Tuesday, December 11, 2007

Paz na Terra


Assisti nessa segunda Al Gore e Rajendra Pachauri, o cientista chefe do IPCC da ONU dividindo o prêmio Nobel da Paz. Se todas as previsões catastróficas dos dois forem verdadeiras, paz é a última coisa que vamos ter.
A primeira óbvia observação que me vêm à mente enquanto Gore discursa e a ONU debate em Bali, é que a mágica expressão “climate change” serve para explicar desde neve em Buenos Aires e seca na Amazônia até a guerra no Darfour. Qualquer mané hoje em dia pode se passar por inteligente ao associar qualquer evento a mudanças climáticas.
A segunda observação também óbvia é que a ecologia entrou para valer na agenda de qualquer político (exceto ainda na de George W.). Vide as recentes eleições australianas, e as iniciativas de prefeitos e governadores nos próprios Estados Unidos, a começar do governator Arnold Schwazenegger, que para mim um dia ainda acaba presidente.
A terceira é que essa história de redução de emissões de carbono vai cair nas costas do Brasil, Índia e China que serão obrigados a reduzir o ritmo de expansão econômica. EUA Europa e Japão também terão que reduzir suas emissões, mas os bonitões já chegaram lá. O que estão dizendo é que o Terceiro Mundo deve continuar a ser um Terceiro Mundo senão a Terra não aguenta.
Se está preocupado com a Paz, Al Gore deveria concentrar seus esforços em reduzir a diferença de riqueza entre o Norte e o Sul. Quanto a salvar a Terra, isso virá no dia em que pararmos de consumir compulsivamente, algo em que os americanos devem ser os primeiros a dar o exemplo. Al Gore sugeriu um imposto que cada pessoa deveria pagar relacionado com o quanto ela polui. Estou de acordo. Com suas viagens de jatinho e sua mansão com piscina aquecida a conta dele com certeza será bem maior que a minha.

Niemeyer 100 anos de bobagens


Oscar Niemeyer, às vésperas de completar 100 anos deu uma entrevista à l’Express francesa.
Eu não tenho como criticar a arte de Niemeyer como arquiteto. Só posso dizer que seus prédios nunca me atraíram muito, nem os de seus contemporâneos como Le Corbusier por exemplo. Tudo bem, foi ele que inventou dar curvas ao concreto armado, mas para mim, todo aquele cimento e vidro é muito seco, muito sem verde, sem água. É uma arquitetura esturricante. Estou mais para Gaudí.
Diferenças estéticas à parte, eu imaginava que alguém que tivesse cem anos de idade teria reunido uma considerável experiência humana, e com isso seria capaz de melhor distinguir o mal e o bem. Parece que eu estava errado. Niemeyer é a prova disso. Aos cem anos continua um comunista linha dura, amigo de Fidel de quem recebe charutos todos os anos e a quem defende com unhas e dentes. Niemeyer é também um defensor de Stálin, Hugo Chávez e Lula. Sempre me ensinaram a respeitar os mais velhos. Certamente, se eu estivesse com Niemeyer no ônibus eu lhe cederia meu assento com prazer, o que não significa que eu deva respeitar suas idéias.

Monday, December 10, 2007

Ni!


Em casa, de cama e com gripe, em plena segundona. Nesta situação, tem coisa melhor do que canja de galinha e assistir Monty Python debaixo das cobertas?

Saturday, December 08, 2007

Gustav Klimt










A Bélgica e a Europa

A Bélgica foi “inventada”pelos ingleses após a derrota de Napoleão para separar a França da Holanda. O norte do país, Flandres, fala flamengo (holandês com sotaque) e a parte sul, a Valônia, fala francês. As duas partes não se entendem, cada uma tem seu governo em separado com seus próprios ministros. O único enclave verdadeiramente bilíngue é Bruxelas. Acontece que se a Bélgica se dividisse hoje, como alguns políticos extremistas querem, Flandres seria um dos países mais ricos da Europa, a Valônia um dos mais pobres. A Valônia acusa Flandres de drenar todos os investimentos do país, Flandres acusa a Valônia de ser um peso morto. Há alguns séculos atrás, a Valônia era muito mais rica do que Flandres, e mesmo as melhores famílias flamengas preferiam falar francês em casa do que holandês. Hoje a situação é a inversa.
Paradoxalmente, é neste país dividido que a União Européia tem seu maior índice de aprovação. Os belgas estão há quatro meses sem governo porque os políticos dos dois lados não se entendem. Quando países como Portugal, Espanha e Grécia entraram na União Européia também eram pobres e atrasados em comparação com os outros, e melhoraram de vida. É a mesma situação dos países do leste europeu hoje, vistos como atrasados pela Europa Ocidental.
A Bélgica pode aprender com a Europa, que ela tanto aprova, a resolver suas diferenças. Assim como a Europa têm que observar de perto o que acontece na Bélgica, pois se há esperança para flamengos e valões, também há para leste e oeste.

Nas Termas


Embora há muito tempo vivendo na Europa, e me considerando adaptado aos costumes dos nativos, ainda existem momentos da vida aqui na Holanda que me fazem lembrar o tamanho do fosso cultural entre meu mundo católico latino americano e o calvinista norte europeu.
Quando visitei Roma, conheci as imensas ruínas das Termas de Caracalla, um exemplo da magnificência da arquitetura romana. Ali dentro eu imaginava os romanos se divertindo e fazendo a “social” entre uma piscina e outra, discutindo política e outros assuntos mais triviais. Ontem fui a uma sauna holandesa. O lugar me lembrou Caracalla não só por causa das diferentes saunas e piscinas, e porque eu estava me sentindo em uma pintura de Alma-Tadema, mas também por causa do ditado: em Roma, faça como os romanos. A sauna holandesa é mista, entram homens e mulheres juntos, inclusive no mesmo vestiário. Lá dentro não se usam roupas, pode-se andar de um lado a outro em roupão de banho, pode-se até jantar de roupão, mas nas saunas e piscinas é todo mundo nu. Nada de sacanagem, e ainda há plaquinhas lembrando que é proibido todo contato físico entre os visitantes.
Há uma piscina de água salgada, que faz você boiar como se estivesse no Mar Morto. Lembrei da piadinha do menininho que fica boiando e afundado na banheira. A menininha pergunta, tá brincado de quê? De submarino. Posso brincar também? E ele diz: não, você não tem periscópio...
Tem piscina quente, piscina gelada, piscina com cheiro, sauna a vapor, sauna seca, infravermelho, massagem turca. E você se sente como um ingrediente de um banquete canibal que pode ser temperado, cozido, assado ou grelhado.
Sua primeira grande preocupação é a de encontrar alguém conhecido, por exemplo seu chefe, um colega de trabalho, um vizinho... Passado esse primeiro momento de terror, quando você descobre que é um anônimo na piscina, chega a hora de tirar o roupão. Aí vêm preocupações secundárias como prender a respiração para diminuir a barriga, ou reparar se o seu bilau está na média de tamanho aceitável, mas a verdade é que depois de algum tempo de observação conclui-se que exceto em raríssimas e belas exceções, humanos, como espécie em geral, não passam de tristes e ridículos macacos sem pelo e sem rabo. Sou tentado a pensar que inventamos roupas não por frio ou por proteção, mas só para não termos que nos olhar pelados o tempo inteiro.
Of course os holandeses e holandesas novos e velhos, magros e gordos acham tudo aquilo muito normal e andam por ali como se estivessem no supermercado.
E aí vem um grande paradoxo que ainda me intriga. Na Holanda, e nos países nórdicos de um modo geral a nudez é vista com naturalidade, sem um pingo de malícia. Mas pode-se fazer sexo no primeiro encontro, às vezes antes mesmo de você beijar a outra pessoa. Por outro lado, brasileiros e latinos são todos calientes e sensuais, não param de pensar em sexo mas têm vergonha de tirar a roupa em público, principalmente porque estão pensando que todo mundo está pensando em sexo. Há algo profundamente hipócrita de algum dos lados.
Se uma mulher faz top less na Holanda, absolutamente ninguém vai olhar. Se uma mulher fizer top less em uma praia brasileira em cinco minutos vai ter um caiçara vendendo espetinho e cerveja para a platéia que juntou ali do lado. Ou algum brasileiro certamente pensaria em um Serviço de Inspeção de Topless destinado a conceder autorizações, mediante exame detalhado, para aquelas mulheres cujo topless não ofendesse a paisagem natural das praias brasileiras.
E lá estava eu pensando: será a religião? Será o feminismo? Será que eles não pensam naquilo? Será que a Holanda precisa de uma revolução bolivariana? Olha para o outro lado, olha para o outro lado, ai! aai! meus olhos...Ah melhorou, ah não, ah não, olha pro teto, olha pro teto...
Aí eu desisti, larguei o roupão me sentindo o próprio Nero entrando nas Termas e olhei para o céu enquanto quatro mulheres nuas (inclusive minha esposa) dividiam o ofurô comigo.

Canção


Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que a mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Cecília Meireles

Monday, December 03, 2007

War in Rio


Já passei inúmeras tardes da minha adolescência jogando War com amigos. Até inventamos versões melhoradas do jogo, mas nada comparado ao que o designer carioca Fabio Lopez fez. Ele inventou o War in Rio, a versão do jogo adaptada à realidade carioca onde territórios como Vladivostok e Argélia-Nigéria são substituídos pelas favelas cariocas, e os exércitos coloridos viram batalhões do BOPE, da PM, do Comando Vermelho e de outras facções criminosas do tráfico de drogas. A divulgação do jogo pela internet já deu o que falar, e o Fábio Lopez apareceu até se explicando na televisão, dizendo que era uma piada de mau gosto e que ele não pretendia vender aquilo etc...
Brasileiro tem mania de fazer graça da própria desgraça, o que eu não acho que seja um
defeito em si. O humor torna menos insuportável as piores situações. Como se dizia na minha terra, já que estamos no inferno eu quero é abraçar o capeta. O pior é que nesses tempos sombrios e sem graça, é só fazer uma piada que já aparecem as vozes politicamente corretas, muitas vezes do governo, denunciando o ‘‘absurdo’’. Quando um episódio dos Simpsons foi ambientado no Rio, com direito a sequestradores e macacos nas ruas foi um Deus nos acuda, até a Embratur entrou na onda. Como se os Simpsons não fizessem graça dos americanos 300 dias por ano…O que esses sujeitos não entendem é que o absurdo não é a piada, o absurdo é a realidade de se viver em uma cidade onde é normal encontrar cadáveres nas esquinas, onde a violência virou cotidiano. A canalhice de nossos governantes nos tirou a paz, mas não podemos deixar que nos cassem também o direito de fazer piada.

Saturday, December 01, 2007

Sarkozy e a batalha na banlieue


Para os franceses, a banlieue parisiense é o mais próximo que eles tem de uma favela. É lugar de violência, tráfico, onde quem estranhos não são bem vistos e nem bem vindos. A diferença é que ao contrario da favela, a banlieue é feita de imigrantes em sua maioria muçulmanos, mas também com muitos africanos das ex-colônias francesas. O excelente filme La Haine de Mathieu Kassovitz mostra cruamente a realidade da banlieue e a impossível convivência com os franceses. A arquitetura horrível do pós guerra também não ajuda em nada, o lugar é frio, feio e triste.
Os franceses isolaram os imigrantes na banlieue, e erraram nisso. Mas os imigrantes erraram ao recusarem a integração cultural. Avessos à laicidade e ao racionalismo franceses, criaram ali seu próprio território, com suas leis e regras e sua hierarquia. E isso sustentados com dinheiro do Estado-mãe francês. Não conseguem emprego porque se isolaram em sua comunidade e se recusam a integrar na cultura do país que os acolheu. Por não terem emprego recebem ajuda financeira do estado e portanto não se interessam muito em ir procurar emprego. Um ciclo vicioso, repetido em vários outros países europeus.
Os habitantes da banlieue vêem a polícia francesa como uma força invasora em seu território. O confronto é inevitável, como aconteceu em 2005 e como está acontecendo agora. E tende a piorar, já que a guerrilha está ficando mais armada e mais organizada. As cenas que vemos de carros queimados e coquetéis molotov não são manifestações espontâneas, mas uma guerrilha organizada e cheia de ideologias cretinas.
O problema não é social. Nicolas Sarkozy tem absoluta razão em dizer: “Rejeito esse discurso inocente que considera todo delinqüente como vítima da sociedade”.
O problema é que esses jovens tão pacíficos e esforçados que queimam carros e atiram em policiais não aceitam nem as leis e nem a cultura do país em que vivem, preferem criar as próprias. E isso em um dos países mais ricos do mundo, e que lhes dá todas as ferramentas para terem uma vida melhor, se eles quiserem.

A Última Ceia Bolivariana


Acredite se quiser, pintada em um muro de Caracas...
Fidel Castro, Che Guevara, Mao Tse-Tung, Lênin, Karl Marx, Simón Bolívar, Hugo Chávez, um índio (será Evo?)...

A América Latina em Chamas

Bolivianos pedindo a renúncia de Evo

Camponeses fechando a entrada do Congresso Boliviano aos opositores de Evo

Evo Morales nacionalizando

Assembléia Constituinte Equatoriana comemorando o fechamento do Congresso

Chávez em Caracas ameaçando os EUA, a Espanha, Deus e o mundo se não ganhar

Rafael Correa do Equador e Hugo Chávez da Venezuela assinando acordos sob os olhos de Bolívar

Ingrid Betancourt, senadora colombiana, refém das FARC desde agosto de 2003

Manifestante anti-Chávez em Caracas

Por Israel


A 29 de julho de 1947, a Assembléia Geral das Nações Unidas decidia a divisão da Palestina em um estado judeu e um estado árabe, dando assim nascença a Israel.
Exatamente 60 anos depois, Israel tornou-se uma potência no Oriente Médio e a Palestina ainda não se transformou em um país propriamente dito.
Neste momento, dirigentes palestinos e árabes estão sentados à mesa em Annapolis tentando por fim a 60 anos de violência.
A história deste complicado pedaço de chão remonta a tempos bíblicos, complica-se nas cruzadas, piora com o colonialismo francês e inglês no Oriente Médio, e finalmente embrenha-se com o movimento sionista e a tragédia do Holocausto na II Guerra Mundial.
Nos últimos 60 anos, houveram mais ocasiões para selar a paz. Quando Ehud Barak foi Primeiro Ministro em Israel, ele ofereceu a Yasser Arafat o acordo mais generoso já feito por Israel aos Palestinos. Arafat recusou. Arafat estava interessado nos milhões de dólares que ele desviou dos caixas da Autoridade Palestina, em disfarçar seu homossexualismo (os médicos franceses suspeitam que ele tenha morrido mesmo é de Aids) e em guerra. Arafat nunca quis paz ou democracia, e por isso os palestinos sempre estiveram longe da paz e da democracia. A verdade é que os palestinos nunca reconheceram o direito de Israel de existir, e Israel sempre teve que se defender, e tem todo o direito de fazê-lo, de seus inimigos. Civis palestinos morreram? Sim. Mas lembrem-se que conhecemos bem os métodos do Hamas de esconder armamentos e munições em vilas povoadas de famílias de civis. E todos os israelenses mortos por ataques suicidas em escolas e restaurantes?
Ariel Sharon deixou Gaza para os palestinos e o que aconteceu? Começaram a matar-se uns aos outros numa disputa cega pelo poder.
Os palestinos terão que aprender muito para chegarem lá. Pela primeira vez um presidente palestino e um premiê israelense estão querendo verdadeiramente um acordo. Vamos torcer para dar certo, mas nesta briga, meu apoio irrestrito é de Israel.
É a única democracia por aquelas bandas, é o único país ali onde cristãos não são perseguidos, onde há liberdade de imprensa, onde os direitos de mulheres e homossexuais são respeitados, e onde seus governantes são obrigados a responder à opinião pública por seus erros.

Donald Duck en Noah's Ark


Essa versão da Arca é bem mais divertida!

Johan Almighty


Al Gore disse que os holandeses deveriam ser os mais preocupados com o aquecimento global. Eu concordo, minha casa está seis metros abaixo do nível do mar. Eu espero que quando as catástrofes anunciadas pelo Al Bore aconteçam eu já tenha me pirulitado daqui. Um holandês pelo menos está prevenindo-se. Quando assisti aquele filme Evan Almighty, que por sinal é uma jaca, eu desconhecia a história desse sujeito. Johan Huibers sonhou em 1992 que a Holanda desapareceria em um dilúvio. Em 2005 ele começou a construir uma réplica da Arca de Noé, com 70m de comprimento mas mesmo assim metade do tamanho da original (segundo o Genesis). A mulher dele perguntou porque ele não ia cavar poço na Etiópia, mas aceitou a idéia e ajudou no desenho. Dois anos e um milhão de euros depois o barcão está pronto e passeando pelos canais da Holanda, enquanto Johan, um devoto da Bíblia aproveita para se ressarcir do prejuízo cobrando um ingressinho de quem quiser entrar na sua arca. Como dizia um sábio amigo, de minuto em minuto nasce um otário no mundo. Um otário com uma idéia inútil e vários otários ajudando a pagar. Mesmo se Al Gore estiver certo, eu preferiria gastar dois anos e um milhão de euros com outras coisas...

Kasparov x Kremlin


Garry Kasparov virou o campeão mundial de xadrez em 1985 aos 22 anos, e manteve seu título por quinze anos. Em 2005 ele entrou na política russa com o movimento Uma Outra Rússia. Esta semana ele foi preso durante uma manifestação anti-Putin em Moscou. A notícia se espalhou pelos quatro cantos do mundo, embora a televisão russa nem tenha comentado o assunto.
Esta semana Kasparov concedeu uma entrevista à Nouvel Observateur. Trechos:

“A propaganda do Kremlin me apresentava como um grande enxadrista mas como um político fraco. Dois anos depois eu sou o inimigo número 1 do regime...Eu contribuí para cirar na Rússia uma cultura de resistência não-violenta, o que não foi fácil... O Kremlin está consciente de que enfrenta um fenômeno novo: se eles nos deixam manifestar isso provará que estamos ganhando a guerra psicológica, e se ele reprime com violência nosso movimento ele trairá sua verdadeira natureza.”

“Dos comunistas aos nacionalistas, todo mundo quer um regime parlamentar, liberdade de imprensa e a redução dos poderes presidenciais. Essa união de forças políticas em um front antitotalitário constitui um enorme progresso.”

“O sistema Putin é um sistema mafioso, a lealdade é o critério número um de toda nomeação... Os dirigentes pilham o país e depois lavam seu dinheiro no mundo livre... Putin quer reinar como Stáli e viver como Abramovitch! Me exaspera ouvir dizer que os políticos ocidentais não têm como pressioná-lo. É mentira pois todo o dinheiro dos dirigentes russos está investido no Ocidente”.

“O mundo livre tem que ser intransigente sobre seus valores fundamentais, é assim que ele ganhou a Guerra Fria. Mas agora tegiversa, transige, mas nesse jogo Putin é mestre. Ele considera a democracia como uma simples ficha a ser jogada assim como o preço do gás ou o destino da Geórgia. Os líderes Ocidentais devem fazer Putin assumir suas responsabilidades.”

Perle de l'Oriente

Este é o novo calendário da Pirelli, fotografado na China pelo francês Patrick Demarchelier. Sutil e arrasador...











Tuesday, November 27, 2007

American Gangster


American Gangster é o Tropa de Elite americano nos anos 70. Russel Crowe como Richie Roberts é um Capitão Nascimento mais desencanado e menos porreta. Mesmo assim é o policial honesto contra o império do tráfico de heroína de Frank Lucas, vivido por Denzel Washington. Lucas foi o negão que passou para trás até a máfia italiana em Nova York vendendo um produto com “o dobro da qualidade e metade do preço”. O filme faz uma radiografia verdadeira do tráfico (a história de Frank Lucas é real) desde a produção no sudeste asiático, passando pelo transporte através das tropas americanas no Vietnam e a distribuição nas ruas do Harlem. Frank Lucas organiza sua família como os italianos, seus irmãos cuidam da distribuição da droga e ele paira desapercebido acima da lei e dos inimigos, até que a investigação de Richie Roberts vai desconstruindo sua organização e a banda podre da polícia.
O filme mostra de forma implacável o flagelo das drogas embalado na contra-cultura da época, sobretudo na periferia de Nova York onde as primeiras vítimas do tráfico são, como no Brasil, os mais pobres. Há cenas tristemente marcantes como essa onde um bebê chora ao lado do corpo da mãe junkie, morta de overdose. Nem o parceiro de Richie escapa da heroína. Em certo momento Richie se pergunta se aquilo vale apena, e contando os soldados, os traficantes, os clubes, o dinheiro que gira, “se o tráfico acabar duzentas mil pessoas vão perder o emprego”.
Ridley Scott é um dos meus diretores favoritos, e este filme com certeza está à sua altura. É um retrato contundente desse lado escuro da América.

Saturday, November 24, 2007

E por falar em Rússia


Sergei Kovalev, ex-prisioneiro político, candidato da oposição à Duma e presidente do Instituto para Direitos Humanos escreve um artigo na New York Review of Books sobre Vladimir Putin.
Ele começa dizendo: “Acredito que Vladimir Putin é a figura mais sinistra na história da Rússia contemporânea. Desde o começo do seu governo, ele dirigiu, e quase completou, uma contra-revolução anti-democrática na Rússia. Ele aniquilou muitos direitos civis no país, entre eles liberdades essenciais como a liberdade de informação. Ele restringiu significativamente a liberdade de associação e assembléia, e o direito de realizarmos marchas pacíficas, protestos e demosntrações”. “Eu acredito que ele tenha dizimado o conceito de um Judiciário independente. Com seu conhecimento e apoio, e provavelmente sob sua instrução direta, dúzias de meus concidadãos estão sendo injustamente condenados em sentenças de prisão politicamente motivadas. Por isso ele é o responsável por uma nova geração de prisioneiros políticos na Rússia”.
Estou tomando uma vodca russa aqui, tão russa que não consigo traduzir o que está no rótulo. Lendo Stalin e Putin, andei pensando muito na Rússia esses dias, não só por causa da vodca.
Os russos na época do comunismo achavam que eram o país do futuro, de uma nova era. Com o desmoronamento da URSS, depois da tormenta da era Yeltsin, Putin usou sua experiência de KGB e tomou conta dos escombros transformando a Rússia em seu novo império. Kovalev diz que ele usa eleições para criar uma atmosfera de legalidade e democracia o que é completamente falso. Putin está criando uma ditadura, matando seus inimigos (lembram-se de Anna Politkovskaya e Alexander Litvinenko?), transformando os russos em racistas e xenófobos.
O que acontece com a Rússia me interessa porque é o que está acontecendo na Venezuela, e o que pode acontecer com o Brasil. Usam a democracia para conquistar o poder e depois uma vez no poder minam todos os mecanismos que fazem a democracia funcionar. A história é mesmo uma idiota, se repete, se repete...

Stálin


Acabei de ler “Stálin, na Corte do Czar Vermelho” de Simon Sebag Montefiore. O livro narra a vida pós 1917 de Stálin e de seu círculo mais próximo, família, amigos e companheiros revolucionários. Montefiore teve um acesso inédito a cartas que Stálin mandava e recebia, além de ter podido entrevistar gente ainda viva que efetivamente conviveu com o ditador. O resultado é uma nítida impressão do cotidiano e da vida íntima do homem que comandou a União Soviética desde a morte de Lênin até o fim da II Guerra Mundial. O livro mostra também toda a degradação moral do socialismo stalinista. O que impressiona é a escala de grandeza da mortandade que os comunistas patrocinaram sob o comando geral de Ióssif Stálin. Foram milhões de camponeses fuzilados e deportados, outros mhlões a morrerem de fome enquanto seus grãos eram confiscados pelo partido para financiar a indústria soviética. A Nouvel Observateur trouxe na semana passada os relatos de horror dos que sobreviveram aos goulags comunistas. Quantas vidas desperdiçadas sem motivo, quantos seres humanos traumatizados. Gente como eu e você, que em um goulaga matava e morria por um pedaço de pão. Depois as perseguições políticas contra elementos anti-soviéticos. Stálin e seus comissários assinavam diariamente sentenças de morte para centenas de milhares de pessoas. As vezes o motivo da condenação era um sobrenome ou um parentesco distante, ou ler o livro errado. E depois a II Guerra onde o ataque nazista somada à incompetência do Alto Comando foi responsável pela morte de 12 milhões de soviéticos.
Simon Sebag Montefiore narra com detalhes as intrigas, os ciúmes, a loucura, o patrulhamento ideológico e a depravação dos bolcheviques do alto escalão. Na fúria do terror, Stálina chegaria a condenar à morte ou à prisão e tortura antigos amigos e até membros da própria família. Uma leitura indispensável sobre um dos maiores assassinos da história, para quem quer entender os mecanismos do totalitarismo.

Condoleezza Rice e o dia da consciência negra


Condoleezza Rice é há 7 anos a mulher mais poderosa do planeta. Eu aprendi a gostar da negona, imagino o quanto ela teve que suar para chegar onde está. Na Conferência de Annapolis que se prepara, Condie pode, se tudo der certo, ser coroada com um triunfo diplomático perseguido pelos EUA desde Jimmy Carter, um acordo definindo um Estado Palestino e a paz em Israel. Ela pode conseguir, já que pela primeira vez há um presidente palestino e um premiê israelense com vontade de encerrar o assunto. Mahmoud Abbas quer mostrar a seu povo que é uma opção melhor que o Hamas, e Ehud Olmert que vive à sombra de Sharon quer legar a paz ao seu povo.
Em uma entrevista à Newsweek, Condoleezza Rice falou sobre como sua experiência de ser uma mulher negra na América branca moldou seu pensamento em relação à questão palestina. Rice cresceu ouvindo seus pais lhe ensinarem que cair na auto-vitimização era inútil. Enquanto seus pais lhe davam orgulho, ela sentia na pele o que era se sentir impotente, com muitos raivosos jovens palestinos se sentem hoje. “A prolongada experiência de depravação e humilhação pode radicalizar pessoas normais” ela disse a oficiais israelenses e americanos em Jerusalém. Inspirada em Martin Luther King e na não-violência como caminho para o orgulho, ela compara a cidadania para os palestinos com o que significou o Civil Right Acts para os negros americanos.
Eu acredito que a história dos negros no Brasil não tenha nada a ver com a história dos negros americanos. Quem não acredita deveria ler Gilberto Freyre. Os negros se misturaram em nosso sangue e cultura como em nenhum lugar do mundo. Não é a toa que 41% da nossa população é mestiça, enquanto os negros auto-declarados são 6% (IBGE). A idéia de racismo no Brasil em si é ridícula, já que quase ninguém pode afirmar suas origens com 100% de certeza. Há racismo no Brasil? Eu acredito que sim, ainda arraigado na cabeça de gente ignorante. Só que esse racismo não se traduz em dados econômicos como o movimento negro quer fazer crer. As pesquisas são manipuladas para mostrarem que negros ganham menos, morrem mais etc...É mentira. Se quer uma pesquisa justa, com dados corretos, que se comparem alhos com alhos e bugalhos com bugalhos. Um branco, pobre, com ensino básico, 4 filhos, morador da zona rural de São Paulo, ganha mais do que um negro, pobre, com ensino básico, 4 filhos, morador da zona rural de São Paulo? Um negro, rico, dois filhos, ensino superior, ganha menos do que um branco nas mesmas condições? Nenhuma pesquisa mostra isso.
Por isso o Estatuto de Igualdade racial no Brasil não faz sentido nenhum. E as cotas nas universidades, em vez de melhorarem a situação vão criar um apartheid onde não havia. Vamos agora olhar a cara de todo mundo e decidir quem é negro e quem não é, como os belgas faziam em Rwanda dividindo a população entre hutus e tutsis.
O movimento negro no Brasil é formado por uma minoria quer conseguir direitos excepcionais, contra nossa constituição e contra nossa formação sociológica. Eles deveriam aprender com Condoleezza Rice que é com orgulho, e não com vitimismo que se constróem pontes entre os povos.

Ana Júlia e o faroeste caboclo


Em março deste ano foi feita uma pesquisa sobre a violência no Brasil. Os dados mostraram que as áreas mais violentas do país estão nas periferias das grades cidades e nas áreas de fronteira agrícola. A conclusão é fácil, violência está relacionada com a ausência de um Estado forte ou a conivência de um Estado fraco. Onde falta polícia ou onde a polícia não entra, há impunidade e como consequência o crime se impõe.
O sul do Pará é um exemplo disso. Sei do que falo. Morei em Conceição do Araguaia entre 1980 e 1985. Mesmo criança já sabia naquele tempo dos conflitos entre posseiros, garimpeiros, índios e fazendeiros, e não era raro termos notícias de tiroteios e mortes por ali. Isso foi há mais de 25 anos, o sul do Pará se modernizou, empresas e indústrias se instalaram ali, a terra se valorizou. Havíamos de pensar que os conflitos desapareceriam, mas a realidade não é essa. Há bandos de pistoleiros invadindo fazendas e cobrando resgate dos seus proprietários. Segundo uma reportagem da Veja dessa semana, quando não recebem o dinheiro, matam animais, queimam pastos e arruinam edificações. O pior é que os bandidos agem na impunidade, já que a governadora Ana Júlia Carepa, do PT, editou uma portaria proibindo a polícia de interferir nos conflitos agrários. Ou seja, banditismo agora é “problema social”.
Vocês conhecem Ana Júlia Carepa? É essa fofa aí da foto. A mesma que empregou 7 parentes no Governo do Pará, deu onze cargos a Jader Barbalho, empregou a cabelereira e a manicure como assessoras, reformou a casa onde mora (que não é a do governo) com dinheiro público, leva parentes e amigos nos feriados para a praia bancados pelo nosso dinheiro e fretou um jatinho em nome do governo para assistir à formatura do filhão.
Ah, e é a mesma que deixou uma garota de quinze anos um mês em uma cela de prisão com vinte homens. A menina era obrigada a prestar favores sexuais em troca de comida. Como boa petista, Ana Júlia não sabia de nada.
Enquanto isso o Sul do Pará arde nas mãos de bandoleiros. O faroeste de 25 anos atrás está pior, sob a benesse do Estado.

Thursday, November 22, 2007

E no dia da Bandeira...


E no Brasil, no dia da Bandeira, 19 de novembro para quem já esqueceu, na sede da UNE no Rio de Janeiro, qual a bandeira que tremula no mastro ao lado da do Brasil? Sim, a de Cuba do companheiro Fidel! Nada mais natural na sede de um órgão que virou um curral do PCdo B, onde há de tudo, menos estudantes. Por essas e outras que nem em programa de auditório nego quer mais a ajuda de estudantes...

Blog Power


Há blogueiros na China, em Teerã, na Arábia Saudita, no Egito, no Congo e em muitos outros lugares onde a liberdade de pensar e se expressar é restringida. Alguns deles já foram em cana, alguns já apanharam, mas a blogosfera virou um novo reduto dos defensores da liberdade e uma nova ferramenta na luta pela democracia.
Na Venezuela também, onde os blogueiros estão agitando a internet contra a reforma constitucional de Hugo Chávez. Sorte a eles! Hugo Chávez, porqué no te callas?