Tuesday, February 28, 2006

Carnaval


Como Luiz Melodia também fico triste quando chega o Carnaval.
Porque na verdade sempre fui um excluído do Carnaval. Nunca morei em um lugar que tivesse um carnaval decente, e quando ia a bailes de carnaval sempre havia alguém conhecido por perto que eu imaginava, julgaria meu comportamento.
Nunca pude me soltar, encher a cara, viver a fantasia da festa. Quando descobri que poderia fazer isso quando quisesse sem ter que dar satisfação aos outros era muito tarde.
Claro acabei fazendo isso em muitas outras ocasiões, longe dos olhares inquisidores que me perseguiam, mas nunca no Carnaval.
Por isso invejo aos que estão no meio da folia, e vejo fotos da festa no Recife, no Rio e em Salvador enquanto chove gelo na minha janela aqui na Holanda.
Invejo os mascarados,os anônimos e os bêbados, no meio da multidão, usufruindo a liberdade perdida, e invejo ainda mais os que tiveram amores de carnaval, desse que duram quatro dias, quatro horas ou quatro minutos.
Eu na verdade tive uma quase namorada que desistiu de mim pelo carnaval. Disse que nào dava pra levar nada a sério com o carnaval e me largou numa esquina...Daria pra fazer um samba triste.
Hoje não a culpo nemum pouco, pelo contrário. Um garota de 17 anos tem mais é que viver tudo o que a vida dá de alegrias, principalmente no Carnaval. As que não vivem me fazem lembrar das Virgens Suicidas de Sofia Coppola.
Libertem-se meninas, nem que seja em quatro dias de festa.

4 comments:

Anonymous said...

Olá, FErnando,
vi o link para o seu blog e vi aqui dar uma "espiada", você escreve bem e "jorra", as dores da sua alma, como se a vida tivesse passado e voc a perdeu...Não perdeu não, essas dores do passado, só são dores porque tú és poeta e ainda bem que elas existem, porque se não que seria das grandes músicas, dos grandes livros... Só não pense que ainda não há carnaval na sua vida, na neve, no gelo, ainda há um coração que pode ser quente.. e tú és latino, brasileiro...
Então, adorei seu blog, eu também tenho um, mas é feito mais de choradeira do que de qualquer outra coisa...
Um abraço,
Cristiane

Ribamar said...

E Alma, legal seu blog. Mas nesse post enganou bem, pois se você não festou foi só no carnaval, por que nos outros 361 dias do ano na RPD LL... Abs, Ribamar

scot said...

"Libertem-se meninas, nem que seja em quatro dias de festa".

Notei aqui, uma certa safadeza enrustida.

Vai ver que é por isso que as Secretarias de Saúde, proclamam em seus anúncios: Nesse Carnaval Use Camisinha e Brinque com Segurança!

Passei o carnaval, na beira do rio Dourado, bebericando,filosofando, vendo o sol se por e o sol se levantar.

Para mostrar a minha civilidade e engajamento usei camisinha todos os dias, mas não deu muito certo.

Numa dessas filosofadas ao por do sol, errei o pé e caí do flutuante. Apesar de estar usando camisinha, quase morro afogado.

Detesto propaganda enganosa!

Scot

Bernardo said...

Ao ler da namorada perdida lembrei de um ditado budista que apregoa o agradecimento a Deus por aquilo que de alguma forma perdemos ou simplesmente não conseguimos alcançar...sem dúvida a perda é combustível para a poesia, e talvez mais essencialmente por sinalizar uma alternativa almejada e que, não alcançada, envolve-se em uma aura de possibilidades - por vezes ilusoriamente mais virtuosas do que a realidade a qual cedeu lugar, com seu universo de arestas e dissonâncias!