Monday, June 09, 2008

Lula é o mandante


Do ex-blog do César Maia:

Lula é o mandante do crime no caso VarigLog:

1. É uma conclusão óbvia. Com quem Roberto Teixeira tinha intimidade? Mal conhecia a Dilma. Roberto Teixeira é amigo íntimo de Lula, com quem mantém há anos relações de aval, apoio e negócios.

2. A quem Roberto Teixeira procuraria para a negociata? A Lula, claro! O que fez Lula? Elementar: deu as ordens para Dilma, que cumpridora, armou a trama delituosa. Portanto Lula é o mandante do crime e Dilma a executora.

3. Desta forma, será inevitável Lula ser processado e chamado a depor. No mensalão seu álibi foi o Zé Dirceu. Mas agora não há álibi pois a relação política inexiste. O que há é relação pessoal. O impedimento de Lula terá que vir a baila. Não há fator político gerido e coordenado pela Casa Civil. Mas ordem do presidente para ajudar seu amigo Roberto Teixeira na negociata.

4. A oposição terá que incluir Lula no processo como mandante. O MP não poderá se furtar desta inclusão.
Um caso cristalino.

Sex and the City


The movie! Sim, eu fui assistir. Como diria Carrie Bradshaw, uma relação se constrói assim. Numa semana eu escolho assistir Iron Man no cinema, na outra ela escolhe Sex and the City.
Mas tudo bem, não posso negar que eu também me divertia com a série e que o filme tem seus momentos engraçados.
A verdade é que o planeta feminino, cheio de relações frustradas e moda onde vivem Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda não deixa de ser universal, tanto é que a série fez sucesso no mundo inteiro.. É claro que extremamente exagerado, mas não se pode esquecer que estamos em Nova Iorque, meca da moda, das aparências e do poder.
Mulheres modernas querem casamento e liberdade, filhos, carreira, sexo, dinheiro, juventude eterna e tudo isso ao mesmo tempo. Aí ficam todas absolutamente perdidas.
Para um homem cujo ponto de vista do mundo é imensamente mais simples, não dá para entender nada mesmo. Aí elas reclamam que não são compreendidas.
Aprendam: uma mulher que não é nada sem um sapato da Manolo Blahnik não vai ser muito melhor com ele.
Eu tinha um amigo na faculdade, conhecido por ser o último dos broncos, que quando via alguma mulher de salto toda arrumada e perfumada com as últimas tendências da moda dava-lhe um tapão nas costas e dizia: "Moça, você é muito da bonita, muito da simpática mas garanto que você não sabe limpar uma barrigada de porco..."
Bem, eu não chego a ser o último dos broncos mas queria lembrar as mulheres de o quanto elas conquistaram neste século que passou. De limpar porco a sex in the city foi uma escalada e tanto. Talvez já esteja na hora de simplificar um pouco suas vidas, talvez prestando menos atenção no sapato e mais no coração e na cabeça.

Druuna

Já que eu mencionei seu nome no último post, aqui vão imagens de Druuna, a mais perfeita mulher já criada pelo traço humano.
A heroína de estórias em quadrinhos é uma criação do artista italiano Paolo Serpieri, diz ele inspirado por uma brasileira.
Para os homens é um sonho virtual. Para as mulheres, uma fonte de reflexão: se vocês acham que homens gostam de modelos anoréxicas, é mentira. Quem gosta de osso aparecendo é mulher e estilista gay. Homem gosta é disso aqui:




Saturday, June 07, 2008

What the hell?


Estamos tentando ter um bebê. Há algum tempo. Normalmente este blog é usado para expressar opiniões sobre assuntos de interesse público, e não para expor detalhes tão pequenos de nós dois. Mas é o tipo de informação que se compartilha com pessoas em situação semelhante. Achamos outros blogs na net que nos ajudaram também.
O problema é que nossos amigos da mesma faixa etária estão em pleno baby-boom. Todo mês aparece um bebê a visitar ou uma nova gravidez sendo anunciada.
É como se todos os garotos da rua tivessem ganho o brinquedo mais desejado no Natal e você assistisse tudo chupando o dedo e jogando bola de meia velha.
Quando se decide ter um bebê, assumindo os riscos e responsabilidades que a situação traz normalmente espera-se que ele apareça logo. A primeira fase é a do "Oba, vamos fazer bebê!!!" que compreende o abandono de qualquer prática anticoncepcional.
A fase Oba é depois de alguns meses substituída pela fase do "ÊÊÊ tá demorando!", quando aparecem termômetros para medição de temperatura intravaginal, tabelinhas e planilhas Excel e velas de sete dias.
Depois da fase ÊÊÊ vem a fase "What the hell is wrong?" com as primeiras consultas médicas e simpatias de vizinhas e avós. Uma delas inclui um copo de vinho branco com pó de ferro e semente de sucupira todo dia. Minha mãe fazia eu tomar Biotônico Fontoura com semente de sucupira quando eu era criança pequena lá em casa. Peguei um certo trauma, por isso confio mais na medicina convencional.
E de repente lá estou eu numa salinha, com uma revista Sexy meio gasta em uma mão e um potinho na outra. E se você pensa que esses laboratórios põe uma Druuna de enfermeira para te ajudar (pelo menos psicologicamente) na coleta, não é verdade. Não sei porque mas todas elas se parecem com a Luiza Erundina. A enfermeira sargenta recomenda que você não desperdice nada. Fácil falar, mas o seu bráulio nesta situação está normalmente apontado para o teto e aí como encher o potinho? Plantando bananeira? Não tem manual de instruções lá. E a pressão?
Também fui num urologista. E descobri que eles tem um negócio feito um terço, com bolinhas de vários tamanhos com as quais eles medem as suas. Até agora eu não descobri porque alguém que poderia ser cirurgião plástico de modelos escolhe uma especialização daquelas.
E fui fazer um ultrassom. Doppler de bolsa escrotal. Foi emocionante. Fiquei deitado cheio de gel gelado no saco vendo meus ovos na televisão junto com o médico e a enfermeira. Quase pedi uma pipoca e uma big coke. Nunca pensei que eu deixaria tanto homem meter a mão nos meus países baixos.
Não posso reclamar. Os exames que minha esposa fez eu só conhecia em filmes de abdução alienígena.
É claro que se eu fosse um desempregado analfabeto e ela uma doméstica de 17 anos nenhum tratamento seria necessário, nessa altura já teríamos pelo menos um par de gêmeos.
Não quero descobrir ainda qual próxima fase. Queria estar no futuro, para chegar na clínica, dar meu DNA e pedir: "Me dá aí um jogador de rugby com QI 450 sem problemas cardiovasculares e com olhos verdes".
Por enquanto continuamos nos esforçando nos métodos tradicionais.

Campo Grande


Na semana passada fez 12 graus em Campo Grande. As pessoas saíam na rua com casacos de lã e botas de cano alto. Corremos na loja comprar um edredon. O edredon já está devidamente guardado no armário. Ter um edredon em Campo Grande é quase tão útil como ter um guarda-sol na Holanda. Você usa uns dois dias por ano.
Voltamos aos 30 graus d'habitude.
Agora que minha vida está voltando aos eixos escreverei mais sobre minha nova terra.
Acabo de voltar de um restaurante onde comi polenta com língua de boi no vinho. Nas paredes fotos dos antigos pioneiros e fundadores da cidade. Há uns dez anos atrás o bairro em que moro era ainda uma fazenda.
Um holandês que esteve em casa recentemente espantou-se que uma cidade com pouco mais de 100 anos tivesse 800.000 habitantes, quase o mesmo que Amsterdam.
Eu quis dizer que com a nossa taxa de natalidade com mais 100 anos a cidade será o triplo em tamanho, e que com a taxa de natalidade holandesa em 100 anos Amsterdam será um califado. Mas deixei para lá.
Campo Grande ainda tem muito para chegar a ser uma Amsterdam.
Eu eu que achava que esta cidade era pacata (comparada com São Paulo) nem sabia que Fernandinho Beira Mar, Juan Carlos Abadia e outros gentes finas estavam presos bem aqui do meu ladinho, na penitenciária de segurança máxima de Campo Grande. Há um mês houve tentativa de resgate com helicóptero e tiroteio, uma animação só. Na Holanda não tem disso não.

Village People


Essa charge é genial. Diz assim: Motivo número 373 da direita histérica de porque não deveríamos permitir gays nas Forças Armadas. E o gay na trincheira em pleno front olhando o inimigo pelo binóculo diz: 'Mas eu não posso atirar nele, ele é liiiindo..."
Ninguém no mundo tem absolutamente nada a ver com o que outra pessoa faz entre quatro paredes. Se o sujeito quer ser gay, não há problema nenhum. Todo mundo sabe que tem gay em todo lugar por aqui. O chato é gay militante.
Essa semana dois gays militares fizeram um estardalhaço na mídia porque um deles, sargento do exército foi preso como desertor. A prisão não tinha nada a ver com sua sexualidade, mas obviamente a militância viu ali sinais de discriminação. O boiolão gostou dos holofotes e fez o circo pegar fogo.
Há gays nas Forças Armadas? É claro que sim. Mas ninguém quer saber, o que esperamos deles é que peguem no fuzil (sem trocadilhos) e enfrentem o inimigo quando chegar a hora. E se desertar que seja preso, gay ou não gay.
Agora as bonecas que cometeram um crime, o da deserção, se fazem de vítimas discriminadas.
Quer ser gay no Exército? Nada impede. Don't ask, don't tell, afinal ninguém tem nada com isso.
Quer flashes e lantejoulas? Vai pra Gay Parade.

Mais do mesmo


Quando a gente pensa que o governo petista chegou no fundo do poço da imoralidade eles dão um jeito e continuam cavando mais um pouco.
A CPI dos cartões corporativos, onde os governistas eram maioria, foi um estrondoso fracasso. O relator petista não viu nada demais, só alguns equívocos de um e outro membro do governo. Nada sobre os milhões sacados na boca do caixa, nada sobre os gastos da Presidência, nada sobre o dossiê contra FHC. Fizeram de conta que o problema todo era por causa da tapioca.
O Paulinho da Força continua se enrolando cada vez mais em seus depoimentos, e pouco a pouco vamos descobrindo a máfia sindical que se instalou no Ministério do Trabalho. Agora a Polícia Federal descobriu que seus investigados recebiam dinheiro até de puteiro.
O PT também andou liberando verbas à torto e à direito com a intenção de ressucitar a CPMF.
E agora, vem a última bomba colocada no colo de Dilma Roussef por Denise de Abreu, ex-diretora da Anac.
Segundo Denise, o governo favoreceu a venda da Varig à Gol, com a intermediação do compadre de Lula, o advogado Roberto Teixeira e a ajudinha da ministra da Casa Civil Dilma Roussef. A mesma Dilma que descobrimos agora ter arrumado um empreguinho em Brasília à mulher de Olivério Medina, terrorista das FARC. Denise diz ter provas de que a venda foi feita sob pressão e ignorando as leis brasileiras. Além disso alguém deve explicar como a Varig foi comprada por 24 milhões por um consórcio de brasileiros e estrangeiros (ninguém sabe ainda a origem do dinheiro) e depois vendida por 320 milhões à Gol. Imaginem só a "cumissão" dos compadres.
Conversei há umas semanas com um piloto experiente. Ele me disse ignorar como a Gol pode vender passagens no preço que faz. Segundo ele a equação não fecha. Mesmo com um avião lotado o preço do combustível é maior do que o arrecadado com as passagens. Fora os salários da tripulação e do pessoal de terra e a manutenção das aeronaves.
Aí tem truta. Melhor nem saber.
Os Constantinos da Gol já estão na lista dos mais ricos do Brasil. Aqui é assim, com os amigos certos enriquecer é facinho facinho.

Monday, June 02, 2008

Pega pra kaputt


Estive recentemente com um alemão, CEO de um grupo financeiro europeu e brasileiro interessado em instalar uma usina de açúcar, álcool e energia em uma minúscula cidadezinha do interior do Mato Grosso do Sul.
O projeto, que iria criar milhares de empregos em uma one-horse-town onde só o que proliferam são igrejas evangélicas e botecos, está parado. Há oito meses atrás, a Secretaria do Meio Ambiente do MS prometeu que analisaria o projeto em três meses.
As regras ambientais não são e nunca foram discutidas pela usina. O alemão até acha positivas as regras e normas ambientais a que eles têm que se submeter. Só que a Secretaria não tem gente competente para analisar o projeto.Carlos Minc com seu estilo performático prometeu desburocratizar o drama das licensas ambientais. Vai saber quando isso vai acontecer.
Até lá eu preciso explicar para o alemão como é que no Brasil 3 meses se transformam magicamente em 8.
E ainda por cima, o prefeito do lugarejo pediu a bagatela de 1 milhão de reais para liberar a coisa toda. Coisinha pouca, bobagem, afinal todo mundo mundo faz não é? Pois é, esse é o típico pensamento da classe política nacional, que se repete indefinidamente por milhares de outras cidades nos confins do Brasil.
Aí eu explico para o alemão o Kasse Zwei (caixa dois) e o Grosses Monatlich (mensalão).
E ele fala "Se o dinheiro fosse meu eu pensaria duas vezes".
Tome-se uma terra cheia de pastos degradados e povo desempregado. O investimento externo e a agroindústria sucroalcooleira representam a melhor oportunidade de desenvolvimento que já apareceu nesse lugar.
Aí vem o governo e nossa maravilhosa classe política, e em vez de somar, subtrai. E quem paga o pato é o povo que fica lá no boteco à mercê de Edir Macedo.
Das grosses sakanagens.

Sunday, June 01, 2008

Índio quer apito


Em uma reportagem especial do Estadão sobre a Amazônia, o repórter Carlos Marchi listava os três objetos mais desejados pelos índios: em primeiro lugar um barco com motor de popa, em segundo um freezer e em terceiro um computador. Sim, espelhinhos e contas são do tempo de Cabral... índio quer o conforto da civilização. Ou como explicou o cacique Almir Tukano, a gente não sabe como é difícil descarnar uma paca com uma faca de pedra...
Eu não sei e nem quero saber. Essa poesia da floresta e do contato com a natureza é coisa de quem nunca descarnou paca.
No meu ponto de vista as alternativas são as seguintes:
Fechamos os índios em suas reservas e os deixamos lá nus com a mão no bolso, enterrando suas crianças vivas, se matando e vivendo da caça e da pesca e de cestas básicas do governo. Daqui a uns anos montamos safáris com turistas europeus para observá-los (antes escondemos as panelas de alumínio e os bonés da coca-cola).
Na segunda opção, estudamos sua cultura, mandamos todos para a escola e aí vamos tentar integrá-los na vida social e econômica do país.
A primeira alternativa é a dos sociólogos descabeçados e de uma penca de ONG's.
A segunda é a minha, e de quem mais tem bom senso de acreditar que índios já não são mais selvagens, sabem o que querem e podem perfeitamente serem tratados com direitos e deveres de cidadão, o que inclui não esfaquear engenheiros de hidrelétricas em assembléias.
Os índios da Amazônia são 0.2% da população mas ocupam 13% do território nacional. Não obstante continuam vivendo na miséria e morrendo até de gripe. Índio não precisa de mais terra, precisa de renda. Assim como o MST e como os quilombolas.
Houve um tempo em que a terra era a única forma de se gerar riqueza. Esse tempo já passou há pelo menos um século, exceto nas mentes perturbadas dos marxistas.
Carlos Minc e Mangabeira Unger têm nas mãos a espinhosa tarefa de fazer a Amazônia gerar riqueza para índios e não índios sem que a floresta seja destruída.
Há maneiras, mas com esses dois vai ser difícil.

Iron Man


Há tempos que eu precisava assistir um filme desses de balde de pipoca na mão. Iron Man é um legítimo blockbuster cheio de efeitos, mas o que vale a pena no filme é principalmente a atuação de Robert Downey Jr.
O ator dá vida ao playboy, bon-vivant e bilionário da indústria de armamentos Tony Stark. downey Jr. tem o cinismo perfeito para o papel, e seus diálogos no filme são uma atração à parte. Sem ele o filme não seria muita coisa.
Com ele, a Marvel criou um herói bem menos bocó e mais divertido do que o Spider Man.
A "mensagem" pacifista do filme é a de que os americanos deveriam tomar mais cuidado de onde vão parar as armas que eles próprios fabricam.
Ei, mas o Brasil também acabou de vender um Super Tucano a mercenários americanos em combate no Iraque e no Afeganistão. Cadê nosso Iron Man Lula para se certificar que nosso avião não metralhe nenhum oprimido?

Country road, take me home


Tenho andado muito na estrada esses últimos tempos. Sinto muito se de vez em quando dou sumiço, mas nestas bandas aqui, o espaço e o tempo parecem mesmo diferentes do que eu estava acostumado na Holanda. Meu carro tem um mês e 5 mil quilômetros.
O bom da estrada é que dirigindo estamos sempre pensando na vida. Não é por menos que nossos motoristas de caminhão são mestres na filosofia de pára-choque.
Há os pessimistas "Feliz era Adão que não tinha sogra e nem caminhão" e os otimistas: "Nasci careca, pelado e sem dente. O que vier é lucro!".
Há os românticos: "Se chover mulher, quero goteira na minha cama", os desconfiados: "Malandro é o pato que tem os dedos grudados pra não usar aliança" e os práticos: "Sexo grátis, amor a combinar".
Há os religiosos: "Deus abençoe as mulheres bonitas, e se tiver tempo, as feias" e os nem tanto: "Jesus salva!... passa para Moisés, que chuta e é goool !".
Os machistas: "Se sua mulher pedir mais liberdade, compre uma corda mais comprida..." e os feministas: "Mulher e circo: debaixo do pano que está o espetáculo".
E também os politizados: "Não faça na vida pública aquilo que você faz na privada".
Eu acredito que a filosofia de pára-choque brasileira seja melhor do que a produzida pelo complexo PUC-USP. A de pára-choque pelo menos alguém lê.
O fato é que também eu na estrada penso sobre todos os caminhos que me trouxeram aqui. E a indagação que fica é universal e irrespondível. Poderia ter sido diferente? Eu poderia ter feito outras escolhas estar hoje em algum outro lugar do planeta? Não seria o livre arbítrio uma ilusão já que todos os nossos atos são consequências de toda uma sequência de outros acontecimentos anteriores?
Bem, já que não há resposta não adianta perguntar. Só seguir a estrada.
E o melhor da estrada é que ela leva a gente para casa.
Sentimento que expressava singelamente este outro caminhoneiro em seu pára-choque: "Saudades da família, principalmente da cabeludinha do meio".

Punk Art










Pinturas de Paul Simonon, baixista do The Clash.

Sunday, May 18, 2008

Lobão e a síntese filosófica do Lulo-petismo

Tantos analistas políticos e intelectuais estudando o lulismo e suas picaretagens, e quem acerta na mosca é Lobão. Sua camiseta é a síntese da filosofia vigente no Partido:

"Peidei, mas não fui eu"

Créditos a Reinaldo Azevedo que fez a associação. E do Blog do Noblat vem a coletânea abaixo, bem pertinente:

Nega a defesa de José Aparecido Nunes Pires, ex-chefe da Secretaria de Controle Interno da Casa Civil, que ele tenha remetido "de forma consciente" o dossiê sobre despesas sigilosas do governo Fernando Henrique Cardoso para André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Deve ter sido por engano, descuido ou distração, pois. Nada demais.
Relembre mentiras e desculpas canhestras recentes que se tornaram famosas:

"Eu não pedi dinheiro nenhum. Eu peguei o dinheiro e guardei”. (Maurício Marinho, ex-chefe de departamento dos Correios, filmado recebendo de um empresário propina de R$ 3 mil.)

"Minha assessora esteve no Brasília Shopping para ir ao neurologista”. (Ex-deputado Paulo Rocha, do PT paraense, ao justificar saques de R$ 620 mil das contas do publicitário Marcos Valério, um dos cérebros do mensalão, feitos por uma assessora dele na agência do Banco Rural no Brasília Shopping. Na época, Rocha renunciou ao mandato para escapar da cassação. Foi reeleito.)

"Tenho certeza absoluta de que não existe esse cheque, a não ser que ele seja um artista muito grande e que tenha produzido esse cheque". (Severino Cavalcanti, ex-presidente da Câmara dos Deputados, dois dias antes de aparecer o cheque no valor de R$ 7,5 mil com o qual o empresário Sebastião Buani pagou o cartão de crédito dele. Severino renunciou ao mandato. Tentou se reeleger e não conseguiu. Lula disse recentemente que ele foi uma vítima das elites.)

"Tinha tomado umas caninhas. Minha capacidade de discernimento estava baixa”. (Vladimir Poleto, ex-assessor de Palocci, ao negar entrevista que deu à VEJA sobre dólares cubanos escoltados por ele e entregues a Delúbio Soares para a campanha de Lula.)

"Não o conheço. Estive com ele duas vezes e o cumprimentei sem saber quem era”. (Antonio Palocci sobre Vladimir Poleto, que dirigiu mais de uma vez o carro que o levou à alegre mansão alugada em Brasília pela turma da República de Ribeirão - ex-assessores de Paloocci na prefeitura daquela cidade.)

"Sobre essa entrevista, eu não sei mais onde está a verdade. Não sei o que é verdade no que falei. Não sei mais de onde tirei isso". (Sílvio Pereira, ex-secretário-geral do PT, a respeito da entrevista gravada de oito horas que concedeu ao jornal O Globo.)

"Ao que eu saiba, não sei". (Vladimir Poletto, ex-assessor do ex-ministro Antônio Palocci, em depoimento na CPI dos Correios.)

"Eu não sabia, fui traído". (Lula, sobre o mensalão)

Saturday, May 17, 2008

Tragédias


O sujeito já tem o azar desgraçado de nascer na China ou no Mianmá e viver sob uma ditadura braba. Agora ainda por cima vem um ciclone ou um terremoto e mata aí uns cinquenta mil de um lado e mais uns doze mil de outro. É muito azar mesmo.
Uma amiga escreveu aqui uma vez, quando comentei sobre um ciclone em Bangladesh que isso só prova que Deus não existe, ou se existe é ruim que só.

Será verdade?
Eu acho que seja na China ou na Suíça, estamos todos sujeitos a uma desgraça ou outra. Faz parte da natureza do universo em que vivemos. Há uma razão para isso?
Eu acredito que sim. Não sei qual é, mas pelo menos por acreditar nisso acho que nossa compaixão pelos que sofrem não será em vão.

Revolução Verde, de novo!


O mundo inteiro fala de uma crise de alimentos. Impulsionados pela alta de consumo nos países emergentes, os preços de commodities agrícolas vão de vento em popa.
Agora observe atentamente este slide. É parte de uma palestra feita em 2004 na Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" pelo Professor Norman Borlaug, prêmio Nobel da Paz de 1970. Boulag é um dos pais da chamada revolução verde, que com o uso de melhoramento genético, fertilizantes, defensivos e técnicas agronômicas conseguiu triplicar a produção de grãos no mundo poupando 1.1 bilhão de hectares de terra. Entre 1950 e 2000, a população mundial passou de 2.5 bilhões para 6 bilhões de pessoas.
Quando alguém lhe falar sobre as virtudes da agricultura familiar, ou sobre como só deveríamos comer produtos orgânicos, boicotar transgênicos, ou viver só de frutas que a natureza nos dá, mostre este slide. E peça que imaginem quantas pessoas teriam morrido de fome ou quantas florestas teriam desaparecido nos últimos 50 anos se esses conselhos fossem seguidos.
O Brasil tem o potencial para ser o principal fornecedor mundial de produtos agrícolas.
Mas o campo, mais do que nunca, deve se tornar uma máquina altamente eficiente de produzir. Para o bem da humanidade, para o bem do planeta.

Quotas não!


O Supremo Tribunal Federal está julgando a constitucionalidade das quotas raciais nas universidades brasileiras, uma imbecilidade que teve seu berço na UnB de Timothy Mulholland. É incrível que um país miscigenado como o Brasil tenha que discutir quotas em pleno século XXI, quando mesmo os EUA estão abandonando suas políticas de ação afirmativa por serem completamente ineficazes.
As patrulhas dos movimentos pró racismo estão metralhando estatísticas a torto e a direito por aí. Eles só esquecem, convenientemente, de informar a população que eles contam os pardos como negros em suas estatísticas mas que somente os negros mesmo (6% da população) é que vão usufruir dos eventuais benefícios conseguidos com as quotas.
E as quotas dos índios, dos gays, dos torcedores do Guarani, dos baixinhos?
Como diz o Reinaldo Azevedo, coitado mesmo é do homem católico, branco e heterossexual. Esse não tem mesmo nenhuma ONG que o proteja.
Há algumas semanas a Vogue americana causou escândalo por causa dessa foto do astro do basquete Lebron James com Gisele Bündchen. Movimentos negros o viram como uma representação do gorila gigante King Kong e foram lá defender Lebron e atacar a revista.
O sempre excelente João Pereira Coutinho falando sobre o assunto dissecou a natureza das patrulhas politicamente corretas: "É assim que a pessoa X ou Y, que tem nome, rosto e identidade singular, deixa de ser a pessoa X ou Y. Passa a pertencer a um grupo geral - os negros, os homossexuais, as lésbicas - uma forma sinistra de dissolução identitária. Lamento. As pessoas valem como pessoas. Não valem como parte de uma manada...Para as patrulhas, um negro não pensa; pensam elas por ele."
Apartheid não! Abaixo a ditadura das minorias organizadas!

K.I.S.S.


Eu me lembro que há uns dez ou doze anos atrás (nem é tanto tempo assim ou estou ficando velho mesmo?), era dureza ter um telefone em casa. Havia filas de espera por uma linha. As linhas de telefone fixo eram compradas e vendidas a preços exorbitantes. Quem não podia comprar alugava. Alugar um telefone, quem diria. Hoje qualquer guri anda de celular no bolso. Celular naquele tempo era um tijolo desajeitado cuja única função era a de ser exibido em público. Diziam os despeitados "celular e celulite todo bundão tem".
Felizmente veio a privatização, e finalmente as telecomunicações se tornaram acessíveis para a maioria da população.
Eu sei que tudo isso é muito bom, está tudo muito bem, capitalismo e mercado livre conferem mais liberdade de escolha às pessoas etc e tal. O problema é que nenhuma outra escolha nesse Brasil pós privatizações se tornou tão irritante quanto o de operadoras de telefonia móvel.
E não estou falando só dos aparelhos não, cada um com suas mil funções, foto, filmadora, mp3, blue tooth (que a moça da loja pronuncia blutuf) e o raio que o parta. Eu cheguei lá e pedi um telefone que fizesse e recebesse chamadas. Existe?
O pior de tudo são os mil planos com bônus e promoções que cada operadora oferece.
É mais ou menos assim:
"Olha, você pode ligar 60 minutos de graça para um telefone fixo ou um celular dessa operadora mas só se você ligar daqui do estado. Se passar você paga 70 centavos por minuto ligando para a mesma operadora ou 80 ligando para outra, mas se você por uma recarga agora ganha um bônus de dez vezes mais para ligar para seus números preferidos, e você pode comprar esse plano supimpa que te dá mais 60 minutos por mês de graça mas só para telefones fixos..."
É como o sujeito que liga na pizzaria e pede meia calabresa, 1/4 portuguesa e 1/4 margherita com borda recheada só em meia pizza e anchova só do lado esquerdo.
Se há uma coisa que essas operadoras deveriam aprender a usar é outro moderno princípio do mundo dos negócios chamado K.I.S.S.: Keep It Simple Stupid!
Of course estou reclamando de barriga cheia. Daqui a pouco os petistas reestatizam a telefonia (já começaram!) e aí acabou-se. Vamos ter que alugar telefones de novo.

Thursday, May 15, 2008

Avanti!


Por muito tempo procurei este filmeco que assisti há algum tempo atrás. Hoje por coincidência, um amigo também ítalo-brasileiro o enviou para mim.
O filme compara europeus e italianos em questões como tráfego, eleições ou um simples coffee break.
É algo injusto com os italianos, na verdade todos os países do sul da Europa se encaixam no perfil italiano. É uma caricatura da latinidade.
E nós, brasileiros, herdamos tudo isso deles...
Vale a pena dar risada:

Parreira


Por falar em aeroporto encontrei o Parreira na fila da Polícia Federal em Guarulhos.
Ali estava ele, vindo do México e nervoso com a fila, com medo de perder o avião para o Rio.
Na parede da minha saudosa rapública estudantil havia pendurada uma cabeça imensa de um búfalo. Aquele búfalo foi estúpido o suficiente para morrer de uma cabeçada mal dada.
Por isso, naqueles tempos da Copa de 94, o batizamos de Parreira. Nossa televisão só funcionava em tons de verde e cada vez que uma mobilete passava na rua a estática distorcia toda a imagem. Isso porque Piracicaba é provavelmente a cidade com mais mobiletes do Brasil.
Mas o problema da Copa de 94 não foi minha televisão, foi ter que assitir a seleção de Parreira e Dunga jogando o futebol mais feio já visto do lado de baixo do Equador.
Parreira foi o homem que me fez desgostar de futebol. A vitória nos pênaltis em 94 teve um gosto de derrota, de futebol ruim, sem graça. E em 2006 então, lá estava eu feito um palhaço pintado de verde e amarelo nas ruas de Frankfurt vendo Thierry Henri marcar um gol enquanto Roberto Carlos amarrava sua chuteira e Ronaldinho chamava um táxi para ir da zaga ao ataque.
Pensei em dar uma caçuleta no Parreira na fila e lhe contar a história do búfalo cabeçudo, mas deixei para lá. Operação tartaruga da Federal no aeroporto já é punição que ninguém merece, nem ele.

Aeroportos

Tenho andado muito por aeroportos ultimamente. Bem mais do que eu gostaria. E alguns mistérios desse mundo de malas e aviões permanecem insolúveis para mim:

-Porque todos os aeroportos do mundo estão sempre em obras?
-Porque a sua mala nunca é a primeira a aparecer na esteira?
-Porque tem sempre uma mala sem dono rodando na esteira enquanto você se impacienta porque a sua não chega?
-Porque um avião nunca sai no horário previsto?
-Porque a poltrona tem que estar na posição vertical na hora do pouso ou da decolagem?
-Porque as pessoas sempre se levantam para pegar malas quando o avião pousou mas ainda não parou se sabem que a aeromoça vai dar pito?
-Porque um cafezinho custa cinco mangos?
-Como eles esperam que você cometa um atentado terrorista com um vidro de shampoo? Eles acham que você é o MacGyver?
-Porque a chance de uma loira bonita sentar ao seu lado no avião é 200 vezes menor do que a chance de um gordo sem banho ou uma velha faladeira sentarem ao seu lado?
-Cadê minha mala?