bem recebidos.
E lá vão eles, investigando todo papelzinho, documento, análise, lupa em riste, procurando o menor sinal de erro. Ah, a sua pintura está descascando ali. Ah, essa toalhinha de papel para enxugar a mão é muito fina. Ah, a temperatura está 0.5°C abaixo do normal.
Os holandeses têm um nome para esse tipo de função: mieren neukers. Eu me recuso a traduzir aqui para não ofender o pobre leitor, mas é o tipo de gente que procura chifre em cabeça de cavalo.
Os auditores das indústrias de alimentos são especialmente preocupados com o que eles chamam de animal wellfare. Eles querem saber se aquele boizinho ou aquele frango que eles vão comer teve uma vida feliz, sombra e água fresca antes de virar hamburguer.
Nas listas de perguntas das auditorias eles sempre querem saber se o animal descansou, se ele se estressou, se ninguém gritou com ele. Ficam contentes quando tem um piso de borracha para o boi pisar sem se machucar.
Curiosamente eu nunca vi uma auditoria onde um europeu se preocupasse em perguntar aos funcionários dessas indústrias:
-você está contente com o seu trabalho?
- você tem uma casa?
- você tem assistência médica?
- seu filho está na escola?
Obviamente que como clientes eles podem perguntar o que quiserem.
Mas pelas perguntas eu sei as prioridades que eles têm, é como uma cena de Darwin's Nightmare.
Cambada de hipócritas.