Sunday, December 10, 2006

Calor humano


Estou me preparando para as férias no Brasil. Já faz um ano que eu fui.
Preciso pegar o avião aqui sem que minha pasta de dente seja confundida com algum explosivo plástico, depois veremos se nenhum louco irá nos sequestrar, aí chegaremos em Guarulhos rezando para que as horas de espera sejam poucas e se tudo der certo pediremos permissão ao PCC para atravessar São Paulo.
O clima aqui na Holanda anda todo atrasado, o outono chegou agora, com chuva, vento e frio de 10°. Essa época no ano passado fazia -3°, e a neve e o gelo cobriam meu carro todas as manhãs. Não ligo para isso, até gosto do frio, da chuva, do gelo, do escuro do dia que acaba às17h00. Não dou a mínima para o sol tropical. Mas há outro tipo de calor do qual sentimos falta.
Fim de semana passado fomos comemorar um Natal antecipado com amigos. Grande parte brasileiras casadas com gringos. Enchi a cara e terminei a noite imitando Roberto Carlos enquanto uma outra amiga se fazia de Xuxa e as outras cantavam Entre Tapas e Beijos e outros “hits” dos anos 80. Algo que só brasileiros conseguem.
Um parêntese. Li na Veja que as mulheres brasileiras bonitas e bem de vida tem dificuldade de encontrar marido. Li a excelente crônica do Jabor desta semana falando da “mulher de mercado”. Aqui estão minhas amigas para provar, os homens brasileiros não sabem o que estão perdendo ao comportarem-se como cafajestes, machistas, misóginos e egoístas. Nossas melhores mulheres estão fugindo de nós.
É por isso que apesar de conhecermos várias brasileiras casadas com holandeses, o contrário é extremamente raro. Uma holandesa, com um século de feminismo nas costas, jamais cairá na conversa de homens brasileiros. Fim do parêntese.
Mas o ponto é que brasileiros expatriados nestas terras frias costumam se juntar só para sentir esse calor humano. Esse contato fácil, essa conversa exagerada e divertida, esse riso que não se prende.
Os holandeses só se soltam assim sob efeito de álcool. Um amigo sueco comentou que se na Suécia não houvesse álcool o país não iria se reproduzir.
Brasileiro, e especialmente brasileiras juntas são assim naturalmente.
Nada de goiabada, farinha, carne seca, requeijão. É do calor humano que sinto mais falta por aqui.

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