Wednesday, October 28, 2009

Política no campo


Um pré-candidato a deputado federal veio pedir apoio político a uma amiga, produtora rural. Que me pediu conselhos para condicionar o seu apoio.
Aí vão algumas coisinhas que um político deve saber para defender o homem do campo
:

Não pode existir uma diferença entre agricultura familiar e agronegócio. O que existe é um só setor e uma só classe, a de produtores rurais, divididos em grandes médios e pequenos;

Este setor é responsável por umterço do PIB e dos empregos do país. Quando se luta pelos interesses do campo não se está defendendo "os fazendeiros", os "ruralistas", está se defendendo o interesse e a economia do Brasil;

Um produtor que sustenta sua família com agricultura pratica agricultura familiar, não interessando se ele é grande, médio ou pequeno. Como existem indústrias e comércios familiares, que vão da quitanda do japonês da esquina até a rede Pão de Açúcar dos Diniz, a Votorantim do Ermírio de Moraes, a siderurgia dos Gerdau e etc. Existem agricultores familiares que trabalham com tabaco no RS, com suinocultura em SC, com fruticultura no vale do São Francisco, e com pecuária no MS, em GO, ou em MG. O importante é que a renda gerada por aquela propriedade sustente dignamente uma família, e se possível gere renda a outras famílias também;

É mentira que o agronegócio gere concentração fundiária e desemprego por exemplo. No último censo agropecuário do Estado de São Paulo, que tem a agricultura mais tecnificada do país, verificou-se que o tamanho médio das propriedades diminuiu. E isso com toda aquela cana, laranja e reflorestamentos. Os empregos que são eliminados no campo com a monocultura e a tecnificação são criados nas cidades com a instalação de agroindústrias de suco, de papel e celulose, de usinas, de laticínios, de frigoríficos e etc;

Quanto menor a propriedade obviamente mais necessário se faz o uso da técnica agronômica e zootécnica para um bom desempenho de produtividade, e maior precisa ser a capacidade de organização na hora de conseguir crédito, na compra de insumos e na comercialização de produtos. Isso pode ser alcançado por exemplo com o cooperativismo (como alguém com 20ha pode ter um trator por exemplo sem inviabilizar financeiramente a propriedade?). É nessa hora que o estado deve desempenhar sua função através dos programas de extensão rural;

A agricultura familiar no entendimento do atual governo e do programa de reforma agrária no entanto é incapaz de gerar renda, o que a recente pesquisa da CNA comprova. Pela pesquisa da CNA, 46% dos beneficiados com o Programa da Reforma Agrária já vendeu suas terras (o que é ilegal diga-se de passagem), 37% não produz rigorosamente nada, 10% não produzem o suficiente nem para a família e 24% produzem o suficiente só para a família. Ou seja, em vez de gerar um benefício para a comunidade e para a economia do país, gera-se um gasto extra que em vez de dar independência econômica a uma família cria uma legião de estado-dependentes, gente que para viver precisa de auxílio contínuo do Estado;

É preciso entender que o setor da agropecuária é um setor da economia igual aos outros, como é a indústria, como é o comércio. Os índices de produtividade que visam a desapropriação de imóveis rurais são uma obscenidade ideológica. Imaginem por exemplo que seja proposto um índice de produtividade para a indústria de calçados. A que não produzir um determinado número de pares de calçado por ano poderá ser desapropriada e destinada as militantes do Movimento dos Sem-Indústria. A idéia é tão absurda que ninguém nunca cogitou implantar uma coisa dessas. E no campo no entanto essa idéia perdura, com um atraso de uns 200 anos pois é do tempo em que a terra era a única fonte de geração de riquezas;

A revisão dos índices de produtividade vai servir só como ferramenta para que um movimento criminoso como o MST ganhe passe livre para invadir onde bem entender.
Por mais que uma fazenda seja mal cuidada ou que produza muito pouco, o dono dela emprega pelo menos duas ou três pessoas. Tem um filho em escola particular na cidade, usa uma Unimed, gera um excedente que mesmo pequeno vai gerar ICMS para o município. Se nessa fazenda faz-se um assentamento de reforma agrária, além de não gerar mais nada vai dar prejuízo em forma de bolsa-família, cesta básica, transporte grátis e ainda demanda a instalação de redes delétricas, de água e esgoto em zonas rurais quando nem nas cidades estes serviços estão disponíveis a toda a população urbana. Nesse sentido, a reforma agrária deve ser feita em terras realmente improdutivas, que devem ser dadas não a assentados mas vendidas a pessoas com vocação agrícola por programas que facilitem o acesso à terra;

Em resumo, o papel do Estado no campo:
- facilitar o acesso a terra a quem realmente tem vocação agrícola
- extinguir os índices de produtividade para o setor agrícola
- incentivar programas de extensão rural que viabilizem a pequena propriedade
- incentivar a agroindústria
- melhorar a infraestrutura em núcleos urbanos do interior, diminuindo o inchaço das grandes capitais

9 comments:

Everardo said...

O percentual de recursos públicos aplicados no incentivo (sustento seria mais apropriado) de grandes propriedades mecanizadas (que geram êxodo rural e bolsões de pobreza nos centros urbanos), dedicadas à monocultura de exportação (comodities) é vergonhoso quando comparado aos recursos aplicados no incentivo da agricultura familiar. MAS, ainda se acusa o o governo de fazer uma política errada (o Brasil não exporta produtos agrícolas com valor agregado)e de privilegiar o MST. A receita da bancada ruralista é a herança viva da política do pasado: de um lado, prósperos e sibvencionados fazendeiros da monocultura. De outro, escravos vendidos na feira. Ela deseja que as coisas continuem assim: alimentos são exportados e transformados em dinheiro, que cai na mão dos grandes proprietários. Quem quiser comer, que coma areia.

Fernando Sampaio said...

E lá vem o Everardo...

Alessandra said...

Queria mesmo era ver essa pessoa se alimentando com alimentos produzidos pelo MST.

Ele nem sabe do que está falando...

No mais, nós não exportamos produtos agrícolas de valor agregado? Monocultura ? Será que ele já ouviu falar em integração lavoura, floresta e pecuária? Ou 1/3 do PIB brasileiro vir do Agronégocio?

Aff!!!

Everardo said...

Nossa monocultura de exportação gera emprego l´fora e êxodo rural aquí. Não se trata de estar ou não errado o MST, mas de que temos que parar de produzir dinheiro para uma meia dúzia dizendo que produzimos alimento. Alimento é o que comemos, não o que faz caixa para algumas multinacionais do agronegócio e seus caricatos sanguessugas dos BNDES da vida. E esse tipo de atividade não gera emprego no campo. É fortemente mecanizada e agressiva ao meio ambiente.

Fernando Sampaio said...

Everardo, o que você escreveu aí é uma coleção de imbecilidades tão imensa que dá preguiça retrucar... Agressivo ao meio ambiente são os assentamentos do Incra. Exodo rural se gera pela falta de capitalismo no campo, não pela presença dele. Vá escrever seu blog com essas cretinices e suma daqui, que aqui vc não escreve mais.

Everardo said...

Que reação é essa, Fernando? Bastaria citar UM produto de exportação com valor agregado, que não seja grão, e tava resolvido. Isso irrita tanto?

Fernando Sampaio said...

Que tal o suco de laranja da Cutrale? A mesma empresa que teve uma fazenda invadida e destruída pelo MST???

Maurício Nogueira said...

Cadê meu comentário em que eu falava que deviam estudar o cérebro do Everardo??

Puta cada atrasado e debochado, o que pior. Deve ter aprendido com o José Genoíno...

Cara, acorda, abre os olhos. Os livros de histórias não são relatos no presente. Sai do passado, esquece esses bordões da esquerda delinqüente e festiva. O mundo está acontecendo e você está empoeirando.

Vá aprender um pouquinho, cria vergonha nessa sua cara vermelha.

Abraço, pra não perder o costume e nem a educação.

Big-Ben (Maurício)

Anonymous said...

Cadê meu comentário em que eu falava que deviam estudar o cérebro do Everardo??

Puta cada atrasado e debochado, o que pior. Deve ter aprendido com o José Genoíno...

Cara, acorda, abre os olhos. Os livros de histórias não são relatos no presente. Sai do passado, esquece esses bordões da esquerda delinqüente e festiva. O mundo está acontecendo e você está empoeirando.

Vá aprender um pouquinho, cria vergonha nessa sua cara vermelha.

Um abraço para não perder o costume e nem a educação.

Big-Ben (Maurício)