Monday, February 02, 2009
Gomorra

Imagine uma terra onde o crime impera. Onde o crime, como um câncer estendendo seus tentáculos doentes se insere na economia, na sociedade, na política, nas vidas e nas consciências de quem quer que viva por ali.
Essa terra é a Campânia italiana, a terra da Camorra.
O livro do jovem jornalista Roberto Saviano desvenda os mecanismos do poder dos clãs camorristas e expõe essa gangrena, antes oculta, ao mundo.
Pensamos românticamente na máfia como aquela de velhinhos com guarda costas armados extorquindo lojistas em troca de proteção.
Gomorra dá a exata idéia do tamanho do poder econômico da Camorra e até onde se estendem seus laços criminosos.
Saviano conta tudo. Conta dos containeres de contrabando e mercadorias piratas chinesas sendo esvaziados aos milhares todos os dias no porto de Nápoles, dos edifícios de apartamentos propositadamente esvaziados para servirem de depósitos. Conta da indústria têxtil clandestina no sul da Itália, que desconhece qualquer lei trabalhista e que mesmo assim produz todas as roupas, sapatos e bolsas exportados pelas grifes de luxo italianas para todo o planeta. Conta como os produtos descartados pelo controle de qualidade das grifes vão parar pelas mãos dos mafiosos no mercado pirata.
Conta das guerras de poder entre os clãs, onde cada ato, cada palavra pode ser uma sentença de morte. Do cheiro de sangue e das rajadas de metralhadora nas cidades da região napolitana. Das mansões, vilas e carros de luxo dos chefões.
Conta do poder das indústrias de cimento e de construção civil que conseguem contratos públicos através de seus ramos políticos, dos imigrantes africanos usados como mão de obra barata.
Conta do tráfico de drogas que sai da América do Sul para Nigéria e através do sul da Itália é distribuído em toda a Europa. Conta das misturas de droga que são feitas e testatdas em viciados, verdadeiros cobaias humanos dos traficantes.
E conta do tráfico de armas que sai do leste europeu para os narcoguerrilheiros sul americanos.
Conta de como todo o lixo tóxico da Europa rica está sendo desovado nos campos da Campânia através de contratos bilionários geridos pelas famílias criminosas.
Não há atividade criminosa no mundo onde não se vejam as mãos ensangüentadas da Camorra, ou o Sistema como eles se chamam.
E lendo toda essa trama, que enoja e desespera quem lê, vemos como é efêmero e ilusório o poder. Se não são assassinados pouco tempo depois de chegarem ao topo, os boss acabam na cadeia ou passam o resto da vida escondidos em bunkers e casebres.
Mas ao mesmo tempo nos damos conta do quanto o crime se parece com aqueles monstros legendários cuja cabeça cresce novamente assim que é decepada.
Gomorra é a terra onde o crime marca quem nasce ali. É a terra onde o mal entra na sociedade como em nenhum outro lugar no mundo.
Mais do que uma reportagem, Gomorra é um grito ensurdecedor, angustiado, de alguém que viu e viveu e que finalmente se levantou para mostrar ao mundo o tamanho dessa doença, cujo centro nervoso está ali, no sul esquecido da civilizada Europa.
É o mais impressionante relato de coragem jornalística de que tenho notícia.
Roberto Saviano encontra-se escondido e sob alta proteção do estado italiano,
Gomorra virou também filme premiado em Cannes.
A Volta do Filho Pródigo

Antes do Natal, a colega blogueira Bete disse que iria sortear um livro entre seus leitores. Eu me inscrevi e ganhei, e na verdade não tinha idéia de como seria o livro. Agora, feliz de tê-lo lido, venho aqui contar como foi.
O livro chama-se A Volta do Filho Pródigo e foi escrito por um holandês chamado Henri Nouwen.
Há muito debate sobre a função que a arte deveria exercer sobre a sociedade. Não acredito em arte engajada, mas acredito que uma obra de arte deva ser um fonte de beleza na vida, deva inspirar quem a observa.
E foi isso que o quadro A Volta do Filho Pródigo de Rembrandt van Rijn fez com o padre Nouwen.
Nouwen conheceu o quadro por uma reprodução pregada na porta do escritório de uma amiga. Ficou tão obcecado pela pintura que acabou indo ao Hermitage em São Petersburgo na Rússia para admirá-lo ao vivo.
Sua atenta meditação sobre cada pormenor da pintura o levou a escrever este livro, que é uma viagem espiritual inspirada pela obra, pela vida de Rembrant e pela sua própria experiência.
O quadro mostra a hora em que o filho pródigo, que tinha abandonado o lar e torrado sua parte da herança com festas, jogos e prostitutas regressa, pobre, sofrido e arrependido ajoelhando-se aos pés do pai que o acolhe, enquanto o irmão ressentido o observa.
Toda a luz da pintura emana dessa figura paterna que acolhe o filho que estava perdido e foi encontrado, é nesse abraço cheio de perdão que está a emoção da cena.
Deus, ou a figura do pai, é aquele que ama incondicionalmente tanto o filho pródigo que volta aos seus braços como ao filho obediente porém egoísta e ressentido.
De fato, Nouwen acha que nos comportamos ora como o filho pródigo ora como o filho ressentido. Somos amados e não sabemos, por isso nos afastamos ou nos tornamos egoístas. A grande jornada espiritual de cada um é saber ser amado como o filho, mas amar como o pai.
Rembrandt van Rijn teve fama e fortuna em sua época, gastou tudo o que podia com uma vida cheia de excessos, mas também era egoísta e interesseiro, sofreu e perdeu dinheiro e família e no fim morreu só e pobre. Também ele foi em sua vida o filho pródigo, o filho mais velho e no final percebeu, se pintando como o pai, que figura ele deveria ser.
Uma bela lição de arte e espiritualidade, e um chamado a uma transformação.
Agradecimentos à Bete.
A Ditadura do Relativismo

Roger Kimball, da New Criterion (segundo muitos provavelmente a melhor revista cultural do mundo) cita a campanha point of view do HSBC como um sintoma do Relativismo que está tomando conta da civilização ocidental.
Na campanha, um determinado objeto pode ter tanto um significado como também pode significar seu exato oposto. Tudo na verdade depende do ponto de vista do observador.
Se antigamente um indivíduo relativamente educado e respeitável se conhecia por seus firmes princípios morais, hoje em dia nossa sociedade valoriza justamente quem tem princípios mais flexíveis, as pessoas de “cabeça aberta”, e “tolerantes”. Desse modo, princípios dependem meramente da opinião de cada um.
Vejamos um exemplo. O direito à vida deveria ser um princípio fundamental na nossa sociedade, inscrito na Declaração de Direitos Humanos.
Hoje em dia, os indivíduos tolerantes e de cabeça aberta querem legalizar o aborto porque afinal ninguém sabe se o feto é vida ou não, e ele iria atrapalhar a vida das mulheres que não pensaram muito na hora de fazê-lo (não digo as que foram forçadas a tanto ou as que têm a vida ameaçada pela gestação, casos que a legislação brasileira prevê). Se for anencéfalo então não há nem discussão, já está praticamente morto mesmo.
Índios brasileiros enterram vivas crianças deficientes. Antes isso horrorizaria qualquer pessoa civilizada. Hoje há pessoas civilizadas que defendem os índios por agirem assim, respeitando seus costumes.
O mesmo se passa com doentes em coma, como aquela Terri Schiavo. Está gastando dinheiro público vivendo como vegetal, melhor matar de uma vez. É mais humano.
O direito à vida como se vê se torna mais relativo.
Nossa constituição garante o direito à propriedade. Claro que se um pobre coitado se disser oprimido pelo sistema e invadir a sua propriedade ele pode no fim das contas ficar com ela. Outro relativismo.
A infância deve ser protegida? Achamos que sim. No entanto, na Holanda, a pátria dos liberais, já há um partido político que prega a legalização da pedofilia.
Até o terrorismo assassino do Hamas e das Farc acha intelectuais que o justificam.
Como isso pode estar acontecendo?
Bem, as pessoas acham que se são mais tolerantes com outras, as outras serão mais tolerantes com ela. E se antes acreditávamos no direito à busca pela felicidade, hoje em dia esse conceito se tornou uma busca pela própria felicidade não importando os meios. Não importando aquele conceito de amar ao próximo e proteger os mais fracos difundido pela herança de cristianismo e democracia no Ocidente.
Nossos princípios estão mais frouxos e nossos direitos mais relativos para que essa busca a qualquer preço seja mais fácil.
Por isso os ateístas ingleses acham que o conceito de Deus é só mais um empecilho para atrapalhar quem quer aproveitar a vida. Não se trata de provar ou não a existência de Deus, eles querem entrar no liberou geral que toma conta da sociedade.
Além disso, nossos ídolos de hoje, são a superclass das celebridades, como definiu Giuliano da Empoli em seu ensaio a Orgia e a Peste.
Fazer parte da superclass é por exemplo o motivo do sucesso da TV reality show estilo BBB. A commoditie mais valorizada pela celebridades não é honra, conhecimento ou ética, é a atenção. E atenção se consegue justamente ignorando-se qualquer regra ou princípio. Ninguém liga se Bruna Surfistinha é uma prostituta, ladra e drogada. No Altas Horas do Serginho Groissman ela era exaltada pelos jovens da platéia
como símbolo de coragem, como alguém que chegou lá. O mesmo com todas as mocinhas do mundo que querem ser Paris Hilton e Lindsey Lohan, vistas por aí enchendo a cara sem calcinha. Ficou normal para adolescentes americanas divulgarem fotos no mesmo estilo em seus orkuts e facebooks.
É essa felicidade falsa das celebridades que a turma liberal procura a qualquer custo.
Posso não ser um exemplo de moralidade, mas pelo menos admito a necessidade de limites éticos como forma de se evitar a decadência da nossa vida em sociedade.
Senão vira zoológico.
Sunday, February 01, 2009
Hermandad
Wednesday, January 28, 2009
Scream

Seria a crise da meia idade ou da vida inteira?
Sou um agrônomo que nunca plantou um pé de feijão.
Sou um negociante que não fecha negócios. Businessman, cheio de idéias que ninguém quer.
Sou um escritor que não é lido e nem tem livros.
Sou um pintor que não sabe pintar.
Sou um político de boteco.
Estrangeiro em qualquer lado.Sou o presidente do Incompetentes Futebol Clube.
Incompetente até para fazer um filho, apesar de toda teoria e prática.
Quando é que nos tornamos aquilo que mais detestávamos?
Um escriturário de subúrbio, pronto para apresentar gráficos coloridos à chefia.
Quero um canto, uma terra. Uma viagem à cordilheira.
Preciso criar algo, inventar algo, construir algo.
Antes que algo me devore.
Tuesday, January 27, 2009
O ônibus dos insensatos

Lendo João Pereira Coutinho na Folha me deparei com essa inacreditável campanha de associações ateístas que começou na Inglaterra e agora pretende se espalhas pelo resto da Europa.
A campanha intitula-se atheist bus (http://www.atheistbus.org.uk/) e está espalhando cartazes nos ônibus urbanos de cidades do Reino Unido com a frase: "Deus provavelmente não existe, então pare de se preocupar e aproveite a vida." Ah, já há camisetas também.
A primeira pergunta é porque essa turma, já que não tem o que fazer, não enfia o dedo no rabo e cheira em vez de gastar dinheiro com campanha publicitária. Tá certo que até o Obama reconheceu a América como uma nação de cristãos, muçulmanos, hindus e non-believers, mas o que você tem a ver com o fato de outra pessoa acreditar ou não em Deus?
Mas a resposta eu conheço. Na verdade, ateístas se acham mais iluminados do que o resto da plebe ignara, então devem estar se sentindo no dever de espalhar a luz aos que vivem no obscurantismo religioso, c'est à dire, os outros 99% da humanidade.A segunda pergunta é sobre aquele "provavelmente não existe" na frase do ônibus. O quê? Alguma dúvida bateu na última hora? Porque não simplesmente "Deus não existe?".
Citando Chesterton, JP Coutinho diz: "Quando os Homens não acreditam em Deus, eles não passam a acreditar em nada; eles acreditam, antes, em qualquer coisa." Não é à toa que Richard Dawkins, o profeta da igreja ateísta acredita em deuses astronautas.
A terceira pergunta é sobre o aproveite a vida. Como se vê, por essa lógica boçal, Deus é um empecilho para que os homens aproveitem a vida, como se não fôssemos dotados de livre-arbítrio durante nossa curta existência.
...oda-se o próximo, o negócio é se divertir. Tire-se Deus da equação, e como disse Dostoiévski, tudo é permitido. Matar judeus, abortar, orgia com menores, liberalização de drogas, no problem.
A campanha do ônibus não é como querem os ateístas, o triunfo da razão. É o triunfo do relativismo cretino que assola o Ocidente.
Não se trata de provar ou não a existência de Deus, trata-se de demolir qualquer limite de comportamento criado durante séculos de tradição judaico-cristã.
É um tiro nas costas da civilização ocidental.
O Dia em que a Terra Parou
Eu tenho em casa o filme original O Dia em que a Terra Parou, de 1951. Fui assistir ao remake só de curiosidade, e como previa, me decepcionei.Em 1951 o mundo ainda era assombrado pelas lembranças da II Guerra, as pessoas assistiam notícias da Guerra da Coréia nas salas de cinema e o espectro da Guerra Fria já alterava o cenário geopolítico mundial.
Além disso, as pesquisas para a futura corrida espacial começavam a ser divulgadas, e a ficção científica se voltava para outras galáxias e seres extraterrestres.
No filme original, o alienígena Klaatu e seu robô Gort vêm à Terra avisar os humanos que lá fora ninguém estava disposto a deixar que uma espécie tão belicosa se tornasse uma ameaça a outras civilizações no Universo.
Tudo isso fez do filme de 1951 uma peça verdadeiramente original, e que vale a pena ser visto. Mesmo disco voador de Klaatu e seu robô tosco são infinitamente mais divertidos de se ver na versão original.
O filme de 2008, onde Keanu Reeves faz Klaatu, era preciso encontrar um motivo novo para a vinda do alien. E o motivo foi ecológico, mas aí entra o grande absurdo do filme. 
A Terra é um planeta especial porque é capaz de abrigar vida complexa. Mas como os humanos, a forma de vida mais complexa existente na Terra, estão destruindo o planeta, então eles serão destruídos. Ou seja, o motivo que faz o planeta especial é o motivo da nossa destruição.

A Terra é um planeta especial porque é capaz de abrigar vida complexa. Mas como os humanos, a forma de vida mais complexa existente na Terra, estão destruindo o planeta, então eles serão destruídos. Ou seja, o motivo que faz o planeta especial é o motivo da nossa destruição.
E se eu ouvisse o Keanu Revees falar mais uma vez change no filme, eu juraria que quem escreveu o roteiro é o mesmo sujeito que escreve os discursos do Obama.
Sete Vidas - Seven Pounds

Seven Pound traz Will Smith em outro bom papel dramático, com o mesmo diretor de Pursuit of Happiness, Gabriele Muccino.
O enredo é tão simples que o diretor se esforça em alternar presente e passado para que o espectador não perceba para onde a história está obviamente se encaminhando.
Chris Gardner (Smith) um homem que tem tudo para ser feliz na vida provoca uma tragédia que acaba com a vida de sete pessoas, incluindo sua noiva.
O filme é a história do caminho que ele escolheu para se redimir e tentar ajudar outras sete vidas, mas com um preço trágico.
Toda a questão moral do filme, se esse preço era justo ou não, se era ético ou não fazer o que ele fez é deixado a critério do espectador, para pensar em casa depois da sessão. E isso é o que faz de Seven Pounds um bom filme.
Eu não ficaria surpreso se a maioria das pessoas que assitiram o filme concordassem com a decisão do protagonista. Eu, que sou do contra, discordo.
Ele abreviou a própria vida para salvar outras sete, mas quantas ele poderia ajudar a salvar, se quisesse, em uma vida inteira? Foi sua resolução coragem ou fuga de um peso muito grande na consciência?
Thursday, January 22, 2009
Retroceder nunca

Israel está se retirando de Gaza. Pressionado pela comunidade internacional, diz ter atingido seus objetivos militares.
No meu ponto de vista é um erro crasso. A cada vez que o Ocidente bate em retirada os bárbaros avançam.
A retirada foi negociada em troca de uma trégua de um ano prometida pelo Hamas.
Para se ter uma idéia do que é a trégua do Hamas, soldados israelenses que estavam se retirando do território levaram bala no meio do caminho de volta.
E o Hamas já anunciou que vai se rearmar, o que não é difícil já que o Irã continuará a fornecer o que eles precisam sem que a Europa, que chamou para si a responsabilidade da delicada negociação atômica com os aiatolás, levante um dedo sobre o assunto.
E agora, com os israelenses fora de Gaza, qual é a primeira iniciativa do Hamas? Torturar e executar palestinos...
Sim, palestinos que cansados da sharia e da tirania do Hamas querem fazer oposição.
Ah, mas palestinos mortos por palestinos não aparecem na televisão... São problemas internos, diriam os humanistas esquerdopatas.
Israel deveria ter ficado e esmagado de vez os terroristas.
Israel aos israelenses
Gaza aos palestinos.
O inferno para o Hamas.
Wednesday, January 21, 2009
Mudanças
Quem não se lembra da posse de Lula em 2002? Multidões de proletários na Esplanada dos Ministérios saudando o novo presidente a desfilar em carro aberto. Um operário havia chegado ao Palácio do Planalto. Finalmente depois de 500 anos de história alguém que não era "das elites" governaria o país. Os mesmos olhares de esperança, de desejo por mudança estavam em toda parte em Washington no começo desta semana. Mais de um milhão de pessoas compareceu à capital americana para ver a inauguração do primeiro presidente negro, outros milhões no mundo todo assistiam pela tv o homem que prometeu grandes mudanças no país e no mundo prestar seu juramento.
Arrisco o paralelo por não deixar de imaginar que Obama é hoje para os Estados Unidos a mudança que esperávamos que Lula fosse em 2002 para o Brasil.
Obama sanaria o gap racial nos EUA como Lula pretendia sanar o gap social no Brasil.
Mas as mudanças, se mudanças houveram na era Lula foram para pior.
Sob seu comando, nossos princípios se tornaram mais frouxos, nossos direitos mais relativos, nossas liberdades mais ameaçadas, nossas instituições mais desmoralizadas, nossa diplomacia mais irresponsável, nosso Estado mais inchado e ineficiente. O gap social não só não foi resolvido como a miséria acaba se perpetuando pelo assistencialismo do bolsa-família.
A única viga mestra de sustentação de sua inacreditável popularidade (como disse a The Economist: freakishly popularity) está justamente em uma não-mudança, a da política econômica estabelecida por seu antecessor.
E tudo isso diante de uma imprensa majoritariamente embasbacada e silenciada pelo medo de atacar o presidente-operário, ungido pelo povo, inocentado pelas urnas e aclamado pela mídia.
E tudo isso diante de uma imprensa majoritariamente embasbacada e silenciada pelo medo de atacar o presidente-operário, ungido pelo povo, inocentado pelas urnas e aclamado pela mídia.
Obama também foi eleito não pelo que fez, porque ele até hoje não fez nada que o capacitasse à presidência do país mais poderoso do mundo, mas pela promessa do que poderá fazer. Seu passado praticamente desconhecido, suas alianças perigosas, seus documentos escondidos também foram ignorados pela mesma mídia embasbacada pelo semi-deus da mudança, o candidato a presidente negro.
Mas há diferenças essenciais entre os EUA e repúblicas bananeiras como esta. A principal delas é depois de seu termo como presidente, o odiado George W. Bush por exemplo monta no helicóptero e vai embora. No lado de baixo do Equador, largar o osso do poder é sempre um pouco mais difícil, por ser tão lucrativo aos sócios participantes.
Fora isso, Lula e Obama fazem parte do mesmo processo. Um processo que Roger Kimball, da New Criterion, parafraseando Bento XVI chama de a Ditadura do Relativismo no Ocidente. Se antes uma pessoa educada se conhecia por seus princípios e valores morais, nestes tempos modernos, a moda agora é ser um indivíduo "aberto" e "tolerante", onde princípios dependem do ponto de vista do observador.
Lula fez os princípios morais dos brasileiros muito mais flexíveis. Segundo seus companheiros foi tudo pelo bem do povo.
Espero que o change de Obama não signifique este tipo de mudança.
Espero, baseado em seu próprio discurso, que seu governo não mude os princípios básicos sobre os quais se ergueram os Estados Unidos e todas as democracias da civilização ocidental.
Great Expectations

Forty-four Americans have now taken the presidential oath. The words have been spoken during rising tides of prosperity and the still waters of peace. Yet, every so often the oath is taken amidst gathering clouds and raging storms. At these moments, America has carried on not simply because of the skill or vision of those in high office, but because We the People have remained faithful to the ideals of our forbearers, and true to our founding documents.
So it has been. So it must be with this generation of Americans.
Today I say to you that the challenges we face are real. They are serious and they are many. They will not be met easily or in a short span of time. But know this, America — they will be met. On this day, we gather because we have chosen hope over fear, unity of purpose over conflict and discord.
We remain a young nation, but in the words of Scripture, the time has come to set aside childish things. The time has come to reaffirm our enduring spirit; to choose our better history; to carry forward that precious gift, that noble idea, passed on from generation to generation: the God-given promise that all are equal, all are free, and all deserve a chance to pursue their full measure of happiness.
We remain the most prosperous, powerful nation on Earth. Our workers are no less productive than when this crisis began. Our minds are no less inventive, our goods and services no less needed than they were last week or last month or last year. Our capacity remains undiminished. But our time of standing pat, of protecting narrow interests and putting off unpleasant decisions — that time has surely passed.
Our Founding Fathers, faced with perils we can scarcely imagine, drafted a charter to assure the rule of law and the rights of man, a charter expanded by the blood of generations. Those ideals still light the world, and we will not give them up for expedience's sake. And so to all other peoples and governments who are watching today, from the grandest capitals to the small village where my father was born: know that America is a friend of each nation and every man, woman, and child who seeks a future of peace and dignity, and that we are ready to lead once more.
We are a nation of Christians and Muslims, Jews and Hindus — and nonbelievers. We are shaped by every language and culture, drawn from every end of this Earth; and because we have tasted the bitter swill of civil war and segregation, and emerged from that dark chapter stronger and more united, we cannot help but believe that the old hatreds shall someday pass; that the lines of tribe shall soon dissolve; that as the world grows smaller, our common humanity shall reveal itself; and that America must play its role in ushering in a new era of peace.
Our challenges may be new. The instruments with which we meet them may be new. But those values upon which our success depends — hard work and honesty, courage and fair play, tolerance and curiosity, loyalty and patriotism — these things are old. These things are true. They have been the quiet force of progress throughout our history. What is demanded then is a return to these truths.
Let it be said by our children's children that when we were tested we refused to let this journey end, that we did not turn back nor did we falter; and with eyes fixed on the horizon and God's grace upon us, we carried forth that great gift of freedom and delivered it safely to future generations.
So it has been. So it must be with this generation of Americans.
Today I say to you that the challenges we face are real. They are serious and they are many. They will not be met easily or in a short span of time. But know this, America — they will be met. On this day, we gather because we have chosen hope over fear, unity of purpose over conflict and discord.
We remain a young nation, but in the words of Scripture, the time has come to set aside childish things. The time has come to reaffirm our enduring spirit; to choose our better history; to carry forward that precious gift, that noble idea, passed on from generation to generation: the God-given promise that all are equal, all are free, and all deserve a chance to pursue their full measure of happiness.
We remain the most prosperous, powerful nation on Earth. Our workers are no less productive than when this crisis began. Our minds are no less inventive, our goods and services no less needed than they were last week or last month or last year. Our capacity remains undiminished. But our time of standing pat, of protecting narrow interests and putting off unpleasant decisions — that time has surely passed.
Our Founding Fathers, faced with perils we can scarcely imagine, drafted a charter to assure the rule of law and the rights of man, a charter expanded by the blood of generations. Those ideals still light the world, and we will not give them up for expedience's sake. And so to all other peoples and governments who are watching today, from the grandest capitals to the small village where my father was born: know that America is a friend of each nation and every man, woman, and child who seeks a future of peace and dignity, and that we are ready to lead once more.
We are a nation of Christians and Muslims, Jews and Hindus — and nonbelievers. We are shaped by every language and culture, drawn from every end of this Earth; and because we have tasted the bitter swill of civil war and segregation, and emerged from that dark chapter stronger and more united, we cannot help but believe that the old hatreds shall someday pass; that the lines of tribe shall soon dissolve; that as the world grows smaller, our common humanity shall reveal itself; and that America must play its role in ushering in a new era of peace.
Our challenges may be new. The instruments with which we meet them may be new. But those values upon which our success depends — hard work and honesty, courage and fair play, tolerance and curiosity, loyalty and patriotism — these things are old. These things are true. They have been the quiet force of progress throughout our history. What is demanded then is a return to these truths.
Let it be said by our children's children that when we were tested we refused to let this journey end, that we did not turn back nor did we falter; and with eyes fixed on the horizon and God's grace upon us, we carried forth that great gift of freedom and delivered it safely to future generations.
Barack Obama 44th President of the United States of America 20/01/2009
Monday, January 19, 2009
Banzai
E nestes tempos de crise, Haruka Nishimatsu, o CEO da Japan Airlines virou uma espécie de novo ídolo do proletariado.
Ao contrário de outros dirigentes de grandes empresas acostumados com gastos excessivos, grandes pompas e salários maiores ainda, Nishimatsu prima pela austeridade. Vai ao trabalho de trem, almoça no refeitório com os outros empregados e acaba de cortar 60% do próprio salário para ajudar a JAL sair da crise.
A CNN fez uma reportagem sobre seu estilo de vida em dezembro. O vídeo foi parar no YouTube e virou hit no mundo empresarial. O japonês está recebendo cartas de apoio de empresários e fãs do mundo inteiro.
Mas realmente, tem gente que come o pão que o diabo amassou em suas empresas e que realmente não merece perder o emprego e ainda por cima ver os big bosses, aqueles responsáveis por perdas de trilhões de dólares de pura incompetência, saírem com bônus de bilhões no bolso enquanto a casa cai. Caso dos bancos e montadoras americanos. Que aprendam um mínimo de decoro e sobriedade com Haruka Nishimatsu.
Mas...

Nada está tão ruim que não possa piorar. Se aqui é assim, imagine no Zimbábue.
A nota de 100 bilhões de dólares lançada há pouco tempo só compra uns três ovos.
Daqui a um mês não vai dar nem para comprar um chicrete de segunda mão.
Agora a Casa da Moeda de lá acaba de lançar a nota de 1 trilhão de dólares.
Ah se fosse do verdinho...
E enquanto o resto do mundo calcula o quanto a economia vai encolher, aqui no Brasil, mesmo os mais pessimistas falam em crescer menos. Não é assim uma marolinha mas dá para encarar. Afinal somos brasileiros e não desistimos nunca, só aos domingos e feriados.
E como lembra o amigo blogueiro empresário e marketeiro Miguel Cavalcanti: A crise chegou. E você, vai chorar ou vai vender lenço?
Boa essa.
Carga Pesada
Essa vem do blog Arrastão: Leio no Congresso em Foco: "Segundo o IBPT, os brasileiros pagam em média R$ 800 de tributos por segundo, R$ 50 mil por minuto, R$ 3 milhões por hora, R$ 51 milhões por dia e R$ 2,2 bilhões por mês."
A reportagem, escrita por Eduardo Militão, informa ainda que "apenas nos primeiro cinco dias de janeiro foram arrecadados R$ 16 bilhões em impostos, contribuições e taxas", mesmo sem a CPMF. Em 2008, o recolhimento bateu R$ 1,06 trilhão.
Não sei você, mas de vez em quando eu penso a sério em desobediência civil.
A reportagem, escrita por Eduardo Militão, informa ainda que "apenas nos primeiro cinco dias de janeiro foram arrecadados R$ 16 bilhões em impostos, contribuições e taxas", mesmo sem a CPMF. Em 2008, o recolhimento bateu R$ 1,06 trilhão.
Não sei você, mas de vez em quando eu penso a sério em desobediência civil.
Eu também, Janaína, eu também...
Impostos escandinavos, serviços africanos... os males do Brasil.
Friday, January 16, 2009
Home museum

Sabe quando você passou a vida inteira sonhando em ver de perto uma obra de arte magnífica, e quando finalmente você chega naquele museu, em frente ao sonhado quadro e se prepara para admirar extasiado a beleza e a profundidade da arte, mesmo com aquela cordinha que te deixa a dois metros da obra, aí chega uma excursão de 300 japoneses com um guia de sombrinha berrando para todo mundo, entram todos na sua frente tirando fotos e você é atirado para fora dali a cotoveladas?
Pois é.
Alguém já tentou ver a Mona Lisa de perto? Aquele quadrinho na parede coberto com um vidro onde se refletem os flashes de todos os turistas que não estão nem aí para a plaquinha de proibido usar flashes? Alguém sinceramente teve tempo de admirar o teto da Capela Sistina depois de horas numa fila interminável com uma horda de bárbaros te empurrando?
Pois é.
O Jardim das Delícias de Bosch é com certeza o quadro mais fascinante que eu conheço. Tive a oportunidade de vê-lo de perto no museu do Prado uma vez. O que descrevi no primeiro parágrafo foi exatamente o que me aconteceu. E é um quadro tão cheio de detalhes que é possível passar horas ali admirando cada cantinho sem se cansar.
Felizmente a tecnologia veio ajudar aos pobres turistas amantes da arte que estão ali para algo mais além do que tirar uma foto de um quadro famoso.
No Google Earth, digite Museo do Prado, Madrid. Depois clique no quadradinho branco com o nome do museu e uma janela se abrirá com diferentes obras de arte que foram scaneadas nos mínimos detalhes. Além do Jardim das Delícias há outras obras primas de Goya, Velásquez, El Greco e outros. Tomara que continuem ampliando o acervo e que a moda se espalhe para outros museus.
Do conforto da sua poltrona, sem ninguém entrando na sua frente, sem guias de guarda-chuva, dá para ver cada cantinho do seu amado quadro. Foi assim que flagrei esse detalhe bizarro do Inferno na pintura de Bosch.
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