Saturday, May 09, 2009

Mídia do futuro


Uma das consequências da crise financeira planetária é que em um esforço para cortar gastos do meu orçamento familiar tive que me desfazer do pacote super mega plus da tv a cabo.
Nada de Telecine, nada de HBO. A NET levou semanas para instalar o raio do cabo. No minuto em que minha esposa ligou para cancelar o pacote, meus canais foram cancelados. Eu estava assistindo X Man no Telecine action. Tive que terminar assistindo a novela dos mutantes na Record. Doloroso.
Por um lado é bom. Os filmes que eu queria assistir passavam sempre em um dia em que eu estava viajando. Quando eu estava em casa ou os filmes eram ruins ou eu os pegava pela metade, ou já era minha quinta vez assistindo. Agora quando quero um filme vou na locadora.
Sobraram me toda aquela penca de canais inúteis e indesejados, da TV Senado ao Polishop, passando por aquele canal que tem corrida de cavalos, uns outros de pastor evangélico berrando, Rede TV e todas aquelas outras com filmes, eca, dublados e enlatados dos anos 80.
Agora sigo um dos ensinamentos mais valiosos de Marx (o Groucho, não o outro). Se alguém liga a tv, saia correndo e pegue um livro. Só assim a TV é educativa.
Mas olhando aqueles programas lixo, fico imaginando se no futuro, com a internet, poderemos comprar nossos programas separadamente e montar nossa própria programação.
Funcionaria assim. Um produtor inventa um show televisivo, produz episódios e põe à venda na rede. Você compra o show para assistir em casa no horário que quiser.
Não teríamos mais canais de televisão, mas milhares de produtores independentes criando e vendendo seus programas na net/tv do futuro. O Youtube é o embrião disso. No more polishop pra mim please.
Da mesma forma, jornais impressos estão hoje em crise, queixando-se da concorrência da internet no mercado de publicidade.
Imagine que você é um jornalista, produz seu próprio site, analisa as notícias e escreve suas opiniões. Os veículos são eliminados, sobra quem efetivamente produz informação. Se você for um jornalista muito bom, que escreve bem e diz coisas sensatas vai atrair público e anúncios.
Ah, e quem vai atrás das notícias, onde elas ocorrem? Agências de notícias que por sua vez venderão a informação aos jornalistas...
Mas há também quem acredite no contrário. Que a internet vai virar a fonte de notícias e que os jornais servirão para filtrar o que presta e o que não presta, mais analisando do que efetivamente reportando as notícias.
De todo modo uma transformação na maneira como a mídia funciona já está acontecendo e vai acontecer cada vez mais rapidamente.

5 comments:

Sandra Leite said...

Um basta a TV a cabo:) Ela corta nossa criatividade e imaginação. Né não?;)

beijos

Zé Costa said...

Pois é cara, também não tenho TV a cabo e, sinceramente, não sinto falta.

Frodo Balseiro said...

O único problema no modelo que você propõe, é que alguém tem que fazer apuração, o trabalho de base que possibilita as opiniões sobre os fatos!
Por essa razão acredito que sempre haverá espaço para a mídia convencional.
Quanto à NET e seus assemelhados, realmente está virando um saco!
Se você paga por uma assinatura, deveria haver uma limitação 1-Para reprises de filmes e programas, e principalmente, 2-Intervalos comerciais.

Rosmarino, tempero e destemperos said...

`Parabéns e mesmo que a crise enfraqueça, mantenha-se forte sem tv paga!
Desde 2003 não assino mais. Estou muito satisfeita e minha família nem sente mais falta!

Lelec said...

Quando quero ver um filme, se o mesmo não está no cinema, vou à locadora.
Tinha TV a cabo no Brasil, não a tenho na França. TV a cabo, para mim, seria apenas para ver jogos de futebol. Aliás, só ligo a TV para ver futebol.
Quanto ao jornalismo na era da internet, o Pedro Dória fez uma série de posts sobre o assunto. Vale a pena ler, para quem se interessa.

Abraço,

Lelec

PS: Espero que a fase de contenção de gastos acabe logo.