Tuesday, November 06, 2007

Uruguay


O Uruguai é verde. Entrei no país pelo norte, voando até Rivera e Tacuarembó, que descobri ser a terra natal de Carlos Gardel. Logicamente todo mundo pensa que o rei do tango é argentino mas não é, é uruguaio. Por ali viaja-se entre campos e colinas todas verdes, aqui e ali algum bosque de eucaliptos, lagoas e arroios, casinhas brancas com telhado de zinco ou palha, roupa no varal, e muitas vezes um calhambeque velho estacionado ao lado de um cavalo pastando. Há uma pobreza sim, mas não uma pobreza agressiva como vemos no Brasil com suas favelas e esgotos a céu aberto. A sensação de espaço, o verde e a tranquilidade fazem pensar que alguém ali pode levar uma vida melhor do que muita gente na periferia de Amsterdam ou Londres.
Dos 3.5 milhões de habitantes do Uruguai, metade está em Montevideo e no departamento de Canelones que cerca a capital. O resto do país parece uma imensa fazenda, com algumas vilas espalhadas que me lembram de certo modo o interior de São Paulo da minha infância. A Holanda é quatro vezes menor e tem 16 milhões de habitantes para se ter uma idéia. Mesmo em Montevideo a gente é tranquila, o transito flui sem buzinas e xingamentos, o povo passeia pela rambla à beira do Plata tomando chimarrão, pescando, passeando ou namorando. É praticamente impossível encontrar um uruguaio nervoso ou irritado, exceção feita aos jogadores da seleção em tempos de Copa.
Montevideo é uma cidade simpática, mas os turistas na verdade preferem o glamour de Punta del Este. O centro da cidade tem ainda alguns edifícios antigos que lembram Madri e Paris. Ali, perto da Plaza de la Independencia com a majestosa estátua de Artigas, estão o Palácio do Governo, o Teatro Solis, e a Porta da Cidade que separa o centro velho da parte nova. Ali na parte velha estão os bares e restaurantes que fazem a vida noturna de Montevideo nos fins de semana. Passando pela Matriz chega-se ao Mercado, onde come-se muito bem, e aos velhos prédios da Alfândega, da Estação Ferroviária. Finalmente chega-se ao Porto de onde se vêem ainda as pontas dos mastros do Graaf Spee sobre o Plata, um navio de guerra alemão afundado pelo próprio comandante no fim da Segunda Guerra. Cercado pela marinha inglesa e impedido de aportar em Montevideo e Buenos Aires, o comandante preferiu abrir um rombo no próprio casco a entregar o navio aos inimigos.
No lado novo da cidade, em direção ao leste, estão os prédios modernos, shoppings e os edifícios à beira do Plata que lembram a orla do Rio de Janeiro, e mais além as mansões em estilo inglês do bairro de Carrasco.
De Montevideo passeei pelo interior do país, chegando até Colonia, onde desde os princípios do século passado instalou-se uma importante comunidade de suíços. Almocei em um hotel suíço, kassler (lombo de porco defumado) com molho de geléia de laranja e batata suíça, e um excelente vinho uruguaio Carta Mayor. Esta foi a única exceção na minha dieta de churrasco da semana passada. Na verdade acho que comi mais carne em uma semana do que um holandês como no ano. Comi tanta carne que quando voltei fiquei dois dias inteiros sem comer carne...o que para mim, carnívoro convicto, é praticamente um jejum. É impossível imaginar a vida no Uruguai sem carne, e sei que vou apanhar por isso mas brasileiros, à exceção dos gaúchos, não sabem fazer churrasco como eles fazem.
Os cortes que eles preferem são a ponta do contra-filé, a maminha da alcatra e o assado, uma tira cortada da costela, acompanhadas de molho chimichurri feito à base de azeite, alho e salsinha. Suculento, macio saboroso, muito melhor do que aquelas tirinhas de carne finas, secas e salgadas que temos que encarar muitas vezes no Brasil. A carne é assada em brasa de lenha, que é queimada à parte e transferida para baixo da grelha. E comi muita costelinha de carneiro assada. Fora a carne, os uruguaios sabem aproveitar algumas coisas bem estranhas no churrasco. Eu experimentei por exemplo os rins assados, as molejas (gânglios linfáticos dos bezerros), o choto (intestino grosso do carneiro enrolado com tripa) e o chinchulín (intestino grosso do boi assado). E comi morcela feita de sangue, a salgada e a doce, que tem açúcar e pedaços de doce de laranja no meio. Quer saber? O pior é que é tudo muito bom…Para mim não há nada melhor do que céu azul, campo verde, ver os bois ao longe passeando nos pastos, carne boa, vinhos bons, gente simpática e tranquilidade. Sinceramente uma terra encantadora, espero voltar logo.

Monday, November 05, 2007

Pequeno exemplo da moral do MST


O Estadão dessa segunda publicou uma reportagem assinada por José Maria Tomazela que diz o seguinte: "Assentados da reforma agrária derrubam árvores e produzem carvão em uma área de 5,7 mil hectares de mata nativa no município de Nova Andradina, no sudeste de Mato Grosso do Sul, a 347 quilômetros de Campo Grande. E o pior: há crianças trabalhando nas carvoarias. A floresta, com formações de cerrado denso e remanescentes de mata atlântica, constitui a reserva legal da Fazenda Teijin, de 28,5 mil hectares, desapropriada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). No local, foram assentadas 1.067 famílias do Movimento dos Sem-Terra (MST) e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri). É uma das poucas áreas de mata que restam numa região devastada pela atividade agrícola e pecuária. Isso não impediu que 187 famílias de sem-terra invadissem a reserva. Elas demarcaram os lotes, abriram clareiras para instalar seus barracos e, agora, queimam a madeira para produzir carvão. Muitas deixaram lotes no assentamento para se instalar na mata e explorar a nova atividade. A reportagem do Estado flagrou crianças trabalhando numa carvoaria. "
Pois é, como eu disse sem-terra não quer terra, quer dinheiro. Nem que seja para fazer criança trabalhar e devastando floresta. O governo é claro, prefere ignorar o Estado de Direito porque na filosofia capenga da esquerda tudo o que se faz em nome do bem do povo é justificável.
Há um outro livro que esqueci de prescrever no post abaixo, trata-se de A Cabeça do Brasileiro de Alberto Almeida. Um livro baseado em uma ampla pesquisa que mostra, oh surpresa, que quanto menos educação e renda tem o brasileiro, mais aceitável ele acha a intolerância sexual, o preconceito racial e social, a corrupção, o nepotismo. Em um país onde ser da elite hoje em dia é quase uma ofensa, é uma leitura recomendável a todos os esquerdistas.
Recomendo ainda um artigo de Rui Nogueira em primeira Leitura, que já demonstrava em 2003 que o MST não tinha razão de ser. Disponível para download neste site:


E recomendo este site, criado entre outros, por uma nova amiga virtual, cuja fazenda (produtiva) já foi invadida e depredada por sem-terras:




Saturday, October 27, 2007

MST Movimento sem causa...


Eu assisti na televisão holandesa uma vez um documentário sobre o Movimento dos Sem Terra no Brasil. Mostrava a organização quase militar dos acampamentos, as escolas onde pregavam a ideologia marxista do movimento, o coletivismo. Mostravam os camponeses cantando junto canções de guerra contra o capital, as crianças na escola (uma escola recebeu o nome de Mao Tsé Tung), as cestas básicas distribuídas... Fico imaginando no que um europeu deve pensar olhando aquilo tudo. Uma grande maioria acha muito bonito é claro. Nesses tempos de aniversário da morte de Che Guevara, ainda há muito otário entediado por aqui querendo achar uma causa qualquer para lutar na Africa ou na América Latina, vide a holandesa que foi parar nas FARC.
Eu recomendaria duas leituras aos Sem Terra. Uma é Stálin, a Corte do Czar Vermelho de Simon Sebag Montefiore. Ali o autor descreve como Stálin massacrou os camponeses russos, roubando-lhes os grãos para financiar a nascente indústria pesada soviética. Os que aceitavam morriam de fome. Os que recusavam eram fuzilados ou deportados para a Sibéria. Viajantes relatam terem visto aldeias inteiras cobertas de cadáveres, mortos de fome. Os camponeses comiam os cães, cavalos e os ratos, depois a sola das botas e as cascas das árvores. Quem diria que seriam eles os maiores inimigos da revolução russa. Mao foi ainda pior. O outro livro é o Estado da África, de Martin Meredith, um livro brilhante que mostra como a África ficou mais pobre mesmo depois de receber mais de 1 trilhão de dólares em ajuda financeira do resto do mundo nas últimas 5 décadas. Mostra as mazelas promovidas pela reforma agrária e pelas políticas socialistas de vários governantes africanos, desde a Costa do Marfim até o Zimbábue.
A reforma agrária no Brasil teria sentido há mais de um século atrás. Porque naquele tempo terra era a única fonte de riqueza. Hoje o Brasil não precisa de distribuição de terras, precisa de distribuição de riquezas. Um lote de terra com milho e mandioca não gera riqueza nenhuma. É por isso que nos assentamentos mais antigos do governo, que foi esperto foi comprando o lote dos outros. Os que não sabiam trabalhar a terra trocaram seus lotes por uma mobilete e voltaram ao Movimento, que é quem lhes dá sustento.
O Brasil virou uma potência mundial em commodities agrícolas, por pura competência dos que trabalham na terra seriamente. E a beleza da agricultura moderna é que as grandes propriedades produzem grãos, frutas e carnes a baixo custo, portanto mais baratos para a população. As propriedades pequenas produzem flores, hortaliças, champignons, rãs, escargots, trutas e outros produtos de maior valor, portanto destinados às classes mais ricas. Não há mais espaço para o lotezinho de milho e mandioca. O Brasil não precisa de uma reforma agrária, precisa é de uma reforma urbana. Na Holanda, cada mísera cidadezinha de 5.000 habitantes tem seu banco, seus supermercados, concessionárias, lojas, fábricas. Há emprego, e portanto renda.
Mas o qual o quê! O Movimento não quer terra. Todo mundo sabe que eles não sabem trabalhar a terra, que eles desmatam, que eles não respeitam o meio ambiente, jogam lixo, e a única coisa que aprendem a fazer para vender é compota. O mais fácil mesmo é esperar a bolsa e a cesta do governo. O Movimento dos Sem Terra quer é poder. Quer usar essa massa miserável (povo marcado, povo feliz) como bucha de canhão, entrar onde bem entender, ocupar o que bem quiser, sob a benção do governo. Seus mortos são mártires, baixas da revolução, o dos outros não têm nem nome e nem importância. O que eles querem é usar a farsa do povo oprimido para impor sua moral torta e rasgar a constituição ao bel prazer de seus líderes, os mesmos que admiram Stálin e Mao Tsé Tung.

Desperto sempre antes que raie o dia


Desperto sempre antes que raie o dia
E escrevo com o sono que perdi.
Depois, neste torpor em que a alma é fria,
Aguardo a aurora, que já tantas vi.

Fito-a sem atenção, cinzento verde
Que se azula de galos a cantar.
Que mal é não dormir? A gente perde
O que a morte nos dá para começar.

Oh Primavera quietada, aurora,
Ensina ao meu torpor, em que a alma é fria,
O que é que na alma lívida a colora
Com o que vai acontecer no dia.
Fernando Pessoa

É tu maconheiro


O jornal O Globo publicou uma pesquisa que mostra o perfil dos usuários de droga. A maioria está entre jovens ricos das grandes cidades. É como o Reinaldo Azevedo escreveu em seu artigo na Veja, o bonde do Foucault contra o capitão Nascimento. A galera jovem e cabeça feita das faculdades de Ciências Humanas curte um baseado, acha que reprimir o crime é abuso de poder, mas quando leva tiro de traficante vai abraçar a Lagoa vestido de branco e pedindo paz. Uma amiga comentou aqui outro dia que nem que ela quisesse fumaria baseado no Brasil. Qualquer um com cérebro sabe que é lógico concluir que cada baseado é uma arma a mais na mão de um favelado ou de uma criança (ou os dois), ou na cabeça de algum amigo ou parente seu. Não há oferta sem demanda. Então porque não liberar logo diria o pessoal cabeça da turma do cachimbo? Em princípio eu acho que cada um devia ser o dono do seu nariz, desde que não interferisse na vida e nos direitos dos outros. Me lembro de um diálogo do filme Traffic, onde a personagem de Michael Douglas responsável pelo assunto das drogas nos EUA pergunta ao seu colega mexicano qual a política deles para reduzir o consumo. O mexicano diz: “cada vez que um viciado morre de uma overdose o consumo diminui”. Eu acho que todo junk tem o direito de se acabar nas drogas se essa é a vida que ele escolheu. Se quer ajuda para sair dela, aí sim podemos, a sociedade e o governo, dar uma forcinha.
O problema é que o vício não interfere só na vida do viciado, ele estraga a vida da família, a dos amigos e a da sociedade em geral. Para o consumo ser liberado, principalmente no Brasil, há um imenso caminho a ser percorrido nas áreas de segurança pública, saúde e assistência social. Se na Holanda não funciona direito, imagine o que seria do Brasil com a legalização das drogas.
Enquanto isso, a cada vez que uma bala perdida matar alguém no Brasil, pense que a culpa também é tua maconheiro.

Sonós


Trouxe do Brasil esse cd novo da Paula Toller. Há quem não suporte a loira. Há gente que a adora. Eu confesso que gosto da sua voz, do seu ar blasé, e das suas musiquinhas. O cd para mim é a cara dela, é relaxante e despretensioso. Perfeito para ouvir e escrever no blog ao mesmo tempo....

A última viagem de Steve Fossett


Quando moleque eu adorava as histórias de aventuras. Li todos os Julio Verne (achei uma das primeiras edições das 20 mil Léguas Submarinas num camelô de Paris por 400 euros, ai ai fica pra próxima) e Jack London. Robinson Crusoe. Li as biografias de Richard Burton e David Livingstone, as aventuras de Marco Polo, os diários de Antonio Pigafetta e Vasco Nunez Cabeza de Vaca. A história de Ernest Shackleton e finalmente os livros de Amir Klink. Explorações sempre me fascinaram.
O fato é que o mundo andou ficando pequeno demais, e é raro achar um lugar onde o homem ainda não tenha pisado.
Mesmo assim Steve Fossett colecionou viagens e recordes em terra mar e ar. O homem escalou os picos mais altos de seis continentes, bateu recordes em esqui cross country, em paraglider, deu a volta ao mundo em um veleiro (recorde de 58 dias e 9 horas), em um balão e em um avião non stop, o Virgin Global Flyer. Também bateu recordes diferentes em aviação, incluindo o recorde de velocidade em um Zeppelin.
Louco, megalomaníaco, suicida? Acho que não. Ele sempre disse que como aventureiro seu maior trabalho era o de diminuir os riscos ao máximo. Simplesmente há gente que nasce com essa veia de buscar sempre a fronteira, o limite.
Steve Fosset desapareceu sobrevoando o deserto do Nevada no dia 3 de setembro. Sem deixar traços. Até agora não encontraram nada, nem destroços do seu avião.
Tenho em casa um conto do poeta belga Carl Norac chamado A Última Viagem de Saint-Exupéry, ilustrado com belíssimas aquarelas de Louis Joos. O conto trata do desaparecimento do piloto e escritor francês criador do Pequeno Príncipe. Saint-Exupéry também desapareceu nas nuvens em 1944 quando pilotava no sul da França durante a II Guerra. No conto ele sobe aos céus em seu avião e desce em meio as nuvens, em uma estranha experiência entre sonho e realidade.
Acho que algo assim deve ter acontecido com Fossett. Pode ter sido sequestrado por discos voadores por exemplo, Nevada é propício para abduções... Talvez ainda apareça caminhando pelo deserto. E se ele morreu mesmo, que fique dela a mesma mensagem de Saint-Exupéry: ‘‘C'est par le dépassement de soi que l'on devient un Homme’’.

Sunday, October 21, 2007

Lumières World Tour


Francis Fukuyama anunciou prematuramente o fim da história na época do colapso da União Soviética. Depois de 11/09 parece que ainda teremos muito chão pela frente para conseguir um mínimo de paz no mundo. Loucos, ditadores e fanáticos ainda tomam conta de grande parte do planeta, expondo milhões de pessoas à guerra e à miséria.
Benazir Bhutto voltou ao Paquistão depois de 8 anos de exílio. Foi eleita duas vezes para o cargo de Primeiro Ministro, foi destituída duas vezes por nepotismo e corrupção. Mesmo assim sua popularidade é enorme, foi a primeira mulher a governar um país islâmica e detesta os fundamentalistas. Acaba de chegar ao seu país e já foi alvo de um atentado terrorista que matou 133 pessoas e feriu centenas.
Enquanto isso o Irã continua insistindo em ter uma bomba nuclear e ameaçando Israel.
A Turquia está prestes a invadir o Kurdistão iraquiano, o único lugar relativamente calmo do país, depois que alguns de seus soldados foram mortos pelo PKK, uma organização terrorista de separatistas curdos.
Em Burma (soa melhor que Myanmá), monges budistas são massacrados por tropas miseráveis de uma ditadura sanguinário. E o Congresso americano homenageia o Dalai Lama com a Medalha de Honra irritando os dirigentes chineses. Isso sem falar na Somália, no Sudão, na Venezuela, na Bolívia, na Coréia do Norte...
Minha conclusão é a seguinte:
Washington promoveu a aliança entre Bhutto e Pervez Musharraf cuja popularidade está em queda livre para evitar que o Paquistão, um país que tem bombas atômicas, caia na mão da Al Qaeda que certamente tem muitos simpatizantes por lá. Na maior parte das vezes a política externa é mesmo a de escolher o mal menor.
Também são os EUA os que estão pressionando a Turquia, Irã, Burma, Coréia, Sudão e Somália e toda sua corja de delinquentes. A grande verdade é que todos aqueles que dizem que os Estados Unidos se metem muito na política dos outros, deveriam pensar um pouco no que seria o mundo se os americanos não se intrometessem. Vamos deixar o Irã bombardear Israel, a única democracia de verdade que existe no Oriente Médio? Vamos deixar o Paquistão ser governado pelo Taliban? Vamos deixar o Sudão e Burma massacrar a própria população? Vamos deixar os chineses oprimindo tibetanos para sempre?
Eu disse isso quando visitei o cemitério de Omaha Beach na Normandia, cenário do desembarque do Dia D: ruim com eles, muito pior sem eles. Por mais que não se goste da administração de George Bush, os EUA tem a obrigação sim de defender a democracia no mundo para poder defenderem a si mesmos e a todos os valores em que acreditam. E seus presidentes e generais estarão sempre sujeitos às regras de uma democracia, e sempre responderão por seus atos. No dia em que um ditadorzinho estiver explodindo bombas perto da minha casa, eu quero estar é do lado dos americanos.

A Mighty Heart


Logo após os ataques de 11/09, o jornalista Daniel Pearl e sua esposa, a também jornalista Mariane Pearl mudaram-se para Karachi, no Paquistão para cobrirem os eventos que aconteciam ali de perto.
Daniel Pearl foi sequestrado a caminho de uma entrevista em Karachi a 23 de Janeiro de 2002. Mariane estava grávida de 5 meses. Durante as longas semanas seguintes ela uniu os serviços de inteligência americana, a mídia, a polícia paquistanesa e governos do mundo todo na busca pelo marido.
O filme de Michael Winterbottom é baseado nas memórias de Mariane naqueles meses do sequestro. Angelina Jolie está bem em um papel onde ela não precisa usar seu sex appeal. Grávida e desesperada, ela junta todas as forças que tem para desvendar a intrincada teia de mentiras de informantes, terroristas, sheiks e jihads que levaram Daniel, em meio a um país hostil habitado por 160 milhões de muçulmanos. Só as imagens do caos que é Karachi dão uma idéia da extraordinária dificuldade que deve ser encontrar alguém ou controlar a presença de terroristas por ali.
Daniel Pearl foi decapitado por islamistas fanáticos em maio. Sua decapitação foi filmada e a fita entregue à imprensa americana. Seu corpo foi cortado em dez pedaços jogados em uma cova na periferia de Karachi.
Daniel morreu porque era um americano judeu. Mariana era francesa, budista, filha de uma mãe cubana. Tinham amigos em todo o mundo, inclusive na Índia e no Paquistão. O filho de Daniel e Mariane, Adam veio ao mundo pelas mãos de uma parteira africana.
Talvez esse seja o legado de Pearl. Por ter morrido por causa de sua nacionalidade e origens, algo que nunca lhe importou nos outros, provou que o terrorismo é a rejeição ao diálogo.
Sua família criou uma Fundação com seu nome que tem por missão promover o entendimento entre culturas através do jornalismo, da música e de outras formas de comunicação:
http://www.danielpearl.org/

Tem gente com medinho de sair...


Um dia quiseram ver quem era o melhor: MacGyver, Jack Bauer, ou Capitão Nascimento. Chegaram pro MacGyver e falaram: “A gente soltou um coelho nessa floresta. Encontre-o mais rápido que os outros e você será considerado o melhor!”

MacGyver pegou uma moeda de 5 centavos no chão, um graveto e uma pedra e entrou na floresta. Demorou 2 dias pra construir um detector de coelhos em floresta e voltou no terceiro dia com o coelho.

Daí chegaram pro Jack Bauer e falaram a mesma coisa. Ele entrou correndo na floresta, e 24 horas depois apareceu com o coelho. Durante a operação, desarmou 5 bombas nucleares, recuperou 10 armas químicas, escapou de um navio cargueiro e foi pra China matar 100 terroristas.

Pediram então para o Cap. Nascimento ir buscar o coelho. Se ele demorasse menos de 24 horas, seria o melhor. E ele respondeu:
— Tá de sacanagem comigo, 05? Ce tá de sacanagem comigo? Você acha que eu tenho um dia inteiro a perder com essa porra de coelho, 05? Tu é um mo-le-que! MO-LE-QUE, 05!!!
Virou-se para a floresta e gritou:
— Pede pra sair! Pede pra sair, cambada!
Em menos de cinco segundos, já tinham saído da floresta 300 coelhos, 20 jaguatiricas, 50 jacarés, Robin Hood, 1000 paca-tatu-cotia-não, o Shrek e uma preguiça correndo a 40 km por hora!
Daí ele gritou:
— 02, tem gente com medinho de sair da floresta, 02! Tem gente com medinho de sair da floresta, 02!!! 07, traz a “ponto 30”.
Nisso, o Bin Laden saiu da floresta.
Chorando.

A gula..


Algumas dicas gastronômicas dos lugares por onde passei:

Naguissa do Silêncio em Cananéia, litoral sul de São Paulo. Este simpático restaurante é ponto obrigatório para o pessoal que vai a Cananéia pescar ou passear nas ilhas e cachoeiras da região. Apresenta uma mistura de culinária japonesa com a comida caiçara. Especialista em ostras gratinadas e teppan.

Bar da Praia em Jaguariúna, interior de São Paulo. Um ex-capitão de escuna levou a praia para o interior paulista e fez um autêntico restaurante de peixes e frutos do mar à melhor moda santista. Comi um camarão à baiana delicioso. O lugar ainda vende artesanato e virou ponto de encontro de motoqueiros do estado todo.

Parrilla em Montes Claros, Minas Gerais. O Parrilla vira festa nas noites de quinta a sábado com música ao vivo e deliciosas porções de carne de sol, mandioca frita, carne grelhada e outras delícias bem de bar de interior.

Cantina do Roperto, no bairro do Bixiga paulistano. A melhor comida italiana que já tive o prazer de saborear seja no Brasil ou na Itália, o cabrito assado é simplesmente divino, o pão e as massas são os melhores do mundo e a birra é estupidamente gelada. Ainda tem música italiana todo dia. Preciso voltar logo.

Saturday, October 20, 2007

África do Sul Bi-Campeã Mundial de Rugby


A Inglaterra foi melhor, e ainda levou uma certa desvantagem na arbitragem do jogo mas fazer o quê... Perderam de 15 a 6 para um time africano jogando no melhor estilo inglês, com muitos chutes de bola parada. No duelo dos chutadores Percy Montgomery levou a melhor sobre Johnny Wilkinson. Mesmo assim os Springbocks saíram invictos do torneio e levaram a taça Webb Ellis das mãos de Nicolas Sarkozy, sob os olhares de Gordon Brown e Thabo Mbeki.
Vale lembrar que a África do Sul não entrou nas duas primeiras copas do mundo devido ao embargo internacional imposto ao país então sob a política de apartheid. O regime e o embargo caíram no começo dos anos 90 e em 95 a África do Sul ganhou sua primeira Copa em casa com uma espetacular vitória sobre os All Blacks da Nova Zêlandia. Nelson Mandela, em pleno processo de reconciliação do país dirigiu a festa chamando o time que só tinha um negro de “our boys” e our “rainbow squad”. Hoje, o rugby ainda é um esporte de afrikaners no país, mas cada vez mais negros entram no jogo, e a comemoração é de todos.
Eu de qualquer maneira acho uma partida de rugby muito mais emocionante de se assistir do que qualquer jogo de futebol. Espero sinceramente ainda ver o Brasil nessa Copa no futuro.

Use Filtro Solar


Reencontrei amigos que não via há dez anos em uma reunião de ex-alunos da faculdade. Muitos mais gordos, poucos mais magros, alguns com filhos, a maioria feliz e com emprego e família, outros esperando a pessoa certa. Muitos viajaram e voltaram, começaram projetos e trocaram de idéia. Alguns fizeram escolhas erradas, felizmente poucos. É a vida, pura e simplesmente a vida que passa debaixo de nossos narizes. E só percebemos o quanto já vivemos quando nos reunimos com velhos amigos para contar histórias e ver álbuns de fotos dos tempos de estudante. E pinga ni mim. A foto que ilustra este post por exemplo é do dia em que meu caderno foi incinerado na mesa do bar Zoeira, algumas horas antes da prova de Tecnologia de Alimentos quando em vez de estudar estávamos fazendo uma degustação matinal da recém lançada cerveja Kaiser Bock nos idos de 1995. Recordar é viver!
Estávamos todos lá a suspirar de saudades vendo as fotos e escutando este texto, escrito por um publicitário, que agora reproduzo aqui:

Use filtro solar!

Nunca deixem de usar o filtro solar
Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro seria esta: use filtro solar!
Os benefícios a longo prazo do uso de Filtro Solar estão provados e comprovados pela ciência,
Já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante. Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com vocês...
Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude.
Ou, então, esquece... Você nunca vai entender mesmo o poder e a beleza da juventude até que tenham se apagado.
Mas pode crer que daqui a vinte anos você vai evocar as suas fotos,
E perceber de um jeito que você nem desconfia hoje em dia,
Quantas, tantas alternativas se escancaravam a sua frente.
E como você realmente estava com tudo em cima,
Você não está gordo ou gorda...
Não se preocupe com o futuro.
Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver umaequação de álgebra.
As encrencas de verdade em sua vida tendem a vir de coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada,
E te pegam no ponto fraco às 4 da tarde de uma terça-feira horrorenta.
Todo dia, enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade.
Cante.
Não seja leviano com o coração dos outros.
Não ature gente de coração leviano.
Use fio dental.
Não perca tempo com inveja.
Às vezes se está por cima,às vezes por baixo.
A peleja é longa e, no fim,é só você contra você mesmo.
Não esqueça os elogios que receber.
Esqueça as ofensas.
Se conseguir isso, me ensine.
Guarde as antigas cartas de amor.
Jogue fora os extratos bancários velhos.
Estique-se.
Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida
As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam, aos vinte e dois o que queriam fazer da vida.
Alguns dos quarentões mais interessantes que eu conheço ainda não sabem.
Tome bastante cálcio.Seja cuidadoso com os joelhos.
Você vai sentir falta deles.
Talvez você se case, talvez não.
Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante.
Faça o que fizer não se auto congratule demais, nem seja severo demais com você,
As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo,
É assim para todo mundo.
Desfrute de seu corpo use-o de toda maneira que puder, mesmo!!
Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele,
É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir.
Dance.
Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto.
Leia as instruções mesmo que não vá segui-las depois.
Não leia revistas de beleza, elas só vão fazer você se achar feio
Dedique-se a conhecer seus pais.
É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez.
Seja legal com seus irmãos.
Eles são a melhor ponte com o seu passado e possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.
Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons.
Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas e de estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar, mais você vai precisar das pessoas que você conheceu quando jovem.
More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer.
More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer.
Viaje.
Aceite certas verdades inescapáveis:Os preços vão subir, os políticos vão saracotear, você também vai envelhecer.
E quando isso acontecer você vai fantasiar que quando era jovem os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes, e as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeite os mais velhos!!
E não espere que ninguém segure a sua barra.
Talvez você arrume uma boa aposentadoria privada.
Talvez você case com um bom partido, mas não esqueça que um dos dois de repente pode acabar.
Não mexa demais nos cabelos se não quando você chegar aos 40 vai aparentar 85.
Cuidado com os conselhos que comprar,mas seja paciente com aqueles que os oferecem.
Conselho é uma forma de nostalgia.
Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo, repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.
Mas, no filtro solar, acredite

Los Pumas


Acabei de assistir a Argentina dando de lavada na seleção francesa de rugby na partida pelo terceiro lugar da Copa do Mundo. Os Pumas jogaram espetacularmente contra uma França completamente desmotivada e marcaram 34 a 10. Bernard Laporte, técnico dos Bleus, apesar do milagre de ter ganhado contra a Nova Zelândia conseguiu fazer o rugby francês perder toda a alegria gascogne que ele tinha, assim como os Parreiras da vida que a CBF nos empurra arrancam a alma ao futebol brasileiro.
Bom para os argentinos que estão vibrando de emoção com a colocação inédita.
Amanhã é dia de finalíssima, África do Sul e Inglaterra. Na última Copa do Mundo, um sul africano me disse que as duas únicas coisas que podiam ser vistas da lua eram a Muralha da China e o buraco na defesa do time sul africano. As coisas parecem que mudaram e os Springbocks aparentam ser imbatíveis, e o time tem hoje o recordista em tries na Copa. Enquanto isso a campeã Inglaterra põe toda sua fé no talento de Johnny Wilkinson, um dos melhores jogadores do mundo hoje. A partida tem o recorde de apostas jamais registrado na história da Inglaterra para um jogo de rugby. O pau vai torar.

01 pede pra sair!


Duas coisas agitavam o cenário cultural brasileiro nesta minha curta estadia, o filme Tropa de Elite e a Playboy da Monica Veloso.
Hugh Heffner acho que nunca imaginou a dimensão política que sua criação atingiria no Brasil. O velhote, um dos meus ídolos, deve estar é pouco se lixando lá em sua mansão rodeado de coelhinhas nuas. O meu barbeiro infelizmente ainda não tinha recebido a edição de outubro da Playboy. Ele tinha a de setembro, com a sem graça Íris do BBB mas uma fantástica entrevista de Jeanny Mary Corner, a cafetina mais requisitada de Brasília, que tem nas mangas muitas e muitas histórias para contar. Fui atrás da Playboy da Mônica na banca do aeroporto de Guarulhos, também porque eu queria ler a entrevista do Diogo Mainardi (eu não vejo só as figuras tá?), mas a revista tinha esgotado em cinco minutos. Vou pedir a mamãe que me mande uma. Um amigo, com fortes conexões em Brasília me disse o seguinte: o Renan Calheiros está se sentindo o máximo. Roubou o que quis, virou presidente do Senado, mentiu à vontade, prendeu o rabo de todo mundo, ninguém o tirava dali e ainda por cima ele pode dizer ao Brasil inteiro, eu tracei essa morena ajeitada que vocês todos estão vendo aí... É de lascar, cada país tem o Parlamento que merece... O fato é que Renan se sentiu tão poderoso que começou a abusar da boa vontade até dos que lhe estavam ajudando, e finalmente, FINALMENTE, saiu da presidência do Senado.
Enquanto o canalha saía de cena, o Brasil descobriu seu maior super-herói desde os tempos do Inspetor Carlos, o Vigilante Rodoviário. O filme Tropa de Elite com o Capitão Nascimento virou sucesso de público e de pirataria.
O Capitão Nascimento já é cult em todas as camadas sociais. Dizem que quando o Bruce Banner fica puto ele se transforma em Hulk, quando o Hulk fica puto se transforma em Chuck Norris (já viu os Chuck Norris facts?), e quando Chuck Norris fica puto se transforma no Capitão Nascimento.
Há muitas análises e críticas sobre o sucesso do filme e do seu protagonista (um excelente como sempre Wagner Moura). A melhor conclusão é essa: pela primeira vez em anos alguém põe o dedo na cara do espectador e fala “sabe quem é responsável por essa merda toda? É tu maconheiro!”.
Há dias saiu uma polêmica na Folha sobre Luciano Huck e o roubo do seu Rolex. Há quem diga que o bandido tem toda a razão em roubar Huck, seria uma espécie de “justiça social”. O pior é que tem gente que diz isso com diploma de filosofia e jornalismo nas mãos. O povo está mais é com o Capitão Nascimento, por isso o filme faz sucesso. Bandido é bandido, roubo é roubo. O maconheiro que fuma e o filósofo que apóia o roubo são coniventes com a bandidagem. E esse é o principal motivo do caos das nossas cidades.
Pede pra sair vagabundo!

O Brasil do futuro


Minha viagem começou a trabalho. Eu e dois holandeses atravessamos o sertão goiano e mineiro conhecendo um Brasil que é diferente do Brasil sobre o qual costumamos ler no jornal, diferente do eixo Brasília-Rio-São Paulo.
Anuncio orgulhosamente neste blog (já que pouca gente que vem aqui sabe o que faço) que, mesmo aqui na Holanda, sou parte do setor do agribusiness brasileiro. Digo orgulhosamente porque sei que é a parte que funciona melhor neste país, não por causa do governo mas apesar dele. Vi muito boi, cana, café, soja, algodão, frutas, seringueira, e vi muita gente competente trabalhando e criando riquezas. Basta olharem nossas exportações nos últimos 20 anos e ver que foi o campo que salvou a balança comercial e que tirou o país do buraco.
Não o campo do MST, monopolizadores da miséria alheia, que insistem em uma reforma agrária que só funcionaria se estivéssemos no século XIX, mas o campo de gente séria que trabalha, usa tecnologia, produz e gera empregos e dinheiro. Já se vai longe o tempo do Jeca Tatu de Monteiro Lobato.
Longe da lama de Brasília e do medo das ruas do Rio e de São Paulo, há um Brasil que funciona, que faz inveja ao resto do mundo, alegre, relaxado, porém trabalhador. E como dizia Zé do Prato, ilustre cidadão e peão de rodeio piracicabano:
Se me chamarem de caipira como caipira vô respondê
Sô caipira sô da roça e tenho orgulho de sê
Caipira tem invernada e boi gordo pra cumê
Caipira tem vinho e uísque importado pra bebê
Tem loira de manhãzinha e morena no anoitecê
Mangalarga pra trotá e Quarto de milha pra corrê
Si essa é vida é sê caipira eu sô caipira até morrê

Friday, October 19, 2007

Saldo de viagem


Roteiro: Holanda-França-Holanda-Portugal-Distrito Federal-Goiás-Minas Gerais-São Paulo-Mato Grosso do Sul-São Paulo-Portugal-Holanda-Alemanha-Holanda (ufa)
24 pousos e decolagens (0 acidentes, oba, jet lag, jet lag, cansaço)
1 vôo desviado de Congonhas para Viracopos (alívio)
1 sogro e 1 sogra enfadados porque estavam esperando em Congonhas (só porque é sogra não merece isso)
2 malas esquecidas em Congonhas (o sogro carrega)
17 cidades visitadas (número igual de restaurantes rodízio)
35kg de picanha devorados (carboidrato zero)
3kg de engorda (Atkins estava errado)
50 litros de chopps (e dois pastel)
Dúzias de caipirinhas (viva a fruta limão que é curativa dizia João Ubaldo)
54 horas de sono perdidas (durmo quando morrer)
Várias festas (tudo vale a pena quando a alma não é pequena dizia Pessoa)
Vários amigos revistos e revisitados (extra chopps e caipirinhas)
10 anos de formado (mais festa, o tempo avoa dizia Guimarães Rosa)
Diagnóstico: D.P.B., depressão pós-Brasil, espécie de delirium tremens que atinge exilados e expatriados após curta permanência na terra natal. Recomendação: mais chopps, festas e amigos. Mas primeiro quero é dormir.

Honey, I'm home!


Desculpa a demora aí pessoal!

Friday, September 21, 2007

I'll be back


A man’s mind


Uma amiga me enviou este ótimo artigo da Pyschology Today sobre a natureza humana.
É interessante notar que apesar de todos os avanços da civilização, muito do nosso comportamento ainda é guiado pelo nossos atávicos instintos animais, principalmente aqueeele que só faz a gente pensar naquiiilo…
Os Phd’s Alan S. Miller e Satoshi Kanazawa que assinam o artigo fazem uma lista de verdades politicamente incorretas sobre nossa natureza. Segundo eles, homens preferem as loiras porque cabelos brilhantes querem dizer mais saúde. Pelo mesmo motivo preferem as mais jovens, e as que tem cintura pequena e quadril largo, que são características de boas reprodutoras. Enquanto isso as mulheres preferem homens com status e poder, capaz de sustentá-las e protegê-las. Isso explica porque nas sociedades mais atrasadas um homem rico pode ter várias mulheres. As mulheres se conformam porque é melhor ter uma fração de um homem rico do que um pobre inteiro. E os homens se entregariam a guerras e competições de todo tipo só para ter a atenção das fêmas. Um muçulmano pobre e solteiro que não tem sexo nenhum estaria também muito mais tentado a se explodir só pela possibilidade de conseguir 72 virgens no paraíso.
O artigo extraído do futuro livro dos dois realmente é engraçado e interessante. Foi feito para provocar (existem várias outras razões para um atentado suicida), mas apesar disso existe um óbvio fundo de verdade em tudo o que eles contam, Freud já explicava.
Como adolescente eu era mirrado, de óculos, sem dinheiro nem carro, quieto e sem um físico de matador ou qualquer habilidade esportiva. Ou seja, um fracasso total e absoluto com mulheres. Só me sobrava um cérebro que funciona razoavelmente bem, mas o esforço de convencer uma mulher a sair com você só porque você é inteligente e simpático é demasiado longo e trabalhoso para qualquer adolescente com hormônios à flor da pele, e em consequência uma eterna fonte de frustração. Tive que entrar na universidade, no time de rugby, operar a miopia e juntar dinheiro para melhorar a minha situação. A beleza da monogamia está no fato de que até eu pude achar minha cara-metade...

Ah, as mulheres não sabem o poder que tem nas mãos. Em torno delas gira todo o universo masculino, tudo o que criamos e destruímos. Como disse o Coronel Frank Slade em Scent of a Woman, “between their legs there is a passport to heaven”.
Para ficar no campo antropológico, macacos bonobos, que são geneticamente 98% iguais ao homem copulam umas 80 vezes por dia, sem discriminar idade ou aparência. O resultado é que a sociedade deles é muito mais pacífica do que a dos primos chimpanzés, competitivos e agressivos como humanos. Ok, não somos macacos nem quero que isso vire um zoológico, mas no meu ponto de vista o mundo seria bem melhor com um aproach diferente entre os sexos.
Todo mundo se lembra da cena do filme A Beautiful Mind, onde John Nash diante de uma loira boazuda e suas amigas no bar tem o estalo da teoria matemática que lhe daria o prêmio Nobel. Nash pensou que se todos os homens fosse direto na loira apenas um deles seria beneficiado, já que as outras não iam querer ser a segunda escolhas. Mas se todos fossem cada um em uma das amigas da loira todos se dariam bem.
Ou seja, como dizia um amigo, exímio rebocador de barangas, toda mulher tem lá a sua graça. Caiu na rede é peixe e entrou na área é gol. E mulheres, que já sabem viver e se sustentarem sozinhas deveriam aprender como Carrie Bradshaw a fazer sexo como homens, sem frescuras.
Dêem chances aos pobres machos feios e sem um Porsche, que sonham em reencarnar como bonobos. O mundo será muito mais pacífico assim, faça amor não faça guerra.