Saturday, August 12, 2006

The Long Emergency


Apesar dos jornais do dia, incluindo a notícia de que islamitas tentariam explodir uma dezena de aviões no ar, eu tenho uma imagem otimista do futuro.
Se vocês se lembram dos meus Exercícios de Futurologia eu acredito que a humanidade vá superar as dificuldades que conheceu neste século que passou e irá cumprir um destino grandioso.
Há um “porém” que precisa ser superado para podermos enfim evoluir em paz, e este porém chama-se energia. É disso que se trata o livro The Long Emergency de James Howard Kunstler. Leio uma revisão do livro na semana onde o petróleo atinge um preço recorde.
Segundo o autor entre hoje e 2010 estaremos no pico da produção mundial de petróleo, ou seja, já teremos consumido metade do petróleo que existia no planeta e a partir de então a produção só irá diminuir (Os Estados Unidos já tinham atingido seu pico de produção em 1970). Sem contar ainda que esta outra metade das reservas está em regiões de conflito, é mais difícil e mais caro de ser extraído e tem pior qualidade. A produção de gás também irá diminuir, e o uso de carvão é difícil e poluente.
O uso de energias renováveis como a solar ou eólica só é possível em pequena escala, e os componentes destes geradores dependem de petróleo. A cultura de biomassa como cana de açúcar para fazer álcool só é possível porque existem fertilizantes e defensivos para a produção, e estes insumos são em larga maioria fabricados a partir de derivados de petróleo.
Usinas nucleares seriam extremamente caras para serem implantadas em larga escala sendo que urânio também é um recurso finito.
Kunstler prevê uma futura disputa entre Estados Unidos e China em terras da Ásia Central e do Oriente Médio pelo controle das últimas reservas de energia fóssil, com vantagem para os chineses. Será impossível aos Estados Unidos tentar controlar infra-estruturas em países invadidos um após o outro. É mais provável que sua economia quebre antes disso e que a América seja obrigada e se isolar em casa.
Sem petróleo, nossa economia no século XXI será baseada mais na agricultura do que em tecnologia ou em serviços. Não haverá transportes, viagens, turismo, grandes redes de distribuição ou supermercados.
A grandes cidades irão falir, e só irão sobreviver pequenos e médios núcleos cercados de terras agricultáveis. Possivelmente relações neo-feudais poderão surgir, já que a agricultura precisará de mais mão de obra e os que deixarem as cidades precisarão de alimento e um novo lar. 200 anos de modernidade estarão de joelhos.
Mas o autor tem um lado otimista também. Diz que essa nova vida em pequenas comunidades nos fará reentender o senso de humanidade criando laços mais sinceros com o próximo, baseados em afeto e não em interesse.
Talvez ele tenha razão, talvez tenhamos que passar por um grande trauma para entendermos o que é verdadeiramente importante para nossa sociedade.

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