Saturday, June 07, 2008

Village People


Essa charge é genial. Diz assim: Motivo número 373 da direita histérica de porque não deveríamos permitir gays nas Forças Armadas. E o gay na trincheira em pleno front olhando o inimigo pelo binóculo diz: 'Mas eu não posso atirar nele, ele é liiiindo..."
Ninguém no mundo tem absolutamente nada a ver com o que outra pessoa faz entre quatro paredes. Se o sujeito quer ser gay, não há problema nenhum. Todo mundo sabe que tem gay em todo lugar por aqui. O chato é gay militante.
Essa semana dois gays militares fizeram um estardalhaço na mídia porque um deles, sargento do exército foi preso como desertor. A prisão não tinha nada a ver com sua sexualidade, mas obviamente a militância viu ali sinais de discriminação. O boiolão gostou dos holofotes e fez o circo pegar fogo.
Há gays nas Forças Armadas? É claro que sim. Mas ninguém quer saber, o que esperamos deles é que peguem no fuzil (sem trocadilhos) e enfrentem o inimigo quando chegar a hora. E se desertar que seja preso, gay ou não gay.
Agora as bonecas que cometeram um crime, o da deserção, se fazem de vítimas discriminadas.
Quer ser gay no Exército? Nada impede. Don't ask, don't tell, afinal ninguém tem nada com isso.
Quer flashes e lantejoulas? Vai pra Gay Parade.

Mais do mesmo


Quando a gente pensa que o governo petista chegou no fundo do poço da imoralidade eles dão um jeito e continuam cavando mais um pouco.
A CPI dos cartões corporativos, onde os governistas eram maioria, foi um estrondoso fracasso. O relator petista não viu nada demais, só alguns equívocos de um e outro membro do governo. Nada sobre os milhões sacados na boca do caixa, nada sobre os gastos da Presidência, nada sobre o dossiê contra FHC. Fizeram de conta que o problema todo era por causa da tapioca.
O Paulinho da Força continua se enrolando cada vez mais em seus depoimentos, e pouco a pouco vamos descobrindo a máfia sindical que se instalou no Ministério do Trabalho. Agora a Polícia Federal descobriu que seus investigados recebiam dinheiro até de puteiro.
O PT também andou liberando verbas à torto e à direito com a intenção de ressucitar a CPMF.
E agora, vem a última bomba colocada no colo de Dilma Roussef por Denise de Abreu, ex-diretora da Anac.
Segundo Denise, o governo favoreceu a venda da Varig à Gol, com a intermediação do compadre de Lula, o advogado Roberto Teixeira e a ajudinha da ministra da Casa Civil Dilma Roussef. A mesma Dilma que descobrimos agora ter arrumado um empreguinho em Brasília à mulher de Olivério Medina, terrorista das FARC. Denise diz ter provas de que a venda foi feita sob pressão e ignorando as leis brasileiras. Além disso alguém deve explicar como a Varig foi comprada por 24 milhões por um consórcio de brasileiros e estrangeiros (ninguém sabe ainda a origem do dinheiro) e depois vendida por 320 milhões à Gol. Imaginem só a "cumissão" dos compadres.
Conversei há umas semanas com um piloto experiente. Ele me disse ignorar como a Gol pode vender passagens no preço que faz. Segundo ele a equação não fecha. Mesmo com um avião lotado o preço do combustível é maior do que o arrecadado com as passagens. Fora os salários da tripulação e do pessoal de terra e a manutenção das aeronaves.
Aí tem truta. Melhor nem saber.
Os Constantinos da Gol já estão na lista dos mais ricos do Brasil. Aqui é assim, com os amigos certos enriquecer é facinho facinho.

Monday, June 02, 2008

Pega pra kaputt


Estive recentemente com um alemão, CEO de um grupo financeiro europeu e brasileiro interessado em instalar uma usina de açúcar, álcool e energia em uma minúscula cidadezinha do interior do Mato Grosso do Sul.
O projeto, que iria criar milhares de empregos em uma one-horse-town onde só o que proliferam são igrejas evangélicas e botecos, está parado. Há oito meses atrás, a Secretaria do Meio Ambiente do MS prometeu que analisaria o projeto em três meses.
As regras ambientais não são e nunca foram discutidas pela usina. O alemão até acha positivas as regras e normas ambientais a que eles têm que se submeter. Só que a Secretaria não tem gente competente para analisar o projeto.Carlos Minc com seu estilo performático prometeu desburocratizar o drama das licensas ambientais. Vai saber quando isso vai acontecer.
Até lá eu preciso explicar para o alemão como é que no Brasil 3 meses se transformam magicamente em 8.
E ainda por cima, o prefeito do lugarejo pediu a bagatela de 1 milhão de reais para liberar a coisa toda. Coisinha pouca, bobagem, afinal todo mundo mundo faz não é? Pois é, esse é o típico pensamento da classe política nacional, que se repete indefinidamente por milhares de outras cidades nos confins do Brasil.
Aí eu explico para o alemão o Kasse Zwei (caixa dois) e o Grosses Monatlich (mensalão).
E ele fala "Se o dinheiro fosse meu eu pensaria duas vezes".
Tome-se uma terra cheia de pastos degradados e povo desempregado. O investimento externo e a agroindústria sucroalcooleira representam a melhor oportunidade de desenvolvimento que já apareceu nesse lugar.
Aí vem o governo e nossa maravilhosa classe política, e em vez de somar, subtrai. E quem paga o pato é o povo que fica lá no boteco à mercê de Edir Macedo.
Das grosses sakanagens.

Sunday, June 01, 2008

Índio quer apito


Em uma reportagem especial do Estadão sobre a Amazônia, o repórter Carlos Marchi listava os três objetos mais desejados pelos índios: em primeiro lugar um barco com motor de popa, em segundo um freezer e em terceiro um computador. Sim, espelhinhos e contas são do tempo de Cabral... índio quer o conforto da civilização. Ou como explicou o cacique Almir Tukano, a gente não sabe como é difícil descarnar uma paca com uma faca de pedra...
Eu não sei e nem quero saber. Essa poesia da floresta e do contato com a natureza é coisa de quem nunca descarnou paca.
No meu ponto de vista as alternativas são as seguintes:
Fechamos os índios em suas reservas e os deixamos lá nus com a mão no bolso, enterrando suas crianças vivas, se matando e vivendo da caça e da pesca e de cestas básicas do governo. Daqui a uns anos montamos safáris com turistas europeus para observá-los (antes escondemos as panelas de alumínio e os bonés da coca-cola).
Na segunda opção, estudamos sua cultura, mandamos todos para a escola e aí vamos tentar integrá-los na vida social e econômica do país.
A primeira alternativa é a dos sociólogos descabeçados e de uma penca de ONG's.
A segunda é a minha, e de quem mais tem bom senso de acreditar que índios já não são mais selvagens, sabem o que querem e podem perfeitamente serem tratados com direitos e deveres de cidadão, o que inclui não esfaquear engenheiros de hidrelétricas em assembléias.
Os índios da Amazônia são 0.2% da população mas ocupam 13% do território nacional. Não obstante continuam vivendo na miséria e morrendo até de gripe. Índio não precisa de mais terra, precisa de renda. Assim como o MST e como os quilombolas.
Houve um tempo em que a terra era a única forma de se gerar riqueza. Esse tempo já passou há pelo menos um século, exceto nas mentes perturbadas dos marxistas.
Carlos Minc e Mangabeira Unger têm nas mãos a espinhosa tarefa de fazer a Amazônia gerar riqueza para índios e não índios sem que a floresta seja destruída.
Há maneiras, mas com esses dois vai ser difícil.

Iron Man


Há tempos que eu precisava assistir um filme desses de balde de pipoca na mão. Iron Man é um legítimo blockbuster cheio de efeitos, mas o que vale a pena no filme é principalmente a atuação de Robert Downey Jr.
O ator dá vida ao playboy, bon-vivant e bilionário da indústria de armamentos Tony Stark. downey Jr. tem o cinismo perfeito para o papel, e seus diálogos no filme são uma atração à parte. Sem ele o filme não seria muita coisa.
Com ele, a Marvel criou um herói bem menos bocó e mais divertido do que o Spider Man.
A "mensagem" pacifista do filme é a de que os americanos deveriam tomar mais cuidado de onde vão parar as armas que eles próprios fabricam.
Ei, mas o Brasil também acabou de vender um Super Tucano a mercenários americanos em combate no Iraque e no Afeganistão. Cadê nosso Iron Man Lula para se certificar que nosso avião não metralhe nenhum oprimido?

Country road, take me home


Tenho andado muito na estrada esses últimos tempos. Sinto muito se de vez em quando dou sumiço, mas nestas bandas aqui, o espaço e o tempo parecem mesmo diferentes do que eu estava acostumado na Holanda. Meu carro tem um mês e 5 mil quilômetros.
O bom da estrada é que dirigindo estamos sempre pensando na vida. Não é por menos que nossos motoristas de caminhão são mestres na filosofia de pára-choque.
Há os pessimistas "Feliz era Adão que não tinha sogra e nem caminhão" e os otimistas: "Nasci careca, pelado e sem dente. O que vier é lucro!".
Há os românticos: "Se chover mulher, quero goteira na minha cama", os desconfiados: "Malandro é o pato que tem os dedos grudados pra não usar aliança" e os práticos: "Sexo grátis, amor a combinar".
Há os religiosos: "Deus abençoe as mulheres bonitas, e se tiver tempo, as feias" e os nem tanto: "Jesus salva!... passa para Moisés, que chuta e é goool !".
Os machistas: "Se sua mulher pedir mais liberdade, compre uma corda mais comprida..." e os feministas: "Mulher e circo: debaixo do pano que está o espetáculo".
E também os politizados: "Não faça na vida pública aquilo que você faz na privada".
Eu acredito que a filosofia de pára-choque brasileira seja melhor do que a produzida pelo complexo PUC-USP. A de pára-choque pelo menos alguém lê.
O fato é que também eu na estrada penso sobre todos os caminhos que me trouxeram aqui. E a indagação que fica é universal e irrespondível. Poderia ter sido diferente? Eu poderia ter feito outras escolhas estar hoje em algum outro lugar do planeta? Não seria o livre arbítrio uma ilusão já que todos os nossos atos são consequências de toda uma sequência de outros acontecimentos anteriores?
Bem, já que não há resposta não adianta perguntar. Só seguir a estrada.
E o melhor da estrada é que ela leva a gente para casa.
Sentimento que expressava singelamente este outro caminhoneiro em seu pára-choque: "Saudades da família, principalmente da cabeludinha do meio".

Punk Art










Pinturas de Paul Simonon, baixista do The Clash.

Sunday, May 18, 2008

Lobão e a síntese filosófica do Lulo-petismo

Tantos analistas políticos e intelectuais estudando o lulismo e suas picaretagens, e quem acerta na mosca é Lobão. Sua camiseta é a síntese da filosofia vigente no Partido:

"Peidei, mas não fui eu"

Créditos a Reinaldo Azevedo que fez a associação. E do Blog do Noblat vem a coletânea abaixo, bem pertinente:

Nega a defesa de José Aparecido Nunes Pires, ex-chefe da Secretaria de Controle Interno da Casa Civil, que ele tenha remetido "de forma consciente" o dossiê sobre despesas sigilosas do governo Fernando Henrique Cardoso para André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Deve ter sido por engano, descuido ou distração, pois. Nada demais.
Relembre mentiras e desculpas canhestras recentes que se tornaram famosas:

"Eu não pedi dinheiro nenhum. Eu peguei o dinheiro e guardei”. (Maurício Marinho, ex-chefe de departamento dos Correios, filmado recebendo de um empresário propina de R$ 3 mil.)

"Minha assessora esteve no Brasília Shopping para ir ao neurologista”. (Ex-deputado Paulo Rocha, do PT paraense, ao justificar saques de R$ 620 mil das contas do publicitário Marcos Valério, um dos cérebros do mensalão, feitos por uma assessora dele na agência do Banco Rural no Brasília Shopping. Na época, Rocha renunciou ao mandato para escapar da cassação. Foi reeleito.)

"Tenho certeza absoluta de que não existe esse cheque, a não ser que ele seja um artista muito grande e que tenha produzido esse cheque". (Severino Cavalcanti, ex-presidente da Câmara dos Deputados, dois dias antes de aparecer o cheque no valor de R$ 7,5 mil com o qual o empresário Sebastião Buani pagou o cartão de crédito dele. Severino renunciou ao mandato. Tentou se reeleger e não conseguiu. Lula disse recentemente que ele foi uma vítima das elites.)

"Tinha tomado umas caninhas. Minha capacidade de discernimento estava baixa”. (Vladimir Poleto, ex-assessor de Palocci, ao negar entrevista que deu à VEJA sobre dólares cubanos escoltados por ele e entregues a Delúbio Soares para a campanha de Lula.)

"Não o conheço. Estive com ele duas vezes e o cumprimentei sem saber quem era”. (Antonio Palocci sobre Vladimir Poleto, que dirigiu mais de uma vez o carro que o levou à alegre mansão alugada em Brasília pela turma da República de Ribeirão - ex-assessores de Paloocci na prefeitura daquela cidade.)

"Sobre essa entrevista, eu não sei mais onde está a verdade. Não sei o que é verdade no que falei. Não sei mais de onde tirei isso". (Sílvio Pereira, ex-secretário-geral do PT, a respeito da entrevista gravada de oito horas que concedeu ao jornal O Globo.)

"Ao que eu saiba, não sei". (Vladimir Poletto, ex-assessor do ex-ministro Antônio Palocci, em depoimento na CPI dos Correios.)

"Eu não sabia, fui traído". (Lula, sobre o mensalão)

Saturday, May 17, 2008

Tragédias


O sujeito já tem o azar desgraçado de nascer na China ou no Mianmá e viver sob uma ditadura braba. Agora ainda por cima vem um ciclone ou um terremoto e mata aí uns cinquenta mil de um lado e mais uns doze mil de outro. É muito azar mesmo.
Uma amiga escreveu aqui uma vez, quando comentei sobre um ciclone em Bangladesh que isso só prova que Deus não existe, ou se existe é ruim que só.

Será verdade?
Eu acho que seja na China ou na Suíça, estamos todos sujeitos a uma desgraça ou outra. Faz parte da natureza do universo em que vivemos. Há uma razão para isso?
Eu acredito que sim. Não sei qual é, mas pelo menos por acreditar nisso acho que nossa compaixão pelos que sofrem não será em vão.

Revolução Verde, de novo!


O mundo inteiro fala de uma crise de alimentos. Impulsionados pela alta de consumo nos países emergentes, os preços de commodities agrícolas vão de vento em popa.
Agora observe atentamente este slide. É parte de uma palestra feita em 2004 na Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" pelo Professor Norman Borlaug, prêmio Nobel da Paz de 1970. Boulag é um dos pais da chamada revolução verde, que com o uso de melhoramento genético, fertilizantes, defensivos e técnicas agronômicas conseguiu triplicar a produção de grãos no mundo poupando 1.1 bilhão de hectares de terra. Entre 1950 e 2000, a população mundial passou de 2.5 bilhões para 6 bilhões de pessoas.
Quando alguém lhe falar sobre as virtudes da agricultura familiar, ou sobre como só deveríamos comer produtos orgânicos, boicotar transgênicos, ou viver só de frutas que a natureza nos dá, mostre este slide. E peça que imaginem quantas pessoas teriam morrido de fome ou quantas florestas teriam desaparecido nos últimos 50 anos se esses conselhos fossem seguidos.
O Brasil tem o potencial para ser o principal fornecedor mundial de produtos agrícolas.
Mas o campo, mais do que nunca, deve se tornar uma máquina altamente eficiente de produzir. Para o bem da humanidade, para o bem do planeta.

Quotas não!


O Supremo Tribunal Federal está julgando a constitucionalidade das quotas raciais nas universidades brasileiras, uma imbecilidade que teve seu berço na UnB de Timothy Mulholland. É incrível que um país miscigenado como o Brasil tenha que discutir quotas em pleno século XXI, quando mesmo os EUA estão abandonando suas políticas de ação afirmativa por serem completamente ineficazes.
As patrulhas dos movimentos pró racismo estão metralhando estatísticas a torto e a direito por aí. Eles só esquecem, convenientemente, de informar a população que eles contam os pardos como negros em suas estatísticas mas que somente os negros mesmo (6% da população) é que vão usufruir dos eventuais benefícios conseguidos com as quotas.
E as quotas dos índios, dos gays, dos torcedores do Guarani, dos baixinhos?
Como diz o Reinaldo Azevedo, coitado mesmo é do homem católico, branco e heterossexual. Esse não tem mesmo nenhuma ONG que o proteja.
Há algumas semanas a Vogue americana causou escândalo por causa dessa foto do astro do basquete Lebron James com Gisele Bündchen. Movimentos negros o viram como uma representação do gorila gigante King Kong e foram lá defender Lebron e atacar a revista.
O sempre excelente João Pereira Coutinho falando sobre o assunto dissecou a natureza das patrulhas politicamente corretas: "É assim que a pessoa X ou Y, que tem nome, rosto e identidade singular, deixa de ser a pessoa X ou Y. Passa a pertencer a um grupo geral - os negros, os homossexuais, as lésbicas - uma forma sinistra de dissolução identitária. Lamento. As pessoas valem como pessoas. Não valem como parte de uma manada...Para as patrulhas, um negro não pensa; pensam elas por ele."
Apartheid não! Abaixo a ditadura das minorias organizadas!

K.I.S.S.


Eu me lembro que há uns dez ou doze anos atrás (nem é tanto tempo assim ou estou ficando velho mesmo?), era dureza ter um telefone em casa. Havia filas de espera por uma linha. As linhas de telefone fixo eram compradas e vendidas a preços exorbitantes. Quem não podia comprar alugava. Alugar um telefone, quem diria. Hoje qualquer guri anda de celular no bolso. Celular naquele tempo era um tijolo desajeitado cuja única função era a de ser exibido em público. Diziam os despeitados "celular e celulite todo bundão tem".
Felizmente veio a privatização, e finalmente as telecomunicações se tornaram acessíveis para a maioria da população.
Eu sei que tudo isso é muito bom, está tudo muito bem, capitalismo e mercado livre conferem mais liberdade de escolha às pessoas etc e tal. O problema é que nenhuma outra escolha nesse Brasil pós privatizações se tornou tão irritante quanto o de operadoras de telefonia móvel.
E não estou falando só dos aparelhos não, cada um com suas mil funções, foto, filmadora, mp3, blue tooth (que a moça da loja pronuncia blutuf) e o raio que o parta. Eu cheguei lá e pedi um telefone que fizesse e recebesse chamadas. Existe?
O pior de tudo são os mil planos com bônus e promoções que cada operadora oferece.
É mais ou menos assim:
"Olha, você pode ligar 60 minutos de graça para um telefone fixo ou um celular dessa operadora mas só se você ligar daqui do estado. Se passar você paga 70 centavos por minuto ligando para a mesma operadora ou 80 ligando para outra, mas se você por uma recarga agora ganha um bônus de dez vezes mais para ligar para seus números preferidos, e você pode comprar esse plano supimpa que te dá mais 60 minutos por mês de graça mas só para telefones fixos..."
É como o sujeito que liga na pizzaria e pede meia calabresa, 1/4 portuguesa e 1/4 margherita com borda recheada só em meia pizza e anchova só do lado esquerdo.
Se há uma coisa que essas operadoras deveriam aprender a usar é outro moderno princípio do mundo dos negócios chamado K.I.S.S.: Keep It Simple Stupid!
Of course estou reclamando de barriga cheia. Daqui a pouco os petistas reestatizam a telefonia (já começaram!) e aí acabou-se. Vamos ter que alugar telefones de novo.

Thursday, May 15, 2008

Avanti!


Por muito tempo procurei este filmeco que assisti há algum tempo atrás. Hoje por coincidência, um amigo também ítalo-brasileiro o enviou para mim.
O filme compara europeus e italianos em questões como tráfego, eleições ou um simples coffee break.
É algo injusto com os italianos, na verdade todos os países do sul da Europa se encaixam no perfil italiano. É uma caricatura da latinidade.
E nós, brasileiros, herdamos tudo isso deles...
Vale a pena dar risada:

Parreira


Por falar em aeroporto encontrei o Parreira na fila da Polícia Federal em Guarulhos.
Ali estava ele, vindo do México e nervoso com a fila, com medo de perder o avião para o Rio.
Na parede da minha saudosa rapública estudantil havia pendurada uma cabeça imensa de um búfalo. Aquele búfalo foi estúpido o suficiente para morrer de uma cabeçada mal dada.
Por isso, naqueles tempos da Copa de 94, o batizamos de Parreira. Nossa televisão só funcionava em tons de verde e cada vez que uma mobilete passava na rua a estática distorcia toda a imagem. Isso porque Piracicaba é provavelmente a cidade com mais mobiletes do Brasil.
Mas o problema da Copa de 94 não foi minha televisão, foi ter que assitir a seleção de Parreira e Dunga jogando o futebol mais feio já visto do lado de baixo do Equador.
Parreira foi o homem que me fez desgostar de futebol. A vitória nos pênaltis em 94 teve um gosto de derrota, de futebol ruim, sem graça. E em 2006 então, lá estava eu feito um palhaço pintado de verde e amarelo nas ruas de Frankfurt vendo Thierry Henri marcar um gol enquanto Roberto Carlos amarrava sua chuteira e Ronaldinho chamava um táxi para ir da zaga ao ataque.
Pensei em dar uma caçuleta no Parreira na fila e lhe contar a história do búfalo cabeçudo, mas deixei para lá. Operação tartaruga da Federal no aeroporto já é punição que ninguém merece, nem ele.

Aeroportos

Tenho andado muito por aeroportos ultimamente. Bem mais do que eu gostaria. E alguns mistérios desse mundo de malas e aviões permanecem insolúveis para mim:

-Porque todos os aeroportos do mundo estão sempre em obras?
-Porque a sua mala nunca é a primeira a aparecer na esteira?
-Porque tem sempre uma mala sem dono rodando na esteira enquanto você se impacienta porque a sua não chega?
-Porque um avião nunca sai no horário previsto?
-Porque a poltrona tem que estar na posição vertical na hora do pouso ou da decolagem?
-Porque as pessoas sempre se levantam para pegar malas quando o avião pousou mas ainda não parou se sabem que a aeromoça vai dar pito?
-Porque um cafezinho custa cinco mangos?
-Como eles esperam que você cometa um atentado terrorista com um vidro de shampoo? Eles acham que você é o MacGyver?
-Porque a chance de uma loira bonita sentar ao seu lado no avião é 200 vezes menor do que a chance de um gordo sem banho ou uma velha faladeira sentarem ao seu lado?
-Cadê minha mala?

Mônica Salmaso


E porque nem só de sertanejo vive o homem, este é meu mais novo achado e minha sugestão do mês.
O cd Iaiá lançado pela Biscoito fino traz Mônica Salmaso, cantando com sua voz única sambas e chorinhos do Rio e de São Paulo, acompanhada de violão, bandolim, cavaquinho, pandeiro e flauta.
Mônica é considerada uma das melhores intérpretes da geração da MPB, e esse cd está à altura da sua reputação.
É realmente um prato cheio para quem gosta de música bem brasileira.

Trilha sonora


Voltei ao meu sertão, feliz feito sapo na lagoa. Quem fuçar meus arquivos sobre música encontrará vários posts sobre jazz, soul, rock, até ópera. Agora em Campo Grande escuto Victor & Leo, autores entre outros sucessos da canção abaixo.
Imagine que sua vida seja um filme, e que você precise de uma trilha sonora.
Eu não estou mais na Europa tomando vinho e olhando a neve da janela. Estou no Mato Grosso tomando pinga e tereré.
Como vou escutar Sinatra com a poeira na cara, no meio do mato, no sol de calça jeans e botina?
Não dá. Não que eu tenha abandonado Sinatra, Billy Holiday, Norah Jones e Diana Krall, ainda os tenho todos aqui ao meu lado, hoje e sempre.
Mas como um eclético admirador de música, tenho que voltar às origens e redescobrir meu lado caipira (nunca abandonado).
E a música sertaneja tem, para mim pelo menos, um lado engraçado e alegre no seu romantismo ingênuo, bem distante do horror do funk carioca, da agressividade do (aaargh) hip-hop paulistano e da fixação bundo-genital do axé.
Por isso eu ponho meu chapéu, monto na caminhonete e canto junto com o Victor e o Leo: "Fada, fada queriiiida...."
Qual é a trilha sonora da sua vida neste momento?

Wednesday, May 14, 2008

Vida Boa


Moro num lugar
Numa casinha inocente do sertão
De fogo baixo aceso no fogão
Fogão à lenha ai ai

Tenho tudo aqui
Umas vaquinha leiteira, um burro bão
Uma baixada, ribeira e um violão
E umas galinhas ai ai

Tenho no quintal
Uns pés de fruta e de flor
E no meu peito por amor
Plantei alguém, plantei alguém

Que vida boa ou ou ou
Que vida boa
Sapo caiu na lagoa
Sou eu no caminho do meu sertão

Vez e outra vou
Na venda do vilarejo pra comprar
Sal grosso, cravo e outras coisas que fartá
Marvada pinga ai ai

Pego meu burrão
Faço na estrada poeira levantar
Qualquer tristeza que for vai passar
Do mata-burro ai ai

Galopando vou
Depois da curva tem alguém
Que chamo sempre de meu bem
A me esperar, a me esperar

Que vida boa ou ou ou
Que vida boa
Sapo caiu na lagoa
Sou eu no caminho do meu sertão

Saturday, May 03, 2008

Fofoca neles


Ah, eu não sabia que meu marido escondia minha filha e a violentava todos os dias no porão da minha casa há 24 anos...
Ah, eu não sabia que meu vizinho era pedófilo e mantinha crianças no porão dele.
Ah, eu não sabia que meu filho comprava metralhadoras automáticas com cartão de crédito na internet e que estava planejando massacrar seus colegas de escola.
Todo mundo se espanta que esse tipo de barbaridade ocorra em países civilizados como a Áustria, a Bélgica ou os Estados Unidos.
Eu não me espanto não. A mentalidade anglo-saxônica normalmente tem ojeriza à invasão de privacidade.
Os pais americanos normalmente não tem o direito de remexer o quarto do filho, assim como um austríaco ou um belga dificilmente vai especular a vida do vizinho.
A nossa boa e velha latinidade tem algo de bom. Aqui não tem essa não, o bom mesmo é fofocar e especular sobre a vida alheia.
As Mirtes e Lourdes do bairro deveriam dar umas aulas no primeiro mundo sobre fofoca, quem sabe alguns crimes não seriam evitados...

Brasil Holanda


Estou de volta à Holanda. Temporariamente. É bom rever os amigos, mas é uma sensação estranha caminhar pelas ruas de Leiden e Den Haag, e voltar ao trabalho aqui quando pensei que esta página já estava virada.
Enfim, pelo menos agora tenho certeza das minhas escolhas.
O sol começa a aparecer na Holanda. Fui na feira hoje, os holandeses passeim de barco pelos canais, ou de bicicleta nas ruas. Tomam seus cafés.
Tenho a impressão que aqui minha vida continuaria igual até o fim.
Aqui tudo parece estar feito. No Brasil, muito está ainda por fazer.
No Brasil eu vejo possibilidades. A Standard&Poor's também, já que acaba de conferir um investment grade ao país.
O mundo inteiro fala de crise alimentar e energética e se pergunta como dar comida a 6 bilhões de pessoas. O Brasil tem ainda uma enorme quantidade de terras aráveis livres para serem usadas na produção de alimentos e de etanol (e isso sem tocar em nenhuma árvore da Amazônia). Temos ainda um mar de petróleo no fundo do oceano que uma hora ou outra será explorado.
Há muitos brasileiros que parecem não acreditar no Brasil. Não se pode culpá-los, com a enxurrada de lama que escorre das páginas dos jornais todos os dias. Mas se esquecem de quanta experiência nos falta.
Eu penso nas pedras dos muros dessas casas holandesas, que já estavam aqui muito antes que o Brasil sequer existisse. E em quanto trabalho temos ainda pela frente.