Sunday, July 15, 2007

Mika, Paris Hilton e a livre imprensa


Mika Brzezinski é uma jornalista e a apresentadora do jornal matinal na rede MSNBC nos Estados Unidos. Virou uma celebridade instantânea ao se revoltar ao vivo em rede nacional recusando-se ao ler a principal notícia do dia, a matéria que no jargão jornalístico americano chama-se lead story. Mika rebelou-se porque seu editor decidiu que o lead do dia seria a notícia sobre a saída da Paris Hilton da prisão. Ao saber que essa seria o lead ela primeiro tentou incendiar o papel com o texto da notícia, e finalmente o amassou e jogou no lixo sob o olhar incrédulo e admirado de seus colegas.
O vídeo da jornalista foi parar no You Tube e já foi assistido por mais de 2,8 milhões de internautas. Mika ganhou uma legião de fãs, eu incluído, que também consideram notícias sobre a Paris Hilton completamente irrelevantes. Francamente eu não creio que meu mundo mudaria em nada se a Paris Hilton existisse ou não.
Segundo um velho amigo meu existe uma imutável lei no universo que diz que de minuto em minuto nasce um otário no mundo. Deve ser verdade, já que o mundo está cheio de gente que quer ouvir notícias sobre a Paris Hilton.
Acontece que um petista por exemplo usaria esse fato para defender a televisão estatal do Lula ou a censura prévia. A TV estatal filtraria as notícias relevantes e colocaria no ar as questões realmente importantes para serem discutidas pela sociedade. Mas aí eu sou o primeiro a ser contra.
Apesar de não querer ouvir notícias sobre a Paris Hilton eu respeito a liberdade de quem quer. Na minha visão capitalista a população é um mercado com uma ampla gama de gostos e preferências, e as emissoras vendem seus jornais e programas procurando atingir cada nicho desse mercado. Assim há as emissoras ou programas que focam nas notícias sobre celebridades, as que noticiam geo-política internacional, as que fazem um mix de tudo e cada um escolhe o que quer. A beleza disso é que como todo mercado ele se auto-regula. Quiçá chegará o dia em que a maioria da população irá perceber que a Paris Hilton é irrelevante, aí não se lerá mais nenhuma notícia sobre ela, para alegria minha e da Mika.
Enquanto esse dia não chega eu sou perfeitamente capaz de selecionar na televisão os produtos que me interessam, e não preciso da ajuda do governo para fazer isso por mim, especialmente se o governo só escolhe aquilo que interessa à sua ideologia.

Wednesday, July 11, 2007

Brasil...sil...sil...


Manchete da BBC:
BANCO MUNDIAL: BRASIL DE LULA É CAMPEÃO DA CORRUPÇÃO E DA INCOMPETÊNCIA!

Brasil tem pior controle da corrupção em 10 anos, diz Banco Mundial
1. O controle da corrupção no Brasil atingiu em 2006 o seu pior patamar em dez anos, de acordo com um estudo divulgado nesta terça-feira pelo Banco Mundial (Bird). Segundo o relatório Assuntos de Governança, do Bird, o índice de controle de corrupção "mede a extensão em que o poder público é usado para ganhos privados, incluindo pequenas e grandes formas de corrupção, assim como o 'seqüestro' do Estado pelas elites e pelos interesses privados". O índice brasileiro de controle de corrupção caiu para 47,1 em 2006, em uma escala que vai de zero a cem. Em 2000, o país chegou a ter um índice de 59,1.
2. O estudo do Bird - que faz parte de um projeto que reúne indicadores de boa governança mundial - avaliou 212 países segundo seis critérios diferentes. Além de controle de corrupção, o Brasil também piorou nos últimos anos nos índices que avaliam a eficiência do governo, a qualidade dos marcos regulatórios e a força da lei.
3. O índice que avalia a eficiência do governo - a qualidade dos serviços públicos, a independência do governo e a implementação de políticas - mostra que o Brasil vem caindo desde 2003. O índice passou de 60,7, naquele ano, para 52,1, em 2006. O índice de eficiência do governo só foi inferior a isso em 1996 (47,4), primeiro ano avaliado pelo Banco Mundial.
4. O índice da qualidade dos marcos regulatórios - que, segundo o Bird, mede a habilidade do governo de formular e implementar leis que estimulam o setor privado - também caiu no Brasil entre 2003 e 2006: de 62,9 para 54,1. A força da lei - que avalia a confiabilidade da polícia e dos tribunais - também piorou no Brasil, segundo o Banco Mundial. O indicador brasileiro caiu de 50, em 1996, para 41,4, em 2006 - o pior índice da história.

Monday, July 09, 2007

Vinho & Guerra


Don e Petie Kladstrup, ele americano e ela francesa, ambos jornalistas e amantes de um bom vinho escreveram este simpático e despretensioso livro sobre como os franceses protegeram seu tesouro mais precioso das garras dos nazistas.
Durante a Segunda Guerra Mundial, os alemães caíram como aves de rapina nas melhores vinícolas francesas em Bordeaux, na Champagne e na Alsácia, na Borgonha e no Vale do Loire. Todo o comércio foi monopolizado pelos weinfürers nazistas e por Vichy, e milhões de garrafas confiscadas pelo Terceiro Reich. As melhores garrafas foram direto para o Ninho da Águia, o refúgio de Hitler e seus comandantes nos Alpes Austríacos.
Os Kladstrup entrevistaram vários sobreviventes da Guerra para contar a história dos vignerons franceses durante a Ocupação. Vários deles enterraram suas melhores garrafas para terem com que recomeçar após o fim da Guerra. Outro emparedaram seus bons vinhos nas caves, e as crianças recolhiam aranhas para tecerem teias em frente às paredes recém levantadas dando-lhes aspecto de velhas. Várias vinícolas engarrafaram seus piores vinhos em garrafas com rótulos de vinhos especiais, em lotes que eles sabiam que seriam enviados à Alemanha. Muitos transportavam armas e mantimentos, às vezes até pessoas, para a Resistência dentro de barris. A Resistência mesmo se encarregava de assaltar e esvaziar trens que levavam vinho para os nazistas.
As mensagens de um certo Henri Gaillard, chefe da estação ferroviária de St. Thibault reproduzidas no livro são hilárias. Um dia ele informava aos alemães que o vinho que eles tinha pedido nunca tinha chegado na estação. No outro chegaram garrafas mas estavam todas vazias.
Contam também a história de produtores de champagne e vinhos hoje famosos que foram presos pelos nazistas, de jovens das vinícolas enviados para a guerra, dos que entraram para a Resistência, dos alsacianos forçados a alistarem-se no exército alemão.
Conta também de franceses em um campo de prisioneiros alemão que para não enlouquecerem organizaram um festival de vinhos. Um deles escreveria o primeiro guia de vinhos e gastronomia da França baseado no que escutara dos amigos na prisão.
Um divertido livro para conhecer a alma francesa e aprender sobre o seu tesouro mais amado e protegido.

A raiz de nossos males


A lama chegou ao Senado da República com o escândalo envolvendo Renan Calheiros, o presidente da Casa devidamente protegido por Lula. Ah, a ética do PT...
Ao contrário do que Renan afirma, os ataques não visam sua vida pessoal, mas o fato de um Senador estar envolvido até o pescoço com o lobbysta de uma empreiteira que presta serviços ao governo. E até agora as explicações de Renan e seus bois de ouro para a origem de seu dinheiro não convenceram ninguém. Agora aparece outro ilustre colega, Senador Joaquim Roriz recebendo propina de um empresário para comprar juízes.
Uma amiga me enviou um link para uma reportagem da BBC falando sobre o “jeitinho” brasileiro, essa canalhice nacional muitas vezes interpretada como parte da cultura brasileira que justifica desde furar fila até subornar guarda para se livrar de multa, de colar na prova até superfaturar obras, de comprar rádio roubado até sonegar impostos.
Numa pesquisa citada pela BBC, 75% dos brasileiros admitem ter cometido alguma irregularidade na vida, e 75% toleram a corrupção. É claro que faz sentido, se nós mesmos fazemos nossas canalhices no dia a dia com o nosso jeitinho, a corrupção é só o jeitinho em uma escala federal, temos que ser compreensíveis com o coitado do Renan...
Basta! Lula passa a mão na cabeça de Renan Calheiros e de seus meninos aloprados assim como o pai do pitboy espancador da Barra defende seu menino estudioso (estudante do curso de Direito, cadê a faculdade que não expulsa esses energúmenos?).
O PT pode roubar para se manter no poder e ocupar seus milhares de cargos de confiança usando o pretexto de que é para o bem do povo. O traficante virou defensor da comunidade da favela, o que justifica matar e roubar por ser oprimido. O playboy queima índio e espanca empregada porque pensou que era mendigo e prostituta.
Basta! Estamos nos tornando uma nação de canalhas e covardes irresponsáveis que pensam que podem tudo porque ninguém pune ninguém. Todo mundo tem uma justificativa para a própria canalhice ou encontra uma maneira de passar a culpa para alguém.
O Brasil que surge nesse milênio não é o país do futuro, é o país onde só se respeita sucesso e dinheiro, não importando os meios que se empreguem. É o país do vale tudo para chegar lá, vale tudo para se dar bem.
É um país onde ninguém assume o que faz, protegidos por pais e governantes que criam eternas crianças sem moral, nem responsabilidades nem deveres.
E se nos meios vale tudo, o único fim é a busca do prazer hedonista que o dinheiro traz.
Do nosso jeitinho de nos darmos sempre bem nasce a canalhice que desemboca na corrupção, na violência e na decadência. E tanto uma como a outra são faces da mesma moeda, e com raízes na mesma causa: IMPUNIDADE.

Saturday, June 30, 2007

Fotografia - Bettina Rheims












Bruno Tolentino 1941-2007


O Espírito da Letra, um dos poemas de "A Balada do Cárcere":


Ao pé da letra agora, em minha vida
há a morte e uma mulher…
E a letra dela,a primeira, me busca e me martela
ouvido adentro a mesma despedida

outra vez e outra vez, sempre espremida
entre as vogais do amor… Mas como vê-la
sem exumar uma vez mais a estrela
que há anos-luz se esbate sem saída,

sem prazo de morrer na luz que treme?!
O monstro que eu matei deixou-me a marca
suas pernas abertas ante a Parca

aparecem-me em tudo: é a letra M
a da Medusa que eu amei, a barca
sem amarras, sem remos e sem leme…

The Good Shepherd



A CIA liberou documentos essa semana que comprovavam entre outras coisas que eles tentaram mesmo envenenar Fidel Castro. Deve haver havido tanta sujeira nesse tempo todo que a agência existe que o fato desses arquivos serem abertos ao público se torna realmente admirável. Seria possível isso em algum país que não fosse democrático? Imagine se Fidel vai abrir os arquivos dele...
O filme The Good Shepherd de Robert de Niro conta a história de como surgiu a Central Inteligency Agency, desde suas origens durante a II Guerra Mundial até a famigerada invasão na Baía dos Porcos em Cuba em 61 que abalou a agência e o governo Kennedy.
O história é contada na visão de um homem seco e solitário. As reuniões da Skull & Bones, a sociedade secreta dos poderosos americanos, a aprendizagem com os ingleses na guerra, a guerra fria e as relações com os espiões russos. E aos poucos ele vai percebendo que o melhor para pátria nem sempre é o melhor para a própria consciência.

Our Synthetic Future


Assustador é este artigo da Newsweek de Rudy Rucker, um professor de computação da Universidade de S. José na Califórnia e escritor de ficção científica.
No texto ele imagina os avanços da biotecnologia e da nanobiotecnologia no futuro, e todas as imensas possíveis utilidades destas ciências para o homem.
Para começar ele fala de selecionar genes que seriam úteis para determinadas funções e assim criar novos microorganismos ou organismos inteiros sintéticos que seriam capazes de executar tarefas úteis para nós.
Por exemplo bactérias capazes de desentupir nossas artérias, ou plantas que pudessem retirar determinados metais do solo, ou aranhas tecendo fibra de carbono.
Ele diz que o perigo de um desses organismos se multiplicar e dominar o planeta é negligenciável. Para ele, todos os seres vivos do mundo já tem esse objetivo. Um ser sintético teria um dna muito mais pobre, e provavelmente seria mais “bobo” do que qualquer outro, e por isso incapaz de competir. Rucker imagina essas bactérias nerds saindo do MIT e encontrado outras que já estão nas ruas há milhões de anos. Quem ganha a briga?
O maluco fala de kits caseiros para construir um dinossauro, ou um cãozinho branco de bolinhas vermelhas. E depois de usar biotecnologia para modificar nossos próprios corpos. Por que usar silicone se você pode fazer crescer um peito novo? Ou imagine punks com um colar de dedos vivos em volta do pescoço...Ou outros modificando o cérebro para receberem sinais eletromagnéticos wireless, ou conectar um cérebro a outro virtualmente...
E finalmente, imagine uma pessoa isolar o dna que define toda sua personalidade e transformar isso em um vírus contagioso...Tenha medo, muito medo.
Para mim um biruta como esses pode escrever o que quiser em livros, mas deveria ser impedido de chegar a pelo menos 10 milhas perto de qualquer laboratório.
Rucker não aprendeu ainda o essencial sobre a vida, que ela é dinâmica, mutante, capaz de se adaptar. Esse futuro pode ser até possível, mas o que me dá medo é tudo o que pode dar errado nas nossas tentativas de chegarmos lá.

Epic - O futuro da mídia


Um amigo português me mandou o seguinte link:


http://epic.makingithappen.co.uk/

Desconheço quem fez esse filme, mas confesso que é bem bolado e dá calafrios em quem assiste. O filme mostra a evolução da internet desde a criação da www até o aparecimento da Amazon, Google, Blogger e baseado nessa história cria um futuro fictício onde as notícias serão personalizadas e inventadas automaticamente por algoritmos do Googgle que se juntou à Amazon. No filme, o New York Times processa o Googgle por violação de copyright e perde na Suprema Corte Americana, fechando sua edição digital e transformando-se em uma newsletter para a elite e para os idosos.
Por ironia, a identificação de uma personagem no filme traz o nome de Winston Smith, protagonista do romance 1984 de George Orwell.
Um futuro onde os jornais perderam completamente a relevância e o poder de representar a opinião pública não parece lá muito luminoso, mas não acredito que vá acontecer.
O ex-blog do César Maia divulgou trechos do artigo -Os Jornais e a Rede- de Rodolfo Windhausen para o jornal La Nacion, sobre a reunião da Associação Mundial de Jornais -WAN (sigla em inglês), que terminou na Cidade do Cabo -África do Sul. 1. Los pronósticos apocalípticos sobre la desaparición de los diarios como medios de comunicación -que no se han cumplido y probablemente nunca se cumplan- carecen de fundamento. Así como la radio no desapareció como medio de información por la aparición de la televisión, tampoco los periódicos desaparecen por la creación de la Red. En la historia del periodismo contemporáneo hubo ya muchas otras transformaciones; por ejemplo, la transmisión de radiofotos y la creación de las teletipos, que fueron fenómenos que no eliminaron nada, sino que contribuyeron a mejorar las comunicaciones (y la apariencia de los diarios) en todo el mundo. 2. Tampoco la aparición de las computadoras personales hizo que desaparecieran los periódicos impresos en papel y tinta, sino que los cambió, mediante un instrumento de innovación tecnológica: sólo sustituyó a las viejas y ruidosas máquinas de escribir. Prácticamente no hay ya periódicos, revistas, semanarios o mensuarios que no tengan una versión electrónica disponible online y, por tanto, accesible a muchos millones de personas en todo el planeta. 3. Sencillamente, hoy se escribe más, tal vez incluso mejor y de manera ciertamente distinta. Las conclusiones de encuentros como el de la WAN , lejos de ser profecías de un Apocalipsis o una muerte prematura de la prensa, son apenas una confirmación de que estaba en lo cierto aquel dramaturgo español que escribió: "Los muertos que vos matáis gozan de buena salud".

Neercanne



No fim de semana passado casou-se uma grande amiga, minha colega de trabalho por mais de dois anos. Neste Clustr Maps aqui do blog ela é responsável por aquela bolota vermelha em cima de Moscou. É lá que ela vive depois de ter se ido embora da Holanda com seu désormais esposo.
A festa foi nesse belíssimo castelo de Neercanne, perto de Maastricht, em uma das regiões mais bonitas da Holanda. Neercanne foi onde eu consegui pela primeira vez tomar um bom vinho holandês (dizem que por causa do aquecimento global a produção de vinhos finos se deslocará cada vez mais para o norte, pelo visto já começou). O castelo é dono de uma fantástica cave escavada na montanha e ainda tem uma excelente cozinha, e os hóspedes desfrutam até de uma exibição de falconaria ao vivo.
Nossos amigos em comum me deram a incubência de discursar na festa, o que só aceitei e consegui fazer devido às várias taças de champagne na cabeça. No futuro comunicarei a meus amigos que discursarei de bom grado em festas desde que devidamente abastecido.
Minha amiga, por causa do noivo saiu do Rio de Janeiro para Rotterdam, e de Rotterdam foi para Moscou. No meu discurso eu disse que em Moscou, onde ela foi pedida em casamento, é que o nosso holandês percebeu que só muito amor para fazer alguém sair voluntariamente dos 40 graus para zero, e depois para menos 20...
Ele é arquiteto, e na hora me lembrei de uma cena do fime The Lake House, onde pai e filho discutem arquitetura. O pai diz que um prédio em Tóquio não pode ser nunca como um em Barcelona ou em Nova Iorque, porque arquitetura é o estudo da luz, e a luz é diferente em cada lugar do mundo. A Renata e seu holandês também viajaram pelo mundo inteiro. Eu disse que pode ser verdade que a luz na arquitetura muda, mas que há uma luz que deveria ser igual em todo lugar, que é a luz que vem de duas pessoas que se amam. Eu realmente tinha tomado muita champagne.
Toda menina quer se casar. Mesmo as moderninhas que dizem que não precisam disso estão mentindo. Todas elas sem exceção, desde que têm Barbies querem ser noivas. Homens não pensam nisso. Minha irmã sempre insistia em casar a sua Susie com o meu Falcon, o que sempre acontecia sob meus veementes protestos.
Elas estão certas, porque o casamento é o dia em que elas viram princesas como nos contos de fadas, o dia em que viverão felizes para sempre.
Para os homens, é o dia em que prometemos a elas que iremos nos esforçar para que todos os outros dias sejam felizes como aquele, e que todos os dias faremos delas princesas.
Felicidades é o que desejo a ela, e a todos os meus amigos que se casaram.

LET US HAVE MADNESS


Poem by Kenneth Patchen


Let us have madnes openly, O men
Of my generation. Let us follow
The footsteps of this slaughtered age:
See it trail across Time's dim land
Into the closed house of eternity
With the noise That dying has,
With the face that dead things wear
Nor every say

We wanted more; we looked to find
An open door,an utter deed of love,
Transforming day's evil darkness;
But
We found extended hell and fog
Upon the earth ,and within the heads
A rotting bog of lean huge graves

Friday, June 29, 2007

Friday


Depois de uma longa semana longe deste blog estou aqui na madrugada, chuva lá fora, Dalwhinnies aqui dentro, velas e o Sting cantando all this time. Tanto para escrever...

Friday, June 22, 2007

O caçador de pipas


O livro de Khaled Hosseini andou por aí em várias listas de best-sellers do mundo. O sucesso deste romance, o primeiro do autor, não é tão difícil assim de se explicar. O livro é uma história formidável, contada de uma forma suave e gostosa de ler, e com um apelo universal.
Khaled Hosseini é afegão de origem, apesar de hoje viver nos EUA, mas percebe-se que muito do livro vem de suas memórias de infância.
O caçador de pipas é a história de Amir, um menino rico de uma família pashtun afegã, de sua infância em Cabul e de sua amizade com Hassan, um garoto da etnia hazara criado como serviçal da família. É essa amizade que ele vai trair, e a memória dessa traição o perseguirá durante sua vida. Ao mesmo tempo em que Amir é atormentado pela própria consciência, o mundo que ele conhece desmorona à sua volta com a chegada dos soviéticos e com a guerra no Afeganistão. Amir e seu pai fogem clandestinamente do país e chegam aos Estados Unidos onde terão que aprender a viver como imigrantes refugiados.
Muitos anos depois ele terá a chance de se redimir de seus pecados voltando a Cabul em pleno domínio dos Talibans.
O caçador de pipas é universal porque ao mesmo tempo em que nos dá um vívido retrato da tragédia afegã, cujas consequências vemos até hoje na televisão, fala de amizade, de família, de honra e sobretudo de erro, penitência e redenção.

Wednesday, June 20, 2007

20/06 World Refugee's Day


Na maior cara de pau


O PT escandalosamente acaba de conceder aumentos que vão de 30 a 140% a todos os cargos comissionados do governo, vale dizer, os cargos de confianção que não tem concurso e cujos integrantes são indicados pelos companheiros do Partido...
Ou seja, o Lula aumentou o número de cargos de confiança existentes no governo, o PT ocupou todos eles aparelhando o estado, suas empresas e instituições e agora os companheiros aumentaram o próprio salário enchendo os bolsos e tirando os cofres do PT do sufoco. Sim, porque segundo os regulamentos do Partido todos os companheiros têm que pagar um dízimo a São Lula.
O reajuste decidido por Lula custará € 277 milhões aos contribuintes.
Saiu no Estadão On-Line: O aumento concedido pelo governo a ocupantes de cargos comissionados deve aliviar as contas do PT, que está amarrado em uma dívida de cerca de R$ 45 milhões. Apesar de ainda não saber estimar a receita adicional que entrará nos cofres, o tesoureiro da legenda, Paulo Ferreira, afirmou que o aumento certamente ajudará a amenizar o aperto. 'Ainda não há como quantificar, mas na atual situação qualquer recurso ajuda a melhorar a nossa saúde financeira', afirmou."
É a cara de pau típica do Lulismo, e é o dever da imprensa ser o Grilo Falante desses Pinóquios mafiosos.

Sunday, June 17, 2007

Arte


Tanto na Holanda como na Itália a cada momento estamos tropeçando em obras de gente como Rembrant, Vermeer, Rafael, Boticelli, Michelângelo, o que é uma dádiva para quem gosta de arte. Há uns anos atrás fui a uma exposição de Lawrence Alma-Tadema no museu Van Gogh de Amsterdam. Alma-Tadema me era completamente estranho antes que eu visitasse essa exposição, no entanto nunca mais me esquecerei da perfeição de suas telas, da maneira de como pintava a água, tecidos, mármore, expressões. Da mesma forma imagino como era possível a Michelângelo transformar o mármore em gente. Aliás isso era algo de que ele mesmo se admirava, afinal foi o próprio quem deu uma martelada na sua escultura de Moisés dizendo “Fala!” e esperando que a estátua reagisse. Vendo a obra destes gênios me pergunto se alguém hoje em dia teria o talento pelo menos do dedo mindinho de um deles.
A verdade é que o ambiente econômico tanto na Florença do século XVI como em Amsterdã do século XVII ajudou e muito para que a arte se desenvolvesse tanto nos dois lugares, pois onde há dinheiro há sempre gente querendo gastar e precisando de status, algo que ter arte em casa traz.
Mas o dinheiro é só parte da equação. Hoje os museus recebem quantias milionárias e obras de arte são leiloadas por milhões de dólares. A feira de arte de Maastricht aqui na Holanda é um acontecimento social onde os bilionários europeus vêm despejar seus euros em busca de status. Na última edição, Silvio Berlusconi esteve por aqui gastando quantias astronômicas. Mas a verdade é que apesar de tanto dinheiro não existe ninguém hoje capaz de pintar ou esculpir como faziam os grandes mestres.
A arte obviamente evolui, e busca sempre novos caminhos, está em sua natureza. Picasso por exemplo dizia que quando começou sua carreira poderia pintar como Michelângelo, e levou sua vida inteira para aprender a pintar como uma criança.
Robert Hughes, o crítico de arte australiano deu uma excelente entrevista à Veja em abril passado. Diz ele que os modernistas que realmente importam, como Picasso, longe de negar os valores da arte clássica, usavam-na como inspiração. Basta ver as inúmeras versões que Picasso pintou usando As Meninas de Velasquéz para reconhecer sua genialidade ao desconstruir uma figura com sua técnica. Hughes diz ainda que hoje em dia o artista passou a ser valorizado pelo seu cacife, pelo preço de seus quadros e não pelo que sua arte representa. Andy Warhol por exemplo, o que revolucionou a arte nos anos 60 com pinturas como essa da lata de sopa de tomate Campbell’s, segundo Hughes é a reputação mais ridiculamente superestimada do século.
Mas a arte moderna de hoje ignora o passado. Nas bienais e trienais da vida, o que encontramos são superinstalações feitas geralmente por gente sem talento algum e sem nada a dizer.
Roger Kimball escreve um artigo intitulado “Why the art world is a disaster” na revista The New Criterion. Segundo ele, hoje em dia, os artistas e suas mega instalações que querem ser sempre mais chocantes, mais desafiadores e mais inovadores, e não percebem que longe de serem subversivos em relação ao establishment, este tipo de arte tornou-se o establishment...Segundo Kimball, a única coisa que eles desafiam é a paciência do espectador. E isso não tem nada de novo. Nos anos 40 George Orwell já escrevia: “Just pronounce the magic word Art, and everything is O.K. Rotting corpses with snails crawling over them are O.K.; kicking little girls in the head is O.K.; even a film like L’Age d’Or (que mostra detalhes de uma mulher defecando) is O.K.
Para Kimball, o desastre que vemos hoje no mundo das artes é herança de gente como Warhol e Marcel Duchamp e seus dadaístas. Para ele a arte ocupa hoje “a curious no man’s land between criticism, political activism, and pseudo-philosophical speculation.”, fruto do excesso de dinheiro e da separação do mundo das artes com a arte em si.
Arte, como Kimball e Hughes definem é algo que dá prazer e enobrece a quem a vê. Não precisa ser cara, não precisa estar na moda. Arte assim é eterna.

Saturday, June 16, 2007

Oriundi

A parte mais emocionante de nossa viagem foi sem dúvida uma visita a Novi Velia, um pequeno vilarejo encravado nas montanhas do Cilento, na província de Salerno na Itália.
Ali no centro desta vila há uma velha torre medieval e ainda se vê o mar de um lado e as florestas de carvalho e as montanhas do parque nacional do Cilento do outro.
Na primeira rua há um velho sobrado de 1846 onde viveu meu bisavô. Hoje ali mora sua sobrinha. Hoje já velhinha, me disse que ainda se recordava do dia em que ela era menina e que levou meu bisavô ao porto de Napoli para embarcar no navio com destino ao Brasil. Ali na mesma casa conheci gente da minha família que eu nunca tinha visto antes.
Especialmente em um país formado por imigrantes e tão miscigenado como o Brasil, as pessoas estão sempre em busca de suas origens. É emocionante ter encontrado parte delas.
E é mais divertido ainda imaginar tudo o que aconteceu até você aparecer no mundo.
A torre no centro de Novi Velia é ainda uma herança lombarda, ou longobarda como chamam por lá aos bárbaros que invadiram e acabaram com o Império Romano na Itália do século VI.
Um livro chamado Origo Gentis Langobardorum conta a história de um povo chamado Winnilers, vindos de uma ilha nórdica chamada Scadanan. Ao invadiram o território dos Vândalos na costa do mar Báltico, os Winnilers foram aconselhados por seus deuses a marcharem junto com suas mulheres que deveriam amarrar os cabelos em volta do queixo para parecerem homens de longas barbas, pelo que ficaram conhecidos como os longobardi. Do Báltico, os lombardos chegaram ao vale do Danúbio e depois à Itália.
Dessa gente apareceu minha família em Novi Velia. De lá saiu meu bisavô, meu avô e minha mãe, que se juntou com o meu pai cuja família há alguns séculos atrás estava decepando mouros na Ibéria...
Afortunadamente, estudar de onde viemos pode ajudar a saber para onde queremos ir.
Estou quase certo de não querer voltar a ser um bárbaro de novo. Quase.

Bella Italia


Um país que tem mais de 60% do patrimônio histórico mundial tombado pela Unesco certamente mereceria uma visita de pelo menos um ano, o que é impossível à maioria dos mortais pelas duas razões mais óbvias do mundo, tempo e dinheiro. Por isso, nesta última road trip, quis levar meus pais e minha esposa conhecerem duas das que considero as mais belas regiões da Itália, a Toscana e a Campania.
Meu verdadeiro interesse na Itália (ou meu interesse como turista em geral) não está em seus museus e monumentos, mas nas pequenas coisas que fazem a Itália ser Itália.
Visitar as pequenas vilas medievais da Toscana me dão muito mais prazer do que andar no tumultuado centro de Firenze, esperando horas na fila da Galeria Uffizi para observar por alguns minutos as partes baixas do David de Michelângelo. Quando passamos por Roma havia uma fila de quilômetros para entrar no museu do Vaticano, onde está a capela Sistina. Acho que até o Pontífice Máximo chegaria na capela com o saco na lua depois de toda aquela espera no sol quente. Eu desisto logo.
Eu prefiro caminhar pelas ruelas de Siena, rodar pelas estradinhas descobrindo igrejas perdidas, outros vilarejos, campos de trigo, mosteiros, cada um como se fosse em si uma pintura esperando para ser descoberta. Observar os velhotes a jogarem o dominó e as cartas no bar, as velhas casas de terracota com vasos de gerânios, pintura descascando e cuecas e sutiãs no varal pendurado para fora da janela. Prefiro sentar na praça, descobrir uma boa trattoria escondida e apreciar um Chianti comendo prosciutto crudo com queijo parmesão, berinjelas no azeite e um belo prato de massa. Essa é a verdadeira Toscana, e a verdadeira Itália.
E a Campania... É a terra da mozzarela, da pizza, do fusilli, do limoncello e do café expresso extra extra forte. Fomos primeiro a Nápoles. “See Napoli and die”, disse um dia Herman de Melville, frase copiada e repetida até hoje pelos napolitanos. Esta cidade um dia deve ter sido magnífica. Hoje vemos velhos edifícios decadentes, um trânsito caótico, e até alguns meses atrás a Camorra ainda estava ajustando suas contas à bala nos subúrbios. Em uma rua de um bairro popular próximo ao porto, forrado de bandeiras azuis do Napoli Futebol Club um carro na nossa frente desceu a ladeira de ré para se arrebentar contra o muro no outro lado da rua. No volante, um cachorro com cara de quem perdeu a dona. Parece mentira mas não é. Considerando a frequência das buzinas, o estacionamento em fila dupla e toda a zona generalizada no trânsito, não se acha um carro intacto na cidade...Mesmo assim sobrevivemos e passamos ainda pela belíssima costa Amalfitana, de Salerno até a chiquérrima Positano, visitamos as assombrosas ruínas de Pompéia ao pé do Vesúvio, e o Cilento, as montanhas de onde saiu minha família materna há muitos anos atrás...
E como todos os caminhos levam a Roma acabamos a road trip por lá. No mesmo dia em que o Bush visitava a cidade. Com todos os carabinieri mobilizados, a cidade estava um caos. Coitado dele, achando que estava seguro por ali. Os polícias italianos estavam mais preocupados em impressionar as mocinhas que passavam do que com a segurança dele. É a Itália que eu gosto.

Daniel Dantas


A revista Piauí de junho traz uma reportagem/entrevista com Daniel Dantas. Daniel Dantas é milionário mas eu detestaria ter a vida que ele leva. O sujeito passa 80% do seu tempo com advogados. Não aprecia bons vinhos nem boa comida, despreza cinema e teatro apesar de patrociná-los e vê arte apenas como investimento.
Lendo as páginas da revista, além de ficarmos conhecendo a espantosa carreira de Daniel Dantas, passeamos pelos bastidores dos governos FHC e Lula, pela era das privatizações e da chegada do PT ao poder. Ali temos uma vaga idéia da sujeira, da brutalidade, dos conchavos, alianças e traições, e das negociatas lá nas trevas e nos porões do mundo dos negócios e da política.
Os desafetos dizem que ele é um tubarão nos negócios. Não tenho como julgá-lo, mas com absoluta certeza posso dizer que burro ele não é.
Ele e seu banco Opportunity conseguiram controlar a Brasil Telecom quando a telefonia no Brasil foi privatizada. Desde que se desentendeu com o governo petista por ter se recusado a dar dinheiro (US$ 50 milhões) a Luiz Gushiken para pagar contas de campanha do PT, Daniel Dantas tem sofrido estranhos reveses, enquanto seus adversários são beneficiados nos negócios.
Recentemente, o governo tem feito pressão no sentido de fundir a Brasil Telecom com a Telemar, controlada pelo fundo de pensão da Previ.
Segundo a Piauí, na avaliação de Daniel Dantas, contudo, a intenção dos petistas é fazer uma re-estatização do setor, ou uma “previtização”, trocadilho que criou para se referir ao espaço que a Previ passaria a ocupar. Hoje, os fundos de pensão estatais têm grande participação nas operadoras. Caso a fusão venha a se concretizar, o Estado será o acionista majoritário, com 63% do capital da nova empresa. Porém, com uma vantagem em relação a uma estatal: os fundos de pensão não estão sujeitos à fiscalização do Tribunal de Contas da União. “Nesse caso, o governo vai poder fazer contratações e dispor do caixa dessas empresas, que somam 6 bilhões de reais, sem ter que dar nenhuma satisfação”, afirma.
Mais do que isso, a fusão das companhias dará ao governo muito mais do que o simples controle do caixa. O que ele vislumbra é que as empresas serão um instrumento de controle de informação, pois, juntas, cobrem todo o país, com exceção de São Paulo.
Como eu disse, burro ele não é. Nós deveríamos prestar atenção no que ele está dizendo agora.

Thursday, June 14, 2007

Word Challenge


O concurso World Challenge, uma parceria entre a rede BBC, a revista Newsweek e a petrolífera Shell foi criado há 3 anos para premiar projetos e empresas que ajudassem o desenvolvimento sustentável nos países pobres, fazendo a diferença nas suas comunidades.
Este ano são 12 os finalistas, entre os quais figuram dois projetos brasileiros. Em dezembor, os três melhores receberão um prêmio da Shell aqui em Haia, na Holanda. O primeiro colocado receberá US$ 20.000. Uma olhadela na descrição de cada um dá um alento de esperança ao mostrar que existem boas idéias para sair do buraco, e que estas boas idéias têm muito mais valor do que a política de caridade-bolsa-miséria adotada pelo governo.
Como no velho ditado chinês de que é melhor ensinar a pescar do que dar o peixe.

STEAMING AHEAD
The Masarang Palm Sugar Factory - INDONESIA
Extracting the sugar from sugar palm requires a good deal of heat. For the farmers of Tomohon, a mountainous region of Indonesia, timber was the obvious source. Seeing the damage being done to his beloved rainforest, conservation expert Dr Willie Smits hooked the palm farmers up with a local geothermal power project. He established a factory that uses waste steam from the power plant to heat the sugar palm sap. The resulting high-quality product is now being successfully exported – with all profits going direct to the farmers’ cooperative. Some 6285 poor farmers and their families are now benefiting from the project, and around 200,000 square metres of forest have been preserved. Dr Smits believes his business model could serve throughout Indonesia as a sustainable alternative to the destructive Palm Oil trade.

COOKING WITHOUT GAS
Foundation for Sustainable Technologies (FoST) - NEPAL
In 1995, Sanu Kaji Shrestha ran out of cooking gas. So too did nearly everyone else in Kathmandu, as a countrywide shortage set in. Demand was so great Sanu had to take three days off work to queue up for more fuel. This first-hand experience of his country’s dependence on external energy supplies set Sanu thinking. He began to look into sustainable energy technologies for the domestic market, researching existing designs and adapting them for the Nepalese market. In 2001 he retired from his day job to concentrate on bringing low-cost, high-efficiency energy technologies to Nepal’s rural and urban poor. Measures developed to date include simple yet ingenious solar cookers and briquette presses to make smokeless fuel from waste materials.

S.O.S: SAVE OUR SEAWEED
Ider Project - BRAZIL
The seaweed of Brazil’s North Eastern coast is much in demand by the country’s meat, dairy and cosmetics industries. For many decades, coastal communities were able to supply this demand by simply collecting the plants from the rocks. But in recent years, over-harvesting has led to the collapse of seaweed beds across long stretches of Brazil’s coastline. This has in turn led to a decline in fish stocks, leaving fishermen – as well as seaweed collectors – out of work. The project is working to repair the damage by encouraging traditional fishing communities to cultivate a sustainable supply of seaweed. Seaweed seeds are attached to anchored ropes. Within two months they have grown into full-size plants ready for harvesting. The seaweed is then dehydrated using solar-powered cleaning and drying machines. The villagers are now selling their product for a much higher price than they used to get for their unfarmed seaweed. And fishermen are reporting a heartening recovery in seaweed-dependent fish stocks.

TOP OF THE CROPS
Arghand - AFGHANISTAN
Despite the efforts of American and British forces to put the squeeze on Afghan opium production, the country remains by far the world’s largest source of heroin. Arghand Inc is approaching the problem from a different angle. By creating a market for crops such as almonds, apricots, pistachios and liquorice root, the company reduces opium production without depriving farmers of an income. The exotic crops are used in the manufacture of high-end soaps and skin-care products for the export market. These products might not have quite the same street-value as heroin, but because Arghand operates on a fair trade basis, its farmers end up with more cash than they’d get from growing opium. Arghand was set up in 2005 by journalist Sarah Chayes, whose first-hand experience of Southern Afghanistan inspired her to strike at the chains of poverty and violence that bind the region to the opium poppy.

LIMBS FROM LEFTOVERS
Mend - NEPAL
There’s little in the way of formal support for disabled people in Nepal. Ganga Rayamajh’s story is typical. Having lost both her legs as a baby, she had no option but to crawl to school, as her family could not afford to buy expensive imported prosthetics. But at the age of 17, thanks to New Zealand charity MEND, Ganga was finally fitted with artificial legs. Since then she has striven to improve the lives of other disabled people through local charity ASHA. In 2004, ASHA and MEND set out to develop a range of artificial limbs, tools and other mobility devices that would be within the price range of even the poorest Nepalese. They came up with an innovative cost-cutting solution – to use everyday wastes as their raw materials. Moulds for artificial legs, for example, are cast from aluminium cans, while the legs themselves are made, in part, from recycled plastics.

HALF PRICE HYGIENE
Maka - UGANDA
The price of imported sanitary pads – around US$1 for a pack of ten – puts them beyond the reach of Uganda’s poorest families. Accordingly, many disadvantaged girls skip school during their periods, creating a vicious cycle in which the poorest fall furthest behind in their education. Noticing this trend in Kampala, Dr Musaazi Moses set himself the goal of producing sanitary pads that could be sold for no more than US fifty cents per pack. He was able to keep costs down by using locally sourced materials – elephant grass and paper – and manufacturing the pads on a cottage industry basis. The current rate of production stands at around 1,500 pads per day – and Dr Moses expects this to increase over time. Since its foundation in 2004, MAKA sanitary pads have benefited hundreds of girls in Kampala and beyond.

HERBAL HEALING
Sa Pa Essentials (SPE) - VIETNAM
The mountainous region of Sa Pa in northern Vietnam is an invaluable storehouse of medicinal plants – many of which have been used for centuries by the local population. Bridging the Gap was established to protect these species from the increasing threat of over-harvesting – while at the same time boosting incomes and improving lives within the community. Having identified active ingredients through traditional knowledge as well as scientific testing, Bridging the Gap encourages sustainable cultivation of the medicinal species. It then extracts, processes and markets essential oils from the plants, ensuring at every stage that the communities’ intellectual property rights are respected.

HIGH SWEET FASHION
Mitz - MEXICO
The brainchild of Montessori schoolteacher Judith Achar, Mitz Bags began in 2003 when a countrywide economic crisis plunged many of her pupils' parents into poverty. Judith came up with several income-generating schemes, and eventually hit upon the idea of weaving trendy bags and accessories from recycled sweet wrappers. The bags-hand-woven using ancient Nahua Indian techniques – have scored a hit in Mexican, US and European markets. Around 2000 products are sold under the 'Mitz' name – translation: "for you" – every month.

SCHOOL FOR SUCCESS
Ecole Paradis ded Indiens - HAITI
The Paradis des Indiens project began as a one-room school in the small fishing village of Les Abricots. Canadian expatriate Michaelle de Verteuil set up the school especially for children whose families couldn’t afford uniforms and shoes – without which they were unable to attend Haiti’s ordinary schools. More than 30 years later and Paradis de Indiens has expanded into a multi-faceted development programme. Poverty reduction activities include beekeeping, embroidery, woodworking and fruit-drying schemes. Environmental efforts are focused on reforestation – a key priority for tree-stripped Haiti. The project also runs a microfinance scheme to foster local businesses and lift individual families out of poverty. However, Paradis des Indiens has not neglected its ‘core business’ – ten small schools now run under its name, each with around 150 students.

PEACE WOODS
Maderas Para La Paz - COLOMBIA
The Peace Woods timber company was set up by eight ex-combatants to provide a decent living for themselves and others like them. By keeping former militiamen out of trouble; by offering a way out for those still involved in Colombia’s various militias; and by uniting one-time enemies under the same banner, the company can genuinely claim to be furthering the cause of peace in Colombia. Peace Woods specialises in kiln-dried timber and parts for wooden furniture. The wood is sustainably harvested in strict conformance with international Forest Stewardship Council environmental standards, making Peace Woods a force for environmental as well as social good.

POTATO GOLDMINE
T'ikapapa - PERU
The farmers of Peru’s high Andes are among the poorest in the country, with average incomes of under US $1 per day. Yet these farmers are sitting on something of a goldmine, for the region is home to some 3000 varieties of potato. These native strains bear little resemblance to the familiar staple of Western diets – many are brightly coloured (inside and out) and strangely shaped, as well as vitamin-packed and organically grown. T’ikapapa was set up to bridge the gap between the Andean farmers and the potato market, allowing them to see the benefit of their premium goods. The project’s ‘participatory market chain approach’ is now being applied to potato chips and other value-added products.

OUT OF THE FOREST
Brasmazon and Coopemaflima - BRAZIL
Marajo Island in the Amazon is totally surrounded by fresh water – the largest such island in the world. The 200,000 people who live there are blessed with abundant fish during the ‘dry season’. But during the other half of the year, when the fish migrate elsewhere, the population suffers. This same ‘rainy season’ is also the cue for the Andiroba tree to deposit its water-born seeds. Vast numbers of these seeds are carried downriver every year. Many fetch up on the beaches of Marajo. Until recently the seeds were seen as nothing more than an annoyance. But Brazilian company Brasmazon saw an opportunity to turn them into an alternative income source. They helped to establish a cooperative to collect the seeds and extract their oil for sale to the cosmetics industry. Brasmazon now buys around 500 tonnes of seeds from the cooperative every year, benefiting around 1000 islanders.

http://www.theworldchallenge.co.uk/

Wednesday, June 13, 2007

Friday, June 01, 2007

La Dolce Vita


Estou na Itália a semana que vem...

Volto dia 12/06...Dia dos namorados! A foto é em homenagem à Itália e aos namorados....

Thursday, May 31, 2007

Woman in art


Mais uma excelente contribuição do meu amigo Jiló para este blog. Assistam este vídeo!
Afinal não é verdade que as mulheres tem sido nossa inspiração desde sempre?
Nosso mundo sem elas seria muito menos belo...



Wednesday, May 30, 2007

A Imprensa da América do Sul na Mira


Um dos sintomas mais graves da esquerdopatia é o ódio à imprensa livre.
Do blog do César Maia:
TENDÊNCIA ALARMANTE diz no artigo a colunista Inês Capdevila do La Nacion! Trechos!

1. Na América do Sul, nas últimas décadas, as relações entre governos e imprensa sempre foram sinuosas. Hoje, os governos adotam cada vez mais a confrontação como estratégia. As táticas têm diferentes facetas. Uma é o hermetismo do governo de Bachelet. Outra é a ironia do governo de Lula. E a guerra declarada de Hugo Chávez à imprensa, caminho seguido por Evo Morales e Rafael Correa. Os governo compartilham uma visão dos meios de comunicação: para todos a imprensa é um rival. Nos países da região mais acossados por crises institucionais ela é o adversário que substitui a oposição política, quase um inimigo.

2. A imprensa não é para Bachelet um inimigo a combater. Mas é, em todo caso um contrincante pouco confiável. Por sua mentalidade mais ideológica, por sua desconfiança do quadro político, a presidente tem uma obsessão com os vazamentos e infiltrações.

3. Não só com a matéria do NYT e seu correspondente Lula teve problemas. As relações do presidente brasileiro com a imprensa nunca foram intensas. Lula evita o contato com a imprensa. Em seu primeiro mandato -excluindo o ano eleitoral- só teve contato com a imprensa uma vez, em abril de 2005. Lula agregou a retórica do desprezo. Ataca a imprensa por "só publicar más notícias", como crime, corrupção e pobreza. Chegou a enviar ao Congresso um projeto de lei para criar o Conselho Federal de Jornalismo para "orientar e disciplinar" a mídia.

4. Também são habituais as ofensivas verbais do presidente Tabaré Vazquez contra a imprensa uruguaia. Acusa-a de "conspirações e complôs". Em 2006 ele chegou a divulgar uma lista negra de meios de comunicação que acusou de integrar a "oposição".

5. "Os partidos políticos se esvaziaram. Já não são representativos. Essa é nossa realidade. Então a sociedade se volta à imprensa, que absorve a crítica e assume funções dos atores políticos. E os governos querem castigar isso e calar a dissidência", diz desde Caracas, Marcelino Bisbal, especialista em comunicação.

6. Chávez abriu um caminho, hoje transitado por Rafael Correa e Evo Morales. Segundo Bisbal embora ainda longe de cancelar licenças como Chávez, o presidente boliviano ataca os donos dos meios de comunicação de "principais inimigos" de seu governo. Para enfrentá-los Morales quer criar uma ampla rede de rádios comunitárias por toda a Bolívia, financiada com 1,5 bilhão de dólares vindos da Venezuela.

7. Os donos dos meios de comunicação também são os maiores inimigos de Rafael Correa, segundo ele diz. Ele anunciou que revisará as concessões de rádio e TV. Apoiado por sua alta popularidade, ele lançou desde o inicio do mandato uma crescente ofensiva contra a imprensa, que inclui propostas para limitá-la constitucionalmente. Tem demandado judicialmente a imprensa. Em seu caso, a guerra contra a imprensa recém começa.

Esquerdopatia


Quando escrevi o post Este estranho mundo circular, a Tilda que eu não conheço mas que faz parte de um blog bacana, o Desagradável, comentou que o que vemos hoje não é o Brasil do PT, é o Brasil. Segundo ela o PT não tornou o país pior. Somente o manteve como sempre foi, para a decepção de quem acreditou nele. E mer pergunta se PSDB e PFL mudariam algo no cenário Hanna-Barbera? Escândalos já são crônicos na nossa história. Nenhum governo se salva.
Pode ser. É claro que muitos políticos roubam independente de seus partidos. Mas há algo de muito mais grave nos petistas do que há nos outros, algo que só pode ser definido como esquerdopatia.
A esquerdopatia é uma doença onde a moral individual é substituída por uma moral coletiva. E problema dessa moral coletiva é que ela é decidida por um Partido e seus ‘‘intelectuais’’, e é a mesma moral que já matou centenas de milhões no século passado. O esquerdopata assume que se é para o bem do povo todos os métodos são válidos, mesmo que no caminho sejam atropeladas a democracia e o Estado de Direito.
Hugo Chávez fechando um canal de televisão, Evo Morales roubando a Petrobrás, José Dirceu comprando deputados com o mensalão, Delúbio fazendo caixa 2, o PT comprando um dossiê falso contra José Serra, Lula criando uma TV estatal e restabelecendo a censura prévia, estudantes invadindo a reitoria da USP, Sem-terra depredando propriedades privadas, a UnB defendendo o “direito achado na rua”, uma secretária de Estado justificando preto bater em branco, tudo isso são sintomas de esquerdopatia.
O PSDB e o PFL podem ter políticos que roubam para encher os bolsos, como sempre houveram muitos no Brasil. Mas só o PT criou um método de aparelhamento e assalto organizado ao estado e suas instituições e empresas, com o objetivo de perpetuar-se no poder e impor sua moral a todos os brasileiros. É o horror.
O homem, e em consequência sua família, seu bairro, seus países e seu mundo, só melhora se individualmente tomar consciência de seus atos e suas consequências e agir com respeito ao próximo. É no indivíduo e no seu livre arbítrio, e não no coletivo, que repousa o limite entre barbárie e civilização.

King of the Jump


‘‘Porque você me olha assim ? Eu não te quero, já disse.
Mas eu não aguento ficar longe, tenho que te ver todos os dias !
Eu é quem não aguenta mais, qualquer dia perco a paciência. Vá procurar o que fazer, cuida da sua vida, larga do meu pé !
Não meu amor, eu quero você, não me abandone !
Você está me deixando louco ! Eu vou aí te pegar.
Isso, me pega, me joga no chão, me morde…’’
Este seria um péssimo diálogo de novela venezuelana, mas é a minha versão para o que aconteceu de verdade entre Petronella Yvonne, uma holandesa, e seu amado Bokito. O caso não mereceria a menor atenção, mas o inusitado é que Bokito é o gorila do zoológico de Rotterdam. Na semana passada, este King Kong moderno pulou um fosso de água de três metros de largura e saiu caçando uma mulher pelo zoológico. Ao encontrá-la no bar Bokito deu mais de cem mordidas na mulher que foi parar no hospital em estado grave. A doida visitava o gorila quase que diariamente e disse que sua admiração pelo gorila era retribuída com olhares e sorrisos…Qualquer biólogo pode dizer que macaco não ri, quando ele mostra os dentes é sinal de agressividade, e qualquer encarada na selva significa um desafio para uma luta.
Bokito virou cult na Holanda, ganhou fã-club, letras de músicas uma empresa esta vendendo camisetas com sua foto e as frases “King of the Jump” e “Give me a hug”. Uma pesquisa feita na Holanda mostrou que metade da população está a favor de Bokito neste caso. Eu também.
Há certas pessoas que esquecem desta linha traçada há milênios que separa homem de animais. Algumas pessoas tentam cruzá-la de volta, comportando-se às vezes como animais (o marido de Suzana Vieria deu uma de Bokito no motel com uma prostituta), o que é um caso de psiquiatria. Outras preferem ignorá-la e quase sempre se dão mal, mesmo os mais experimentados :

http://deslumieres.blogspot.com/2006/09/grizzly-man-and-crocodile-hunter.html

Tuesday, May 29, 2007

Vive la Gaule!


Quando me perguntam a diferença entre viver na França onde passei dois anos, e na Holanda onde vivo hoje, sempre suspiro e olho para cima, relembrando meus bons tempos em Anjou. Embora os dois países tenham uma excelente qualidade de vida, o que me faz mais falta é o espírito francês em apreciar as boas coisas da vida, especialmente em gastronomia. Gostar de um bom vinho, tomar o tempo necessário para preparar e saborear uma refeição e todos os seus ingredientes, e enquanto isso discutir culinária (principalmente), arte, política, literatura… Isso é algo que passa longe dos holandeses, sempre práticos em suas refeições, sempre indiferentes aos sentidos. Mais do que uma diferença entre França e Holanda, este é um traço cultural generalizado que separa a Europa do Sul, latina, da Europa do Norte escandinava ou anglo-saxônica.
Jacques Attali em seu blog cita um estudo do Insee, o IBGE francês, que os franceses, em sua maioria, são os últimos ocidentais ainda a almoçar e jantar em família. Diante da máquina de fabricar solidão que se tornou a sociedade ocidental moderna, onde todos almoçam de pé em 15 minutos no local do trabalho, os franceses são os últimos a resistir, e resistir é algo que eles fazem bem. Ainda segundo o Insee, o resultado está na saúde dos franceses que são menos obesos e sofrem menos de doenças cardio-vasculares. Mas mesmo na França as refeições estão perdendo seu sentido original enquanto os homens assistem a TV e as mulheres arrumam a louça. Attali, como bom francês (e talvez futuro secretário de Sarkozy) recomenda que as refeições devem ser protegidas em sua duração e forma e que as tarefas sejam divididas entre os sexos. Ele diz que refeições devem ser tratadas como um assunto do mais alto interesse político, e que é a atitude de um povo em relação à refeições que cria o essencial da construção social, por ser a principal ocasião de partilha e transmissão de conhecimento na família. Dou o maior apoio e rezo para que algum político holandês lhe ouça, obviamente uma utopia minha. Mesmo assim ainda continurei fazendo campanha pelo Slow Food Movement e preservando as refeições possíveis na minha família, em uma grande mesa e com javali assado. E com aquele parente chato amarrado na árvore, por Tutatis!

Thursday, May 24, 2007

Wednesday, May 23, 2007

A vingança de Erik the Red

A imprensa deu um grande destaque há alguns dias a uma notícia sobre uma nova ilha que teria aparecido na Groenlândia, depois que derreteu
todo o gelo que a encobria ligando-a assim à terra firme. A patrulha do aquecimento global chamou a atenção sobre as mudanças climáticas e sobre
o desastre que é a presença do homem no planeta. Ninguém informa que a Groênlandia já foi mais quente do que é hoje. Foi aquele calor medieval que possibilitou a descoberta e a colonização da ilha por vikings da Islândia, liderados por Erik The Red. Não foi por acaso que Erik chamou a ilha de Terra Verde, já que na parte sul da ilha cresciam extensos relvados durante o verão. A colônia viking permaneceu ali por mais de cinco séculos. Estudos arqueológicos indicam que os vikings criavam vacas e carneiros e plantavam hortaliças e aveia. Durante 500 anos este foi o mais avançado posto conquistado pelos europeus no Ocidente. Foi
dali que partiram também as expedições vikings que descobririam a América muito antes de Colombo. Segundo Jared Diamond em seu livro Collapse, foi o frio da chegada da Little Ice Age que causaria a extinção dos vikings da Groênlandia.
Olavo de Carvalho escreveu um interessante artigo comentando a viagem de Al Gore ao Brasil e seu encontro com Xuxa Meneghel para salvar o mundo. Diz ele que "a condição básica da investigação científica é a renúncia ao dom de proferir verdades definitivas, quanto mais ao de
transfigurá-las em leis e reivindicar a punição dos discordantes. A própria natureza crítica e analítica do processo científico exige essa renúncia, bem como a abertura permanente e ilimitada às objeções e críticas, que são a alma mesma da racionalidade científica. Essa renúncia, que deu à classe dos cientistas o prestígio incalculavelmente valioso da modéstia racional em confronto com as pretensões dogmáticas do clero religioso, dissolve-se a si mesma no momento em que as conclusões provisórias de tal ou qual conjunto de investigações são proclamadas como verdades
definitivas e a tentativa de discuti-las é criminalizada como um ato de lesa-majestade".
Talvez o calor seja a vingança de Erik contra os eco chatos.
Já recomendei antes mas vale a pena ver de novo, assistam a este documentário:

The Great Global Warming Swindle

Este estranho mundo circular


Parece que uma nova onda de escândalos está abalando o primeiro escalão do segundo mandato do presidente Lula. Que surpresa! Quem acha que a última eleição "absolveu" o PT e seu líder de todas as culpas está vendo o erro agora. Triste sinal dos tempos, como bem observou João Ubaldo Ribeiro, Lula recusa-se a beijar a mão do Papa mas não vê problema nenhum em beijar a mão de Jader Barbalho.
Diogo Mainardi uma vez escreveu que dois de seus maiores inimigos eram os sócios da Hanna-Barbera, os criadores de desenhos como os Flintstones, Jetsons, Herculóides, Tom & Jerry, Zé Coméia e tantos outros. No mundo circular desses desenhos baratos, os personagens enquanto caminham passam sempre pela mesma pedra, a mesma árvore, o mesmo cachorro de gravata. Mainardi tem razão, o Brasil do PT se parece mesmo com um desenho da Hanna-Barbera. Estamos passando sempre pelos mesmos ladrões, pelos mesmos crimes, pelos mesmos escândalos e pela mesma pizza. E no final voltamos sempre ao mesmo ponto.

Tuesday, May 22, 2007

The end


On the Road


Skye


Castelos


Edinburgh


Schotland


Minha road trip começou na histórica Edinburgh. Ao por os pés na cidade logo senti o que há de mais marcante ali, a chuva fina e o cheiro de malte fermentando. Não é brincadeira, quem já passou perto de uma cervejaria funcionando sabe exatamente que cheiro é esse. Pois é o cheiro de Edinburgh. A parte interessante da capital escocesa se resume a uma longa ladeira, a chamada Royal Mile que une os palácio de Holyrood no vale e o castelo de Edinburgh no topo do rochedo que domina o skyline da cidade. Ali, nos velhos edifícios de pedra cinza estão séculos de história, não só na superfície como abaixo dela, onde milhares de miseráveis viviam apinhadas nos túneis cavados no morro. Hoje, diz-se que são mal assombrados e os turistas fazem a festa caçando fantasmas por ali. Mas Edinburgh não deixa de ser uma cidade turística, com suas lojas de souvenires e guias vestidos de kilt. O melhor programa ali, como em outras grandes cidades inglesas e irlandesas é curtir a vida nos pubs, experimentando cervejas, whiskeys, ouvindo uma música celta ou folk e provando o que há de melhor na culinária anglo saxônica: comida de bar. Torta de carne cozida na cerveja, bife de cervo, salsicha ou peixe com batata, hamburguer (do legítimo) e na Escócia haggis, o prato típico local feito com buchada de carneiro e aveia cozida. A outra coisa boa na cozinha deles são bolos e tortas, mas isso é lá para o chá das cinco.
De Edinburgh saí dirigindo pela esquerda (segundo um amigo inglês “it’s the most natural thing in the world”, oh céus...) e na chuva rumo ao oeste do país por estradas vicinais, e em algumas delas só passa um carro de cada vez. De tempos em tempos você tem que encostar para dar passagem a quem está vindo. Mas ali nessas estradas, a cada curva, a cada morro, é como se estivéssemos entrando em uma pintura. São fazendas, bosques, riachos, cachoeiras, lagos, castelos, igrejas, pontes e muros de pedra, montanhas e paisagens inesquecíveis. Com o carro atravessamos o Great Glen, a imensa falha geológica que divide a Escócia na diagonal e aí entramos de verdade nas Highlands escocesas, com destino à ilha de Skye.
De Skye subimos pelas margens do lago Ness até Inverness, e descemos outra vez até Edinburgh passando pelas belas montanhas do Cairngorm no centro do país. Aí visitamos (de penetra numa excursão de espanhóis) uma das destilarias mais altas da Escócia, e na minha opinião a que faz o melhor whiskey do país, a Dalwhinnie. O verdadeiro scotch single malt (diferente dos blends tipo Bells ou JB) se divide entre o produzido nas Highlands, no vale do Spey e nas ilhas. O malte é tostado lentamente a fogo de turfa, o que dá o gosto defumado característico do scotch, mais acentuado no malte das ilhas como o Talisker e mais suave no das Highlands como o Dawlhinnie.
Mas a Escócia foi muito mais do que eu esperava, além do whiskey e da gente simpática. De toda esta viagem, o que ficará marcado na memória é a sensação de subir no topo mais alto da ilha de Skye.
Skye tem algumas das paisagens mais marcantes da Escócia. É uma terra nova, desolada e ao mesmo tempo bela. Chegar ali é como se estivéssemos aterrissado sobre um planeta desconhecido, ou nossa própria Terra nas origens do tempo. Tudo é rocha, vento, água no céu, no mar, escorrendo das montanhas como se esta ilha acabasse de surgir das águas. E fogo, fogo de todas as guerras que esta terra já viu. Acho que o que emociona nessas montanhas, o que nos faz sentir primitivamente ligado a estas highlands é a crueza de uma vida brutalmente confrontada aos quatro elementos. E secretamente penso que no fundo de cada um há algo de highlander, um homem primordial lutando para sobreviver face à natureza inóspita, forte e orgulhoso de desafiar a morte e a tempestade.